sábado, dezembro 02, 2006

O Que Lula Tem A Aprender com a China.

O interior da China era muito parecido com o Nordeste brasileiro em 2001. Muita gente pobre, sem qualificação profissional, vivendo de favores de governos e oligarquias locais. Hoje em dia, é a maior concentração de fábricas estrangeiras, que fazem de tudo, desde peças para automóveis até a programação básica da Microsoft. Foram-se as oligarquias, entraram os investidores estrangeiros, proporcionando um salto de qualidade de vida jamais vista em toda história daquele grande país.

Os líderes chineses sacaram que não compensava ficar isolado do mundo, pelo contrário, queria não só fazer parte dele, mas entrar competindo, fazendo sentir a sua presença. Em 1977 (grande ano!) o líder chinês Deng Xiaoping declarou que “enriquecer é glorioso”, colocando a China no mapa da economia global. O plano não era simplesmente servir como repositório de mão-de-obra barata para o ocidente, mas sim aprender e vence-los no próprio jogo. Mas mesmo no começo, sendo repositório de mão-de-obra barata, já ajudou muito o povo antes pobre, agora com emprego, dinheiro e dignidade.

Tinham um plano por trás da abertura econômica. Para tanto, estão munindo seus jovens com as competências necessárias para competir de igual para igual com o resto do mundo, construindo infra-estrutura, desburocratizando, principalmente leis trabalhistas, e, mais importante, criando incentivos para investidores estrangeiros. O objetivo é que na próxima geração, os produtos não sejam somente “made in China”, mas sim “created in China”. E eles vão chegar lá. A consolidação do plano foi a entrada do país no OMC, em 2001.

Aqui, o máximo que conseguem é dar bolsa-família e um programa falido chamado Fome Zero. Iniciativas que nunca vão colocar o Brasil no mapa econômico, deixando os coitados nordestinos à mercê das oligarquias e Estado paternalista. Ou seja, gerações e gerações de pobres pela frente. E mandatos mais mandatos de presidentes, governadores e prefeitos populistas. Com nossas leis trabalhistas, judiciário ineficiente e falta de investimentos em educação e infra-estrutura, os únicos que vão querer investir aqui é a Venezuela de Chaves, plantando banana, e o Paraguai, vendendo produtos falsificados. Nada que agregue valor ao brasileiro.

Hoje, o interior da China tem cidades imensas, com mais de um milhão de habitantes, todos empregados e satisfeitos. Seus filhos vão à escola e têm um futuro promissor pela frente. Lula tem muito que aprender com a China. Mas será que ele quer? Ou prefere ficar puxando saco de países africanos subdesenvolvidos e ficar abraçando o Kadafi?

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Espermograma.

Espermograma é o nome do teste clínico que fazem para determinar se o homem é fértil ou não. Consiste em pegar uma amostra do sêmen e, antes que os espermatozóides morram, passar por uma máquina que conta quantos têm. Assim se determina como está a saúde reprodutiva do paciente.

Isso é a tese, na prática a teoria é outra. Tive que fazer um espermograma a pedido do meu médico, que, num pedaço de papel escreveu: “Exame de sêmen, infertilidade?”. Só isso, bem no meio do papel, com bastante destaque às palavras, que ele fez questão de sublinhar. Fui à clínica e, morrendo de vergonha, entreguei o pedido à atendente que faz a triagem.

“A gente não faz isso aqui não, só na outra clínica, lá no Brasília Shopping, primeiro andar”.

Perguntei se não poderia pelo menos me dar o coletor, pois daí tiraria a amostra em casa e levaria para a clínica. “A amostra tem que ser coletada no local”, me responde. Aliais, que eufemismo esse, heim? Coletar a amostra, quando nós dois sabemos que se trata de masturbação simples e comum. Mas vamos ficar com a metáfora.

