sexta-feira, outubro 19, 2007

Sobre Reis, Plebeus e Futebol


Pelé é o rei! Tudo bem que não é o REI, mas fica bem na colocação, entre o primeiro rei, Elvis, e o terceiro, Roberto Carlos. Rei Pelé pediu para ninguém mais vaiar a Seleção. Como tenho tendências anti-monarquistas, tenho algumas dúvidas em atender prontamente essa solicitação real. Se o Edson Arantes analisar a recente goleada em cima do Equador, vai reparar que os Canarinhos só começaram a jogar bem após serem vaiados. Então, concluímos que a reação da torcida foi que contribuiu para que os onze em campo se tocassem que aquilo não era amistoso nem partida de churrasco e se dedicassem ao ludopédio, que, afinal de contas, é o que fazem para ganhar a vida.

O pedido do rei Pelé tem como fundamento uma questão cultural brasileira, a de confundir a Seleção com a Nação. Pode até ser que essa representa esta, mas quando a gente analisa mais de perto, vemos que tem algumas contradições. A CBF é um ente privado. Como tal, busca lucros. Como sabemos que dinheiro transcende nacionalidade, religião e estado civil, a CBF busca o que é melhor para ela, não para o País. Se apropriam, indevidamente na minha opinião, dos símbolos nacionais, mas não são uma manifestação oficial do Brasil como povo, cultura e país.

Uma das imagens mais bacanas que me lembro foi num dos jogos de classificação para a Copa de 2006, quando, perante mais um resultado pífio, o público começou a jogar no gramado bandeirinhas do Brasil que haviam sido distribuídas pela CBF. Eram ondas de bandeiras verde e amarelas sendo descartadas, com o Galvão Bueno narrando: “que coisa feia, não façam isso!”. De vez em quando o tiro sai pela culatra.

Desde a ditadura, a Seleção é usada como ferramenta de controle do povo. Lembram da famosa foto do Médici com o radinho de pilha na orelha? Do fato do João Saldanha ter sido afastado por ser comunista? Da ordem do Arthur Bernardes de não convocar jogadores negros? Marx errou, não é a religião que é o ópio....

Mas voltando a fantástica atuação perante o Equador, não foi a realeza que energizou os jogadores, foi a plebe. Cuidado, Rei, os súditos ainda não conhecem a própria força. Viva a Plebe!

6 comentários:

Anônimo disse...

é engraçado, dos plebeus tu é o cara que eu menos troquei idéia até hoje, mas acho que de certa forma vc entende que tudo isso é reverberação dos tempos do hellradio e da própria plebe mais antiga que eu curtia, entre tantas outras bandas, quando garoto. é isso aí, cara! abraço

Fábio disse...

Acabei de ouvir "Luzes" no r�dio (MPB FM - programa MPB Rock).

"De Fej�o, Bernardo Muller", e sei l� mais quem.. "Plebe Rude, tocando Luzes"

Fod�stico,

Ih, j� to b�bado. E ainda vou curtir a sexta. Salve a cerveja e quem a inventou.

Fui...

Paulo Henrique disse...

Roriz VS Carro Velho. READY? FIGHT!

http://www.youtube.com/watch?v=K6lO1rfW6F8

Anônimo disse...

Pô! – O que será que está acontecendo com os punks de SP? Dia desses mataram um vendedor de pizza, ontem vi no Fantástico que deram mó porrada em um jovem de 17 anos.

Que coisa feia, será que os tempos da pancadaria irá voltar?

X, o Clemente comentou algo contigo?

Queimou geral a imagem do Hangar 110.

F3rnando disse...

E o mundo não para de ficar chato: Paul Raven (Killing Joke) cantou pra subir hoje.

João disse...

O mais irritante é a dupla Globo-CBF. Neste jogo da seleçao no Maracanã, a torcida não podia comprar bebida alcolica, enquanto os convidados vips da CBF tinham uisque e champagne.