quarta-feira, janeiro 09, 2008

Tirem a Ivete Daqui!!!

Férias no Nordeste. Longe de tudo, inclusive da internet, sem possibilidade nenhuma de atualizar o blog. Mar, sol, areia e muito Ivete Sangalo. Sim, isso mesmo. Descobri que o mercado não fica parado no verão, pelo contrário, trabalham dobrado. Tem uma nova música dessa infeliz que toca a cada meia hora em todas as praias, tipo lavagem celebral mesmo. Nada me tira da cabeça que não se trata de um esquemão promovido pela gravadora para empurrar esse troço para cima da gente.

Ivete Sangalo é anti-música. Não só porque é ruim, muitas músicas ruins são, isso mesmo, músicas. Mas o jeito que é tratado, massificado, empurrado guela abaixo dos despercebidos, me soa mais como operação de traficantes do que arte. E é isso mesmo, pois é uma droga. Sem perceber, você está fisgado, cantarolando aquele refrão que não diz nada e, como todo ano, usa as palavras “fevereiro”, “galera”, “carnaval” e “diversão”.

Até aí, tudo bem. Mas esse processo todo, essa logística de dominar a cabeça dos veranistas, está nos tornando um país culturalmente míope. Um povo que, de norte a sul, canta as mesmas músicas, facilmente manipulado por um esquema criminoso (na minha opinião) que pretende afastar novos talentos e arrebanhar milhares de pessoas desavisadas, que se divertiriam muito mais havendo um leque de opções para ouvirem e dançarem em suas férias.

Pois, estou de volta e não consigo tirar essa porcaria da minha cabeça!!!

27 comentários:

Txotxa disse...

andré, entendo e compartilho da sua dor nos ouvidos. eu e geórgia estávamos na praia vizinha, em maracaípe, e a situação não era das melhores. infelizmente, as pessoas relacionam axé com praia e sol e deixam de lado músicas que funcionariam muito melhor nesses ambientes. uma merda, mesmo...

Txotxa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Txotxa disse...

e sobre a ivete sangalo, ela criou uma escola meio bizarra de cantoras baianas de "voz grossa", que empostam cada nota e acabam soando meio parecidas. engraçado que um dia eu fui à dentista e ela me ofereceu, como distração, enquanto tinha os dentes massacrados, uns óculos meio do futuro, que tinham uma tela embutida e podiam exibir qualquer dvd. curiosamente, ela me indicou o da ivete sangalo no maracanã. acho que ela sabia que isso deixaria atordoados os meus sentidos. acertou em cheio. no final, foi mais eficaz do que qualquer anestesia...

confesso, no entanto, que gostaria de vê-la pelada (a ivete, e não a dentista). vamos esperar o tempo passar e, quem sabe, ela assina contrato com a prestigiosa companhia de entretenimento familiar: Brasileirinhas!!!! :)

JUNIOR disse...

IMAGINE MORAR EM SALVADOR E TER QUE ENGOLE ISSO O ANO INTEIRO. EM QUALQUER FESTA TEM ASA, CHICLETE, IVETE E OUTRAS PORCARIAS. É TRISTE!!!

Anônimo disse...

Uma vez fui passar o reveillon em Guarapari (nossa diversão) e PQP, tava rolando uma musica dela, chamada Festa! Eu devo ter escutado umas duas mil vezes...
A playboyzada colocava no carro, volume ao máximo, foi osso!!!!

A cada dia vejo que os jovens brasukas estão ficando perdidos.... Sem direção, sem opção, sem definição, sem conhecer, sem cultura, sem educação... Pagarão alto por tudo...

Preparem, pois, a tal Claudinha (bebe meu) Leite está sendo enlatada para carreira solo, agora serão duas.

A famosa frase: temos o que mrececemos...

Paulo Henrique disse...

Espero que não saia da sua cabeça nem do Blog, como aconteceu com aquele sobre o Cansei De Ser Sexy.