Então lá vou eu, para outra triagem constrangedora. A mulher – sempre é uma mulher! – lê o pedido, me olha com os óculos pendurados na ponta do nariz, e me dá uma senha. Número 77, pelo menos é punk!, e me indica para o final do corredor, onde tem uma fila de cadeiras encostadas numa parede. Me dá um frasco, que é para encher com a “amostra” e lá vou eu, me juntar a outros dois senhores, também segurando aquele frasco patético na mão. Todos que passam nos olham sabendo que vamos “colher amostras”.

A espera é longa. Tem uma cabine, com o dizer na porta: “colheta masculina”. Tem um monte de mulher solteira que pode achar que é uma plantação de machos e estariam loucas para colher seus maridos ali. Deveriam colocar entre parêntesis: “Punhetódramo”, para não haver dúvidas. Como são metafóricos esses médicos! Em cima da porta tem uma luz vermelha acessa, que me fez lembrar de um corredor de puteiro.

Aparece uma enfermeira que nos pede desculpas pela demora: o paciente está tendo dificuldades para colher sua amostra. Eu tento segurar o riso. Coitado, imagino ele lá dentro, no cinco-contra-um, sabendo que está atrasando a vida de outros que estão na fila. Daí é que não consegue mesmo. E não consegue porque o lugar é totalmente séptico, sem sensualidade nenhuma. Pelo contrário, é um corta-tesão de primeira, parecendo mais uma açougue de luxo.

Número 77! É a minha vez. Quando me levanto, os que estão atrás de mim me olham com aquela cara de “não vá demorar também, heim?”. E lá vou eu seguindo a enfermeira que abre a porta, ascende a luz vermelha e diz: vou te dar as instruções. Quase congelei! Para que instruções, faço isso desde adolescente! Não era nada disso. Era para me dizer como proceder: entrar na sala, trancar a porta, colher a amostra, colocar o frasco numa bandejinha, apertar um botão verde, abrir a porta e sair da clínica por uma outra porta no final do corredor. A clínica tem uma saída própria para os colhedores de amostra, há há há, que imagino saírem morrendo de presa, temendo uma enfermeira sair gritando atrás: “Só isso?!?! Não dá nem para o começo!”

Dentro da sala tem um balcão com pia, uma cadeira e uma privada super-moderna, que gira o assento ao usuário se levantar! Para “auxiliar” os colhedores, uma pilha de revistas de sacanagem. Olho em volta, temendo ter “amostras” no chão, parede ou cadeira. Não, tudo limpo. Pego a primeira revista, impressa em papel jornal, contendo somente fotos de amadores, geralmente mulheres fotografadas pelos respectivos maridos. Um bando de gordas em posições que deveriam ser eróticas, mas parecem mais aberrações de circo – freakshow!. Não é a toa que o cara antes demorou tanto! Recuso essa e vejo o que mais tem. Acho uma Sexy – a do mês! – e mãos à obra!

Quando estava quase conseguindo “colher a amostra”, viro a página e aparece uma foto de página inteira do rosto do Ivan Lins! Tão querendo sacanear comigo! Quase me sabota, esse Ivan Lins. Viro logo as páginas, encho o frasco, aperto o botão verde e saio correndo! Que mundo estranho esse nosso.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Plebe na CBN


Na Plebe, quem tem carro é o Txotxa e eu. O Clemente tinha um Parati 87, mas foi roubado ano passado, junto com um para de botas Doc Martins, que estavam no porta-malas (qual a maior perda?). Se você entrar em qualquer um de nossos carros e ligar o rádio, certamente estará sintonizado na CBN. Nossos locutores favoritos são o Heródoto Barbeiro, Sardenberg, Piotto e, claro o João Carlos Santana. Por isso a satisfação de fazer a entrevista para seu programa Sala de Música, que vai ao ar todos os sábados. Eu recomendo, é um sopro de ar fresco no marasmo das ondas musicais. Um locutor falando sobre música que realmente gosta e entende de música. A nossa vai ao ar no último sábado de dezembro. Ouçam.

