terça-feira, janeiro 10, 2006

O Diário da Turma


O livro “O Diário da Turma”, escrito pelo amigo Paulo Marchetti, conta, por meio de depoimentos das pessoas envolvidas, a história da formação das bandas de Brasília, do Aborto Elétrico, até os Filhos de Menguele. O autor fez um extenso trabalho de pesquisa, visitando as pessoas, deixando-as tagarelar e aproveitando as melhores partes, tentando dar um formato coeso ao texto, onde as idéias fossem concatenadas.

Hoje em dia gosto do livro, mas confesso que, quando saiu, senti muita falta de depoimentos de mais músicos, como o Jander, por exemplo. Pareceu-me que o livro era uma ode às pessoas que orbitavam em volta das bandas, tendo essas como pano de fundo. Após um tempo sem pegá-lo para ler, dei uma folhada cuidadosa e essa impressão negativa desapareceu. Sei da dificuldade em fazer os músicos falar, a maioria é bem reservada. Ao contrário dos satélites, que viam a oportunidade de seus 15 minutos de fama. Resultado, o livro reflete, por causa disso, como era ser adolescente em Brasília nos anos 80s. É até um tratado meio que antropológico da cena, onde trás as pessoas dos bastidores para frente.

Outro atrativo do livro são as fotos e o organograma das últimas páginas. Leitura recomendada, é uma visão dos 1980s diferente dessa onda comercial que está varrendo o país.

Paulo, estou esperando o próximo!

17 comentários:

Paulo Marchetti disse...

É uma honra pra mim ler esse texto, André. Lembro-me na festa na casa do Fifi quando vc me falou que o livro retratava adolescentes rebeldes, o que não concordei muito e achei melhor dar tempo ao tempo. Esse livro é como vinho: quanto mais velho melhor.
Também sinto falta de alguns depoimentos, mas não foi possível pegá-los. o Jander, por exemplo, só consegui encontrá-lo pouco antes de a Plebe subir no palco do Porão. Na reta final faltou dinheiro para ir atrás de outras pessoas.
Em nenhum momento de minhas conversas com os participantes forcei algum asunto, pelo contrário, tudo foi absolutamente espontaneo.
Minha maior preocupação era mostrar como era a vida em Brasília, como a Turma se divertia. Acredite, eu mais me preocupava com isso do que como ficaria os depoimentos sobre o Aborto Elétrico.
Na parte de bandas eu pensava: se um dia alguém quiser que faça uma biografia específica para cada uma delas. Mas em relação a Turma e a cidade, não existia essa possibilidade, isso só poderia estar no livro.
Mas se vc for ver todos do Capital deram depoimentos, 3/4 da Plebe, 2/3 da Legião, 2/4 do Escola, 2/4 da Elite, 5/8 do Diamante, 3/4 do Peter... enfim há bastante depoimento de músicos.
Fico feliz pelo retrato da cidade que deixei no livro e mais feliz ainda quando vejo meus velhos ídolos/irmãos satisfeitos com o livro. Isso não tem preço!!!
Quanto ao próximo... sei lá. Há o meu blog que é a publicação de datas que me consumiu 4 anos de pesquisas sobre o rock brasileiro.
O próximo será uma ficção.
O Diário da Turma é um livro fiel, sobre aquelas pessoas que mudaram minha vida.
Valeu André!!!

André X disse...

Paulo,

Acho o livro um estudo de nova-história, onde o cotidiano é o que dá a linha mestre da pesquisa, e não a visão dos heróis, que são excessão.
Hoje, é um livro de destaque, no estante da sala, a vista de todos (ao lado de Freak Brothers e Frank Miller!).

Abraço.

Paulo Marchetti disse...

Em relação ao post anterior (foto da Bizz) digo à vc que tenho o CD Room da Bizz com todas as 192 revistas que foram lançadas. Se quiser algo é só pedir que envio. De qualquer número, de qualquer ano.
abs

Dênis disse...

