segunda-feira, outubro 31, 2005

Erros do Passado.

Uma pergunta que fizeram no blog me fez pensar um poucado sobre a atuação da Plebe no passado. Essa deve ser a banda que mais cometeu erros do rock nacional! O Philippe até brinca, porém sério, em lançar um livro chamado: “O que uma banda de rock não deve fazer” e contar tudo que a Plebe fez. Foram muitas trapalhadas e pisadas na bola que nos colocaram na lista negra das gravadoras, rádios e muitos ouvintes. Só para citar alguns, listei as cinco piores erradas da gente nessas mais de duas décadas de carreira.

1. Dar trela ao Gutje e à mulher do Gutje. Quando a EMI nos chamou para gravar o mini-lp, o Gutje estava casado com a Helena. Ele fazia de tudo para enfiar ela na equipe da Plebe. Queria até que constasse do contrato que ela fazia parte da banda. Queria que a gravadora pagasse a estadia dela no Rio enquanto a gente gravava O Concreto Já Rachou! E conseguiu! Isso saiu de nossos royalties! Ela se nomeou para ser a produtora gráfica do disco. Até hoje morro de vergonha quando leio os créditos de Sexo e Karatê, indicando nos vocais a “Fernandinha da Blitz” e não Fernanda Abreu!
2. Ter feito a reunião para tirar o Jander. Essa também tem a ver com a primeira. Quando cheguei na reunião, convocada pelo Gutje, estavam lá o Philippe e, pasmem, a Helena! Que votou como membro da banda!!!!! Aquilo foi muito mal conduzido. Nunca chamamos o cara para conversar, para ouvir o lado dele. Foi uma decisão radical num momento de desespero.
3. Quando a gente gravou o primeiro disco, a nossa empresária, que batalhou muito pelo disco, era a Camila. Assim que o disco sai, recebemos um convite para dar um ponta-pé nela e ser empresariado pela Fernanda, mulher do Dado, Savala, técnico dos Paralamas, e Naldo, amigo da Legião. O Philippe e eu queríamos ficar com a Camila. O Jander e o Gutje ansiosos por ficar com esse trio. Foi um racha logo numa época na qual a banda tinha que ficar muito unida, álbum recém lançado, mudança para o Rio, etc. Fomos convencidos pelos dois, mais para não acabar com a Plebe num momento tão delicado. Resultado? A Fernanda cai fora, o Savala também e ficamos com o Naldo. Talvez com a Camila, que já conhecia a nossa história e conseguia não se dobrar pelas exigências do Gutje, tivéssemos mais união e trabalho de equipe.
4. Recusar ir para a Warner. Depois do estouro do Concreto Já Rachou, nosso contrato com a EMI nos permitia escolher ficar por mais dois discos ou rescindir sem nenhuma penalidade. À época, a Warner nos fez uma excelente proposta, inclusive financeiramente falando para a gente assinar com eles. Pecamos por sermos fiéis à EMI, recusamos o convite e deu no que deu. A EMI perdeu o interesse na Plebe depois do Concreto. A Warner, pelo menos, teria se esforçado um pouco mais para recuperar o investimento.
5. Ter gravado o disco ao vivo sem fazer uma lavagem de roupa suja antes. A gente voltou e em um mês gravamos o disco. Não planejamos nada, não botamos os pingos nos i’s, não resolvemos as diferenças do passado. Resultado: cada um foi ficando mais amargurado com o outro. Não sabíamos o que queríamos, tanto é que a gente permitiu que o disco fosse gravado num estúdio, não num lugar de show. Nem tocamos antes para testar o repertório. Poderia ter sido um estrondo bem maior. Acabou sendo um tiro no oceano.

Mas, como diz uma música do CD novo: “se eu soubesse antes, faria tudo de novo”. Será?

33 comentários:

Anônimo disse...

Que coisa hein... Estou embasbacado... E continuando... como vcs conheceram o Ivan, atual empresário da banda?