O que me dá mais raiva: eu ouvindo as músicas que gosto, achando que sou imune contra essas coisas, me engano ao ver que essa "cultura" faz com que as mulheres mais bonitas tenham menos conteúdo, queiram apenas os caras que curtem as mesmas porcarias E PIOR, vão em Micarês e voltam com a boca cheia de herpes. O problema não é só musical mas também coletivamente social, de saúde pública e sexual!

Mas eu também acho que a maior culpa é das pessoas porque elas têm liberdade de fazer o que quizerem, e não fazem porque SÃO BURRAS. Eu não gasto um tustão com CD/DVD e tenho 1 enorme acervo musical e cultural. O que falta é acabar com a barreira preconceituosa e buscar SEMPRE novos sons. Afinal qualquer coisa pode virar moda.

raphael_lamoya disse...

Aqui no rio é um pouco diferente, o axé tem um espaço muito grande, mas o que toca mesmo nas praias é o funk.
O conteúdo ideológico é o mesmo(nenhum), só que com letras mais pesadas.
Passei o reveillon em Rio das Ostras e lá assim como no resto do rio o que está tocando é o "Mc Créu" e a "Gaiola das Popozudas", o hit de cada um deles toca milhões de vezes em todos os quiosques e em todos os carros, parece que gravam um cd com duas faixas em deixam repetindo o tempo todo. O som até diverte e as mulheres rebolam bastante o que facilita a empatia de todos com esses ritmos, mas em 5 minutos aquilo gruda em sua mente e eles nem tem gravadora pra justificar a divulgação excessiva.

André X disse...

Copiando John Lennon, imaginem como poderia ser: numa praia, rolando um reggae de primeira, dubzão. Noutra, uma bossa-nova, noutra, um rock. Poucas músicas seriam repetidas e as pessoas receberiam uma gama de informação musical muito maior. Mas, infelizmente, é massificação mesmo, poucas músicas e poucos músicos.

Pedro k. disse...

Caro André,

6 feira 11 de janeiro, 6 da tarde estou no rio (de janeiro), 3 de fevereiro, volto a lisboa.

setiver show, lá estarei.

pedro k.
lisboa, portugal
rock-n-brasil.blogspot.com

Anônimo disse...

Atualmente o pior lugar do mundo em termos de criação musical é BH.
Não há nada de novo, tudo – tudo – tudo é copiado, acho que aqui toca mais funk carioca que no RJ, sem falar o axé.

Os jovens (e os grandinhos) vivem na cópia do Rio, se fazem lá, com certeza aqui vai rolar. Ta foda, é carro com som no talo, tocando a cultura dos morros cariocas.

Acho que para o morro (do Rio) o funk é legar, o axé para Salvador tbm é legal, assim como o maracatu para Recife, o boi para o Amazonas e etc. Mas, copiar é osso!

E logo aqui, Belo Horizonte, que deu Sepultura ao mundo, Club da Esquina, Virna Lisi, Banda do Lixo e tantas outras....

André, vc já ouviu falar da Banda do Lixo – primeira banda punk do Brasil?

João disse...

Tudo repetido fica ruim. Tinha uma barraca de um italiano em Fortaleza no verão de 2006 que só tocava lounge, um lance meio bossa-nova e que fazia remix até de algumas musicas de rock, incluindo Clash, Doors e essas bandas conhecidas. Aquilo tocando sempre acabava enchendo o saco tal como axé ou funk. Esse post me lembrou aquela letra do Escola de Escandalos: "são coisas tão incríveis que saem daquela tela
é tudo empurrado
pela sua goela
Lavagem cerebral
preste atenção nos comerciais
Lavagem cerebral
tão sutil que você pedi mais
(uh-uh, uh-uh)

Anônimo disse...

ah, divi!
confessa logo que vc balançou o popô ao som da boa e velha axé music!

LEVANTA A MÃO PRO ALTO!
TIRA O PÉ DO CHÃO!!!!!

PauloVlog disse...

