sábado, dezembro 02, 2006

O Que Lula Tem A Aprender com a China.

O interior da China era muito parecido com o Nordeste brasileiro em 2001. Muita gente pobre, sem qualificação profissional, vivendo de favores de governos e oligarquias locais. Hoje em dia, é a maior concentração de fábricas estrangeiras, que fazem de tudo, desde peças para automóveis até a programação básica da Microsoft. Foram-se as oligarquias, entraram os investidores estrangeiros, proporcionando um salto de qualidade de vida jamais vista em toda história daquele grande país.

Os líderes chineses sacaram que não compensava ficar isolado do mundo, pelo contrário, queria não só fazer parte dele, mas entrar competindo, fazendo sentir a sua presença. Em 1977 (grande ano!) o líder chinês Deng Xiaoping declarou que “enriquecer é glorioso”, colocando a China no mapa da economia global. O plano não era simplesmente servir como repositório de mão-de-obra barata para o ocidente, mas sim aprender e vence-los no próprio jogo. Mas mesmo no começo, sendo repositório de mão-de-obra barata, já ajudou muito o povo antes pobre, agora com emprego, dinheiro e dignidade.

Tinham um plano por trás da abertura econômica. Para tanto, estão munindo seus jovens com as competências necessárias para competir de igual para igual com o resto do mundo, construindo infra-estrutura, desburocratizando, principalmente leis trabalhistas, e, mais importante, criando incentivos para investidores estrangeiros. O objetivo é que na próxima geração, os produtos não sejam somente “made in China”, mas sim “created in China”. E eles vão chegar lá. A consolidação do plano foi a entrada do país no OMC, em 2001.

Aqui, o máximo que conseguem é dar bolsa-família e um programa falido chamado Fome Zero. Iniciativas que nunca vão colocar o Brasil no mapa econômico, deixando os coitados nordestinos à mercê das oligarquias e Estado paternalista. Ou seja, gerações e gerações de pobres pela frente. E mandatos mais mandatos de presidentes, governadores e prefeitos populistas. Com nossas leis trabalhistas, judiciário ineficiente e falta de investimentos em educação e infra-estrutura, os únicos que vão querer investir aqui é a Venezuela de Chaves, plantando banana, e o Paraguai, vendendo produtos falsificados. Nada que agregue valor ao brasileiro.

Hoje, o interior da China tem cidades imensas, com mais de um milhão de habitantes, todos empregados e satisfeitos. Seus filhos vão à escola e têm um futuro promissor pela frente. Lula tem muito que aprender com a China. Mas será que ele quer? Ou prefere ficar puxando saco de países africanos subdesenvolvidos e ficar abraçando o Kadafi?

15 comentários:

Anônimo disse...

Será coincidência que desde a morte de mao , a china nao para de crescer? o comunismo nao ta com nada mesmo.

André X disse...

Não propriamente o comunismo, mas a intervenção desnecessária do Estado. Um dado, desde que entrou na OMC, as normas do Organismo, traduzido para o chinês, já superaram o número de vendas do livro vermelho de Mao. As pessoas querem participar, temos que dar uma chance a elas.

Anônimo disse...

Você tem que ver André que essas transnacionais que estão na China, recebem uma infinidade de subsídios tais como: isenção de vários impostos por muitos anos, terrenos de graça, toda uma rede de infraestrutura para que possam funcionar,etc. Além do mais, devido o endurecimento das leis ambientais e trabalhistas dos países originários dessas empresas, elas se transferem para os países subdesenvolvidos onde a legislação ambiental e laboral é quase inexistente possibilitando então a liberdade de degradarem ambientalmente o espaço chines o trabalho do povo. Exploram ainda a mão-de-obra barata (muitas vezes carcerária, infantil, etc)pagando alguns míseros dólares. Lembrando ainda que apenas uma pequena parcela das pessoas é que podem consumir os produtos fabricados por essas transnacionais. E é claro, todos os lucros auferidos são enviados às sedes dessas mesmas empresas (EUA e UE). E para a China? sobra o caroço...

Paulo Henrique disse...

Bye bye English... Welcome chinese people.

