quinta-feira, junho 23, 2005
Mais Punk
Esse debate todo sobre o punk trouxe uma onda de saudosísmo. Como era bom descobrir as bandas novas no fim dos anos 70s! Cada uma levando o rock noutra direção, temperando a revolta com outros sons e sabores. A transição dos Pistols, Clash e Damned para Joy Division, Cabaret Voltaire e Cure, para Sisters of Mercy, Jesus & Marychain foi bem lógica para mim. Por isso nunca aceitei o hardcore, que não permitia variações, experimentações. Criou suas regras e todos eram obrigados a seguí-las. Essa mesma euforia eu senti em meados dos 90s quando descobri a cena eletrônica. Aliáis, me identifiquei muito com a galera eletrôncia de Brasília, correndo atrás de sua própria diversão e sons. Me lembrou muito dos primeiros punks candangos. Pena que o Luciano Hulk, o Acioli e um monte de outros playboys adotaram o eletrônico com trilha sonora de suas vidas. Pena que a MTV transformou a revolta em dólares. Porque alguém ouve Green Day ao invés de Stiff Little Fingers está além de minha compreensão.
sexta-feira, junho 17, 2005
Punk ou Punkeca?
A Plebe é punk? Vejo as duas mil e tantas pessoas da comunidade Plebe Rude no Orkut discutir o assunto. Muitos afirmam categoricamente que não!, nunca é, nunca foi. Outros defendem que sim, que as origens mostram ser cem por cento punk. O ser humano tem uma necessidade intrínseca de rotular tudo que o cerca. Ele precisa, porque precisa, nomear, apontar, apelidar, catalogar. Acho que o faz sentir mais seguro.
Lendo a coluna do Clemente no site da MTV intitulada “O Pai da Criança”, , outra discussão sobre o punk reaparece: quem inventou o punk tupiniquim: São Paulo ou Brasília? São temas recorrentes que vou tratar juntos, a seguir.
Primeira coisa: nos anos setenta não havia esse fluxo de informação em tempo real, nem a facilidade de comunicação que existem hoje. Não havia internet, as notícias chegavam atrasadas, eram filtradas pela imprensa escrita e falada. Para conseguir um LP importado, era um sacrifício! Não existia internet, nem celulares, nem TV a cabo, nem MTV, nem vídeo-clipes (sim crianças, tal época existiu não muito tempo atrás!). As tarifas DDD eram muito caras, ninguém ficava falando ao telefone em chamadas interestaduais. E mais: estávamos numa ditadura e existia censura!
Nesse cenário, não havia possibilidade de alguém em São Paulo saber do que se passava no underground brasiliense, nem vice-versa. Eu soube do começo do punk, lendo uma reportagem na extinta versão brasileira da Rolling Stone. Achei interessante. Quando o Fê Lemos, hoje baterista do Capital Inicial, foi para a Inglaterra, acompanhando o pai que estava lá para tirar seu doutorado, em 1976, viu a coisa acontecer. Sex Pistols, Clash, Damned e Stranglers foi onde tudo começou. E ele mandou fitas K7s que eu ouvia sem parar. De uma hora para a outra, meus discos do Led Zep, Deep Purple e Rush não faziam mais sentido. Aguçou a minha curiosidade política. Comecei a desconfiar dos mais velhos, não queria nada com a visão pós-hippy de minha geração.
Essa foi a semente, no DF, para o surgimento do Aborto Elétrico, da Bliz 64 e, mais tarde, dos Metralhas, entre outros. Adaptamos o punk à nossa realidade e, sim, fizemos uma diferença! Conseguimos converter um monte de pessoas e criamos um movimento cultural que até hoje é sentido em Brasília, não só na música, com também na fotografia, no cinema, nas artes, etc.
Simultaneamente, em SP, jovens vivendo outra realidade também foram contaminados pelo punk inglês. Também adaptaram o movimento e as idéias para sua própria realidade, bem mais dura e violenta do que a nossa. Esse processo todo o Clemente descreve bem em seu artigo.
O que quero mostrar aqui é que NÃO IMPORTA quem inventou antes. Foram os dois! Cada um sem saber da existência do outro. Me lembro que quando chegamos em São Paulo pela primeira vez para tocar no Napalm, viramos fãs e admiradores dos punks paulistas. Ratos de Porão, Inocentes, Fogo Cruzado, Olho Seco, Cólera – aquilo para a gente era o máximo! Nos identificamos muito com as idéias do João Gordo, do Redson, do Clemente. Para mim, esse trio são os verdadeiros intelectuais do underground brasileiro. Ouçam eles, meus jovens!
Voltando à comunidade Orkut: não vou ficar defendendo se somos ou não punk, não devo isso à ninguém. Só sei que me sinto muito punk, me orgulho de ter feito parte do movimento em Brasília. Não gosto da imagem do punk que a imprensa, principalmente a Globo, faz. Deve ser essa que esse pessoal tem como referência. Jaqueta de couro com um A nas costas, rosto coberto por um lenço e uma cabeça cheia de clichês. É assim que devem imaginar um punk. A Plebe Rude foi a única banda candanga que nunca renegou o rótulo. Me lembro de Legião e Capital se dizendo New Wave, um rótulo que carregava muito menos cobranças ideológicas do que o punk.