Além desse programa, a emissora também tem outros ótimos. Eu recomendo o Sessão de Cinema, Ética nos Negócios, Mundo Sustentável e Responsabilidade Social. Rádio não é só música. A CBN é uma ótima alternativa para fugir dos playlists de hits insuportáveis que rola nas ondas das rádios.

O Txotxa e eu queríamos um autógrafo do Heródoto, mas ficamos com vergonha de pedir. Eu li sua introdução ao livro sobre o relatório do CIA sobre os próximos vinte anos. Vale a leitura.

E olha a gente, acima, com o João Carlos.

Plebe na Fnac/Brasília





Não sei quem mandou melhor, a Plebe ou os Plebeus. Na verdade, foi uma sinergia dos dois, que tomaram conta de todo o espaço do Franz Café, dentro da Fnac, e fizeram um show único, memorável. Philippe e Clemente com violões, o Txotxa tendo que tocar baixinho, mas sem perder a velocidade, e somente eu no terreno conhecido, com meu baixo e um amp. Nossa, cantaram tudo com a gente, letras novas e velhas. Foi tão bom, que, mesmo com a Fnac desmontando o palco, voltamos para um bis de R ao Contrário e Luzes.

Infelizmente minha máquina quebrou. A Rosa conseguiu tirar somente as fotos acima. Mas como tinha muita gente tirando fotos por lá, tenho certeza que outras irão aparecer. E tem mais, o Rafael filmou tudo com minha filmadora. Vou editar e colocar o show interio na internet. Aguardem.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Hoje Tem Pocket Show Fnac

É em Brasília, no Park Shopping. Sim, a Plebe vai invadir o templo do consumo, a meca do capitalismo, a catedral financeira, para divulgar o R ao Contrário! Somos o vírus na máquina, o lixo debaixo do tapete, a meleca grudada sob a mesa! Não levem isso tão à sério, estou me abrindo em lágrimas enquanto escrevo. Será uma ótima oportunidade da gente mostrar outras versões de nossas músicas, pois lá não dá para colocar o equipamento todo. Acho que Philippe e/ou Clemente usarão violões em alguma parte. E vão se supreender como dominam bem o acúsitico! Sabiam que o primeiro instrumento do Clemente foi um cavaquinho? Pronto, dedurei! Melhor ainda, será uma ótima chance da gente conversar com os plebeus. Estejam lá! 19h30min!

Ha, sim, demos um banho ontem na UOL. Mais de 13 mil visitas no clipe da Plebe. Estamos disputando o mais do mês! Obrigado.

E vamos votar na Bizz!

terça-feira, novembro 28, 2006

Plebe Passa Sandy & Júnior!

Está acontecendo no site da UOL. Filmaram parte do show de sexta-feira, no Sesc Pompéia, e disponibilizaram na UOL, no Showbiz (?). As informações que recebemos é que está tendo audiência récorde. Entrem lá e ajudem a gente a passar todos!

segunda-feira, novembro 27, 2006

Morte e Impostos


Benjamim Franklin um vez falou: não há nada certo na Terra, tirando impostos e a morte. Se ele vivesse no Brasil, nos dias de hoje, certamente preferiria a morte. Em 1970, um brasileiro tinha que trabalhar 2 meses e vinte dias para pagar toda sua contribuição para o governo. Esse ano, saiu um cálculo que para honrar todas suas dívidas com o fisco, o brasileiro médio trabalha 4 meses e 17 dias. A estimativa para 2007 é uma jornada de 4 meses e vinte dias, ou seja, quase 5 meses! O que você arrecadar o resto do ano é seu.