João disse...

Cacilda !!! Estou com a respiração presa ao ler isso. É a história que vem à tona depois de anos para esclarecer séculos de dúvidas do fã. Então quer dizer que não é só o Gutje, tinha ainda a então mulher do Gutje. No RioFanzine há muito tempo atrás, saiu uma matéria intitulada: O Dia que o Rock Morreu. E então listaram vários eventos de consequências funestas ao rock. Um deles? O dia em que Jander Bilaphra saiu da Plebe Rude. Essa reunião deve ser almadiçoada pro resto dos tempos. Mas eu achava que na votação tinha sido 2x1. Philippe e Gutje tirando o Jander, e o André contra. Mas foi 3x1, a Plebe tinha uma integrante, e não era nenhuma das meninas que faziam backing no início da banda.

Anônimo disse...

Ue, mas a plebe chegou a ficar com 3 integrantes? eu pensei q ficou so com 2 msm... e sem o jander, quem q cantava as partes dele nos shows?

André X disse...

Olha, essa reunião não foi nenhum referendo. Não teve votação, mas sim convencimento entre as partes. A decisão foi consensual. Mas há ainda outras histórias para contar. Vamos ver se o Philippe escreve o livro...

Gabriel disse...

caramba...eu tb estou pasmo...
mas dessa vez sabemos que sera diferente...sera???

Mr andré...como anda a agenda de shows de vcs???os plebeus estao aflitos...

outro show para agitar a galera tipo teatro odisseia ou circo voador...quem sabe???
vlw

Anônimo disse...

Bons esclarecimentos, André, muitos fãs gostariam de saber esses detalhes, até então não conhecidos.
Acredito ter muito mais ainda, mas precisamos esperar o livro do Philippe? he he
E o percursionista Nego Beto, de quem foi a invenção?
Ah! Também quero shows no Rio.

Mateus disse...

Também to de cara! André, vc deve ter mais histórias pra contar do q minha vó.
O racha entre vcs foi sério mesmo!!!!!
Tenho uma leve pressentimento do q o Philippe se arrepende até hj em relação ao Jander.

CÍCERO disse...

"EL DIABLO, ABRIU O CORAÇÃO"

Richard disse...

André, bacana sua iniciativa de expor alguns pontos em relação a separação da Plebe, nós que admiramos a música da banda ficamos sempre "pulgas" atrás da orelha sem saber muito bem o que realmente existiu ou existe.

Eu sempre digo que é uma grande "pena" que a Plebe tenha tomado outros rumos em relação a seus integrantes.
Na minha opinião a PLebe é talvez a única banda do Rock Brasileiro dos 80 que sempre se manteve num apostura de atitude em sua questão musical.
Mas infelizmente os fatos por muitas vezes não condizem exatamente ao que pretendemos, paciência!

O importante é que apesar da saída de Jander e do Gutje, a Plebe ainda se faz guerreira na missão de se fazer o bom e velho rock´n roll num país tão carente de coisas boas musicalmente falando.

Estou muito ansioso pelo novo trabalho, a expectativa é muito grande.

Vida longa a Plebe Rude!

abraço

CÍCERO disse...

DEPOIS DO QUE LÍ TEREI QUE MUDAR MEU CONCEITO DE VÁRIAS COISAS, EU SEMPRE ACHEI QUE O VILÃO CAMUFLADO DA BANDA ERA O PHILIPPE...

João disse...

A Plebe teve várias formações depois da saída do Jander. Tocou com percussionista, tocou com tecladista, virou duo, tocou com baterista e guitarrista convidados . . .

denise disse...

pois é, ficou parecendo q o gutje é o vilão da banda, nÃO achei isso muito legal...será q daqui a algum tempo vc não vai se arrepender do q está "dizendo" assim como já se arrependeu de todas essas coisas?de qualquer maneira, deixo aqui meu sincero abraço...pow acho q sexta é aniversário do philipe, manda um abraço pra ele também rsrsrs

André X disse...