O punk paulista e o brasiliense certamente seguiram caminhos diferentes. Os primeiros foram para o hardcore, tiveram contato com o punk escandinavo. Nós seguimos uma linha mais experimental, mais sombria. Mas as origens foram, como não poderia deixar de ser, a mesmas.
Fim de conversa!
Lendo a coluna do Clemente no site da MTV intitulada “O Pai da Criança”, , outra discussão sobre o punk reaparece: quem inventou o punk tupiniquim: São Paulo ou Brasília? São temas recorrentes que vou tratar juntos, a seguir.
Primeira coisa: nos anos setenta não havia esse fluxo de informação em tempo real, nem a facilidade de comunicação que existem hoje. Não havia internet, as notícias chegavam atrasadas, eram filtradas pela imprensa escrita e falada. Para conseguir um LP importado, era um sacrifício! Não existia internet, nem celulares, nem TV a cabo, nem MTV, nem vídeo-clipes (sim crianças, tal época existiu não muito tempo atrás!). As tarifas DDD eram muito caras, ninguém ficava falando ao telefone em chamadas interestaduais. E mais: estávamos numa ditadura e existia censura!
Nesse cenário, não havia possibilidade de alguém em São Paulo saber do que se passava no underground brasiliense, nem vice-versa. Eu soube do começo do punk, lendo uma reportagem na extinta versão brasileira da Rolling Stone. Achei interessante. Quando o Fê Lemos, hoje baterista do Capital Inicial, foi para a Inglaterra, acompanhando o pai que estava lá para tirar seu doutorado, em 1976, viu a coisa acontecer. Sex Pistols, Clash, Damned e Stranglers foi onde tudo começou. E ele mandou fitas K7s que eu ouvia sem parar. De uma hora para a outra, meus discos do Led Zep, Deep Purple e Rush não faziam mais sentido. Aguçou a minha curiosidade política. Comecei a desconfiar dos mais velhos, não queria nada com a visão pós-hippy de minha geração.
Essa foi a semente, no DF, para o surgimento do Aborto Elétrico, da Bliz 64 e, mais tarde, dos Metralhas, entre outros. Adaptamos o punk à nossa realidade e, sim, fizemos uma diferença! Conseguimos converter um monte de pessoas e criamos um movimento cultural que até hoje é sentido em Brasília, não só na música, com também na fotografia, no cinema, nas artes, etc.
Simultaneamente, em SP, jovens vivendo outra realidade também foram contaminados pelo punk inglês. Também adaptaram o movimento e as idéias para sua própria realidade, bem mais dura e violenta do que a nossa. Esse processo todo o Clemente descreve bem em seu artigo.
O que quero mostrar aqui é que NÃO IMPORTA quem inventou antes. Foram os dois! Cada um sem saber da existência do outro. Me lembro que quando chegamos em São Paulo pela primeira vez para tocar no Napalm, viramos fãs e admiradores dos punks paulistas. Ratos de Porão, Inocentes, Fogo Cruzado, Olho Seco, Cólera – aquilo para a gente era o máximo! Nos identificamos muito com as idéias do João Gordo, do Redson, do Clemente. Para mim, esse trio são os verdadeiros intelectuais do underground brasileiro. Ouçam eles, meus jovens!
Voltando à comunidade Orkut: não vou ficar defendendo se somos ou não punk, não devo isso à ninguém. Só sei que me sinto muito punk, me orgulho de ter feito parte do movimento em Brasília. Não gosto da imagem do punk que a imprensa, principalmente a Globo, faz. Deve ser essa que esse pessoal tem como referência. Jaqueta de couro com um A nas costas, rosto coberto por um lenço e uma cabeça cheia de clichês. É assim que devem imaginar um punk. A Plebe Rude foi a única banda candanga que nunca renegou o rótulo. Me lembro de Legião e Capital se dizendo New Wave, um rótulo que carregava muito menos cobranças ideológicas do que o punk.
O punk paulista e o brasiliense certamente seguiram caminhos diferentes. Os primeiros foram para o hardcore, tiveram contato com o punk escandinavo. Nós seguimos uma linha mais experimental, mais sombria. Mas as origens foram, como não poderia deixar de ser, a mesmas.
Fim de conversa!
quinta-feira, junho 16, 2005
Na Raça!
Não sou eu quem diz, é o Estado de São Paulo:
Santos - O lanterna do Campeonato Brasileiro é um dos quatro melhores times da América do Sul. O Atlético-PR derrotou o Santos, nesta quarta-feira, na Vila Belmiro, por 2 a 0, e está na semifinal da Copa Libertadores. Jogando com muita raça, a equipe paranaense voltou a superar o Santos, pois vencera em Curitiba, por 3 a 2.
Que venha o Chivas!
Santos - O lanterna do Campeonato Brasileiro é um dos quatro melhores times da América do Sul. O Atlético-PR derrotou o Santos, nesta quarta-feira, na Vila Belmiro, por 2 a 0, e está na semifinal da Copa Libertadores. Jogando com muita raça, a equipe paranaense voltou a superar o Santos, pois vencera em Curitiba, por 3 a 2.
Que venha o Chivas!
quarta-feira, junho 15, 2005
Porquês e Comos?