O revoltante de tudo isso é que não recebemos nada de volta. O norueguês, que também paga um imposto violento, tem escolas de qualidade, creches que funcionam, um sistema de saúde impecável, infra-estrutura física e regulamentar que ajudam o empreendedor e, ainda, um policiamento preventivo que dá conta da segurança das cidades. Acho que ele não acha ruim gastar quase meio ano trabalhando para o governo. Já o brasileiro, rala para pagar salários de servidores públicos, obras faraônicas e programas sociais eleitoreiros. E não é só desse governo, é de todos os anteriores também.

Crescemos num ritmo africano, 2% ao ano, enquanto os gastos governamentais tem uma inflação de 6% ao ano. Não é necessário ser um gênio para perceber que se essa situação continuar, vamos, de fato, virar uma economia africana. Enquanto Índia, Rússia e, principalmente, a China atraem os investidores externos, a gente vai atrair somente o Chaves, o Morales e outros populistas que procuram seu espaço nos holofotes internacionais. Como o Lula já avisou que não tem onde cortar os gastos, se preparem para trabalhar mais e mais para bancar a conta. Bom trabalho!

Sesc Pompéia - 24/nov - X Canta e Toca


Sesc Pompéia - 24/nov - Fê Lemos


Sesc Pompéia - 24/nov - Philippe atarefado.


Obrigado Fabiane pelas fotos!

domingo, novembro 26, 2006

Fim-de-semana sensacional.

O segundo show no Sesc Poméia, na noite de sábado, 25 de novembro, foi histórico. Imaginem no palco, de uma só vez: Clemente e Ronaldo dos Inocentes, Redson, Philippe, Txotxa e eu. Tocando I Fought the Law, do Clash. Isso porque, antes, já havia rolado Pânico em SP, com o Ronaldo nas guitarras, e Medo, com o Redson. Aqueles que conseguiram vencer a chuva torrencial que castigou SP a noite toda, foram premiados com uma performance incrível.

Do Sesc, saímos voando para o Kazebre, para o segundo turno da noite. Mais precisamente, da madrugada, pois entramos lá pelas duas e meia do domingo. Esse show foi bem energético, contou de novo com uma participação do Ronaldo, mas para mim foi sofredor faze-lo. Minutos antes de entrar no palco, me abaixei para pegar uma água na geladeira do camarim e dei um mal jeito nas costas. Não conseguia me mexer, a base da coluna doía feito louco! Doeu ficar paradão no palco, numa posição que a dor fosse suportável. Quem chegou ao Kazebre é um herói. Quem esperou até a nossa entrada e ainda demonstrou tamanha energia, merece um parabéns em dobro da Plebe.

Foi um fim-de-semana sensacional.

sábado, novembro 25, 2006

Enfurnado num quarto, em contato com o mundo.

O autor de O Mundo é Plano, Thomas Friedman, ficaria orgulhoso de mim. Estou num quarto de hotel em SP, com meu laptop plugado na internet, já atualizei meu blog horas depois de um show e, agora, a menos de 24 horas do fim do show, já tenho comentários sobre o evento. A tecnologia é maravilhosa e vai revolucionar muito nosso mundo e costumes ainda.

Aproveito o imediatismo para avisar que é possível a participação do Redson no show de hoje.

Hoje, não saio do meu quarto! Dormir é bom.

Sabado em Pompeia.

O show de ontem, sexta-feira, no Sesc Pompéia foi o melhor da turnê até o momento. Tinha tudo para dar errado, subimos ao palco num stress fudido, sem ter passado som, famintos e exaustos fisicamente e emocionalmente. Mas, por incrível que pareça, são nessas condições adversas que a Plebe melhor atua, superando os obstáculos, vencendo o desafio.

Chegamos às 6 da manhã no aeroporto de Brasília, vôo para Guarulhos estava previsto para decolar na hora certa. Tínhamos conseguido escapar do apagão aéreo, nosso principal risco para o sucesso da viagem. Philippe, Txotxa e eu chegamos em solos paulistanos na hora certa, sem atrasos, mas quando saímos pelo portão de desembarque, não havia ninguém segurando uma placa escrito Plebe Rude. Ligamos para o Ivan, que estava vindo de carro do Rio, com o Felipão. Era para o motorista estar lá! Esperamos, esperamos, esperamos.

