segunda-feira, abril 03, 2006

E o show em abril será em.....

Nazaré das Farinhas, duas horas de Salvador, Bahia! Estamos realmente muito animados por tocar numa cidade fora do grande circuito SP - RJ - BSB. Não que não goste de tocar nos grandes centros, mas é legal levar o nosso som para outras praças, mais distantes e - sonhando - talvez fora das garras das grandes rádios e influência da mídia muderninha.

Outros shows em breve.

sexta-feira, março 31, 2006

Multshow Renato Russo.

Faço minhas as palavras dos leitores deste blog. Pelo menos no que têm em comum. Acho importante homenagens, pois registram o agradecimento de pessoas influenciadas pelo artista homenageado. É uma forma de demonstrar gratidão pela obra, do carinho pelo falecido. E o Renato tem uma obra fantástica. Morria de inveja – no bom sentido da palavra – de como pegava qualquer música medíocre e conseguia transformar numa obra prima, simplesmente cantando por cima. O cara era um gênio, e sofria como os melhores gênios.

Acho que o grande deslize foi a falta de pesquisa dos produtores. Poderiam ter escolhido bandas e músicos que realmente conviveram com o Renato ou que foram fortemente influenciados pelo cara. Cadê os Paralamas? Poderiam ter negociado uma trégua entre os ex-legionários com a família Manfredini. Só isso teria dado um salto quântico na qualidade do programa. Poderiam ter ouvido os fãs, quem que eles gostariam que tivessem lá? Mas, como sempre, foi tomado a via mais curta, a mais rápida, a mais barata. Entendo o porquê, isso não é uma crítica. O mercado vive um de seus piores momentos e isso força esse tipo de atitude.

Não que não estivesse bem organizado, estava. Mas, nos bastidores, não havia clima de homenagem, mas sim de fabricação de produto para vender às massas. No camarim, músicos que não se falavam de um lado, executivos da EMI/Multishow do outro. Não houve aquele necessário papo comunitário antes do show: gente, estamos aqui para prestar uma homenagem a um cara muito legal, então vamos despir dos estrelatos e bocas e olhares e vamos fazer o máximo para passar um recado legal para as milhares de pessoas que vão ver esse show. Acho que, na noite inteira, não ouvi ninguém falar do Renato. Nenhuma palavra póstuma, nenhuma referência ou oração. Só cifrões nos olhos de todos.

Sobre os artistas, alguns comentários. Charlie Brown Jr. até que tocou direitinho, mas é o típico artista que o Renato nunca teria nem no mesmo palco. O cara é declaradamente homofóbico, prega a violência e o desrespeito. O Russo abominava pessoas assim. O Paulo Ricardo foi o mais comédia. Tentou vir vestido com uma camisa igual a do Renato sem conseguir, acho que sua personal-styler vacilou. Aquela barba por fazer, aquela voz sussurrada, me fizeram rolar de rir. O cara tá perdido, vejo nos seus olhos. Aquela louca que não sei o nome me assusta! Caramba, é assim que os MPBistas vêem os roqueiros? Coisa doida! Um dia vamos nos vingar, vão chamar a Plebe para homenagear o Caetano ou o Milton e, daí, vou imitar um sambista – ou pelo menos o que acho que um sambista faz. Biquini foi legal, o mais peitudo, soube retrabalhar um clássico. Titãs uma bola fora, nisso discordo de vocês. Não entendo aquele Toni Belloto. Ele e a mulher fazem propaganda de tudo, de café à Sonrisal, passando por campanhas politicamente corretas e instituições financeiras. São o próprio casal-classe-média-me-dei-bem-na-vida padrão. E no show vem com aquela posse de revolucionário. Porra, já vi esse guitarrista na ilha Caras (em fotos, claro)! Eles nunca tiveram nada a ver com a Legião, sempre morreram de inveja da facilidade do Renato colocar suas emoções tão abertamente nas suas canções. Duvido que numa homenagem séria tivessem sido sequer cogitados. Cidade Negra foi a bola preta da noite, sem trocadilhos. Eles fazem qualquer e todas as homenagens possíveis. Péssima versão de uma música importantíssima. São a verdadeira banda genérica, tucana, em cima do muro. Tudo vai, tudo vale. Deviam entrar para o PT.

Se ninguém notou, e eu acho que não porque na TV eu também não consegui ler, na minha camisa, uma homenagem aos químicos. Ao contrário do Renato, eu adorava química! Foi minha segunda opção no vestibular. Quando me lembro da dificuldade que foi a gente participar, de termos da abrir mão do Txotxa, acho que a energia com que tocamos foi resultado disso. Uma pena mesmo terem cortado a reação do público quando a gente entrou. Cantaram Até Quando, pediram Plebe! Foi emocionante e eu agradeço a todos que lá estiveram presentes.

O Porquê do Sumiço.

Sábado à noite, dois Smirnoffs Ice e uma Lasanha. Assisto uma cópia pirata de Sin City, imagem e som fora de sincronia – faça uma nota mental para adquirir uma original, esse filme vale à pena. Durmo. Quando estou no REM pesado, perturbado pela cena onde o Marv corta as pernas e braços do Kevin e deixa o cachorro comer ele, tecendo considerações filosóficas do que faz um Hobbit virar um bandido-canibal, a Ana começa a chorar no berço. Com o susto, pulo da cama, alcanço o bebê e o entrego para a Rosa, para mamar. Daí começo a ficar tonto, o coração batendo acelerado, e aquela cena do início do Sin City, quando o John Hartigan tem um enfarte, fica voltando, nítida em frente dos meus olhos. Traço um plano: tenho que sentar e baixar a cabeça para a pressão voltar. O lugar mais perto é o banheiro, para onde me dirijo. Consigo chegar, a tonteira aumentado, o coração batendo mais forte e o personagem do Bruce Willis na minha cabeça. Sento no vazo, vou baixar a cabeça e....... acordo no chão. Desmaiei. Com a queda, bato a boca direto no trilho da porta do box, que quebra. Levanto-me e, cambaleando, chego à cama. Gosto de sangue na boca. Galo na cabeça. Nariz pulsando de dor. Rosa chega e me obriga a ir para o pronto socorro. Carlos, meu cunhado ninja, me leva.

O resto já sabem. O médico de plantão ignora meus machucados – a razão pela qual eu fui! – e se concentra em saber o porquê do desmaio. Não aceita a explicação de que eu levantei muito rápido, faz uma série de exames e, baseado numa anomalia demonstrado no resultado do eletrocardiograma, me interna na UTI para ficar em observação, com suspeita de infarto. Me colocam numa cadeira de rodas, apesar de eu insistir estar bem, em poder andar. Digo para o técnico hospitalar que me empurra que é impossível ser um ataque cardíaco. Eu malho, corro, me alimento bem e não senti dor nenhuma no peito quando desmaiei. Sua resposta: tá vendo, por isso que não vale a pena fazer nada disso, se cuidar, seu coração pode te matar a qualquer hora.

Chego na UTI, confiscam minhas roupas, meu celular e minha carteira. Sou confinado à uma cama, com tubos entrando nos braços, medicamentos bombeados para dentro do corpo, um computador monitorando meus sinais vitais e um tubo de oxigênio no nariz, apesar de protestar, afirmando que posso respirar. Todos meus outros companheiros de quarto estão moribundos. O do meu lado, um senhor de 84, fala inconsciente com pessoas que não estão lá. Assustador. Chamo o enfermeiro e pergunto se não dá para sedar o senhor. Impossível, ele pode morrer, é a resposta. Tenho que ficar agüentando esse papo com o além. No teto, bem em cima da minha cama, um mosquito. Ele voa bem perto do meu rosto, zombando de mim, sabendo que não posso fazer movimentos bruscos para matá-lo. Juro para mim mesmo, quando sair, esmagar o máximo de seus irmãos e primos quanto puder.

E todo esse tempo, minha família fica sem notícias. Ninguém explica o que está acontencendo. Só lá pelas 16 horas do domingo é que a cunhada do meu irmão, que é cardiologista, consegue que me liberem. Levam-me para outro hospital e lá confirmam: não foi infarto coisa nenhuma! Sinto-me usado e explorado. E o pior: a conta vai ser alta!

Ainda estou com a boca arrebentada, a barba crescida, pois dói para raspar. Estou pensando num jeito de não pagar o pronto-socorro. Mais uma vez, a gente se sente abandonado pelo governo, que na hora de cobrar impostos está presente, mas é ineficiente em fornecer a contra-partida em termos de boa saúde pública, educação e segurança. Por isso o sumiço. Mas estou de volta!

terça-feira, março 28, 2006

Estamos ainda no ar!

Gente, desculpe a desaparecida, mas fui vítima de um acontecimento kafkiano, que depois vou contar em mais detalhes. Resumindo, machuquei o rosto e me internaram na UTI, de onde minha família não conseguia me tirar. Quem leu O Processo, do Franz Kafka, sabe o que senti.

E o Multishow, ontem? Alguém viu? Vou deixar os leitores darem a opinião primeiro, antes de eu falar minhas ácidas observações. O Renato se sentiu homenageado? As bandas fizeram jus ao guru-dos-oprimidos?

terça-feira, março 21, 2006

Recomeçaram os Shows!


