sexta-feira, março 31, 2006

Multshow Renato Russo.

Faço minhas as palavras dos leitores deste blog. Pelo menos no que têm em comum. Acho importante homenagens, pois registram o agradecimento de pessoas influenciadas pelo artista homenageado. É uma forma de demonstrar gratidão pela obra, do carinho pelo falecido. E o Renato tem uma obra fantástica. Morria de inveja – no bom sentido da palavra – de como pegava qualquer música medíocre e conseguia transformar numa obra prima, simplesmente cantando por cima. O cara era um gênio, e sofria como os melhores gênios.

Acho que o grande deslize foi a falta de pesquisa dos produtores. Poderiam ter escolhido bandas e músicos que realmente conviveram com o Renato ou que foram fortemente influenciados pelo cara. Cadê os Paralamas? Poderiam ter negociado uma trégua entre os ex-legionários com a família Manfredini. Só isso teria dado um salto quântico na qualidade do programa. Poderiam ter ouvido os fãs, quem que eles gostariam que tivessem lá? Mas, como sempre, foi tomado a via mais curta, a mais rápida, a mais barata. Entendo o porquê, isso não é uma crítica. O mercado vive um de seus piores momentos e isso força esse tipo de atitude.

Não que não estivesse bem organizado, estava. Mas, nos bastidores, não havia clima de homenagem, mas sim de fabricação de produto para vender às massas. No camarim, músicos que não se falavam de um lado, executivos da EMI/Multishow do outro. Não houve aquele necessário papo comunitário antes do show: gente, estamos aqui para prestar uma homenagem a um cara muito legal, então vamos despir dos estrelatos e bocas e olhares e vamos fazer o máximo para passar um recado legal para as milhares de pessoas que vão ver esse show. Acho que, na noite inteira, não ouvi ninguém falar do Renato. Nenhuma palavra póstuma, nenhuma referência ou oração. Só cifrões nos olhos de todos.

Sobre os artistas, alguns comentários. Charlie Brown Jr. até que tocou direitinho, mas é o típico artista que o Renato nunca teria nem no mesmo palco. O cara é declaradamente homofóbico, prega a violência e o desrespeito. O Russo abominava pessoas assim. O Paulo Ricardo foi o mais comédia. Tentou vir vestido com uma camisa igual a do Renato sem conseguir, acho que sua personal-styler vacilou. Aquela barba por fazer, aquela voz sussurrada, me fizeram rolar de rir. O cara tá perdido, vejo nos seus olhos. Aquela louca que não sei o nome me assusta! Caramba, é assim que os MPBistas vêem os roqueiros? Coisa doida! Um dia vamos nos vingar, vão chamar a Plebe para homenagear o Caetano ou o Milton e, daí, vou imitar um sambista – ou pelo menos o que acho que um sambista faz. Biquini foi legal, o mais peitudo, soube retrabalhar um clássico. Titãs uma bola fora, nisso discordo de vocês. Não entendo aquele Toni Belloto. Ele e a mulher fazem propaganda de tudo, de café à Sonrisal, passando por campanhas politicamente corretas e instituições financeiras. São o próprio casal-classe-média-me-dei-bem-na-vida padrão. E no show vem com aquela posse de revolucionário. Porra, já vi esse guitarrista na ilha Caras (em fotos, claro)! Eles nunca tiveram nada a ver com a Legião, sempre morreram de inveja da facilidade do Renato colocar suas emoções tão abertamente nas suas canções. Duvido que numa homenagem séria tivessem sido sequer cogitados. Cidade Negra foi a bola preta da noite, sem trocadilhos. Eles fazem qualquer e todas as homenagens possíveis. Péssima versão de uma música importantíssima. São a verdadeira banda genérica, tucana, em cima do muro. Tudo vai, tudo vale. Deviam entrar para o PT.