O Txotxa foi abordado por um senhor, que poderia ter saído de um conto sobre o Lampião, perguntando se a gente era o João Carlos que estava indo para a Rádio Excelsior. Ele respondeu que não. Horas depois o sujeito volta e pergunta se o Txotxa tinha certeza que não éramos nós. Quando ele mostra a plaquinha, dobrada em sua mão, lemos: João Carlo Paleberude. Porra, somos nós! Só que não tem nenhum João Carlos, nem queremos ir para a Excelsior! O sujeito ainda tinha o numero do vôo errado! E se tivesse com a placa exposta, invés de debaixo do sovaco, teria poupado muito trabalho.

Nisso, não havíamos tomado café, tirando o lanchinho mingúe servido na Gol. E lá vamos nós, a zero por hora, passando por um engarrafamento monstro, num calor demoníaco, para a CBN. Claro, chegamos atrasados. O Clemente já tinha gravado sua parte e nos aguardava entediado. Fazemos uma entrevista sensacional para o Sala de Musica, e vamos voando para o Play TV. A caminho, descobrimos que o Felipao tinha passado mal e estava internado no Hospital das Clínicas, com suspeita de problemas renais.

A Plebe viaja com uma equipe reduzida de duas pessoas, a fim de tornar nosso show mais barato e conseguirmos viabilizar para contratantes de lugares menores, tipo Nazaré das Farinhas. O Felipão é parte vital dessa dupla, pois cuida das guitarras e solta os samplers. Sem ele, o Júnior fica sozinho, tornando montar e desmontar o palco, e ainda monitorar o show, uma tarefa herculana. E ainda seriam três shows em dois dias! Alem de, claro, estarmos preocupados com a saúde de nosso amigo. E ainda, o Júnior e o Vlad estavam ainda no Rio com o equipamento. Seu vôo atrasado, vitima da operação padrão dos controladores aéreos. Não vai dar para passar som.

Não dava para almoçar. Cumprimos nossa jornada de entrevistas e chegamos no hotel na hora de sair para o Sesc. Um banho rápido, nada de comer, e vamos nós! Chegando lá, pensando em comer um sanduba, pelo menos, somos informados sobre outra equipe de TV que nos aguardava. Outra entrevista, da qual saímos direto para o palco.

Nisso, aparece o Felipão, bem melhor. Era nervo ciático, não rins. Mas não vai poder pegar peso. Está sendo substituído pelo roadie do Clemente, seu cunhado Tiago.

E o show foi incrível. Uma platéia vibrante, com as letras novas e velhas na ponta da língua. O Fê estava na platéia e subiu para tocar Voto em Branco, música que não estava no set list. Vamos aos dois de hoje!

quinta-feira, novembro 23, 2006

R ao Contrário em SP

A Plebe chegará à São Paulo, nessa sexta, dia 24, por Guarulhos, logo de manhãzinha. Isso é, se o apagão aéreo permitir. De lá, vamos direto para a Rádio CBN dar uma entrevista, onde nos encontraremos com nosso representante paulista, Clemente. Depois de um rápido almoço, às 14 horas estaremos na Play TV, depois disso, passagem de som (o tédio, o tédio!). Mas ainda não terminou! Às 17 horas, entrevista para o programa Zig Zag do canal 14.

No sábado, dois shows, um no Sesc Pompeia, às 21 horas, outro no Kazebre, na madrugada de domingo.

Pronto, já sabem do nosso intinerário. Nos encontrem onde puder.

SP é nossa segunda casa. Muitas vezes o Philippe e eu nos questionamos porque a gente se mudou para RJ nos anos 80s. Temos muitos amigos em sampa, sempre somos tratados bem e temos uma identidade cultural com a cidade. Vai ser ótimo o lançamento do CD esse fim-de.