Aos poucos, timidamente, a Plebe Rude está voltando à estrada! Foram fechados dois shows, um em abril, outro em maio. Este último, quem mora em Brasília, já deve estar ouvindo as chamadas no rádio. Trata-se da comemoração dos não-sei-quantas décadas da lanchonete Giraffa's, que alimentou grande parte do underground brasiliense. Durante um breve tempo, a "tchurma" se reunia no Giraffa's do Lago Sul nos fins de noite. Me lembro de um baculejo que levamos da polícia lá, com o Renato Russo tendo que pagar flexões sob os olhares masoquistas dos guardas! Foi lá que começou o ataque dos playboys contra os punks, covardemente pegando um punk contra quarenta boyzinhos. Durante uma época, era o melhor suco de laranja com morango da night candanga. Bom, chega de jabá, o show vai ser mega, na Esplanada dos Ministérios, junto com o Capital Inicial. Vocês estão convidados a se espremerem entre as meninas gritando "Dinho!" para verem a Plebe. Tudo bem, não somos tautuados, nem marombados, não tiramos a camisa para mostrar nossos piercings, nem usamos a gíria "cara" a cada duas palavras e também não temos um sorriso kolynos permanente, mas compensamos em outras áreas.

Já o show de abril, não será em Brasília. Detalhes nas próximas edições.

sexta-feira, março 17, 2006

Homenagem ao Postpunk.


Todos sabem do plano do Malcom McLaren de acabar com o rock n roll, criando a antítese da banda roqueira, os Sex Pistols. Todos eram monitorados e controlados pelo empresário, que criou a imagem negativa associada, à época, ao Johnny Rotten. Aproveitando uma ida do Malcom aos Estados Unidos para encontros com gravadoras, o Johnny conseguiu escapar dos olhos vigilantes do escritório e aceitou gravar um programa especial para a Capital Radio, chamado “O Punk e Sua Música”. Isso foi em meados de 1977.

O interesse da população britânica estava no pico. Ele só era conhecido por causa da entrevista do Bill Grundy, na TV, e algumas histórias inventadas pelo Malcom e vazadas para os jornais. Nem entrevistas ele tinha liberdade de fazer. Para o espanto de todos, o John Rotten que se apresentou no programa era um homem culto, com um gosto musical refinado! Não tocou os óbvios Iggy Pops e MC5s que já eram clichês em citações de outros punks. Tocou reggae, Captain Beefhart, Peter Hammil, Can e outros grupos e estilo de música que tinham como denominador comum o experimentalismo sonoro. Falou um inglês educado, refinado e deixou claro que para ser rebelde, não é necessário ser/fingir ser burro e ignorante. Pelo contrário!

Hoje esse programa de rádio é considerado a espinha dorsal do que viria a ser o post-punk, o movimento musical mais interessante da história do rock n roll, mas também o mais ignorado. Com o final dos Pistols, os punks se dividiram em duas linhas. Primeira, as bandas que colocaram uma camisa de força no estilo, ditando regras de comportamento e sonoridade. Sham 69, Cockney Rejects, Angelic Upstars, GBH, Exploited e outros. Foram caindo nas próprias armadilhas de patrulhamento ideológico e fizeram uma música repetitiva e chata.

Já a outra linha levou adiante o experimentalismo. Nada era proibido. Claro que todos abominavam o rock tradicional, odiavam o Chuck Berry, considerado o pai do rock chato (com razão!) e não queriam nada a ver com as amarras que o punk tradicional estava impondo. Foi uma época muito criativa, na qual semanalmente havia lançamentos importantíssimos e a gente não podia perder um. Au Pairs, Gang of Four, Killing Joke, Magazine, Pere Ubu, Devo, Pop Group, Slits, só para mencionar alguns.

Foi nesse clima que a Plebe Rude foi formada. Isso corre no nosso sangue até hoje. Para uma pesquisada visual desta época, veja o filme Urgh! – Music War. Não é difícil de baixar no e-mule. Quem sabe inglês, vale muito a pena a leitura do livro Rip It Up and Start Again, do Simon Reynolds (vejam o site do autor ) . O post-punk foi tudo!

quarta-feira, março 15, 2006

Resultado da Votação (Sem Urna Eletrôncia!)

Gostei muito da votação! Alguns de vocês desencavaram músicas que nem eu me lembrava mais que existiam! Vou levar o set para o Philippe para dar um jeito de incluir aquelas que ainda não estão no repertório, como Outro Lugar, Nunca Fomos, Seu Jogo e Pressão Social. Claro que, como muito de vocês sinalizaram corretamente, Seu Jogo sem o Jander fica bem diferente. Quem teve oportunidade de ver a Plebe por volta do lançamento do Mais Raiva do que Medo, já viu o Philippe cantando essa música. Fica diferente, ganha outra coloração, o resultado sendo positivo. Vamos ver se a gente consegue. Pressão e Nunca Fomos são favoritas minhas para tocar ao vivo. Quando a Plebe engatar, depois do tão esperado lançamento do R ao Contrário (em breve, amigos!), queria fazer um show fechado para o fã clube, tocando só desconhecidas e covers. Segue, abaixo, o resultado final, em ordem de votação, as 12 mais.



PROTEÇÃO
Até Quando esperar
CENSURA
BRASILIA
CÓDIGOS
Luzes
JOHNNY VAI A GUERRA
Outro Lugar
NUNCA FOMOS TÃO BRASILEIROS
SEU JOGO
BRAVO MUNDO NOVO
Pressão Social

terça-feira, março 14, 2006

Comida é pasto!


Enquanto a dream-list dos plebeus está sendo compilada – resultados amanhã, votações enceram à meia-noite! – dedico o post de hoje à uma de minhas paixões: a culinária. Não qualquer uma, mas a que considero a mais rica, a mais diversificada e a mais gostosa: a brasileira (e olha que isso vindo de mim, uma pessoa avesa ao nacionalismo fervoroso, é um elogio e tanto).

Por incrível que pareça, a nossa culinária é uma das menos documentadas, em termos históricos, do mundo novo. Os espanhóis, desde o início da colonização das Américas, produziram livros e ensaios sobre a utilização dos temperos, legumes, animais e outros comestíveis encontrados nas colônias em suas receitas. Já os portugueses, bulhufas! Isso não é de espantar. Quem leu Raizes do Brasil, do Sérgio Buarque de Hollanda, foi exposto à falta de organização, também chamda prejorativamente de preguiça, dos nossos colonizadores. Isso gerou o Brasil que vemos hoje: estado ineficiente, educação relegada, economia controlada e caos urbano, só para mencionar algumas das conclusões do livro. Não é de se esperar que fossem organizados no registro culinário.

No entanto, isso ajudou em muito a formação de nossa rica culinária. As outras marinhas tinham regras rígidas sobre comida à bordo. Os mantimentos eram controlados, os pratos preparados conforme um planejamento prévio e até como e quando os marinheiros deveriam comer era sujeito a procedimento padrão. Na marinha lusitana, não. Gulosos por natureza, curiosos na matéria do estômago, os portuguêses não poupavam esforços em comer bem nas suas naus, que saiam lotadas das colônias com os mais variados temperos, carnes de caças em conservas e frescas, frutas, legumes, raízes e outros comestíveis. Adaptavam tudo à sua rica cozinha, misturando os gostos, criando pratos novos.

Chegando ao Brasil não foi diferente. Usaram a mandioca, o caju, os peixes. Trouxeram temperos da Índia, da Ásia. Com eles, vieram os escravos com suas próprias culturas. Permitiram a vinda de imigrantes, italianos, alemães, poloneses, entre outros, que também contribuiram. Em fim, uma mesclagem sem precedentes em termos de colonização.

Como não havia regras, não existia o registro, cada região desenvolveu sua própria culinária. Do norte ao sul, de estado em estado, há pratos e gostos novos para serem experimentados e saboreados. Essa é uma das coisas que mais aprecio em tocar na Plebe, a possibilidade de tocar nas mais diversas cidades e experimentar a cozinha local. Sempre me surpreende, sempre saio satisfeito. Quando a gente voltar a excursionar, vou pedir aos leitores sugestões nas cidades em que iremos tocar.

Hoje em dia, mais que uma festa, mais que um show, o que gosto é de sentar com os amigos em torno de uma refeição e jogar conversa fora. De preferência, de nossa culinária, do churrasco do Rio Grande do Sul, passando pelo barredado do Paraná, o cuzcuz paulista, a comida mineira, as muquecas baianas e capixabas, o peixe na telha goiano, o café da manhã na floresta amazônica, o tacacá, o tucupí, o acarajé..... gosto de tudo, lambo os dedos e peço mais. Com uma exceção: a pizza brasiliense. E como insistem em assá-la!

sexta-feira, março 10, 2006

Set List Ideal para Plebeu Xiita

Aproveitando um post do texto anterior, qual seria o set list ideal para o fã hardcore da Plebe? Tudo bem, sabemos que o fã, digamos, ocasional quer ouvir os hits, Até Quando, A Ida, Proteção, etc. Mas o que aquele plebeuzão, aquele que conhece os discos de ponta a ponta gostaria de ouvir num show? Como seria esse set list? Vale até escolher os hits, mas tenho certeza que os plebeus-roxos querem ouvir músicas mais obscuras. Regras: um set list de dez músicas, com duas de bis. Vamos ver qual vai ser o resultado.