Se ninguém notou, e eu acho que não porque na TV eu também não consegui ler, na minha camisa, uma homenagem aos químicos. Ao contrário do Renato, eu adorava química! Foi minha segunda opção no vestibular. Quando me lembro da dificuldade que foi a gente participar, de termos da abrir mão do Txotxa, acho que a energia com que tocamos foi resultado disso. Uma pena mesmo terem cortado a reação do público quando a gente entrou. Cantaram Até Quando, pediram Plebe! Foi emocionante e eu agradeço a todos que lá estiveram presentes.

22 comentários:

Anônimo disse...

qual o problema do cara fazer propaganda/?

CÍCERO disse...

VAI SE FUDER ANONIMO DO CARALHO !!!
VC NÃO ENTENDEU O QUE X DISSE MANÉ ...
ANDRÉ OU GALERA DO BLOG , SÓ QUERIA SABER UMA COISA:
- QUANDO A PLEBE ENTROU NO LOCAL ONDE FOI GRAVADO O PESSOAL VEIO ABAIXO GRITANDO PLEBE MESMO ????
SE FOI VERDADE FICO MUITO FELIZ COM ISSO POIS ESSE DVD NÃO VOU ME DAR O TRABALHO DE COMPRAR ...

Daniel disse...

André... ainda não tive oportunidade de ver o show, mas entendo o q vc quer dizer com busca de cifrões X reais homenagens!!

No "Baú do Raul", produzido tb pelo Multishow, era fácil notar a diferença de como de Toni Garrido (o da banda PT) $$$$$ x Marcelo Nova, um cara q admirava ao Raul quase como a um pai.

Não sei quem produziu o do Raul e nem o do Renato, mas creio q vc cantou a pedra: estão mais preocupado em fazer algo de dê dinheiro rápido do q algo pra quem realmente é fã.

Existe um CD, q eu baixei da net, q é de um monte de banda cover tocando Ultraje a Rigor... foi muito mais autêntico do que a pseudo-homenagem ao Raul e, pelo visto, tb ao Renato.. E, por falar em Ultraje a Rigor, vc gosta do som deles??

Vc assistiu a um documentário chamado "Paralamas em close up"?? Creio q tb foi produzido pelo multishow. Fala sobre o rock nacional dos anos 80. Depoimentos dos Paralamas, Dado Villa-Lobos, Arnaldo Antunes, Roger Moreira, Evandro Mesquita (passo...), Paula Toller (repasso...), Dinho Ouro Preto (pago...), Raimundos e alguns outros... eu achei bacana pq quem tava no comando era o trio dos Paralamas... Assistiu?? O q achou?? Quer uma cópia??

Daniel - Plebe na pele

Pamela disse...

É Cícero, foi lindo,o povo realmente enlouqueceu quando a Plebe entrou.
Geral gritando "ole,ole,ole,Plebe,Plebe" e cantando "Até quando esperar"

Mais informações no meu blog,no post sobre esse show:

http://proibidoproibir.blogspot.com/2005/12/tributo-renato-ruo.html#comments

André X disse...

Anônimo, nada contra o cara fazer propaganda. O lance é que ele possa de bonzinho, moço-família na TV, agradando à classe média, e, nos shows pousa de revoltado, grianto palavrões e fazendo pouses clichés de guitarrista. Talvez seja preciosismo meu, mas gosto de pessoas que definem bem o lado de que estão. Se não, melhor todo mundo assumir logo que os deputados estão certo em agir como agem.

Sim, gosto de Ultraje.

Sim, vi o doc. dos Paralamas e gostei muito.

Sim, veja o post da Pamela. Foi emocionante entrar no palco.

Paulo Marchetti disse...

O problema desse negócio todo se chama Marcelo Fróes. Aliás, um grande problema.
Shows homenagens e CDs tributos só olham cifras, mais nada. É tudo lixo... sempre.
Fuck EMI.
O importante é que Mr. X está bem novamente e a Plebe está de disco novo.
Não nos dê mais sustos André!

Mikele disse...