Perguntar não ofende e eu só quero uma explicação simples. Alguém poderia me dizer:
· Como é que o GDF não tem dinheiro para investir na saúde básica - vemos diretores e médicos do Hospital de Base pedir demissão pois não tem condições de continuarem a atender a população - e o Roriz arruma 4 milhões de reais para embonecar o estádio Mané Garrincha para a partida Brasil e Chile, programada para setembro?
· Porque a reação de que não é possível um bom político de passado humilde, quando se referem ao Lula? Na verdade, não é possível um bom político sem estudo e base, não importa o passado, humilde ou não.
· Como que o Rio de Janeiro consegue se manter um lugar tão legal, apesar dos Brizolas, Rosinhas, Garotinhos e Beneditas?
· Porque o Furacão não ganha uma no Brasileirão?
· Como controlar a ansiedade da espera do novo CD?
· Como é que o GDF não tem dinheiro para investir na saúde básica - vemos diretores e médicos do Hospital de Base pedir demissão pois não tem condições de continuarem a atender a população - e o Roriz arruma 4 milhões de reais para embonecar o estádio Mané Garrincha para a partida Brasil e Chile, programada para setembro?
· Porque a reação de que não é possível um bom político de passado humilde, quando se referem ao Lula? Na verdade, não é possível um bom político sem estudo e base, não importa o passado, humilde ou não.
· Como que o Rio de Janeiro consegue se manter um lugar tão legal, apesar dos Brizolas, Rosinhas, Garotinhos e Beneditas?
· Porque o Furacão não ganha uma no Brasileirão?
· Como controlar a ansiedade da espera do novo CD?
sexta-feira, junho 10, 2005
Notícias do Front - O Que Se Passa.
No Orkut, na rua, na noite, nos bastidores dos shows - todos querem saber quando sai o novo CD. Tem muita coisa rolando, coisas boas que saberão em breve. Mas não posso adiantar nada, ainda. Só posso dizer que: a capa está sendo criada, o disco está para ser mixado e masterizado e as negociações com a gravadora estão bem adiantadas. Durmam tranquilos e confortem-se: nossa ansiedade está bem maior do que a de vocês!
quinta-feira, junho 09, 2005
Resumo das últimas semanas.
Leitura: Revista Nossa História - ganhei uma assinatura para o dia dos namorados!
Música: O excelente box-set Transmission Blast, com quatro CDs de todas as gravações, em estúdio e ao vivo, feitos pelo XTC na BBC. Tem algumas músicas que no disco oficial vêm cheio de detalhes, mas na BBC, por limitação de canais de gravação, são apresentadas de forma muito mais simples. E seguram muito bem! Para fãs.
TV: Lost (tá bom demais!)
Não-TV: Saia Justa. Saiu a Fernanda Young, a Marina e Marisa Orth. E elas fazem falta! Caramba, a tal da Luana Piavoni, uma das substitutas, é uma anta ao quadrado! Ontem, quando estavam discutindo o problema da ostentação da elite brasileira, ela se preocupava em comer chocolates. Deveria se restringir àquilo que faz bem: andar de vestido curto sem calcinhas e dar para quem tem conta bancária com mais de seis dígitos.
Esporte: Atlééééééééééético! Furacão rumo à Tóquio!
Não-Esporte: Parreira (será que ninguém mais percebe isso?!?)
Comida: Bolo de Cenoura acompanhado de leite de soja gelado.
Música: O excelente box-set Transmission Blast, com quatro CDs de todas as gravações, em estúdio e ao vivo, feitos pelo XTC na BBC. Tem algumas músicas que no disco oficial vêm cheio de detalhes, mas na BBC, por limitação de canais de gravação, são apresentadas de forma muito mais simples. E seguram muito bem! Para fãs.
TV: Lost (tá bom demais!)
Não-TV: Saia Justa. Saiu a Fernanda Young, a Marina e Marisa Orth. E elas fazem falta! Caramba, a tal da Luana Piavoni, uma das substitutas, é uma anta ao quadrado! Ontem, quando estavam discutindo o problema da ostentação da elite brasileira, ela se preocupava em comer chocolates. Deveria se restringir àquilo que faz bem: andar de vestido curto sem calcinhas e dar para quem tem conta bancária com mais de seis dígitos.
Esporte: Atlééééééééééético! Furacão rumo à Tóquio!
Não-Esporte: Parreira (será que ninguém mais percebe isso?!?)
Comida: Bolo de Cenoura acompanhado de leite de soja gelado.
segunda-feira, junho 06, 2005
ANTITABAGISMO - PARTES 4 & 5 E CONCLUSÃO.
Razão 4: Degradação dos Serviços Públicos.
É sabido que o cigarro foi responsável por 28% das mortes no serviço público de saúde no ano passado. Fazendo uns cálculos, significa que o governo deve gastar uns 35 a 40% de seu orçamento para a saúde tratando de fumantes vítimas de doenças cardíacas, pulmonares, distúrbio neurais e outras doenças provocadas pelo tabagismo. Os recursos do governo são limitados. Esse dinheirão gasto em fumantes poderia ser muito melhor aproveitado equipando nossa rede de ensino fundamental, investindo na segurança das cidades, construindo hospitais melhores, entre inúmeras atividades que beneficiariam o povo. Ou seja, o fumante é diretamente responsável pela degradação dos serviços públicos. Sob essa ótica, o fumante é um ser egoísta, que nos expõe a serviços públicos mal prestados por causa de um mimo particular.