Já que eu sou um fã especial da Plebe, vou sugerir o meu set-list:

1. R ao Contrário
2. Sem Lei Sem Deus
3. Nova Era Tecno
4. Consumo
5. Proteção-funk
6. Medo
7. Códigos
8. Aurora
9. Luzes
10. Johnny vai à Guerra

Bis:
1. Nunca Fomos
2. Até Quando

O Resultado será compilado e incluído no post da próxima quarta-feira, dia 15.

quinta-feira, março 09, 2006

Ignorem as manchetes!


Bom, a Câmara livrou o Professor Luizinho e o Roberto Brant da cassação. Em fim, vai livrar todos, pois todos estão com o rabo preso. E promulgaram o fim da verticalização, mesmo com o TSE se pronunciando contra. O Congresso acha que pode fazer o que quer. Ano de eleição, ano de vale tudo. Ronaldo, o Fenômeno, disse que Pelé é conhecido pelas besteiras que diz. Ah, bom, pensei que era pelo futebol que jogava! Lula pergunta de onde vem a gripe aviária. Respondem que é da Asia. O presidente responde: pô, justo a parte que mais gosto da galinha!

Tanta coisa para nos deixar deprimido, que achei melhor estreiar os videos-x com um besteirol: o agente 013, Chico Love. Rir ajuda a amenizar a agonia. Todos sabem que sou fã do James Bond, 007. Essa paródia está ótima.

terça-feira, março 07, 2006

O Jabá Nosso de Cada Dia.


Imaginem o seguinte cenário: gerentes de supermercados fazem uma reunião na qual decidem que somente venderão pão daquelas fábricas que pagarem uma certa quantia para que sua marca seja comercializada nas redes. Para tornar vantajoso o pagamento, os supermercados limitarão o estoque de pão a duas marcas – justamente aquelas que pagarem a tarifa imposta. Você vai ao supermercado e quer comprar pão integral marca Raiz, por exemplo. Não tem, pois quem fabrica Raiz não quis pagar a tarifa. Mas tem pão branco Pullman e Pullmenos. Pô, mas você queria integral e da Raiz! Tem que levar Pullman ou Pullmenos. Vai para outro supermercado, só tem essas duas marcas. Isso se repete em todos os supermercados de sua cidade, do seu estado, do país inteiro! As fábricas que entraram no esquema agora não se preocupam com a qualidade de seus produtos, pois o mercado é praticamente só deles. O consumidor sai perdendo, comendo pão ruim e caro.

Jabá é isso. Limita a opção do consumidor, que no caso das rádios é o ouvinte. Um leitor do blog escreveu: já reparou que quando você muda de estação está tocando a mesma música noutra estação? Estatisticamente, isso é muito fácil de acontecer, tendo em vista que as playlists das rádios, a lista das músicas que podem tocar, é de aproximadamente vinte. Ou seja, num mesmo dia, ficam rodando as mesmas vinte músicas em todas as rádios comerciais.

Rádio, no mundo todo, é concessão governamental. Só que aqui no Brasil é usado como premiação para políticos. Reparem que sempre por trás de uma estação de rádio, tem um político. Rádio também é cultura. Com o esquema do jabá rolando, que limita a opção e variedade musical transmitida, o papel cultural não está sendo representado. O que o ministro Gil está fazendo sobre isso? Nada! Não chega a ser estranho, quando se descobre que ele foi um dos beneficiados pelo filtro jabazento que ocorreu nos anos 80s. Vejam o que revela o André Midani, que deixou a indústria fonográfica há cerca de três anos e em 2003 denunciou publicamente os mecanismos do jabá, em recente entrevista ao JB:

- Eu paguei jabá para Gilberto Gil tocar nas rádios e pagaria de novo. Não me arrependo porque muitos desses artistas que hoje são os pilares da música brasileira talvez tivessem demorado muito mais para acontecer, ou talvez não tivessem acontecido com tanta luminosidade se não tivessem tido, no meio de outras opções promocionais, o jabá - afirma Midani.

Quer dizer, se as regras de mercado e gosto popular agissem, talvez Gil não seria um dos “pilares da MPB”, talvez seria o Tom Zé. Aliais, Tom Zé para ministro da cultura já!

O jabá também serviu para matar a figura do DJ de rádio. Lembram-se como era? O DJ vasculhava lojas, garimpava acervos de gravadoras e tocava no seu programa aquilo que gostava. Cada programa tinha a cara do respectivo DJ e os ouvintes se identificavam de acordo com o estilo tocado. Hoje não, o DJ é meramente um tocador de discos, de acordo com uma playlist determinada por uma diretoria que não entende nada de música, só de contabilidade. Do jeito que está estruturado, nunca mais teremos um Maurício Valadares, um Kid Vinil, um programa HellRadio ou Novas Tendências do José Roberto Marr.

Eu acho que jabá é tão sério, que fere tão gravemente as leis de mercados, que caracteriza dumping econômico, concentração de mercado e assim sendo, deveria ser caso do CADE, do ministério da Fazenda, e não da Cultura. Ainda mais quando o Ministro Gil dá uma declaração assim sobre o tema: "A criminalização dele é que eu me pergunto como será. Onde estabelecer uma dimensão claramente criminosa?"

Fácil, ministro! Veja como é feito na Europa, nos EUA, no Chile, onde um caso comprovado de jabá gera multas milionárias aos envolvidos!

As gravadoras são burras em ficar pagando jabá. Isso incentiva até a pirataria, que concentra as suas ações nas faixas executadas nas rádios. Se deixassem correr solto, a segmentação musical prevaleceria, e seria mais difícil, num mercado segmentado, saber o que piratear. Sem a camisa de força do jabá, do controle da radiodifusão pelas estações, poderiam arriscar mais.

Parece que a praga passou para o meio artístico em geral. Na Veja desta semana, denúncia do esquema do Ratinho sobre cobrar para entrevistar o Lula e falar bem dele. Quer dizer, a opinião de alguém como ele, figura pública, influente junto ao povão, está a venda. É o jabá político! Tudo por dinheiro! Todos tem seu preço!

Isso tem que acabar! Mas não vejo nada acontecendo no futuro próximo. Só a qualidade de nossa música piorando.

segunda-feira, março 06, 2006

Salve Lobão!

Tiro o meu chapéu para o Lobão! Não porque foi ele o primeiro artista – tirando os Paralamas, que são au concour! – a reconhecer a Plebe Rude, nos convidando a abrir os shows de lançamento do disco O Rock Errou pelo Rio Grande do Sul, em 1986, mas pela sua atitude e realizações extramusicais. Foi o primeiro a denunciar abertamente o esquema rádios/gravadoras, conhecido como jabá. Isso lhe rendeu uma tentativa de ostracismo, do qual conseguiu sair editando a excelente Outra Coisa, lançando discos em bancas. Mas saiu chamuscado, as rádios ignoram sua existência, assim com a MTV e gravadoras. Preferiam que estivesse morto.

Nesse último carnaval, soltou uma crítica feroz e ácida ao Ministro Gil e seu camarote nas folias em Salvador. Acertou em cheio quando diz que as pessoas que estão lá estão mais interessadas em ser vistas, do que ver e apreciar a festa popular. Acusou o ministro de praticar apartheid social com seu camarote. O que falou, foi de bem mais baixo calão, mas a mensagem era essa.

Gozado que, ao freqüentar o camarote da Brahma, quebrou uma promessa feita a anos, por ocasião de ter sido barrado no mesmo camarim em outros carnavais. Disse que só voltou por causa da esposa que queria muito ir. O amor é lindo!

Gostaria muito de, no futuro, fazer um projeto Lobão e Plebe. Força!

(Inclusive, sobre o jabá, leiam o excelente artigo: http://www.alomusica.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=393 )

sexta-feira, março 03, 2006

Dicas sonoras para o fim-de-semana



Buzzcocks: Flat Back Philosophy
Recém lançado lá fora, o novo CD dos Buzzcocks, o oitavo de uma carreira de mais de 30 anos, impressiona. Os old-punks conseguem manter o nível de adrenalina borbulhando. Guitarras características fazem o cérebro reverberar de alegria. Pete Shelly com suas letras de amor continua imbatível.


Punk-not-punk, disco-not-disco, ska, regae, esses são os ingredientes do caldeirão musical dos Dead 60s. Tempere ainda com doses fortes de política urbana e tem-se uma das bandas mais dancantes e rebeldes dos últimos tempos. Diria, até, o Gang of Four desse início de século.


Radio 4 segue a linha dos Dead 60s, só que com um sotaque nova-iorquino. Muito bom para dançar enquato joga-se coctéis molotovs em Mc Donalds. Na terceira ouvida, a coisa fica melhor e só sai do player à força.

Decepção do ano: o Gang of Four lança um CD duplo, Return the Gift. No primeiro disco, regrava suas melhores músicas. Para quê? As originais eram excelentes e dão de dez nessas reinterpretações! No segundo, bandinhas e produtores do momento remixam clássicos do Gof4. Nenhuma acerta o taco. Fiquem longe, comprem os originais.

quinta-feira, março 02, 2006

Pistols recusam Hall of Fame!!!