E ainda, o nosso amigo Paulo Marchetti estará filmando os shows no Sesc para um mini-documentário que iremos disponibilizar para vocês. Promete!

terça-feira, novembro 21, 2006

Pocket Show na Fnac.

• Data: Quarta-Feira 29/11/2006 19:30
Lançamento do cd e Pocket show da Plebe Rude
A Fnac convida para um bate papo seguido por pocket show para marcar o lançamento do novo cd R ao Contrário da Plebe Rude. Desde a gravação de Enquanto a Trégua Não Vem, o álbum ao vivo que marcou a volta da Plebe Rude, em 2000, um disco de inéditas vinha sendo aguardado pelos fãs. Pois a espera acabou com R ao Contrário, o novo álbum, lançado pela Revista Outracoisa e que marca a estréia, em disco, da formação que vem tocando pelo Brasil desde 2004. Além de Philippe Seabra (vocal e guitarra) e André X (baixo), remanescentes da Plebe original, estão na banda Clemente (guitarra e vocal), também integrante do Inocentes, outra lenda do punk rock nacional, e o baterista Txotxa, ex-Maskavo Roots.


Acima, o chamado no site da Fnac/Brasília para o nosso pocket-show. Por incrível que pareca, esse é um dos eventos futuros da Plebe que estou mais ansioso para fazer. Gosto dessa idéia de tocar em uma loja que vende nossos discos e falar direto com os compradores sobre o produto. Como vamos fazer? Não sei, estou deixando a cargo da genialidade musical do Philippe. Certamente ele saberá como aproveitar aquele espaço pequeno e sem muitos recursos para levar umas versões bem bacanas das nossas músicas para quem estiver presente.

E o mais legal é que nosso CD está custando um pouco menos do que 20 reais na Fnac. Isso é mutio, mas muito mais barato que o preço do CD médio vendido lá. Realmente tem suas vantagens estar fora de uma major.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Plebe Indicada para o Prêmio Bizz 2007

É bom estar de volta no circuito! Este mês, a revista Bizz provou que a volta da Plebe é definitiva com o entrevistão do Philippe e, ainda, a indicação em três categorias para o Prêmio Bizz 2007. Nos indicaram para melhor disco, melhor música (Mil Gatos) e melhor banda.

Nunca fui de pedir votos, mas, aproveitando o ano eleitoral, gostaria de solicitar para todos os plebeus, aqueles que ouvem o antigo com prazer e aguardam ansiosamente o novo, que dediquem alguns minutos do seu dia para votar na Plebe Rude. Basta ir para o site http://bizz.abril.com.br/premiobizz2007/ e ticar as opções onda a gente aparece. Vai ser muito difícil sairmos com alguma coisa, mas vamos deixar a nossa marca.

Digo difícil, porque não temos gravadora grande por trás que paga para call-centers ficarem votando. Estão surpresos? Acham que não é assim? Bem vindos ao mundo real! Mas temos algo que muita dessas bandas não tem, que são os plebeus. Aqueles que agüentaram mais de uma década por um disco novo. Aqueles que pintam as próprias camisas, que não são levados pelas ondas das rádios jabás, que pensam e têm idéias próprias. Contamos com vocês!

sexta-feira, novembro 17, 2006

O Carioca é Oco.

Quando o R ao Contrário chegou à redação do Globo, no Rio de Janeiro, vários jornalistas culturais se recusaram a fazer a crítica. Acabou na mão de um lá – nem me lembro o nome – que nem de rock gosta e, obviamente, deu uma notinha qualquer. Não me incomoda a crítica contrária, gosto até de ler as opiniões de outros para ver onde erramos, onde poderíamos melhorar. O que me deixou chateado foi a recusa por parte de pessoas que conheço desde os primórdios do rock-Br renunciando o passado.

