
Tem um pintor famoso chamado Jackson Pollock. Vendo os quadros do cara, temos a impressão de que, num acesso de raiva, o artista pegou um monte de cores e jogou na tela, criando um efeito bonito, porém caótico. Um filme sobre o pintor, com o Ed Harris, que assisti me mostrou que havia um método por trás da loucura. Toda gotinha de tinta, todo borrão, toda mancha tinha uma razão de ser, era planejada e executada.
O que isso tem a haver com o Sonic Youth? É que ouvindo a música dos caras, a gente tem a impressão que entram no estúdio, ligam as guitarras e fazem um zoeira dos infernos, assim, num módo randômico. Mas lendo o livro "Goodbye 20th Century", do David Browne, aprendemos que não é bem assim. Como o Pollock, no Sonic Youth tem um método por trás da sua loucura.
Para mim, Sonic Youth é o máximo em bandas de guitarra. O que eles fazem, o som que eles tiram das guitarras é algo que é forte suficiente para Jimmy Page, Clapton e Jeff Beck ficarem rúbros de vergonha e se esconderem debaixo de seus armários. A história deles é muito boa, mostra como uns caras tentando fazer um som atual, conseguiram passar dos limites.
Tenho como meta ouvir toda a coleção do SY enquanto leio o livro. Uma tarefa nada fácil, pois, sonoricamente falando, tenho muito tempo de barulho e microfonia pela frente. Já estou no Evol, um dos que conheço bem e para qual acendo uma vela a cada temporal.
O que mais me identifiquei foi com o Thruston Moore. O cara passou pelas mesmas fases do que eu, ouvia as mesmas coisas e ficou imerso no úniverso do pós-punk no início dos anos 80s. Até a fase dele de namorar o hardcore americano, que conseguiu fazer um mercado paralelo que não dependesse de MTV ou distribuição major, eu passei (com as mesmas frustrações quando descobrimos que os HCs tinham preconceito de qualquer coisa que não fosse HC!).
Pena que não fui no show em SP! Na próxima....