Tem uma instituição americana que se chama Rock n’ Roll Hall of Fame. É um engodo, servindo para domesticar roqueiros velhos. Infelizmente todos que foram convidados a fazer parte, aceitaram. Até o Clash. Mas agora, uma voz se levanta e manda essa corporação bancada pelas gravadoras à merda! Das cinzas, surge o John Lydon e rejeita o convite da insituição para que os Sex Pistols façam parte do elenco do museu. Acima, a cartinha escrita à mão (ele nem se deu ao trabalho de digitar, excelente!) do mestre Lydon. Abaixo, uma tradução livre do texto. Sensacional! Caramuru! Caramuru!

“Comparado aos Sex Pistols, rock n’ roll e essa galeria da fama não passam de uma mancha de urina. Seu museu, urina com vinho. Não vamos comparecer. Não somos seus micos amestrados, e daí? Fama por US$ 25 mil por uma mesa (na cerimônia) ou US$ 15 mil para ficar de pé no corredor – tudo indo para organizações sem fins lucrativos vendendo um monte de velhos famosos. Congratulações. Se você votou na gente, entenda as nossas razões. Vocês são anônimos como parte do júri, mas ainda assim fazem parte da indústria da música. Não vamos comparecer. Vocês não estão prestando atenção! Fora do sistema, existem verdadeiros Sex Pistols.”

quarta-feira, março 01, 2006

Roubada 5: Shows organizados pela prefeitura do Rio.

Reproduzo o texto, abaixo, como foi publicado. Não sei onde tiraram que era fã de heavy metal, mas tudo bem...

As agruras de três plebeus pelos subúrbios cariocas
O Globo - 22/12/1991

Por André Mueller - André Mueller é baixista da Plebe Rude e fã de metal, quadrinhos e filmes de terror.

Sábado, 07 de dezembro. A Plebe Rude se reúne para mais um show, desta vez em Jacarepaguá, ao ar livre, no estacionamento de um shopping. Expectativas altas. Oba! Que legal! Um show grátis pros fãs!!

Chegando perto do local do show notamos um certo movimento no estacionamento, mas não na frente do palco e sim atrás!!! Gente correndo, arrancando os cabelos, andando pra lá e pra cá... saímos do carro – Olha , o show vai demorar um pouco pois tentamos puxar a eletricidade através de um “gato” de rua por um fio muito fino... e, bem... não deu muito certo. Aguardem alguns minutos que vocês já vão tocar – dizem.

No dia seguinte demos o show. Meia música, pois choveu e como o palco não tinnha cobertura o público debandou. Mas tudo bem. Domingo que vem tem show na Cidade de Deus, bancado pela prefeitura.

Chega domingo, dia 15. O asfalto derrete sob as botas enquanto aguardamos nossa condução para a Cidade de Deus. Chega a kombi e alguém diz:

- Bem, o show foi transferido para Inhaúma.

- O quê!!!? – brada a Plebe em uníssono.

- É que a última banda que tocou por lá foi assaltada quando terminou a apresentação – nos explicam – e o chefão do crime local não gosta de movimento de fora para não atrapalhar os “negócios”, por isso mudamos de última hora. Vocês não querem perder os instrumentos, né? Mas fiquem tranqüilos. Vocês vão tocar com Dona Ivone Lara.

- O QUE!?!

E lá vamos nós discutindo sobre o Fla x Flu até Inhaúma derretendo aos poucos dentro dos jeans pretos. Chegamos. Nos avisam que o show começará em quinze minutos. Primeiro Ivone Lara, depois nós.

Oito chopes e duas horas depois Ivone Lara entra no palco, que não era bem um palco e sim um caminhão. Mas pelo menos era coberto. E lá vai o samba! O povo animado balançando a praça e a gente pensa: “Pô, vão nos odiar”.

A Plebe entra em cena. De repente, do nada, o espaço na frente reservado aos VIPs (não tinha nenhum) é invadido por punks ! Sim, legítimos punks gritando “Hardcore! Hardcore!!”. No meio deles, Tatu, vocalista do Coquetel Molotov.

A gente ataca com “Proteção”. Um sucesso! A praça balança. Pausa. Os punks gritam “Hardcore!! Hardcore!!”. Tudo bem, tocamos “Sexo e Karatê”. É a revolução na praça. Os três seguranças tentam fazer uma barreira humana (de três!?!) para afastar o público ensandecido. Philippe ri tanto que erra a entrada.

Termina o show, bis e tribis. Somos cercados pelos nativos. “Me dá uma palheta?”, “Me dá um autógrafo?”. Um garoto me enconsta na parede e diz:

- Me dá sua camisa!?

- Não! – Digo.

- Pôxa, você é rico! Me dá a camisa! – Insiste.

E começa a arrancar minha camisa Harley Davidson. Grito por socorro.

- Me dá! Te dou 500 cruzeiros, mil, dois mil, três mil...

- Não! Não!!

Chega o nosso empresário, Ivan e sai no tapa com o sujeito. Saio fora. Enquanto isso Gutje está no palco para jogar uma baqueta (a única que sobrou) para a multidão. Joga. Um sujeito pega. Os outros ficam revoltados e resolvem atacar o sortudo. A zona recomeça:

- Vamo catá o cara! Quem mandou pegar a baqueta?! Pau nele!!!

Voltamos para o Rio satisfeitos. Tocamos bem e, apesar de atípico, é compensador fazer shows assim.

- Só que tem um problema – nos diz o representante da prefeitura.

- Qual? – perguntamos.

- O cachê só vai ser liberado em 20 a 30 dias.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Roubada 4: Carnaval

O país pára. O povo se ilude. O rock morre. Levam o Bono para cantar com a Ivete. Preciso dizer mais? Sorte do Mick Jagger que chegou atrasado no ensaio da escola de samba. Me diz uma coisa, esses sambistas vão tanto à escola, porque nunca aprendem nada? Mas tudo pelos dólares dos turistas!

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Roubada 3: Playbacks no Subúrbio Carioca

Essa roubada até que era lucrativa – se a banda voltasse viva para casa. Funcionava assim: as bandas que tinham sucessos nas rádios, no começo dos anos 80s, eram convidadas a fazer playbacks em bailes no subúrbio carioca. Havia uma espécie de máfia que tinha a concessão de fechar as datas. A banda chegava no local, subia no palco com os instrumentos em mãos, o DJ colocava o disco, vinil mesmo que, a banda trazia em mãos, e os músicos fingiam tocar e cantar para uma platéia que ficava olhando. Numa noite, era possível fazer várias casas e ganhar uma boa grana.

Acontece que o subúrbio carioca é barra pesadíssima. À noite, até ladrão tem medo de sair sozinho. Os locais dos bailes eram sinistros, umas construções sem acabamento, galpões cinzas e escuros. Dentro, um público mais interessado em dançar seus funks-malboros do que ouvir a Plebe – nem sei porque éramos contratados, desconfio que os caras que fechavam os playbacks empurravam um monte de banda para ganhar a sua porcentagem. A gente subia no palco e tiravam o sonzão bate-estaca que estava divertindo a multidão. Já olhavam feio para a gente. Daí fingíamos tocar Até Quando, Proteção, Censura e Nunca Fomos (eram sempre quatro músicas). Terminávamos, o funk voltava e a turma continuava a dançar. Entrávamos no carro e lá íamos para outro baile.

Na noite, cruzávamos com outros artistas – Biquíni Cavadão, Legião, Leo Jaime, etc. – que estavam na turnê daquela noite. Trocávamos idéias: porra, o baile em Nilópolis deu tiro! O playback em Madureira acabou em porrada. Os seguranças em Ramos roubaram a guitarra do Hojerizah. Repito, era sinistro. Vimos corpos estendidos no chão com jornal cobrindo, uma vela acessa na cabeça. Vimos meninas serem semiviolentadas em frente ao palco. Vimos traficantes com armas apontadas para a gente. A sensação era que chegar vivo na Zona Sul já seria uma benção.

Tinha ainda o detalhe do transporte. O pessoal da máfia, que fechava as datas, providenciavam um carro, normalmente um Opala, para levar a banda. No nosso caso éramos quatro, mais o empresário, mais o motorista – desconfortável para burro! Ah sim, mais os instrumentos. O Gutje só levava uma caixa e prato, tocava de pé mesmo. Como era um baile após o outro e a intenção era fazer vários na mesma noite, terminando uma apresentação, enfiavam a gente no carro e, em velocidade máxima, íamos para a próxima. Isso significa rodar pela Avenida Brasil, à noite, a mais de 140 quilômetros por hora. Parecia que estávamos fugindo da polícia. Qualquer acidente seria mortal.

Uma vez, ao tentar ultrapassar um caminhão na Via Dutra, a lateral do carro foi literalmente rasgada em dois, pois raspou na roda do veículo. E o show não podia parar! Fomos em frente mesmo com o Opala danificado. E quando pegávamos motoristas que bebiam (ou pior!)?

Artistas também faziam playback. O Ronaldo Golias uma vez capotou e quase morreu. Dizem que ficou atordoado no meio-fio murmurando: “é muita ganância, é muita ganância.” Uma vez o Biquíni fez um playback durante uma tempestade. O teto do baile estava furado e uma goteira pingava em cima do disco, que pulava o tempo todo. Foram vaiados. Quase linchados.