Eu ainda insisto que uma obra no formato de "O Diário da Turma", versão São Paulo, seria muuuito interessante.
Um Kid Vinil da vida, um ou mais músicos do período, sei lá, o que não falta é gente com tarimba pra fazer o papel do Paulo Marchetti.
Putz: se ele fez, e o resultado já é conhecido, atenção patrocinadores que se preocupam com o risco; ele é mais zero do que nunca! É "sucesso de grande aceitação popular", rs!
Sou paulistano, mas em momento algum me senti bairrista e/ou homofóbico a ponto de me sentir esquisito lendo a história de gente que fez história longe de minha terra; o que importa é fazer história, não é? Aqui ou na Bahia (aliás, taí um outro lugar dissecável no que diz respeito ao rock...)!
E não se trata de saudosismo, não. Acho que a história da "Turma" é uma aula de humanidade, cidadania (ops, forcei, nem sempre, não é André, rs!) e profissionalismo. Bom de se reler a qualquer momento.
Em minha casa, está ao lado do Longman e Maria Luisa de Mattos Priolli...
Forte abraço.

Mikele disse...

Dificil achar o livro!
Sou de BH e te falo q achar esse livro nao foi fácil, tive que rodar umas 5 livrarias pra, enfim, comprar o livro que nao é dos mais baratos, lembro que paguei em torno de 40 reais. Gostei muito do livro e achei que valeu cada centavo!
Abracos

José de Arimathéa disse...

Pô, dei muita sorte pois na época do lançamento do livro, assisti uma reportagem do Paulo, acho que foi no Jô Soares, logo depois estava com o livro em minha casa.
Sempre o leio, só para relambrar a realidade de Brasília daquela época, e dessa turma. E hoje, andando pela UnB, pela 105 norte, antigo Radicaos, e outros pontos de encontro da turma, vejo como o cenário de Brasília mudou. No entanto, vivenciar qual era daquela época foi muito fera para mim que não morava em Brasília e hoje estou aqui.
Aproveito a oportunidade para declarar que desde o primeiro contato com a Plebe Rude, sou FÃ da banda por tuas letras, que infelizmente ainda continuam muito atuais, e das músicas bem trabalhadas e bem característica.
Que babada de ovo hein André! Mais é isso aí. O que foi contruido ainda não rachou!

Abraços!

Zezão de Arimathéa

Claudio Lopes disse...

Moro em Brasília até hoje. Mas gostaria de que me respondessem a uma pergunta que tenho feito e ainda não obtive resposta:

Onde está o Gutje e o que ele faz?

onde está o Jander?

Onde está Wally?

Grande abraço.

Daniel disse...

Bem... o meu "Diário da Turma" é especial: autografado pelo Sr. Phillipe Seabra e Mr. André Mueller.

Daniel - Plebe na pele

André X disse...

ô, cláudio lopes, acho que já falei isso mil vezes aqui e a informação está disponível no orkut a rodo. mas lá vai: gutje, pelo que sei, está em porto alegre. o jander trabalha com o nando reis. pronto!

Claudio Lopes disse...

Caro André X,

Eu agradeço de todo coração por sua boa vontade em me responder pela milésima primeira vez. Você é o cara! O que demonstra porque sou seu fã desde minha adolescência. Eu até colecionava anéis iguais aos seus com caveiras e tudo o mais. Agora, por gentileza, você poderia me dizer onde se encontram os motivos das saídas do Gutje e do Jander no seu blog. Assim você não precisa ser tão delicado dizendo que é a milésima vez que fala e blá-blá-blá. Só me diga o dia da postagem. Você é um amor!!!

Obrigadão,
Cláudio Lopes

André X disse...

Cláudio,

Está algum lugar no passado do ano passado, não me lembro direito. Mas resumindo:
Saída do Gutje - diferenças de personalidade, conflito de ética, nivelamento de comprometimento.
Saída do Jander - opção do cara, saco cheio da Plebe, mudança de vida.

Abraço.

PS - minha mãe jogou fora todos meus anéis! quer escambear a sua coleção?

Claudia disse...