Razão 5: Destruição de Culturas.
Essa é fácil de se observar. Durante os quinhentos anos que estudamos o hábito dos índios sul-americanos de mascar a folha da coca, não existe um só caso documentado de morte. Mascar a folha é tão importante para esse povo, que até distâncias eram medidas em quantas folhas davam para se mascar durante o trajeto. Vem o homem branco, joga agente laranja em suas plantações, proíbe o uso. Acaba com a cultura e, em contra-partida, introduz o tabaco, que ele controla e é detém os lucros sobre as vendas.
Fizeram isso com os trabalhadores mexicanos que fumavam marijuana, no século XIX, nos EUA; com os chineses que fumavam ópio e foram a principal mão-de-obra nas construções das ferrovias americanas. Em nome da civilização, de proteger as crianças, arrasamos culturas seculares e damos tabaco, cigarros em troca.
Conclusão.
A Plebe é uma banda não fumante. Não existe ninguém fumando tabaco em nossos camarins. Acima de uma decisão de saúde, é uma decisão política. Se você fuma, ou conhece um fumante, reveja as razões acima e faça a sua decisão.
É sabido que o cigarro foi responsável por 28% das mortes no serviço público de saúde no ano passado. Fazendo uns cálculos, significa que o governo deve gastar uns 35 a 40% de seu orçamento para a saúde tratando de fumantes vítimas de doenças cardíacas, pulmonares, distúrbio neurais e outras doenças provocadas pelo tabagismo. Os recursos do governo são limitados. Esse dinheirão gasto em fumantes poderia ser muito melhor aproveitado equipando nossa rede de ensino fundamental, investindo na segurança das cidades, construindo hospitais melhores, entre inúmeras atividades que beneficiariam o povo. Ou seja, o fumante é diretamente responsável pela degradação dos serviços públicos. Sob essa ótica, o fumante é um ser egoísta, que nos expõe a serviços públicos mal prestados por causa de um mimo particular.
Razão 5: Destruição de Culturas.
Essa é fácil de se observar. Durante os quinhentos anos que estudamos o hábito dos índios sul-americanos de mascar a folha da coca, não existe um só caso documentado de morte. Mascar a folha é tão importante para esse povo, que até distâncias eram medidas em quantas folhas davam para se mascar durante o trajeto. Vem o homem branco, joga agente laranja em suas plantações, proíbe o uso. Acaba com a cultura e, em contra-partida, introduz o tabaco, que ele controla e é detém os lucros sobre as vendas.
Fizeram isso com os trabalhadores mexicanos que fumavam marijuana, no século XIX, nos EUA; com os chineses que fumavam ópio e foram a principal mão-de-obra nas construções das ferrovias americanas. Em nome da civilização, de proteger as crianças, arrasamos culturas seculares e damos tabaco, cigarros em troca.
Conclusão.
A Plebe é uma banda não fumante. Não existe ninguém fumando tabaco em nossos camarins. Acima de uma decisão de saúde, é uma decisão política. Se você fuma, ou conhece um fumante, reveja as razões acima e faça a sua decisão.
Roriz: o Gobbles do Goiás!
Marketing político é hoje o esforço que mais elege candidatos. Não é a plataforma, a bagagem, o currículo como administrador público. É como sua imagem é vendida aos eleitores. Marketing político é também o esforço que mantém um governo popular. Não é como está atuando, como está resolvendo os problemas do país, como está cuidando da economia. É como se apresenta ao povo.
O grande mestre, inovado do marketing político foi o Herr Gobbles, Ministro da Propaganda do governo nazista de Adolf Hitler. Por meio de suas intervenções, Gobbles conseguiu o fanatismo necessário do povo alemão para as loucuras de seu mestre.
Mas tem que ser bem feito! Querem um exemplo de uma tentativa de marketing político, de manipulação de dados transparentemente, ingenuamente mal feito? Acessem o site www.df.gov.br e vejam a tentativa do Roriz de produzir dados positivos sobre a sua gestão. Tem uma enquete que é a seguinte:
O que você acha da mobilização “Ação Reage” que tem o objetivo de despertar o espírito de cidadania na comunidade?
1. Positiva, pois promove palestras sobre entorpecentes afastando os jovens das drogas.
2. Interessante, visto que permite que a comunidade usufrua serviços de cabeleireiro
3. Importante, pois verifica a pressão arterial da população além de realizar testes de glicemia
Reparem que todas as respostas são positivas para o “guvernador”! Isso é ridículo! Não importa como responder, sempre será positivo para o GDF! Se der a primeira, ele vai ao ar e fala: “a esmagadora maioria da população acha meu programa positivo!”. Se der a segunda, utiliza a palavra interessante, se a terceira, importante.
Não acreditem em pesquisas de opinião. A prova está acima.
O grande mestre, inovado do marketing político foi o Herr Gobbles, Ministro da Propaganda do governo nazista de Adolf Hitler. Por meio de suas intervenções, Gobbles conseguiu o fanatismo necessário do povo alemão para as loucuras de seu mestre.