Playback era também moeda de troca para jabá. Por exemplo, para aparecer no Chacrinha, tinha que fazer uns playbacks para seu filho, que ficava com toda a grana – nada para a banda.

Será que existe isso ainda? Bem que poderiam levar os Stones ou U2 para uma rodada de playbacks no subúrbio carioca. Afinal, o Bono não gosta de povo?

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Roubada 2: Almeida, o amigo dos Titãs.

Fomos tocar em Goiânia, numa festança particular no Castro Hotel (que eu descobri depois estava mais para Castor de Andrade do que Fidel Castro). Goiano quando quer torrar dinheiro faz bem feito. Ficamos hospedados no próprio hotel, sendo que a festa seria no salãozão no térreo.

Na passagem de som, apareceu um sujeito que se identificou como “Almeida, o amigo dos Titãs.” Assim mesmo! O cara era insistente, ficou puxando papo, sendo que o assunto favorito eram os Titãs. “Conheço o Charles, o Branco me liga toda hora, o Brito me deu uma camiseta.” O sujeito parecia ser o membro perdido da banda.

Achando que seria uma boa, aceitei o convite feito pelo Almeida de dar um rolé pela cidade, conhecer a verdadeira Goiânia. Fizemos o show e lá fomos nós. Saímos da festa, entramos no seu carro tunado, novinho em folha, todo equipado, e saímos pelas ruas da capital. Primeira parada: o prédio onde morava o Almeida. “Fica aí”, diz ele, “que já volto com uma surpresa.” Antes de me abandonar no carro, coloca um CD dos – quem? – Titãs!

Meia hora depois, volta com uma caixinha. Acomoda-se no banco do motorista, aumenta o som, liga a luz interna e abre a caixa. “Veja só, fotos minhas com os Titãs!” E ficamos mais meia hora vendo todas as fotos do Almeida com os membros dos Titãs, cada uma detalhadamente comentada. Eu já estava de saco cheio, querendo voltar à festa, quando o Almeida vira pra mim e diz: “trouxe algo para a gente cheirar.” Eu reagi na hora: “que isso, cara? Nunca ouviu Seu Jogo? Não cheiro!” Ele ri e confessa: “eu também não - eu bebo!” E tirou um vidro de lança-perfume do bolso, abriu a tampa e tomou tudo! Não sobrou uma gota! Agora eu não estava mais entediado, estava com medo.

O troço alterou o Almeida na hora. Num processo parecido com o Dr. Jeckle e Mr. Hyde, ele alterou o tom da voz, mudou a expressão facial, foi ficando assustadoramente mais maluco. Ligou o carro e passou a fazer de Goiânia um Mônaco em dia de fórmula 1! Todas as curvas eram feitas cantando pneus. No lado de fora, a noite goiana era só uma imagem borrada por causa da velocidade. Rezei para todos os Deuses, axés, Maomé, Moisés e Rei Pelé – graças a eles, não batemos em nada. Depois de uma eternidade, consegui convencer o Almeida a voltar para o Castro. Assim que estacionou, desci correndo e fui me esconder entre as pessoas normais. Estava encharcado de suor e fedendo a adrenalina!

No fim da noite, antes de subir para o quarto, ainda encontro o Almeida brigando com a própria sombra (sério! com xingamentos, socos e pontapés!) no corredor do hotel. Nunca mais quero conhecer um amigo dos Titãs.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Roubada 1: Quase linchados em Valença.

Essa semana: roubadas vividas pela Plebe. Para abrir a série, o quase linchamento em Valença.

A maior roubada que pegamos foi quando a Plebe foi tocar no encerramento do ano para os alunos da faculdade de medicina de Valença. Pegamos um ônibus do Rio animados, pois a cidade fica ao lado de Mendes, onde morava o Jander e lugar de repouso do Bi e Paralamas. Com certeza seria uma festança, com amigos na platéia.

Nossas expectativas foram água abaixo quando fomos passar o som: o PA, equipamento que gera o som para o público tinha a potência de um som de fusca! Com toda boa vontade, nossa equipe técnica tentou dar a volta por cima para possibilitar o show. Pegaram nossos amplificadores para os instrumentos, deixaram o PA somente para as vozes. Poderia dar certo. Voltamos ao hotel com esperanças.

Na hora de entrar no palco, o nosso técnico de som, Joca, aparece no camarim assustado: “tem gente pra caralho lá fora, o equipamento não vai segurar.” Realmente, não daria para fazer o show, seríamos inaudíveis. Explicamos isso ao presidente da agremiação estudantil, nos comprometendo a voltar e fazer o show quando ele providenciasse uma estrutura mais adequada. A reação do cara foi subir ao palco e começar a xingar a Plebe, dizendo que estávamos recusando em dar o show. O sujeito era um líder nato e logo conseguiu colocar as milhares de pessoas contra a gente.

Revoltado com essa atitude, nosso roadie, o Freddy, subiu no palco armado com um extintor de incêndio, encostou o bocal na orelha do empolgado e puxou o gatilho. Resultado, o povo foi a loucura com a agressão, começaram a invadir o palco, o camarim, querendo linchar a Plebe. Saímos correndo até o hotel. Quando chegamos lá, já havia ordem de despejar a gente. Pegamos as malas e fomos buscar proteção no ônibus. A multidão raivosa veio correndo, começaram a bater no veículo, furaram os pneus. Eles queriam sangue Plebeu! Só não conseguiram graças à polícia (para sua proteção! Ufa!).

Em fim, foram embora, deixando um bando de músicos e técnicos assustados para trás.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Chegou o meu jornal!

Esse fim-de-semana estreou o recebimento dos primeiros jornais em casa, resultado de uma assinatura feito pela minha esposa, a Rosa. No começo, era contra, achava que era desnecessário comprar jornal impresso, pois poderia obter toda a informação que necessitava pela internet, de graça. Mas, como perdemos vários eventos em Brasília por não saber das coisas antemão – como, por exemplo, o show do Marcos Vale no CCBB, ontem – acho que ela fez bem.

O resultado é que li um monte de coisas que gostaria de fazer rápidos comentários, para gerar debates no decorrer da semana:

1. Bono Vox vem ao Brasil e encontra o Lula. Almoçam juntos, na Granja do Torto (nada a ver com a condição de bebum do Presidente). Quando chega lá o Bono diz com seu sotaque irlandês: “hello, Lula”. Que responde: “álcool? Não obrigado, estou em abstinência há quarenta dias, a pedido dos meus colegas, para não falar besteira, mas bem que gostaria.”
2. Brincadeira à parte, sobre o quê será conversaram? Será que na sua cruzada por perdoar dívidas dos países pobres o Bono solicitou ao Lula o perdão de dívidas de países africanos?
3. Por falar em África, não entendo o esforço do Itamarati em ficar programando viagens do Lula para aquele continente. Sem a ajuda do ministério, os agricultores baianos conseguiram que o Japão aceite a nossa exportação de mangas para o oriente. Isso vai gerar milhões de dólares em comércio exterior e milhares de empregos aqui. Porra, mandem o Lula para o Japão e outros países que queiram torrar suas divisas aqui, não para Somália, Líbia, etc. (Pensando bem, deixe tudo como está, para não estragar).
4. Roriz, nosso governador, diz que aceita ser Ministro dos Transportes do próximo governo. Desde que não seja PT, claro, pois não se bicam! O semi-analfabeto já rouba muito aqui construindo pontes, duplicando vias e fazendo viadutos. Imagine no ministério! Deus nos guarde!
5. O GDF está propondo criar no final da L2 Sul uma área especial para restaurantes e bares. A idéia é tirar esse tipo de comércio das entrequadras, pois, estaria importunando a vizinhança. Sou radicalmente contra! A presença de bares e restaurantes espalhados por todo plano piloto é o que trás um pouco de aspecto de cidade a esse lugar. É o que torna suportável morar nesse inferno utópico bolado pelo JK-d-o-meu. Imagine agora um lugar só para bares e restaurantes, tudo concentrado num só lugar? Que coisa mais artificial. E sabemos que o motivo real dessa mudança é valorizar aquela área vazia para render dinheiro aos boladores da idéia, explorar o estacionamento (que óbviamente será pago), etc.
6. E a visita do Maradona à Brasília? O cara encheu a lata na noite de sexta, parece que bebeu todas, dançou em cima das mesas do restaurante do hotel, subiu ao quarto, onde ficou festejando até às 5 da manhã. E ainda marcou dois gols na goleada sobre o Brasil no sábado. No domingo, não tendo jogo no próximo dia, fez pior (ou melhor, para ele). Dizem que a festa particular foi melhor do que a do Fatboy Slim. O cara bebe todas, se diverte e joga bem, deveria ensinar isso a nossos atletas de Cristo.
7. Um empresário indiano ofereceu uma bolada para o mulçumano que matar o chargista do profeta Maomé, aquela que está dando problemas no mundo todo. Como é que não tem nenhum empresário dinarmaquês que ofereça o dobro para quem matar o indiano?

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

O Dia em que Expulsamos o U2 da sala.

