sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Hollywood sob ataque.


O filme mais esperado do ano pelos apreciadores de quadrinhos é o Watchmen. Escrito pelo inglês Alan Moore, esse barbudo simpático aí da foto, o graphic novel apresentou outra visão de super-heróis, copiado durante décadas por outras editoras mais famosas do gênero. Outro livro do Alan Moore que ganhou versão na grande tela foi a A Liga Extraordinária, que eu, particularmente, curti muito (apesar de, como sempre, o original ser melhor).

Pois é, mas o barbudo não está satisfeito. Recentemente, deu entrevista azucrinando essa onda de filmar quadrinhos. Seus motivos são bastante convincentes, especialmente a interpretação do porquê os estadunidenses gostam tanto de super-heróis. Vi o artigo do Omelete e fui atrás do original, no Total Film. Para agradar a todos, seguem, abaixo, a entrevista original e os melhores momentos traduzidos.

“The main reason why comics can’t work as films is largely because everybody who is ultimately in control of the film industry is an accountant.

These people may be able to add up and balance the books, but in every other area they are stupid and incompetent and don’t have any talent.

And this is why a film is going to be a work that’s done by dozens and dozens and dozens, if not hundreds of people.

They’re going to show it to the backers and then they’re going to say, we want this in it, and this in it... and where’s the monster?”

“We had one particularly dense Hollywood producer say, ‘You don’t even have to do the book, just stick your name on this idea and I’ll make the film and you’ll get a lot of money – it’s… The League Of Extraordinary Animals! It’ll be like Puss In Boots!’ And I just said, 'No, no, no. Never mention this to me again.'”

“There is more integrity in comics. It sounds simplistic, but I believe there is a formula that you can apply to almost any work of modern culture...

The more money that’s involved in a project the less imagination there will be in the project, and vice versa. If you’ve got zero budget, you’re John Waters, you’re Jean Cocteau, you’re going to make a brilliant film.”
“100 million dollars – that’s what they spent on the Watchmen film which nearly didn’t come out because of the lawsuit, that’s what they spent on The League Of Extraordinary Gentlemen which shouldn’t have come out but did anyway.

Do we need any more shitty films in this world? We have quite enough already. Whereas the 100 million dollars could sort out the civil unrest in Haiti. And the books are always superior, anyway.”

The League film cost 100 million because Sean Connery wanted 17 million of that - and a bigger explosion that the one he’d had in his last film. It’s in his contract that he has to have a bigger explosion with every film he’s in.

In The Rock he’d blown up an island, and he was demanding in The League that he blow up, was it Venice or something like that? It would have been the moon in his next movie.”

“Back when I wrote Watchmen I still trusted the viperous bastards, I had a different feeling about American superhero comics and what they meant.

I’ve recently come to the point where I think that basically most American superhero comics, and this is probably a sweeping generalisation, they’re a lot like America’s foreign policy.

America has an inordinate fondness for the unfair fight.

That’s why I believe guns are so popular in America – because you can ambush people, you can shoot them in the back, you can behave in a very cowardly fashion. Friendly fire, or as we call it everywhere else in the world, American fire.

If you’re up there in the stratosphere so that everything on the ground looks like ants, it might be insurgents, it might be an Iraqi wedding party, it might be some English soldiers.

There’s that beautiful bit of dialogue from the cockpit video when they say, “You’ve just bombed a load of Brits.” Their pilots say, “Woah, dude, we’re going to jail.” This is the Iraq war, not Bill And Ted’s Excellent Adventure!

I believe that the whole thing about superheroes is they don’t like it up them. They would prefer not to get involved in a fight if they don’t have superior firepower, or they’re invulnerable because they came from the planet Krypton when they were a baby.

I genuinely think it’s this squeamishness that’s behind the American superhero myth. It’s the only country where it’s really taken hold. As Brits, we'll go to see American superhero films, just like the rest of the world, but we never really created superheroes of our own.

And as Londoners, when we had that little bit of bother on the 7th July 2005 – after America had two big buildings blown up... Terrible shame, but we had a lot more than two buildings blown up during the ‘40s when America was providing most of the munitions to Hitler...

But when it happened in England, what was the reaction of the American forces on the 8th of July, as soon as those bombs went off? They pulled the American servicemen outside of the M25, because London was too dangerous for the armed and trained American military men.

Then after a few days, they thought, actually, this does look kind of bad, even for America, let’s creep back into London and pretend we’ve been here all the time.”

Melhores Momentos (traduzidos):
A principal razão pela qual quadrinhos não funcionam no cinema é que praticamente todo mundo no comando da indústria de cinema é contador. Essa gente sabe somar e equilibrar o livro-caixa, mas para qualquer outra coisa são burros, incompetentes e não têm qualquer talento."