Mas tem que ser bem feito! Querem um exemplo de uma tentativa de marketing político, de manipulação de dados transparentemente, ingenuamente mal feito? Acessem o site www.df.gov.br e vejam a tentativa do Roriz de produzir dados positivos sobre a sua gestão. Tem uma enquete que é a seguinte:
O que você acha da mobilização “Ação Reage” que tem o objetivo de despertar o espírito de cidadania na comunidade?
1. Positiva, pois promove palestras sobre entorpecentes afastando os jovens das drogas.
2. Interessante, visto que permite que a comunidade usufrua serviços de cabeleireiro
3. Importante, pois verifica a pressão arterial da população além de realizar testes de glicemia
Reparem que todas as respostas são positivas para o “guvernador”! Isso é ridículo! Não importa como responder, sempre será positivo para o GDF! Se der a primeira, ele vai ao ar e fala: “a esmagadora maioria da população acha meu programa positivo!”. Se der a segunda, utiliza a palavra interessante, se a terceira, importante.
Não acreditem em pesquisas de opinião. A prova está acima.
sexta-feira, junho 03, 2005
ANTITABAGISMO: PARTE 3
Razão 3: Pelo Fim das Muletas Emocionais.
Quando vemos um alejado na rua de muletas, um perneta utilizando um par de muletas para se locomover, sentimos pena e desejamos que ele, um dia, consiga se livrar delas. É assim que eu me sinto quando vejo um fumante. As muletas do viciado são os cigarros que ele fuma. E tem uma diferença entre os dois casos: o perneta quer se livrar de suas muletas, o fumante não.
Cigarros são muletas emocionais, servem para dar apoio aos fumantes quando esses se sentem ansiosos, tímidos, fora do lugar, entre outras emoções. Por isso que tanto adolescente fuma: são introduzidos ao cigarro numa época da vida quando o ser humano passa pelas maiores mudanças sentimentais. O problema é que se a gente não aprender a lidar com essas emoções, nunca vamos ser seres humanos completos, sempre vamos depender de algum apoio para disfarçar sentimentos com os quais nunca aprendemos a controlar.
O adolescente tem naturalmente um complexo de inferioridade. Dizem que o cigarro, a nicotina, o ajuda a disfarçar esse sentimento. Ele vai disfarçando, disfarçando, se apoiando no cigarro, e nunca se livra. Fica emocionalmente e, depois do uso constante, físicamente viciado. Não confio muito em fumantes por esse motivo, não gosto de pessoas que utilizam supefúgios para fugir das situações complexas.
É uma covardia o que fazem com os adolescentes quando se trata de cigarros. A indústria conseguiu camuflar esse ataque covarde por meio de filmes, comerciais, anúncios esportivos, bandas, músicas, etc. E todos caem como trouxas.
Quando vemos um alejado na rua de muletas, um perneta utilizando um par de muletas para se locomover, sentimos pena e desejamos que ele, um dia, consiga se livrar delas. É assim que eu me sinto quando vejo um fumante. As muletas do viciado são os cigarros que ele fuma. E tem uma diferença entre os dois casos: o perneta quer se livrar de suas muletas, o fumante não.
Cigarros são muletas emocionais, servem para dar apoio aos fumantes quando esses se sentem ansiosos, tímidos, fora do lugar, entre outras emoções. Por isso que tanto adolescente fuma: são introduzidos ao cigarro numa época da vida quando o ser humano passa pelas maiores mudanças sentimentais. O problema é que se a gente não aprender a lidar com essas emoções, nunca vamos ser seres humanos completos, sempre vamos depender de algum apoio para disfarçar sentimentos com os quais nunca aprendemos a controlar.
O adolescente tem naturalmente um complexo de inferioridade. Dizem que o cigarro, a nicotina, o ajuda a disfarçar esse sentimento. Ele vai disfarçando, disfarçando, se apoiando no cigarro, e nunca se livra. Fica emocionalmente e, depois do uso constante, físicamente viciado. Não confio muito em fumantes por esse motivo, não gosto de pessoas que utilizam supefúgios para fugir das situações complexas.
É uma covardia o que fazem com os adolescentes quando se trata de cigarros. A indústria conseguiu camuflar esse ataque covarde por meio de filmes, comerciais, anúncios esportivos, bandas, músicas, etc. E todos caem como trouxas.
quinta-feira, junho 02, 2005
ANTITABAGISMO - PARTE 2
Razão Nº 2: A Hipocrisia da Elite Dominante.
O mundo civilizado – como gostam de ser chamados os aliados americanos, incluindo a Europa e o Brasil – estão numa cruzada contra as drogas, certo? Bem, vamos analisar um pouco essa dita guerra, que já consumiu tantos bilhões de dólares e vidas.
Ano passado, 500 pessoas morreram por dia nos EUA, a razão direta sendo o álcool. Mil pessoas morreram por dia por causa direta do cigarro. A cocaína destruiu cinco vidas por dia e a maconha nenhuma. Se fosse séria essa bravata contra as drogas, analisando friamente os dados, contra quais substâncias tóxicas vocês acham que um governo sensato dirigiria suas políticas públicas?