Tava lendo os comentarios aki, e me assustou de certa forma. Hj em dia é td enlatado, da nossa comida a nossa musica. Essa homenagem, foi mais um enlatado. As bandas novas de hj sao enlatadas, sao estragadas assim q entram em uma gravadora, tem q entrar no eskema. Como diria a musica, faca o q eu te digo q eu lhe torno um milhonario.
Mas de algum lado eskema nao funciona mais as gravadoras tao falindo, encontrou nos piratas um de seus maiores concorrentes.
Qt ao cara fazer propaganda é o seguinte, se o cara ganhar uma grana pra fazer uma propaganda, seja la do q for ele vai fazer, se ele ganhar grana pra se vestir de revolucionario e falar q é revolucionario ele vai fazer do mesmo jeito e sinceramente nao cabe a nos julgar a contradicao do cara, ja q vemos na politica e em varios outros meios contradicoes muito maiores, e eu pergunto kem no lugar dele, pela grana q ele recebe tanto pelas propagandas qt pra se pintar de revolucionario, quem nao iria fazer ??? Eu faria!

F3rnando disse...

Alguém teve a oportunidade de ler a entrevista do Dado à Bizz, duas ou três ediçoes passadas? A coisa tá fedendo feio...

Calibam disse...

A Rede Globo (entre outras) detêm o poder sobrenatural de destruir qualquer talento que exista. Pode-se perceber isso qdo aparece um destaque na concorrente, e Rede G. contrata, e coloca 'in continenti' o novo talento na geladeira (até ele morrer de frio).
A mesma coisas com os famosos "grandes festivais", naquelas ocasiões em que a Marinho-tv tenta reproduzir o "glamour" dos antigos shows da Record da década de 60 - uma lástima. Com bandas e cantores(as) de 3ª linha, letres ridículas, tudo sobre a regência do Morelenbaun (sei lá como se escreve)no melhor estilo do programa "FAMA" - que é um lixo!
A homenagem do Multishow não foi uma novidade (pelo menos pra mim), pois não há honestidade e, sim, plasticidade. Se um homem cantasse 1° de julho ou Leila, será que haveria cortes de edição? E Clarisse? Lógico que sim!
No fim das contas é a mesma história da "Minha Renda": Não sei o que fazer, grana tá difícil /
tenho que me formar e nem escolhi um ofício /
Você é músico, não é revolucionário! /
Faça o que eu te digo que te faço milionário!

andré nascimento disse...

Paulo Ricardo é foda !!!!Não sei quem mudou mais de estilo ..ele , EDU K ou os Titãs ...

Dênis disse...

Meu, infelizmente tudo é grana, até o dia em que alguém subirá num caixote e dirá: "essa merda não vale mais nada, o lance agora é sal!".
Mas Safras, Moreiras Salles e o governo comprariam imediatamente todas as salinas...
Então, resta-nos falar sobre a arte: vivemos um momento musical ridículo como nunca, e o que se falar a respeito serão mágoas de quem espera algo diferente.

Reinaldo disse...

Esse país é uma merda mesmo. Onde ja se viu, vc quer ouvir Tom Jobim no rádio ou em algum lugar público, ter que ir na quinta avenida em NY? Não sou o maior fã do Renato Russo, porém tenho a admiração pela sua inteligência e autenticidade, e tenho certeza q ele gostaria de ver a plebe tocando pelo menos umas 4 músicas, Inocentes (pq não?), até mesmo o Cólera que já gravou "Será", Detrito Federal, Comercial Inicial, Escola de Escândalos (mesmo sem o fejão), Raimundos, do que essa corja idiota. Até hoje me culpo por não ter visto a Plebe ao vivo, mas por morar em são paulo tive o privilégio de ver Inocentes milhares de vezes. Não vejo a hora de ver a Plebe, ainda mais com o Clemente aqui em SP. Estou no aguardo, abraço a todos. Visitem meu site, o único 100% Plebe exceto o oficial > http://oconcretojarachou.vila.bol.com.br

Anônimo disse...

Cicero, sua mãe nao te deu educação nao? Respeita a opinião dos outros e deixa de ser radical, cara.

Anônimo disse...