A mãe jogou fora?!? Quêisso! Um marmanjo desse tamanho?? ROFL
André Mueller, rodando pela Internet acabei caindo aqui, achei ótimo. Saudades de Brasília, do Brasil, de tantas coisas.
Beijão
(de uma tal)
Kiki

denise disse...

ah, esse livro é muito especial...comprei por pura curiosidade, não conhecia nada sobre a turma, eu tinha 13 anos. Digo sem exagero q minha vida mudou depois de ler, só conhecia bem a legião, o resto só de nome. Hoje eu sou fã da plebe além de também admirar outras bandas q conheci por causa do livro...valeu Paulo Marchetti!!!

João disse...

A melhor passagem desse livro é sobre um show da Plebe depois do fatidico jogo Italia 3 x Brasil 2, na Copa de 82. Philippe, entre uma musica e outra, apontou para uma amigo da terra da pizza que estava na plateia e disse: Ai, pessoal, esse cara é italiano. A vaia veio em peso, o tal italiano deve ter se sentido a um passo de ser linchado por brasileiros em fúria.

Anônimo disse...

Eu achei o livro bom porque reuniu otimas fotos e, em sua grande parte, relatou uma época.

Porém, não gostei de temas que fugiam do tema principal. Existe muito papo de drogas, aventuras de "satélites" adolecentes e coisas que não tem nada haver com o assunto pricipal: documentar uma época, um lugar e a expressão cultural das pessoas que viveram isso.

Além do mais, certas pessoas nesse livro puderam falar coisas de outras pessoas, sendo que essas outras pessoas não puderam contar a sua versão ou se defender. Alguns chegaram a contar mentiras.

Contudo, no geral, o livro tem muita coisa boa tambem. Não deixa de ser um bom trabalho.

Anônimo disse...

Acho que não expliquei bem. Minhas palavras podem ser mau interpretadas. Pois bem, o quis dizer é que houve muita enfase em assuntos secundarios como o uso drogas, homosexualismo e até crimes de trafico vandalismo (praticados pelos punks adolecentes).

Claro que isso tudo existiu, mas isso poderia ser mais resumido e secundario. Foco central deveria ser mais para o lado positivo da coisa.

E pior ainda, os relatos sobre uso de droga e etc, isso tudo cita nomes de pessoas reais. Fulano diz que comprou maconha de beltrano não pode dar a sua versão. Parece que diz até que cicrano cheirava pó e dava a bunda.

Então, esse que é problema do livro. Acho que, se houve uma boa revisão no texto. Isso se faria cortando ou resumindo estórias desnecessarias, incluindo esclarecimentos e direitos de resposta a quem se sentiu difamado... Assim o livro ficaria excelente, pois as fotos,a edição, diagramação e etc, é tudo muito bom.

Anônimo disse...

Pô, esse negocio está comendo as minhas letras e palavras. Vou repetir e corrigir:

Acho que não expliquei bem. Minhas palavras podem ser mau interpretadas. Pois bem, o QUE EU quis dizer é que houve muita enfase em assuntos secundarios, como o uso drogas, homosexualismo e até crimes de trafico e vandalismo (praticados pelos punks adolecentes).

Claro que isso tudo existiu, mas isso poderia ser mais resumido e secundario. O foco central deveria ser mais para o lado positivo da coisa.

E pior ainda, os relatos sobre uso de droga e etc, isso tudo cita nomes de pessoas reais. Fulano diz que comprou maconha de beltrano, mas esse não pode dar a sua versão ou se defender. Parece que diz até que cicrano cheirava pó e dava a bunda, sendo que já até morreu e não está aqui para se defender. Apesar de certas coisas serem mesmo verdade, eu posso garantir que tambem existe gente contando mentira.

Então, esse que é o problema do livro. Acho que, se HOUVESSE uma boa revisão no texto, ficaria um livro excelente. Isso se faria cortando ou resumindo estórias desnecessarias, incluindo esclarecimentos e direitos de resposta a quem se sentiu difamado... Assim o livro ficaria excelente, pois as fotos,a edição, a diagramação e etc, é tudo muito bom.