Ano 2000, último do século XX. Estava a trabalho no Rio, pelo Banco Central, que organizava um seminário de estabilidade econômica no Hotel Copacabana Palace. Como estava trabalhando na produção do evento – que é muito grande, comparativo a um Rock in Rio, só que com economistas e representantes de outros bancos centrais ao invés de músicos – ficava de dia no local para receber os convidados, cuidar da logística, etc. O BCB tinha alugado o mezanino todo, inclusive salas e auditórios.

Quem também estava no hotel era a banda U2. Não tinham vindo fazer shows, mas sim divulgar o mais novo disco, na época, que me esqueci qual era. (Na verdade, depois de Boy, não conheço nada do U2). Estávamos inspecionando o local, quando entramos numa sala e lá estavam os músicos do U2 sendo entrevistados. Íamos sair, quando um segurança, extremamente grosso, fisicamente nos expulsou do lugar.

Meu chefe se revoltou, pois aquela sala estava alugada para a gente e não aos irlandeses. Chamamos os seguranças do hotel, explicamos a situação e eles expulsaram o Bono e cia., mais o segurança babaca e a repórter, que ainda tentou explicar para a gente: “mas são o U2”. “Quem?”, respondi, rindo por dentro enquanto a pequit-comitiva tentava filar outro local para a entrevista.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Stones on Fire.

Lembram, em 1998, quando os Stones estiveram em solo tupiniquim pela última vez? Vão se recordar que os guitarristas estavam passeando com as respectivas famílias nas águas paradisíacas de Angra dos Reis, quando o barco que os transportava pegou fogo. Foram momentos de pânico até que apareceu outro iate para salvar os coroas roqueiros. Na época, foi divulgado que fora um curto-circuito que provocou as chamas, destruindo a embarcação.

Passado quase uma década, esse blog vai trazer à tona a "verdadeira verdade" sobre o incidente. Leiam e pasmem.

Todos sabem que o Ron Wood acha que é o Keith Richards. Igual ao velho Keith, Ron toca guitarra, se veste com o mesmo estilo, tem cabelo idêntico, fuma, bebe Jack Daniels como se fosse água, tem a pele enrugada e, no palco, faz os mesmos movimentos. Já o Keith Richards sabe que é o Keith Richards, mas não tem muita certeza, já que o Ron Wood afirma ser o verdadeiro Keith Richards. Durante o show, o Keith olha para o Ron e pensa: “esse cara toca igual a mim, se movimenta igual a mim, se parece comigo, será que ele sou eu?” Pois é, anos de substâncias ilícitas no sangue fazem um velho delirar desse jeito.

Pois bem, Ron Wood, acompanhado de sua esposa Josephine e de seu filho Toy (isso é nome?), estavam hospedados na ilha do cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Keith Richards também estava lá, apesar do convite ter sido só para a família Wood. Como o Ron acha que é o Keith, e o Keith não tem certeza quem seja, pelo sim, pelo não, também foi. Estavam todos na piscina, eram dez da manhã, o Keith tinha acabado a primeira garrafa de Jack Daniels do dia, o Ron já abria sua terceira carteira de cigarro, quando aparece o filho do Ivo, o Helcius (caramba, ninguém dá nome normal aos filhos hoje em dia?), junto com sua nova lancha. “Vamos passear, Keith?”, pergunta. “Vamos”, responde o Ron, e lá se vão todos.

Em alto mar, na cabine apertada, Ron encara o Keith. “Hey man, vamos acabar logo com essa dúvida que está me matando: quem é o verdadeiro Keith Richards? Eu tenho que saber antes de lançar meu disco solo, pois não sei como assinar a produção, Ron ou Richards?” Aliviado por finalmente saber a verdade, Keith aceita o desafio. Combinam o seguinte: como o verdadeiro Keith é fogo, decidem acender dois fósforos, um cada, e ficar segurando. O primeiro que largar, é o falso Keith. (Nota da redação: antes, o desafio era quem bebia mais Jack Daniels, mas como só havia quatro caixas a bordo, decidiram que era muito pouco).

É óbvio o que aconteceu, né? Os dois queimaram os dedos, jogaram os fósforos acessos no chão, a lancha pegou fogo e tiveram que ser resgatados pelo barco cheio de repórteres que os seguia. A dúvida ainda persiste, mas ambos agora tem fobia de lanchas.

Mais uma informação que só esse blog dá (e essa é verdadeira!): Keith Richards, o original, tem uma lancha chamda Mandrix, nome de um remédio. Por quê? Porque acalma ele tanto quanto a droga. Depois desse incidente, ele vendeu o barco e comprou uma moto que, dizem as más línguas, se chama Cocaine.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Diversão, sim!


Rock é diversão! Isso que os leitores do blog foram unânimes em afirmar. Positivo, acato a voz de todos. Ainda por cima, porque me divirto muito tocando e ouvindo rock. Divirto-me dançando rock. Mas, inegavelmente o rock é muito mais um fator de mudanças do que diversão. Ainda que, a mudança pode ser divertida!

As grandes gravadoras tentam desde Elvis Presley e Chuck Berry neutralizarem esse lado do rock. Em vão. O público logo saca quem é armação, quem é banda-aspirina (aquela que não provoca dor-de-cabeça) e quem é banda-anfetamina (aquela que agita, faz o sangue borbulhar). Aliais, não só o rock, a música eletrônica também. Ou vocês acham que as raves originais não tinham um forte viés de mudança social? Agora ela foi capturada pelos Lucianos Hucks e Aciólis da vida, ficou pasteurizada. Mas o jovem sempre acha o caminho certo e consegue diferenciar a aspirina da anfetamina.

Por falar em diversão, umas dicas de DVDs que podem ser conseguidos no grande hiper-espaço que é a internet:
· Instrument – documentário sobre o Fugazi
· In God We Trust – a gravação desse EP do Dead Kennedys foi filmado. Para fã.
· Surplus – documentário sobre consumismo, muito bem editado.
· The Corporation – outro documentário, esse sobre como as corporações estão tomando conta do mundo.

Pois é, dance com os pés, pense com a cabeça e divirta-se!

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Cães velhos não mordem!


Num almoço, no último sábado, o Balé fez a seguinte afirmação: não existe nada que mais faz uma afirmação do que uma banda de rock. Concordei, afinal, bandas novas têm um visual que influencia milhões. Não é a toa que estilistas correm atrás das recém celebridades para que vistam suas criações, vide o Franz Ferdinand e o Gucci. Roqueiros são, por natureza, quebradores de paradigmas, trazem uma atitude nova à geração que os ouve.

Assim sendo, qual a função das bandas velhas? Existe razão de ser para quarentões subirem no palco, se vestirem de adolescentes e tentar ser os porta-vozes dos mais jovens? Penso, por exemplo, no Capital Inicial, ou, cortando na carne, a Plebe Rude. Será que um Dinho ou um Philippe tem credibilidade para pregar aos adolescentes. Será que a opinião deles ainda é válida para a nova geração? De que entendem eles quanto aos problemas que afligem os jovens? Não tenho resposta para essas questões, é uma dúvida com a qual debato diariamente.

Vejo os Stones e acho deprimente. Tudo bem, a mídia em massa consegue fazer com que sejam idolatrados, mas o que têm eles a dizer? Quando tinha uns vinte anos, queria ouvir pessoas da minha idade, não a experiência dos velhos. Radical? Talvez. Qual a razão de ser de um Lulu Santos pregando para as massas? De uma geriátrica Paula Toller cantando bobagens de amor? O que ela entende de como funciona o relacionamento de jovens nesse início de século? Nada! Para falar a verdade, nem nos anos 80s ela tinha o que dizer, imagine balzaquiana como agora.

Vi o Dado ontem na MTV, na praia, entrevistado pelo Edgar. Junto, o ex-baixista do Charlie Brown Jr., um tal de Champignon (?). O garoto não só falava melhor, como tinha o que dizer. O quarentão ex-legionário se esforçava para dizer algo que os jovens ouvintes pudessem se identificar. Não conseguiu. Ficou falando de ficar em casa, parecerias com amigos, nada palpável para um adolescente.

Então como é que é? Nós roqueiros de meia-idade, temos razão de ser? Ou vamos deixar cães velhos dormirem e os novos latirem?

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A semana que trabalhei para o Rod Stewart

Acho que foi em 1990 que a Pepsi lançou o primeiro refrigerante diet no país. Para fazer bonito, convidaram para fazer a campanha publicitária ninguém menos do que o Rod Stewart, que iria fazer um monte de shows pelo Brasil e gravar uma propaganda, acho que contracenando com o Evandro Mesquita. A Plebe estava num mar de calmaria em se tratando de shows, a grana estava baixa e o Naldo, aquele nosso empresário, arrumou uma boca trabalhando na produção da Pepsi. Um dia recebo um telefonema dele, me dizendo que estão precisando de um intérprete bilíngüe para o cara e se eu estava interessado. Claro!, falei, vamos nessa!

O trabalho era simples, deveria ficar no lobby do Hotel Sheraton, na Avenida Niemeyer, onde a comitiva do roqueiro inglês estava hospedada, a postos para qualquer necessidade que surgisse. Teria, também, que acompanhar o Rod até o Santos Dumont, de onde ele saía em jatinho particular para os shows, retornando ao Rio após os eventos (coisa chique!). Então eu quase não dormia, ficava entediado no lobby, sem nada para fazer, pois o velhaco nunca saia do quarto. Só encontrava ele indo ou vindo do aeroporto.