Isso é típico do jornalismo carioca, infelizmente. Estão sempre querendo estar na moda, mas estão sempre correndo atrás. Quando São Paulo, Porto Alegre e Brasília já deitavam e rolavam nas raves, o Rio, por meio de alguns jornalistas do Globo, descobriram o filão. Deve ser ruim estar sempre na traseira do que acontece no mundo. Imagino quando chegou o nosso novo cd na redação, os carinhas lendo seus NMEs, DJ Mags, e outros periódicos importados, tentando se atualizar, dizendo que não têm tempo de ouvir o rock 80s da Plebe. Coitados. Essa importância que dão ao vanguardismo sem nunca conseguir ser, leva-os a escrever textos ruins, sempre transmitindo aquela sensação de notícia regurgitada.

Impossível um jornalista carioca meter pau, digamos, num Beck. Porra, o cara é idolatrado lá fora, vamos pular nessa onda – aliais, sendo o Rio, devem usar uma expressão tipo essa, onda, surfe, bermuda, sol, etc. Assim, tecem elogios aos Mobys, Underworlds e trance de terceira. Para que ficar ouvindo as produções nacionais, rocks do século passado? Vamos limar tudo isso e nos posicionar na crista da onda mundial. Pena que já vi todos esses pogando no Circo Voador e sei que teriam capacidade de inserir o disco nos dias de hoje, mesmo sendo uma crítica negativa. Mas nem tentar eles tentam. Deve ser por isso que o caderno cultural do Globo tem mais fotos do que texto.

Chegam em casa, se olham no espelho e perguntam: espelho, espelho meu, existe algum jornalista mais atualizado do que eu? Se pudesse, o reflexo responderia que a novidade não elimina o passado. Que cultura jovem é acumulativa, se apóia no passado, olha para o futuro. Nem esperam a resposta, correm para o seu aparelho de som e colocam para tocar o novo CD que ganharam de graça de uma gravadora grande, enquanto procuram na internet como que foi recebido lá fora, para ver se deveriam gostar ou não.

Deixe pra lá! Só tenho a desejar boa sorte para eles, nunca serão um Hunter Thompson, mas se estão contentes sendo um xérox de carne e osso, que sejam felizes.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Contos Infantis

Tenho lido várias histórias infantis para a Ana ultimamente e alguma coisa nelas tem me incomodado. Nem todas têm uma lição de moral que, na primeira leitura, parecem ter.

Um exemplo disso é a lenda da corrida entre a lebre e a tartaruga. Rapidamente, o que se passa é que os dois bichos apostam uma corrida que, a primeira vista, é vitória certa da lebre. Acontece que a tartaruga tem um monte de irmãos parecidos que ficam posicionados estrategicamente no percurso e aparecem sempre à frente do coelho, que, ultimamente perde. Só que a tartaruga roubou!! Ela usou clones para estar na frente, enganando a lebre. Que lição horrível para nossos filhos! Praticamente estamos falando que é ok fazer de tudo para vencer. A lebre, coitada, se esforçou, honestamente, para ganhar. Além disso, vivia treinando e estando em forma. A tartaruga, por outro lado, era preguiçosa e sedentária, não merecia ganhar. Se fosse a vida real, estaria expulsa do time de atletismo por fraudar os resultados.

Outra história que me incomoda é a dos cabritos e o lobo. Resumindo, tem um lobo que mora num terreno, com grama cuidada e aparada, onde também tem uma fonte de água limpa. Os cabritos comem a grama e quando vão beber a água, o lobo aparece e quer comê-los. O cabrito pequeno implora para não ser devorado, justificando que é muito pequeno e que o irmão é maior. O lobo cai nessa e vai deixando todos passarem, até que o cabrito grande e forte mata o lobo. Primeiro, isso ensina que é legal entregar os irmãos. Ensina o denuncionismo. Outra coisa que acho sacanagem é que eles invadem o terreno do lobo, matam ele e se apoderam da terra. Uma ação das mais vis, típica de movimentos tipo MST.

