segunda-feira, agosto 06, 2007

Antonioni & Bergman


Enquanto o Philippe está curtindo a sua lua-de-mel, não há muitas novas sobre a Plebe Rude que posso divulgar no momento. Então vou falar sobre uma das minhas paixões: cinema.

Na verdade, quero acender uma vela e falar dois amens para dois diretores muito importantes que se foram: Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. Lembro-me de quando era adolescente e Brasília, isolada do mundo por uma ditadura e isolada do Brasil pela deficiência de transporte e comunicação, tínhamos que agarrar com as duas mãos qualquer oportunidade de conhecer arte vinda de fora. Nossa salvação eram as embaixadas dos países que tinham representação no país que, volta e meia, exibiam uns filmes legais.

Íamos em bando, ainda por cima por serem de graça. Outra opção era o cinema da Cultura Inglesa. Foi lá que vi, pela primeira vez, Blow Up, do italiano Antonioni, num preguiçoso domingo à tarde, de onde partimos em grupo para o Gilbertinho para finalizar a semana. Bons tempos, bons filmes.

Admito que também sou fã do grande cinema americano, hollywoodiana, as grandes produções, coisa e tal (vem Homem de Ferro em 2008!!). Mas acho importantíssimo contrabalancear com o cinema arte, sério, que não só entretém, mas também faz pensar. Adoro Fanny & Alexander, adoro Zabriski Point. Eram diretores que estavam antenados ao underground, à contracultura de suas épocas, mas também entendiam sobre o que era o CINEMA, com letras maiúsculas.

Destaco, ainda, que fizeram cinema de qualidade sem nenhum patrocínio governamental, tipo Petrobras, como nossos “diretores” fazem seus “cinemas nacionais”.

6 comentários:

kiloton disse...

O André tem razão. Gostei do papo e vou escrever um texto longo. Posso incluir nesse assunto porque tambem morei em Brasilia na mesma época.

Realmente, a Cultura Inglesa, para quem não estava ligado nas embaixadas, era o unico cinema de Brasilia que passava filme decente.

Ainda assim, a Cultura não passava tudo. Então, no final de ano, já nas férias, nos anos 70, graças a Deus, passava ferias no Rio, onde acontecia o festival de fim de ano.

Passavam um filme diferente em cada cinema da cidade. E cada cinema passava um filme diferente a cada dia.

Com a minha carteirinha de estudante falsificada e um jornal do dia, depois da praia e do almoço, ficava o resto do dia, de onibus em onibus, até de noite, indo nos diversos cinemas da cidade. Isso que era vida boa. Via tudo, tinha dezenas de opções.

Enquanto isso, pobres candangos. Brasilia era mesmo uma bosta. Nas férias não ficava ninguem na cidade.

Na época, não existia video cassete, no cinema só passava merda comercial para peão. Não tinha nem loja de disco decente. Não tinha uma radio que prestasse.

O programa Rock in Concert, que passava no sabado, na Globo, era praticamente tudo que tinhamos. Ficavamos aguardado, ansiosamente, a semana inteira, sendo que nas ferias não passava.

Para o condenado a ficar no DF nas férias, o jeito era vagar pelo cerrado vazio e devastado, cheio de obras escrotas, de lama vermelha, debaixo de chuva fodida no verão.

Ficar no DF nas férias era realemente deprimente, podia levar ao suicidio.

Então, contava os dias para chegar as férias no Rio. Quando pisava na cidade maravilhosa, a primeira coisa que fazia era correr na Bilboard/Modern Sound, ir no cinema e ligar a Eldorado FM. Bons tempos.

Foi assim que assisti o , um filme raro e desconhecido. Em Brasilia, na época, esse filme não passou.

Esse é um dos melhores filme que já vi na vida. Me tras otimas recordações. O filme é meio paradão, lento, quem gosta de filme de porrada vai odiar. Contudo, gostei muito, não sei porque.

O filme tem trilha com Jerry Garcia, Cactus, Pink Floyd... Tem uma onda de rebeldia pós hipponga: o jovem comunista americano que endoida e rouba um avião monomotor.

Tem a
Daria Halprin, a atriz principal, lindissima, bem ao estilo garota da California. Mostra tambem LA, o deserto...Tem uma fotografia maravilhosa.

Já o Bergman, apesar de ser excelente, não foi da nossa época. Acho o Antonioni mais moderno, nos influenciou muito mais.

Blow Up, por exemplo, esse é rock n' roll, tem os Yardbirds malucos, tem super gatas usando aquela modinha Twiggy dos anos 60... É uma beleza de filme. Esse marcou época tambem.

kiloton disse...

porra, esse html sempre dá problema. Mas os link estão todos lá.

Anônimo disse...

Gostei do final: patrocínio governamental, tipo Petrobras, como nossos “diretores” fazem seus “cinemas nacionais”.

Assim, fica fácil né???
E tem tantas outras podridões. Aquele noíado do Guilherme Fontes assolou os cofres públicos com a tal produção/direção de Chatô o Rei do Brasil, o filme deve ser muito chato mesmo!!!!

Fico muito puto quando vejo neguinho que se matou de estudar (aqui na UFMG tem superior em cinema) tentando produzir algo sem apoio, e as estrelas globais Maria Zilda, Carla Camurati o mané do marido da Fernanda Torres torrar dinheiro da estatal para fazer essas porcarias. Anotem: daqui uns dias, Luana Piovani, sim, ela mesmo, irá produzir o tal Pequeno Príncipe – isso é verdade!

Do Brasuca, curto os curtas, esses sim, me enchem os olhos. Estou pensando inclusive fazer um, documentar minha ida a Machu Picchu pelo trem da morte.

André X disse...

Milton descreveu bem. E o mais legal é que esse cinema alternativo uniu muito a tchurma. Íamos em bando e ficávamos discutindo o filme durnte a semana. O grande gurú era o Renato, que sacava muito da história dos diretores.

Bergman é mais antigo, mas seu cinema melancólico combinava bem com Brasília na época.

Realmente dá raiva ver o quanto a Petrobrás dá para quem já é consolidado e tem nome. Não sou contra dinheiro para cultura, mas que seja direcionado aos que precisam, não aos famosos. Esses que busquem fazer filme que atraí público para tirar grana da bilheteria, como é feito no resto do mundo, incluínod Índia, Nigéria e Indonésia. Se esses países consguem ter um cinema nacional rentável, sem patrocínio estatal, como é que o Brasil não consegue?

Anônimo disse...

Tá rolando um papo que a Petrobrás vai tirar o patrocínio que dá a revista Outra Coisa , que por sinal tá vendendo a edição c/a Plebe a R$6,45 no site

F. S. Júnior disse...

Engraçado, você acabou de matar uma enorme curiosidade que eu tinha... pois nem bem eu ouvi pela primeira vez o Renato cantando que a Mônica queria vê o filme do Godard, à época eu tinha uns 13 pra 14 anos, fiquei na fissura pra assistir os grandes diretores, os grandes clássicos e, olha que eu estou falando dos anos 90, mas putz, quem disse que era fácil de alugar um VHS ou descobrir onde estava passando alguma coisa... fui só matar minha vontade de assistir estas coisas muito tempo depois... por isso, a curiosidade... valeu!

P.S.: vocês tinha que escrever uns livros de memórias e alguém devia ter a brilhante idéia de fazer um documentário ou coisa assim, sobre as aventuras da tchurma... seria bacana...