A única razão da lei seca ser suspensa nos EUA, na década de 1930, foi porque a queda da bolsa de valores deixou o governo tão liso, com tanta necessidade de fundos extras, que foi obrigado a legalizar a bebida e, assim ter algo novo para taxar.
Não vejo helicópteros do Exército jogando veneno em cima das plantações de tabaco da Souza Cruz. Mas fazem em cima de plantações artesanais de maconha. Não vejo milhares de soldados mercenários contratados pelo George Bush invadir o Kentucky, maior plantador de tabaco do mundo, prendendo e matando agricultores inocentes e destruindo casas, igrejas e prédios públicos, como fazem na Colômbia e Bolívia.
Quando invadem um país, os Marines dão cigarros à população, que precisa de comida, água, medicamentos e condições de vida normal. Precisam de tudo menos ficar viciados em cigarros! Mas faz parte da política americana de defender a sua principal indústria. Veja os filmes de Hollywood, propagam mundialmente o quão chique é fumar. Também pudera, fazem parte de conglomerados econômicos que também fabricam cigarros.
Hoje combatemos aquelas drogas que não gostamos, e damos status às que usamos. Cigarro é o carro-chefe dos hipócritas. Quem fuma, faz parte do sistema, não da contra-revolução. Não é chique, não é moderno. É um garoto de recados.
O mundo civilizado – como gostam de ser chamados os aliados americanos, incluindo a Europa e o Brasil – estão numa cruzada contra as drogas, certo? Bem, vamos analisar um pouco essa dita guerra, que já consumiu tantos bilhões de dólares e vidas.
Ano passado, 500 pessoas morreram por dia nos EUA, a razão direta sendo o álcool. Mil pessoas morreram por dia por causa direta do cigarro. A cocaína destruiu cinco vidas por dia e a maconha nenhuma. Se fosse séria essa bravata contra as drogas, analisando friamente os dados, contra quais substâncias tóxicas vocês acham que um governo sensato dirigiria suas políticas públicas?
A única razão da lei seca ser suspensa nos EUA, na década de 1930, foi porque a queda da bolsa de valores deixou o governo tão liso, com tanta necessidade de fundos extras, que foi obrigado a legalizar a bebida e, assim ter algo novo para taxar.
Não vejo helicópteros do Exército jogando veneno em cima das plantações de tabaco da Souza Cruz. Mas fazem em cima de plantações artesanais de maconha. Não vejo milhares de soldados mercenários contratados pelo George Bush invadir o Kentucky, maior plantador de tabaco do mundo, prendendo e matando agricultores inocentes e destruindo casas, igrejas e prédios públicos, como fazem na Colômbia e Bolívia.
Quando invadem um país, os Marines dão cigarros à população, que precisa de comida, água, medicamentos e condições de vida normal. Precisam de tudo menos ficar viciados em cigarros! Mas faz parte da política americana de defender a sua principal indústria. Veja os filmes de Hollywood, propagam mundialmente o quão chique é fumar. Também pudera, fazem parte de conglomerados econômicos que também fabricam cigarros.
Hoje combatemos aquelas drogas que não gostamos, e damos status às que usamos. Cigarro é o carro-chefe dos hipócritas. Quem fuma, faz parte do sistema, não da contra-revolução. Não é chique, não é moderno. É um garoto de recados.
ANTITABAGISMO - PARTE 1
Introdução ao Tema
Sou uma pessoa relativamente bem tolerante, se comparado com o homem comum. Não tenho objeções quanto ao estilo de vida que outros escolheram, nem hábitos que não combinem com os meus. No entanto, tem uma coisa que realmente piso firme e finco minha bandeira: sou um anti-tabagista confesso. Na verdade, anti-cigarrista, contra o cigarro. Aprecio um bom charuto, mas a diferença entre os dois é imensa e não vou me alongar aqui sobre esse tema.
Gostaria somente de esclarecer que o motivo pelo qual bracejo contra o cigarro não tem nada a ver com saúde. Porra, quem quiser fumar até morrer – que é o fim de todos os fumantes – que fique à vontade. Pessoas fazem outras coisas bem piores com a saúde delas e dos outros que não me oponho. Minhas razões são bem mais profundas, sérias e realistas. Durante os próximos textos deste blog, gostaria de expô-las e, possivelmente, abrir para o debate.
Razão Nº 1: O Imperialismo Americano e a Indústria de Tabaco.
Quando chegaram nas Américas, em 1492, os espanhóis ficaram admirados em descobrir que os nativos fumavam. Eles nunca tinham visto nada desse tipo antes. Curiosos, chegaram até o tabaco. Acontece que a planta era considerada sagrada pelos índios, que não tinham o hábito de fumar diariamente por prazer, mas, sim, somente durante rituais. Outra diferença, o tabaco era uma espécie mais crua, mais áspera. Nas cerimônias religiosas, eles não inalavam a fumaça, somente tragavam e deixavam-na sair pela boca e nariz. Acreditavam que, assim, a fumaça levaria suas rezas e preces aos deuses.