O gozado é que o Rod nunca dirigia a palavra para mim, sempre falava comigo por meio de seu empresário. Tipo: diga para ele que estou com fome e quero um sanduíche. O empresário virava para mim e repetia: o Rod tá com fome e quer um sanduíche. E eu respondia para o Rod, que não me olhava nos olhos: ok, vou providenciar. Cara chato e snobe.

Durante a semana, dois fatos marcantes aconteceram. Primeiro, ao chegar de madrugada de Florianópolis, o Rod pede, via seu empresário, claro, que quer que eu providencie, para a manhã seguinte, um iate para ele passear. Dentro do iate ele quer sushi, champanhe, talheres de prata e taças de cristal. Eram umas quatro da manhã, onde eu ia arrumar aquilo? A solução foi ligar para a produção, tirar eles da cama e passar a bola. Tudo certo, conseguiram o iate, com todas as regalias solicitadas. O que o Rod faz? Dorme o dia todo e esquece do iate, que ficou estacionado na marina! Belo gasto do dinheiro da Pepsi!

Acompanhando o velho vocalista, estava a playmate do ano da Playboy americana do, aquela votada como a mais gostosa pelos onanistas, leitores da revista. Lá pelos últimos dias da turnê, o empresário me chama e diz que eu deveria acompanhá-la ao Galeão, pois estava retornando aos EUA. No carro, ela chorava o tempo todo. Saquei que o Rod Stewart tinha dado um pé na bunda dela, deve ter enjoado.

Finalmente o show do Rio! Meu contrato era trabalhar até a ida para o show, colocar todos no ônibus e pronto, estava livre. Fiz isso, coloquei a equipe no respectivo veículo, os músicos noutro e o Rod numa limusine improvisada (vá tentar andar de limusine no transito do Rio, mané!). Daí o empresário se virou para mim e falou: vamos nessa, vem curtir o show. Respondi: sou punk, odeio a música desse cara, vou para casa. E fui.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O dia em que entrevistei o Johnny Ramone

Em 1992 os Ramones estiveram no Brasil, fazendo shows em São Paulo e no Rio de Janeiro. Por algum motivo, os brothers estavam de birra com a imprensa e não queriam dar entrevistas. Meu amigo Tom Leão, do Globo, responsável pelo sensacional Rio Fanzine, negociou com o empresário deles se falariam não com um repórter, mas com um músico. Aceitaram, e esse músico fui eu.

Lá fomos nós, o Tom e eu, para o Canecão assistir a passagem de som. Nos informaram que após a passagem, o Johnny ira conversar com a gente. Dito e feito, terminou a passagem de som, nos levaram até um quarto vazio, só com duas cadeiras dentro, sem janelas, onde ficamos esperando o guitarrista. Após alguns minutos entram no recinto o Johnny, com cara emburrada, demonstrando tédio, deixando claro que queria estar em outro lugar. Perguntou quem era o músico, me identifiquei. Ele sentou numa cadeira, eu na outra e o Tom foi obrigado a ficar de pé, num canto, sem interferir na conversa.

Papo vai, papo vem, o cara foi se abrindo. Para tornar a coisa mais interessante para ele, não me fixei em perguntas óbvias, tipo que guitarra ele usava, se conhecia música brasileira (odeio quando fazem essa pergunta!) ou sobre a história dos Ramones. Começamos falando sobre a música R.A.M.O.N.E.S. que o Motorhead tinha gravado. Ele se mostrou satisfeito com a homenagem, mas, quando perguntado se iria retribuir, respondeu: de jeito nenhum!

Teve uma hora que uns funcionários do Canecão entraram no quarto com quentinhas na mão, o almoço deles. Johnny quis saber que era aquilo. Expliquei um pouco sobre o que era PF – prato feito. Ele pediu para ver, dentro tinha arroz, feijão, macarrão, bife acebolado e uma saladinha básica de tomate e salada. Ele adorou! Reclamou que era isso que queria comer, não a comida “chique” que a produção estava providenciando. Respondi que em qualquer pé sujo ele acha PFs.

Falamos de beisebol, sua paixão, de Reagan, que ele idolatrava, e me confessou cansado de estar na banda, entediado. Na época, ainda era casado com minha primeira esposa, que estava aguardando minha filha. No final do papo dei uma de fã: estou esperando um filho, o nome que você der é o que vou dar. Ele riu, agradeceu, mas se recusou. Ufa, respirei aliviado!

O show naquela noite por pouco não termina em tragédia. Um skinhead soltou uma bomba de gás lacrimogêneo dentro do Canecão e o público, em pânico, saiu feito um estouro de manada. Consegui me salvar pulando de mesa em mesa rumo à saída. O Vital (aquele da música dos Paralamas) não só foi pisoteado, como um skin o agarrou na confusão e começou a dar socos no coitado. No final, salvo no lado de fora, teceu a grande frase: eu vi a morte, e ela era careca.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

O dia em que fui tradutor para o Ian McKay

No mesmo ano em que o Jello Biafra esteve em solo tupiniquim, alguns meses depois, esteve também o Ian McKay, acompanhando o seu Fugazi. Para quem não tem noção, esse cara foi responsável pela formação do movimento Straight Edge, fundador do selo Dischord, que lançou os principais hardcores americanos da costa leste, líder do Minor Threat, sua primeira banda - é símbolo de independência no mercado fonográfico, até hoje o selo é gerenciado do quarto na casa dos pais. O cara merece que fiquemos de joelhos, façamos referência ao tempo que entoemos Caramuru, Caramuru!

O Ian deu uma coletiva para alguns fanzines – lembram de fanzines, o que aconteceu que sumiram?!?! – e eu fui o tradutor simultâneo. Foi muito divertido, especialmente quando um fanzinjornalista perguntou, todo sério: “tem um compacto de (esqueci qual banda que ele falou) que se chama Ian McKay e tem na capa a foto de um cu, isso foi homenagem?" Eu traduzi, me segurando para não rir. O Ian respondeu que o cara deveria ser doente por considerar que o nome dentro de um cu era homenagem. Todos riram pra caralho.

O show, de novo no Circo foi impecável. Fugazi é a banda que mais tem músicos competentes por metro quadrado de palco que eu conheço. Foi um bom ano, Jello e McKay, os símbolos vivos da indpendência, do DIY, do protesto unido à boa música.

Em 1998, o Fugazi veio tocar em Brasília, ninguém foi! Foi quando cheguei à conclusão que o rock brasiliense estava morto. Como é que uma banda dessas vem tocar aqui e ninguém se interessa e o Chiclete com Banana vem três vezes por ano e toca para públicos de milhares de pessoas? Realmente, hoje, Brasília é um mausoléu disfarçado de cidade. Só o Fugazi para provar isso.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

o dia que dei carona para Jello Biafra

Estava no meu Monza 86 dirigindo pela Avenida Brasil; transito maluco, um calor insuportável e dentro do meu carro dois caronas ilustres. Olho para o lado para ter certeza que não estou sonhando. É ele mesmo, ao meu lado, Jello Biafra! Verifico pelo espelho e comprovo que no banco de trás está sentado o Paul Barker, baixista do Ministry. Tinha ido pegar os dois que chegaram ao Brasil para promover o livro Barulho do André Barsinski, lançado naquele ano de 1991. Seriam dois eventos, uma tarde de autógrafos na loja de CDs que tinha com o Dado, a Rock It!, e um show no Circo Voador com o Andréas do Sepultura na Guitarra.

Tentando matar o tempo e fazer conversa, aponto para um outdoor do Rambo III e pergunto ao Jello: você vai ver? Pra que!?! Recebi um sermão que durou a ida inteira até o hotel, em Botafogo, sobre o imperialismo americano, Hollywood como ferramenta de lavagem cerebral das grandes corporações e Ronald Regan. Tudo que queria era jogar conversa fora. Esperto foi o Barker que ficou calado o trajeto todo. Vai ver que no avião tinha cometido o erro de ativar a matraca política do Jello e agora agia como gato escaldado.

A tarde de autógrafos na loja foi um sucesso. O Jello já estava mais simpático e, no fundo, saquei que gostava da fama, embora não podia admitir. Conversando, descobri que era vegetariano, fazia ioga, só ouvia vinil e como tinha uma imagem a guardar não fumava, se drogava, bebia ou ficava com mulher em público (até agora não entendi essa parte). O que mais me surpreendeu foi o conhecimento do Biafra quanto às bandas de rock brasileiras. Conhecia até Escola de Escândalos. Confessou-me que era uma espécie de Imelda Marcos com LPs, tinha uma quantidade absurda. Tentou encontrar em todos os sebos o disco Módulo 1000, banda psicodélica dos anos 60s/70s de Zé Ramalho, acho. Gozado que baixando música no Soul Seek, hoje eu tenho esse disco, que é muito bom.

O show no Circo foi marcante. O ponto alto foi um mosh do Jello Biafra que caiu no público e foi jogado no palco quase pelado. O Freddy, nosso roadie, até hoje tem um pedaço de sua calça.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

O dia que esbarrei no Robert Smith

O Cure estava tocando no Maracanãzinho, a Plebe não tinha show naquela data e eu estava no Rio de Janeiro sem ingresso! O ano era 1987, a primeira vinda do grupo ao Brasil. Mas eu ainda tinha um trunfo na mão: a Manchete ia filmar o show e o Gregório, nosso técnico de som, estava encarregado da gravação do áudio. Com poucos telefonemas resolvi a questão, o Greg colocaria meu nome e do roadie Freddy na lista de convidados da TV Manchete.