Cicero, sua mãe nao te deu educação nao? Aprende a respeitar a opinião dos outros e a não ser tão radical, vai ser melhor pra você.
Esse negocio de mandar os outros se fuderem a troco de nada é o tipico da atitude a la chorão. Pensa que tem atitude mas nao tem. Tu deve adimirar o chorão, hein?
Nao é por que eu gosto da banda que eu vou concordar com tudo que o pessoal da banda diz.
Foi emocionante msm a galera da Cidade Maravilhosa gritando pela plebe e cantando ate qdo esperar, fiquei surpreso e deu ate p. ficar arrepiado.

Anônimo disse...

Para tudo: Britney spirro disputando papel p. fazer a janis, é brincadeira...

João disse...

Deviam ter chamado bandas de que o Renato Russo declarou que gostava, como a paulista Fellini e a gaucha Defalla, duas grandes bandas dos anos 80 e que estavam a frente de todo o lixo como Titas e Paralamas (mas nao do solid gold da Plebe). E deviam ter chamado tambem o Kid Abelha, que o Renato Russo disse que gostava. Acho que das preferencias dele só estavam Plebe e Pato Fu. Mas o especial valeu por uma coisa: André X contando sobre a turma na casa do jovem Renato e este dizendo: "voces querem ser anarquistas, então tem que ler Proudhon e Bakunin." Muito bom. Ficou faltando ver a apresentacao da Plebe.

DJ Nobrega disse...

Foi uma das coisas mais deprimentes que já vi. O Renato JAMAIS permitiria uma merda dessas com suas obras-primas. Talvez por isso, o Dado e o Bonfá estejam brigando com a família do Renato.

Lamentável!!!

alex disse...

Nunca fui fão do Renato e Legião, mas admito que foi um gênio do rock nacional. O coitado deve estar se revirando todo no caixão, ah é, ele não foi enterrado, então deixa...

Sérgio Rodolfo disse...

Olá Bem meu caro, eu me sinto preso na década de 80, pra ser mais específico na musicalidade da época, quando realmente tínhamos a fusão de harmônias, letras e trabalho suado na gravação de um disco. É no mínimo interessante como a Plebe vem nessa longa trajetória conservando a filosofia musical que marcou e marca as o hoje fictício rock nacional. Eu não sabia da existência desse blog, e confesso-lhe lisonjeado que ganhou um leitor acíduo. O mínimo que posso dizer, é que estou ansioso para ver o novo álbum (R ao contrário, ou ao averso, não me recordo, mas já que são sinônimos, tá valendo :D ). Sem mais aproveito a oportunidade, para renovar votos de gratidão e demonstrar publicamente o carinho especial que tenho pela banda, deixando registrado um trecho de "Mundo real". "O que acontecer, depende de você Há! Só de você."
Forte Abraço!

Anônimo disse...

André, se vc abomina esses projetos por que se dispôs a participar?

Anônimo disse...

André, vc é realmente um pobre coitado. Quem te viu lá nos bastidores pôde atestar. Mal educado, espaçoso e grosseiro. E agora fica tirando onda de Lobão nas suas colocações, criticando a tudo e a todos como se fosse autoridade sobre todos os assuntos. Fala mal dos colegas que provavelmente abraça quando encontra.
Essa pose toda é pra manter-se fiel ao punk? Renato Russo gostava de roupa chique, frequentava premio multishow com paletó, sua casa era perfumada com incensos, ele adorava papéis de carta com anjinhos. E, sim, tietava os artistas de que gostava, ainda que para um punkão homofóbico como você isso possa parecer apenas coisa de viado. Não sei não, acho que o Renato que você conheceu deixou de existir ainda nos anos 80. Quando foi a última vez que você o viu? Quando foi a última vez que tiveram uma conversa?

Anônimo disse...

Ai ai...tenho certeza que esse comentário aí de cima é do Marcelo Fróes. Colocaram esse texto do André X lá na comunidade dele no orkut. Tô com vc André, só pensaram na grana mesmo, a maioria das músicas ficaram péssimas.