Os primeiros colonos dos Estados Unidos viram o grande potencial do tabaco. Conseguiram desenvolver uma espécie mais maleável, mais potente, e facilmente transformada em cigarros. Foi a primeira industria americana que deu lucro aos norte-americanos, origem do que se tornou uma indústria megabilionária, que move desde de barões da agricultura, empresários de Wall Street e os políticos de Washington. A fumaça do novo tabaco era facilmente inalado,atingindo rapidamente o cérebro, criando dependência automática à nicotina.
Cigarros são o perfeito artigo capitalista. Vicia rapidamente, é socialmente aceito, facilmente distribuído e custa relativamente pouco, se considerado isoladamente um a um. O capitalismo americano cresceu com a indústria de cigarros, se expandiu pelo mundo e, junto com a indústria petrolífera, é defendida com unhas e dentes (e bombas, tiros, corrupção, assassinatos, etc.) pelo governo ianque. Por isso fico admirado quando vejo esses anti-americanos gritando palavras de ordem em fóruns sociais segurando um cigarro na mão. São fantoches e nem sabem, já estão capturados.
Durante a colonização da China, a Inglaterra distribuiu e viciou grande parte da população em ópio. Com isso, conseguiram durante anos dominar aquele país, coisa fácil com uma população viciada. Hoje em dia, isso também está acontecendo na Ásia, mas com o cigarro. As importações da Phillip Morris para a Ásia cresceram 86% ano passado. A maioria dos novos fumantes são crianças, mulheres e adolescentes. Como o tabaco está sendo combatido no mundo ocidental, eles viciam, igual os Ingleses no século 19, os asiáticos, viciando-os, tornando-os consumidores cativos durante as próximas décadas. O lucro está garantido.
Sou uma pessoa relativamente bem tolerante, se comparado com o homem comum. Não tenho objeções quanto ao estilo de vida que outros escolheram, nem hábitos que não combinem com os meus. No entanto, tem uma coisa que realmente piso firme e finco minha bandeira: sou um anti-tabagista confesso. Na verdade, anti-cigarrista, contra o cigarro. Aprecio um bom charuto, mas a diferença entre os dois é imensa e não vou me alongar aqui sobre esse tema.
Gostaria somente de esclarecer que o motivo pelo qual bracejo contra o cigarro não tem nada a ver com saúde. Porra, quem quiser fumar até morrer – que é o fim de todos os fumantes – que fique à vontade. Pessoas fazem outras coisas bem piores com a saúde delas e dos outros que não me oponho. Minhas razões são bem mais profundas, sérias e realistas. Durante os próximos textos deste blog, gostaria de expô-las e, possivelmente, abrir para o debate.
Razão Nº 1: O Imperialismo Americano e a Indústria de Tabaco.
Quando chegaram nas Américas, em 1492, os espanhóis ficaram admirados em descobrir que os nativos fumavam. Eles nunca tinham visto nada desse tipo antes. Curiosos, chegaram até o tabaco. Acontece que a planta era considerada sagrada pelos índios, que não tinham o hábito de fumar diariamente por prazer, mas, sim, somente durante rituais. Outra diferença, o tabaco era uma espécie mais crua, mais áspera. Nas cerimônias religiosas, eles não inalavam a fumaça, somente tragavam e deixavam-na sair pela boca e nariz. Acreditavam que, assim, a fumaça levaria suas rezas e preces aos deuses.
Os primeiros colonos dos Estados Unidos viram o grande potencial do tabaco. Conseguiram desenvolver uma espécie mais maleável, mais potente, e facilmente transformada em cigarros. Foi a primeira industria americana que deu lucro aos norte-americanos, origem do que se tornou uma indústria megabilionária, que move desde de barões da agricultura, empresários de Wall Street e os políticos de Washington. A fumaça do novo tabaco era facilmente inalado,atingindo rapidamente o cérebro, criando dependência automática à nicotina.
Cigarros são o perfeito artigo capitalista. Vicia rapidamente, é socialmente aceito, facilmente distribuído e custa relativamente pouco, se considerado isoladamente um a um. O capitalismo americano cresceu com a indústria de cigarros, se expandiu pelo mundo e, junto com a indústria petrolífera, é defendida com unhas e dentes (e bombas, tiros, corrupção, assassinatos, etc.) pelo governo ianque. Por isso fico admirado quando vejo esses anti-americanos gritando palavras de ordem em fóruns sociais segurando um cigarro na mão. São fantoches e nem sabem, já estão capturados.
Durante a colonização da China, a Inglaterra distribuiu e viciou grande parte da população em ópio. Com isso, conseguiram durante anos dominar aquele país, coisa fácil com uma população viciada. Hoje em dia, isso também está acontecendo na Ásia, mas com o cigarro. As importações da Phillip Morris para a Ásia cresceram 86% ano passado. A maioria dos novos fumantes são crianças, mulheres e adolescentes. Como o tabaco está sendo combatido no mundo ocidental, eles viciam, igual os Ingleses no século 19, os asiáticos, viciando-os, tornando-os consumidores cativos durante as próximas décadas. O lucro está garantido.
quarta-feira, junho 01, 2005
Que Pentelho!