E a história dos três porquinhos? Essa todos conhecem. Mas eu conto da forma como ela realmente aconteceu. Foi assim: os porcos não tinham onde morar, eram uns vagabundos e não trabalhavam. Então o primeiro, o mais pode-crer, maconheiro naturalista, invade a mata e constrói uma casa de palha, que ele puxou de umas árvores em extinção. O lobo, querendo o bem do meio-ambiente, não podia deixar aquilo permanecer e foi lá tirar satisfação, em nome dos outros animais que vivam naquela área de preservação. Foi mal recebido e teve que botar a construção abaixo. Então o porco saiu correndo e ser refugiou na casa do irmão, que tinha construído de madeira oriunda de um desmatamento ilegal. O lobo foi lá e fez justiça, mesmo sabendo que o madeireiros são protegidos do PT. Os dois irmãos tiveram que se acomodar na casa do mais velho, que era engenheiro e tinha construído uma mega-casa num condomínio irregular, em terras públicas. O lobo não teve opção, pegou um trator, botou a casa abaixo, obrigou o porco a pagar o IPTU atrasado e fez uma bela porção de bacon com os três porquinhos. É assim que conto para a Ana, acho mais educativo.

Acho que vou começar a ler outro tipo de coisa para ela, um conto mais lúdico e impossível, tipo o programa de governo do Lula.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Nova Semana Começa

Enquanto espero baixar o Freaks no emule, olho para o tempo londrino e penso na entrevista do Philippe na Bizz. O Freaks é para a Alice, que fez 14 anos semana passada. Ela viu uma cena do clássico de 1932 sobre uma comunidade de aberrações de um circo, no qual um pinhead falava: "we accept you, we accept you, as one of us" e se lembrou da música dos Ramones. Claro, esse filme era um favorito dos brodders. Então estamos baixando. Eu recomendo, assustador até para os padrões de hoje - sem mencionar que ele não usou efeitos especiais, as aberrações eram reais mesmo!

Voltando à entrevista, fico surpreso com a maturidade que o Philippe está demonstrando na divulgação do R ao Contrário. Acho que com a acalmada na banda, agora toda as energias sendo positivas, ele pode sair do casúlo e mostrar o verdadeiro Seabra, um cara muito inteligente, engraçado e, apesar de crítico, vê todos os lados. A lista de músicas para viagens na UOL mostra isso. Ele escolheu bem, falou bonito e deu o recado. A sua participação no Claro Que É Rock, programa do Frejah é outro exemplo. Escolheu bem a música e se saiu melhor ainda. Está no You Tube (o que não está?) para quem quer conferir.

Espero que esse tempo fique assim, adoro dias cinzas, ventosos e frios. Freaks!!!!

sexta-feira, novembro 10, 2006

Limaram as Lonas!

Inacreditável. No apagar das luzes, nos últimos segundos do jogo, caem as três datas nas Tendas Culturais no subúrbio carioca. Por diversas razões de logística, de sociologia urbana e de ordem econômica-financeira, foram sendo cancelados um a um. Uma pena, como disse, gostamos de ir onde nosso público está. Vamos ver se a gente consegue, junto à Prefeitura Carioca agendar outras datas. O pior de tudo é ficar parado num fim-de-semana que prometia.

Já leram a entrevista com o Philippe na nova Bizz? Muito legal, fiquei bastante emocionado. De repente caiu a ficha: nós dois já passamos por muita coisa. Levar uma banda que sempre esteve no liminar entre o sucesso e o desconhecido; entre o mainstream e o underground; entre o punk e o pop exige muita dedicação e fé. É gozado só perceber isso agora. E digo mais, Philippe, a gente nem chegou ao meio da estrada. Mas não se anime tanto, ela continua dificil de trilhar. Pelo menos para a gente!