É André. Mas lá a renda é tão (ou mais) má distribuída quanto aqui. Se não me engano os antigos donos do youtube eram chineses que moravam no telhado de uma padaria. Quase nada do lucro das empresas vai pra eles (apesar de ainda ser muito). E a China só não é país de primeiro mundo por causa do IDH.

Eu reparei um grave defeito do brasileiro que é o de se apegar às coisas. Vêem uma idéia e não querem pensar em outra. Ser humano nasceu pra inventar, não pra imitar! Tem que parar com isso se não vão ser mais 500 anos...

Anônimo disse...

ih, daqui a pouco vão aparecer os defensores do mao

André X disse...

Mas o que importa é que eles estão atraindo investidores estrangeiros no sentido real de investimento, que abrem fábricas, agregam valor. Esse é só o primeiro passo. Agora, eles querem mostrar que podem contribuir como o cíclo produtivo, depois, interferir nele. Tudo bem, tem muitas coisas que tem que melhorar, mas acredito que chegam lá, porque há um plano para isso. O que me preocupa é aqui, nossos jovens vão perder muito terreno, muitas chance se, aqui, o governo continuar com sua política de esmolas e não partir para o sério combate à pobreza que, necessariamente, tem passar pela educação.

Rafael disse...

A China está longe de ser um bom lugar de se viver com seus baixos índices de IDH, mas até os chineses abriram o olho para uma coisa: investir em educação! Esse é um passo fundamental para se desenvolver. Ter condições para conhecer e pensar o mundo é o caminho.
Quando vejo meus alunos, boa parte da Estrutural, me dá um desalento. A falta de perspectiva em muitos ali é grande. É uma vontade de sair da escola e arranjar o primeiro sub-emprego que puderem. Esse futuro do Brasil às vezes me assusta. Mas a luta continua...

André X disse...

Rafael, é exatamente sobre isso a que me refiro e que me deixa muito deprimido também. Não há futuro nenhum para a maioria da nossa população, e não há política pública nenhuma em prática que esteja tentando reverter a situação, somente mantê-la.

João disse...

Acho que o grande exemplo é a Koréia. Lá a questão do estudo virou mania nacional, sim esta é a palavra, mania. Os pais, em sua maioria, colocam os filhos em aulas particulares, e não porque o filho tá mal no estudo, mas porque ele já tá bem e quer que ele melhore ainda mais. A competição lá é pra entrar em uma das 3 maiores universidade que tem lá, o que lhe garantirá um bom emprego em uma grande indústria. Em 1960 a renda do koreano era 3 vezes menor que a do brasileiro. Hoje a do brasileiro é 3 vezes que a do koreano.

Vagner disse...

André, crescimento e desenvolvimento nem sempre andam de mãos dadas.

No último estudo de IDH, a China ficou em 104º lugar, num total de
175 países, atrás de países como Cabo Verde, Equador e os territórios palestinos.

André X disse...

Vamos comparar o IDH do Brasil e da China daqui a dez anos. Daí, talvez, eu mude de opinião.

Láercio disse...

Ainda prefiro que o nosso nordeste permaneça como está do que termos trabalhadores escravos e infantis ganhando 1 dolar por mês em fábricas da nike

Mikele disse...

Pô André nao sabia que vc era liberalista.
Ainda bem!
Bom o que os comunistas de plantao nao entendem que nao se pode fazer algo pobre ficar rico sem q um rico fike ainda mais rico.

Sinceramente o brasil deveria ser privatizado. Seria a melhor que os politicos incompententes que estao por ai, inclusive o Lula q ta literalmente mais perdido q cego em tiroteio...
Obs: literalmente pq todo mundo sabe q ele é cego, alias todo mundo nao, os q nao votaram nele.

F3rnando disse...

Lula tem de ir pra Conchinchina...

André X disse...

Laércio,

Acho que você está com sua geografia errada. As fábricas na Nike que usam mão de obra infantil são no Paquistão e aquela região, onde, também, o gonverno é populista igual o nosso. Na China, estamos falando de empregos em fábricas, que exigem treinamento. Tudo bem que você, na sua poltrona, vendo tv no ar condicionado prefere deixar o nordeste do jeito que ele é. Mas pergunte para o Severino se ele quer que os 12 filhos dele fiquem naquele estado de pobreza, ou trabalhem para uma fábrica da, digamos, Dell, em pleno sertão brasileiro.