Invertendo o assunto, falando de música boa, porque a Plebe não regrava a melhor música do Coquetel Molotov "Odio as Tv´s" Já que nos shows era inserido o refrão: Odeio tv, odeio vc, larga de ser, idiota..." dentro de "Proteção" pq não regrava-la?? é uma excelente música, o Zeca que tocou na banda me passou em mp3, super atual essa música, apesar de ser composta no inicio dos anos 80.

Anônimo disse...

Encarar dentista assistindo o DVD de Ivete Sangalo? Puta merda, isso é uma tortura muito cruel. Isso deve ter sido inventado lá em Abu Ghraib ou Gantanamo Bay. Coitado do Txotxa.

Sobre a questão da massificação enlatada e repetitiva, eu diria que isso não atinge somente as classes carentes e desprovidas de recursos.

Tem muita gente cheia da grana que é totalmente ignorante e só curte musica merda da TV. Acho que isso na verdade é a maioria. Inclusive, Ivete Sangalo toca muito em resorts, cruzeiros e pontos turisticos de alto poder aquisitivo. Vendem o DVD da Ivete para os gringos, como isso se fosse a cara do Brasil.

Então, isso mostra que o Brasil é um país perdido mesmo. Ter dinheiro hoje não significa ter educação, conhecimento e bom gosto. Muito pelo contrario.

Por exemplo, se vc for em churrasco de magnata e politico em Brasilia, só vai ouvir Chitãozinho & Xororó, Ivete Sangalo, Leonardo, Chiclete com banana...

Até mesmo os jovens mauricinhos e patricinhas da alta classe, esses adoram uma micarê. No carnaval, pagam fortunas para seguir o trio eletrico de axé, lá em Salvador.

Portanto, esse tipo de ignorancia não é um fenomeno somente das classe mais pobres. O que existe é uma grande pobreza cultural, atingindo todas as classes, sendo que isso é ditado pela TV, através de esquemão jabá das gravadoras.


De qualquer modo, com tudo isso, a gente vê que a Ivete é uma maquina de ganhar de dinheiro. É triste saber que, para se ganhar dinheiro com musica no Brasil, é preciso ser assim. Aquele que não se submete ao esquema enlatado de lavagem cerebral e jabá, esse não ganha dinheiro. Qualidade não dá lucro. Quantidade sim.

Anônimo disse...

X,

E sobre a passagem secreta do trafico na Mangueira, que ia direto para a quadra de ensaio?

Mangueira entrando

RickAlencar disse...

Sobre o mercado que empurra goela abaixo músicas, esse usa as mesmas estratégias (se não pior) que as dos anos 80. Até quando esperar?, foi um dos hinos dos anos 80, por causa do mesmo mecanismo citado por você André, é claro que a letra de Até quando esperar? é bem melhor, casou perfeitamente com o momento e etc, mas é praticamente o mesmo mecanismo, como você mesmo já citou aqui no blog. Não estou criticando vocês, hoje eu sei como é difícil levar um trabalho autoral. Se por um lado o famoso jabá ajuda, por outro atrapalha, pois quando um bitolado desses que só ouve Jovem Pan vai á um show, só quer ouvir a música que toca na rádio, fica pedindo toda hora e só se saciar quando a bendita é tocada, mas por outro lado, o jabá serve como vitrine, pois pessoas como eu, escutam uma música de uma banda nova, ou até velha, e vai atrás das outras músicas, pra conhecer a banda a fundo.

RickAlencar disse...

Não estou defendendo a dita cuja, mas mostrando o outro lado da moeda, fazendo papel de mediador.
Acho que o mercado Pop hoje está falido culturalmente falando.

Não dá pra escutar rádio, nem assistir TV, ainda bem que inventaram o You Tube.

Anônimo disse...