"Tivemos um produtor de Hollywood particularmente obtuso que disse 'vocês nem têm que produzir o gibi, é só colocar o nome de vocês nessa idéia e eu faço o filme e vocês ganham um monte de dinheiro - é... A Liga de Animais Extraordinários! Vai ser como o Gato de Botas!'. Eu só disse 'Não, não, não. Nunca mais mencione isso para mim'."

"A gente precisa de mais filmes-porcaria no mundo? Já tivemos o bastante. E esses 100 milhões de dólares [orçamento de Watchmen: O Filme e de A Liga Extraordinária] podiam acabar com a guerra civil no Haiti. Além disso, os quadrinhos originais são sempre melhores."

"Na época em que escrevi Watchmen, eu ainda acreditava nos bastardos venenosos [os super-heróis], eu tinha uma opinião diferente sobre quadrinhos de super-herói norte-americanos e o que eles significavam (...). Os EUA têm uma afeição desmedida por lutas desleais. É por isso que armas são tão populares lá - porque você pode atacar de supresa, atirar pelas costas, lutar de forma bastante covarde. O que lá chamam de fogo amigo, no resto do mundo a gente chama de fogo americano."

"Acredito que a grande verdade sobre os super-heróis é que os EUA não iam querer nenhum contra eles. Eles preferem não se envolver em uma briga se não tiverem poder de fogo maior, ou são invulneráveis porque vieram do planeta Krypton quando eram bebês. Acho que essa é a vergonha por trás de todo mito do super-herói norte-americano. É o único país em que esse gênero funcionou. Nós britânicos vamos ver filmes americanos de super-heróis assim como o resto do mundo, mas nunca criamos super-heróis nossos de verdade."

8 comentários:

João disse...

Cacilda, isso sim é que um discurso político. E com citações de Jean Cocteau, John Waters e Bill and Ted's Big Adventure.

Anônimo disse...

Eu nunca fui fã de desenhos e quadrinhos de super herois porque 99% deles são americanos e tem mensagens subliminares de propaganda imperialista ou até mesmo racismo e xenofobia ianque.

Por exemplo, se vcs assistirem o Space Ghost original em ingles, verão que os monstros alienigenas sempre tem sotaque de arabe, mexicano ou estrangeiro.

Outro exemplo é o Thor, que faz referencia as origens mitológicas do white pride.

O Capitão America, então, o proprio nome diz: é propaganda pura.

Mesmo o Hulk, que era heroi incompreendido, perseguido pelo exercito, no final só fazia o "bem".

Enfim, esses super herois lutam pela "lei e a ordem" americana e sempre vencem. Isso é um saco. O conflito entre o bem e o mal, que sempre aparece, isso sempre coloca o "establishment" gringo como sendo o lado do "bem". Vide Batman e o caralho a quatro.

Realmente, essa formula precisa mudar. Nesse caso ingles que o X apresentou, graças a Deus, algo está mudando. Para ficar interessante mesmo, hoje é preciso criar um super heroi que esteja do lado do "mal", que seja inimigo dos gringos e destrua esse asqueroso império maligno americano.

Gosto de ver tourada quando o toureiro morre lentamente, pisoteado e chifrado pelo touro. Se for o contrario, então não tem graça

Renato Nunes disse...

Sin City foi muito bom. 300 foi bem fiel, mas prefiro a HQ. As adaptações das obras do Frank Miller (esqueça Elektra) têm sido felizes porque ele participa ativamente da produção desde o roteiro até a edição final. O Alan Moore fala, fala, mas vende os direitos de suas obras sem o menor pudor. Mas, enfim, um cara que criou o Rorschach e o Adrian Veidt tem o direito de fazer seu marketing pessoal como melhor lhe convir.

Paulo Marchetti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Danilo Rafael disse...

não sou fã de desenhos em quadrinhos americanos... mas tratando de mangá japones é comigo.
Eu gosto deles particularmente ´por ter um ótica para o bem.por tras de tudo sempre tem um lição de vida, uma moral na historia.
Veja os mangas ou ate mesmo os animes baseados no manga e divertam-se.como exemplo o samurai X e Death note.
abraço

é bom saber que a PLebe vai tocar em Salvador.

E que André atualizou seu blog.

viva a PLEBE RUDE

Paulo Marchetti disse...

Mais uma vez lembro (como todo ano) que hoje, dia 14 de fevereiro, o 1º disco da Plebe O Concreto Já Rachou completa 23 anos. Para comemorar esse data postei um especial legal com entrevista da banda em 1986 e texto de Mr. X sobre o disco. Deem uma olhada:
http://rockbrasiliadesde64.blogspot.com/

Anônimo disse...

Olá André...tudo bem?
Quando que a Plebe Rude tocará novamente no RJ ?????
grande abraço!!

Anônimo disse...

Acaba de sair um livro ilustrado com os esboços do Watchmen. Claro, o livro é do desenhista de Watchmen entre outras de Alan Moore entre outros.