Gérson estava se ensaboando quando viu o delito. Seu coração parece que parou instantaneamente no peito, voltando a funcionar, microssegundos depois, numa velocidade ímpar. A percepção do pentelho ruivo no sabonete o deixou um pouco tonto. A realização de que a cor daquele fio de cabelo era a mesma que o seu amigo Jorjão ostentava na sua cabeleira o deixou furioso. O flagrante só podia significar uma coisa: sua mulher o estava traindo – e justamente com o Jorgão!
Saiu puto do banho, batendo com força a porta do box. Que piranha, que vagabunda! Queria matá-la no momento em que a Marilda passou por ele no corredor, dirigindo-se ao banheiro. Vou tomar um banho para ficar bem cheirosa para meu amor, diz ela. Gérson não consegue reagir, os níveis de adrenalina e endorfina no seu sistema nervoso o deixaram paralisado de raiva. Melhor ir tomar um café na cozinha e esperar a putona sair do banheiro antes de acabar com tudo, pensa ele.
Gérson está sentado na mesinha da copa, copo de café na mão, planejando sua separação. Passa a mão na cabeça, tentando acalmar os chifres. De repente ouve um grito. Segundos depois aparece a Marilda, ensopada, embrulhada numa toalha lilás, bufando. Ela estica a mão na sua direção, quase esfregando o sabonete que segura acusadoramente em sua face.
O que significa isso, Gérson? De quem é esse pentelho?
Ele mal pode acreditar no cinismo da criatura. É do seu amante Jorjão, sua puta!
O quê?!?! Que cara-de-pau! Esse pentelho é da Joana, a empregada! Mesma cor dos cabelos. Logo com a empregada, Gérson?!!? Vou levar tudo, viu? Tudo! E sai chorando.
Duas semanas depois, estão separados, ela ficou com o apartamento, ele se mudou para um apart-hotel. Cada um ressentido com o outro. Como pode ter feito isso comigo? É o que ambos perguntam.
Meses antes, na fábrica de cosméticos do Boticário, Ximenes observa a produção de sabonetes na linha de montagem. O controle de qualidade é de sua responsabilidade. Para não contaminar o produto, está vestido como um funcionário de usina nuclear: roupão de borracha, luvas e botas de látex, e o cabelo preso numa espécie de toca. Mas algo o está incomodando, está com coceira no saco. Só pode ser daquela neguinha com a qual dormi depois do forró, pensa ele. Aproveitando que ninguém está olhando, abre o zipper do macacão, enfia a mão e dá uma coçada. Que alívio! Só que um pentelho despercebidamente flutua pelo ar e cai num sabonete recém saído do forno.
Vamos logo, ô Pomarola! É seu amigo José o chamando, avisando que o turno da tarde chegou ao fim. Ximenes, mais conhecido como Pomarola, por causa dos cabelos ruivos, desliga a máquina da linha de montagem e parte para o vestiário.
Todos sabemos onde foi parar o sabonete premiado.
Saiu puto do banho, batendo com força a porta do box. Que piranha, que vagabunda! Queria matá-la no momento em que a Marilda passou por ele no corredor, dirigindo-se ao banheiro. Vou tomar um banho para ficar bem cheirosa para meu amor, diz ela. Gérson não consegue reagir, os níveis de adrenalina e endorfina no seu sistema nervoso o deixaram paralisado de raiva. Melhor ir tomar um café na cozinha e esperar a putona sair do banheiro antes de acabar com tudo, pensa ele.
Gérson está sentado na mesinha da copa, copo de café na mão, planejando sua separação. Passa a mão na cabeça, tentando acalmar os chifres. De repente ouve um grito. Segundos depois aparece a Marilda, ensopada, embrulhada numa toalha lilás, bufando. Ela estica a mão na sua direção, quase esfregando o sabonete que segura acusadoramente em sua face.
O que significa isso, Gérson? De quem é esse pentelho?
Ele mal pode acreditar no cinismo da criatura. É do seu amante Jorjão, sua puta!
O quê?!?! Que cara-de-pau! Esse pentelho é da Joana, a empregada! Mesma cor dos cabelos. Logo com a empregada, Gérson?!!? Vou levar tudo, viu? Tudo! E sai chorando.
Duas semanas depois, estão separados, ela ficou com o apartamento, ele se mudou para um apart-hotel. Cada um ressentido com o outro. Como pode ter feito isso comigo? É o que ambos perguntam.
Meses antes, na fábrica de cosméticos do Boticário, Ximenes observa a produção de sabonetes na linha de montagem. O controle de qualidade é de sua responsabilidade. Para não contaminar o produto, está vestido como um funcionário de usina nuclear: roupão de borracha, luvas e botas de látex, e o cabelo preso numa espécie de toca. Mas algo o está incomodando, está com coceira no saco. Só pode ser daquela neguinha com a qual dormi depois do forró, pensa ele. Aproveitando que ninguém está olhando, abre o zipper do macacão, enfia a mão e dá uma coçada. Que alívio! Só que um pentelho despercebidamente flutua pelo ar e cai num sabonete recém saído do forno.
Vamos logo, ô Pomarola! É seu amigo José o chamando, avisando que o turno da tarde chegou ao fim. Ximenes, mais conhecido como Pomarola, por causa dos cabelos ruivos, desliga a máquina da linha de montagem e parte para o vestiário.
Todos sabemos onde foi parar o sabonete premiado.
segunda-feira, maio 30, 2005
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