Não escrevi o texto com a intenção de fazer caças às bruxas, nem de apontar culpados. Uma banda é um conjunto de relacionamentos mais complicado que um casamento. Profissionalismo e emoções se misturam e se confundem. Não há responsáveis pelo que aconteceu. O Gutje sempre agiu pró-Plebe, sua intenção sempre foi de trazer o melhor para a banda, se bem que o resultado nem sempre foi bom. Assim como o Jander nunca tentou sabotar a gente, nem destruir a banda ao sair. Escrevi o desabafo para mostrar alguns erros que cometemos, assumindo também ser o autor deles. Não estou apontando dedos nem crucificando pessoas. Se soubesse antes, faria tudo igual.

Fabiano disse...

Em relação ao Gutje, o André sempre escreve com algumas alfinetadas... Mas cá pra nós... Nos discos Concreto já rachou e Nunca fomos as linhas de bateria do Gutje são sensacionais... Pena , que segundo dizem, não queria nada com a hora do Brasil...

Midian disse...

errar nao é humano, depende de quem erra! pô ngm merece a mulher do Gutje..., presente é futuro nas coisas ao redor

João disse...

Nessa história não há mocinhos e vilões, ou, visto de outro ângulo, todos são mocinhos e vilões ao mesmo tempo. Esse Naldo, que virou empresário da Plebe, provavelmente é o mesmo citado na música "2ª feriado", do terceiro disco. "se lembra, errando outra vez?"

Anônimo disse...

João, aqui no RJ, vi a Plebe com algumas formações depois da saída do Jander: com percussionista (Nego Beto), o próprio Philippe tocando teclado, com o Marcio ou o Kadu na bateria, mas não como duo (àquela época a Plebe dizia ser Power Trio - André X, Philippe e um baterista) ou com guitarrista ou tecladista convidados.
O André pode falar melhor sobre isso!

João disse...

O duo a que me referi era uma formação meramente formal, pois eles contavam sempre, no mínimo, com um baterista. Mas pra efeito geral, a Plebe estava reduzida a André e Philippe.

Anônimo disse...

André, gostaria de saber o real motivo do cancelamento do show que a Plebe faria no pontão do lago, acho que foi em 2002, teve algum desentendimento?

Anônimo disse...

Interessante ler isso. Se a Plebe fosse banda aqui dos USA ja teria Livro a muito tempo contando as historias da banda e acho que o Hall of Fame seria 2012.

Eu conheci o Philippe na sua passada pelos USA, acho que la por 96, 97. Parece mentira que naquela epoca "Concreto" so tinha 10 anos. Em 97, 1987 parecia muito distante. Mostrei ao Philippe o livro "BRock" onde tinha uma parte sobre a Plebe. Ele nem sabia do livro. O capitulo "Plebe Rude" no livro terminava perguntando "Sera o Fim?"
A pergunta parece ser eterna com a Plebe, talvez ate devia ser nome de Disco da Plebe Rude.

Louis NJ

André Nascimento disse...

mais um vacilo de vcs foi voltar p a EMI pois o PHILIPPE numa entrevista ao INTERNACIONAL MAGAZINE no ano de 2001 disse q vcs foram sondados pela extinta ABRIL MUSIC ...q na boa faria um excelente trabalho e melhor q a EMI-FODEON q deve ter acenado com o disco ao vivo + o relançamento dos 3 discos anteriores lançados antes na caixa PORTFOLIO em 97 numa tiragem baixa q sumiu..

André Nascimento disse...

continua... o fato não ter assinado c a ABRIL q na época do show da volta em 99 fez uma materia com a plebe ( a capa é com roger moreira pelado!!), ou seja um pingo é letra p os entendidos....a bizz é da abril . Como assinou c a EMI-FODEON a plebe foi sacaneada pela bizz numa critica covarde( q não tiveram peito p assinar) falando mal do album...