Alguém irá ao show do Cólera amanha em Brasília?

dunha disse...

eu nao gosto muito da cultura do axe(abada, micaretas, playboys se atrancando com macho, porradaria esse tipo de merda),mas tem algumas musicas da ivete q sao legais(principalmente as do hebert viana)asim como de outros grupos,tambem no verao nao fico em casa ouvindo sepultura ou nick cave eu moro no nordeste e ja me acostumei com a execução desse tipo de musica,porem nao faz de mim o apreciador dela, mas um cara q aprendeu a respeitar esse tipo de musica mesmo nao gostando!

mas uma coisa é inegavel, a ivete tem um par de pernas q eu vou te contar...

Anônimo disse...

A ivete nao tem so um belo par de pernas, tem tb talento e carisma.

Anônimo disse...

a ivete é uma puta, e quem ouve é puta para mulheres e marginais para homens.

Anônimo disse...

A Claudinha "Tira" Leite é bem mais gostosa.

Anônimo disse...

O povo otário não sabe avaliar o que é bom ou ruim. Só gostam de música conhecida. Usam a midia comercial como referencia de informação. Por isso são ignorantes, só conhecem o que aparece na TV.

A boa musica só fica conhecida por causa dos formadores de opinião. Só que isso é um processo tipo judicial, leva de 10 a 20 anos.

Ou seja, aquilo que as pessoas bem informadas e realmente modernas escutam hoje, isso pode ser a modinha de peão da decada seguinte.

O brega, por exemplo, isso é um frankstein fantasmagorico, é a sombra defunta da jovem guarda. Aquilo que no começo dos 60 era "super moderno", nos 70 e 80 isso virou moda de peão corno caminhoneiro. Virou trilha sonora de puteiro na beira de estrada.

Quanto ao axé, já existiram bons batuqueiros baianos, que tocavam tamboretes e paus eletricos de Dodô e Osmar. Bons tempos onde a negada dançava e se esfregava de graça, na beira da praia em Salvador.

Porém, tal putaria carnavalesca baiana virou uma industria muito lucrativa, começou a atrair gente do mundo todo. Então, logo se tornou comercial ao extremo. Invadiu a TV.

Hoje, no carnaval de Salvador, fazem currais estratificados de diferentes castas. Chamam isso de "abadá". A patriçola e mauricinho pagam uma grana para seguir o trio eletrico protegidos da escória suada. São diferentes classes de esfrega-esfrega. Isso tudo de modo ultra repetitivo, mecanico e encenado. É pura palhaçada finjida. O espirito original e espontaneo do axé/trio eletrico, isso já morreu há muito tempo, ainda nos anos 70.

dg disse...

Bom, não entendo nada de música e consumo os ritmos que me agradam.
Acho o jabá um mal necessário para a difusão e identificação dos trabalhos. Foi assim com as vertentes do rock, o punk, o grunge...Uma droga a falta de opção!!!
Aida bem que existem os independentes e a internet para oferecer outras ondas.

pió: dizem que o país tem cara de carnaval, futebol, samba, cerveja e, da virada do ano até o carnaval, é um "baticumburubumbumtelecoteco" que deus não nos livrou...

Anônimo disse...

além de entrenimento de primeira, ivete sangalo é música de qualidade ímpar no cenário brasileiro. os versos de suas canções deveriam ser estudados pelos vestibulandos de nosso brasil varonil.

João disse...

Do site da Veja, na coluna do Lauro Jardim:

Ivete: 3 milhões de downloads | 06:29
Ivete Sangalo fechou 2007 como a recordista de downloads em celulares no Brasil. Foram baixadas 3 milhões de faixas da cantora. O segundo artista mais baixado entre os cantores da Universal, a gravadora de Ivete, não chegou a 10% desse total, por exemplo. O número de Ivete é expressivo, portanto, mas merece uma explicação: quase a totalidade desses downloads não foram feitos espontaneamente pelos usuários. Eles vieram de brinde em vários modelos de celulares, de diversas operadoras, por causa de um acordo com a gravadora.

Anônimo disse...

Carnaval de Salvador:

Exército tambem curte axé e quer camarotes especias

Ivete Sangalo deve vender bastante tambem nas forças armadas, do quartel ao alto comando