Introdução a Informática disse...

Na minha opinião a Plebe acabou depois que Jander saiu, um dos melhores vocalista que já ouvir em banda de rock eu era fã incondicional da plebe e morava no lago norte ao lado de felipe seabra.

Leando krieger

















vh foco disse...

Porra, deve ter sido um motivo mto assombroso pra tirar o Jander da banda, a participação da Yoko Ono tira um pouco o valor desta reunião. Seria importante o André narrar aos fãs pq o Jander foi rifado, mas se não puder falar o certo é que os fãs e a Plebe perderam mto com a saída do grande vocalista.

vh foco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz Kerovak disse...

Pra mim é a melhor do Brasil. "Seu Jogo" é sensacional. Um tempo que passei em Brasília, soube que o Jander junto com o Renato Rocha, tinham uma banda cover dos Dead Kennedys, chamada "Dentes Quentes".

Fernando Moretto disse...

Interessante saber como as coisas foram acontecendo. Tomara que o Philipe escreva o livro.

Fico na esperança que um dia voltem a tocar aqui em Araraquara. Sou fã da Plebe desde 86. Só consegui ir ao meu primeiro show da Plebe, este ano
aqui no Sesc. A formação com o Clemente ficou legal.
É claro que queria a formação original junta, mas tá valendo.
Abraço André!!

Fernando Moretto disse...

Interessante saber como as coisas foram acontecendo. Tomara que o Philipe escreva o livro.

Fico na esperança que um dia voltem a tocar aqui em Araraquara. Sou fã da Plebe desde 86. Só consegui ir ao meu primeiro show da Plebe, este ano
aqui no Sesc. A formação com o Clemente ficou legal.
É claro que queria a formação original junta, mas tá valendo.
Abraço André!!

Helio B disse...

Os erros que são de veneta comercial são reais na maioria das bandas, principalmente da cena punk. Mas o que me deixa mais triste e intrigado é a situação do Jander... adoro o Clemente, mas a Plebe perdeu muito sem o Jander. não parece mais a mesma coisa nem sonora e nem visualmente. Mas é isso, FORÇA PLEBE!!

bimba disse...

Quem era os músicos de apoio?

Unknown disse...

Quando os elos iniciais se cortam, algo se perde, é inevitável. Quando Jander saiu, uma das melhores caraterísticas do som da Plebe, que era o duo vocal, na voz mansa de Philipe e na gutural de Jander, acabava e ia deixar saudade! A vida é assim né...dias bons e dias não tão bons. Fica o legado e as belas canções!!!

Rogerio Cardoso disse...

Concordo com o que disseram acima. A Plebe acabou com a saída do Jander. Jander era a Plebe. Nunca soube o motivo (agora fiquei sabendo ). Mas, ficam intrínsecos outros: fama, dinheiro, ambição,amadorismo, imaturidade, e por aí vai. Todos, talvez, inerentes da pouca idade. Inclusive, temas já cantados pela própria Plebe. Confesso que perdi o entusiasmo de ouvi-la com a saída do Jander, ou melhor, não mais a ouvi. Comprei recentemente um the best of Plebe, mas lógico, the best of da Plebe só com o Jander. Agora só não entendo uma coisa, em tempos em que todas as antigas e boas bandas estão voltando no "originalzinho", por que não voltar a Plebe "originalzinha", a verdadeira? Será que com a idade avançada a fogueira das vaidades ainda não se arrefeceu? Fica a dica! Adoro a Plebe Rude original!! Forte abraço para todos os fãs!!
p.s.: Não tenho nada contra o Clemente, o acho um puta de um vocalista, excelente rockeiro. Curto muito sua banda, Inocentes. Mas curto muito mais a Plebe no original. A banda atual, que também é excelente, não devia se chamar Plebe Rude.

Senhora Ironica disse...

Sugestão: a banda deveria se chamar Plebe Inocente.