Amigos de Brasília alugaram um ônibus e vieram em peso. Chegaram aqui com mais álcool do que hemoglobina no sangue e saíram piores ainda, mas isso é outra história. De última hora, o Freddy fura, mas o Nicolau El-moor, grande amigo e fotógrafo (as fotos no novo CD são dele, assim como as do Nunca Fomos), aparece do nada e decidimos ir juntos.

No portão de fundo do estádio, conseguimos chamar a atenção do encarregado e solicitamos entrar, pois estamos na lista. Nomes?, pergunta o homem. André Mueller e....er....Freddy, respondo. Freddy de quê?, quer saber. Caralho, não consegui lembrar o sobrenome do Freddy para que o Nicolau pudesse entrar fingindo ser ele! Silva!, responde o Nicolau. Não, é Fonseca, diz o segurança. Gaguejamos, inventamos qualquer coisa e, finalmente, o cara cede e entramos, pelos fundos.

Boca-livre, assistimos o show de lugar privilegiado, sempre com um copo na mão, na lateral do palco. Bebida vai, bebida vem, termina o show, hora de ir embora. O Maracanãzinho tem um labirinto dentro dele, não conseguimos achar a saída. A bebida no cérebro não ajuda. Depois de uns quinze minutos rodando entre corredores, cabos, pessoas e escuridão, achamos uma porta e saímos. Nos damos de frente com torcedores do Vasco, que havia perdido, saindo putos do Maracanã. Derepente, aparece um ônibus e dentro dele: o Cure! A gente aponta para o Robert Smith que começa a dar tchauzinho com ambas as mão e balançar a cabeça, lateralmente, como um ursinho de pelúcia. A gente, pra lá de Bagdá, levantamos nossas mãos, dedo do meio para cima e mandamos um fuck-off para ele. Por alguma razão, os vascaínos compraram nossa briga e começam a xingar o Bob Smith, que se assusta com o tumulto, gente batendo na sua janela e gritando ofensas incompreensíveis, fecha as cortinas e apaga as luzes. O ônibus sai e a gente fica rindo, sem saber o porquê de tudo aquilo.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Fluxo econômico...

Enquanto os economistas acadêmicos e analisadores de mercado ficam queimando neurônios tentando entender o nosso cenário macroeconômico, gostaria de propor a observação do seguinte modelo.

Imaginem um prédio residencial, com vários apartamentos, todos ocupados por famílias que vivem suas vidas rotineiras. Eles compram seus alimentos, muito deles, especialmente bebidas, embalados em latas de alumínio. Após beberem o conteúdo, a lata é jogada no lixo. Então vem o catador de lixo, o arqueólogo do asfalto, o sem-teto/sem-grana que tem como ganha-pão vender o achado no lixo alheio para fábricas de reciclagem. Nesse mercado, o filé é a lata de alumínio.

O porteiro do prédio vê aquele vagabundo remexendo no lixo, sente pena e deixa. Um dia se aproxima e, conversa vai, conversa vem, descobre o quanto pode se ganhar com as latas de alumínio. Desde esse dia, nenhuma mais apareceu nos containeres, pois o porteiro, que tem acesso primeiro ao lixo do que o catador, recolheu todas.

A ação do porteiro não passou despercebida. Logo as empregadas aprendem que é possível ganhar um bom trocado com as latinhas e passam a retirá-las dos lixos dos apartamentos antes de irem para a lixeira. Assim, cortam o fluxo de latas do porteiro.

As patroas observam aquelas latas no quarto de empregada e perguntam para que tudo aquilo. Fazem o cálculo, e decidem que o dinheiro será bem vindo para complementar a renda familiar. Agora foram prejudicados o catador (que está roubando, pois não consegue mais latas para vender), o porteiro (que dorme no turno noturno, pois não tem mais complemento extra para o café), a empregada (que xinga a patroa e cospe no feijão que prepara).

Logo, a fábrica de latas decide que não quer mais recomprar e imprime em cada uma: devolução obrigatória. A família classe média também dançou, júnior vai ter que cortar a academia, papai vai ter que beber uísque nacional. A corporação sempre vence.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Marco Zero na Praia


Milho, ao contrário do que os urbanóides acham, não nasce dentro de uma lata, mas sim cresce no campo (pedaço de terra, cercado por plantas, sem edifícios ou asfalto, onde são cultivadas nossas comidas). Como todos que conhecem o milho no pé, sabem que ele tem uma barba. Faz parte da religião da espécie – todo milho é mulçumano. Já reparou a quantidade de milho que se estoura por aí? Basta dar uma olhada no seu pipoqueiro local e verás um monte de milho cometendo suicídio dentro da panela. Eles acham que o sacrifício em nome do Grande-Alá-Milho garantirá uma passagem só de ida, primeira classe, para o grande campo no céu, onde receberão de presente umas milhas virgens.

Pois bem, alguns desses milhos mais radicais, do grupo Mártires da Espiga Sagrada, passaram anos convivendo com outros vegetais nas feiras e ceasas de São Paulo, fingindo ser uma planta normal. Na verdade, estavam infiltrados para uma operação maior, precisavam aprender tudo sobre a venda de milho no litoral paulista. Foram meses de observação e planejamento. Finalmente estavam prontos.

Tomar conta do carrinho de milho foi fácil. Os outros milhos na panela pensavam que eram um seqüestro normal, que iriam pousar num posto qualquer e os seqüestradores iriam pedir a liberdade dos colegas presos em latas pelo país. Pouco sabiam que a ambição dos insurgentes era muito maior: iriam jogar o carrinho contra o fazendeiro José Melbourne, o Rei do Milho, que estava passando as férias na praia com a família. Morte aos infiéis, gritaram, enquanto o carrinho ia em direção às duas torres gêmeas que faziam parte do castelo de areia que a filha de Melbourne tinha erguido na praia, sua família tomando sol ao seu lado, desconhecendo o perigo que se aproximava.

O erro dos terrormilhos foi esquecer que a teoria é bem diferente do que a prática. Na teoria, o carrinho do milheiro tem rodas alinhadas, na prática, são tortas. O veículo desviou do rumo, captou e pegou fogo. Todos morreram, muitos tostados na manteiga derretida.

A foto acima, tirada por um fotógrafo amador e postada no Estadão (que não contou a história toda) comprova o fato. Reparem que o salva-vidas, à esquerda, está comendo uma das vítimas. Não foi um dia bom no Milhoquistão.

Olha a cara dos safados!


A verticalização caiu - aberta a temporada de venda de legendas! Eba!

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Verticalização ou não?


Hoje ouvi um debate muito interessante na CBN (ou vocês acham que o rádio do meu carro fica sintonizado em rádio de jabá?) sobre o fim da verticalização dos conchavos entre os partidos durantes as eleições. Basicamente, como funciona atualmente, é o seguinte: se dois partidos se unirem para apoiar um único candidato a nível nacional, essa união tem que se refletir em todos os outros níveis, estaduais e municipais. Isso para evitar, por exemplo, o PT e o PDT serem aliados para eleger presidente e estarem em lados opostos para eleger um governador.

Ouvindo o debate, reparei que todos os partidos fisiologistas, aqueles considerados partidos de aluguel, que negociam seus apoios, trocando ajuda na aprovação de leis por cargos, dinheiro e orçamento, são contra a verticalização. Só por aí, dá para perceber que ela é importante, pois implica que um partido tem que ter uma ideologia e que essa ideologia não deva estar condicionada a nomes ou localização geográfica. Na verdade, um partido político, em última instância, deve procurar o interesse coletivo, e não o particular. Acabando com a verticalização, estarão abrindo as comportas para os corruptos e interesseiros negociarem apoios e conchavos como bem quiserem.

Nossa política já é uma piada. Será que vão fazer a gente de palhaço outra vez?

terça-feira, janeiro 24, 2006

São Caetano do Sul - Fotos








Fotos enviadas por Frederico Cesquim, tiradas num show em 2001 (ou 2002?) em São Caetano do Sul. Show no qual fiz uma previsão que o Furacão iria detonar o Coríntias, mas foi ao contrário (Clemente está rindo agora!).

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Túnel do Tempo


Essa é lááááá do fundo do baú do F3rnando, leitor do blog. Trata-se de um show no Teatro Rola Pedra, em Taguatinga, DF, muuuuito antes do Concreto ser gravado. Veja a Les Paul do Jander, igual a do Jimmy Page! E aquele case aberto no meio do palco, parece que estamos pedindo esmola! E as roupas, sensacionais! Imagine isso na época da ditadura, andando por Brasília desse jeito. Não é a toa que levávamos baculejo da polícia toda hora. A camisa que estou usando está escrito DEATH CULT. E o suéter de surfista do Philippe? kkkkkkkkkkkkk! Bons tempos!

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Benvindos ao Primeiro Mundo


Esportistas e aficionados, fiquem de joelhos no chão, levantem a cabeça aos céus e gritem “Caramuru”! Diante de vocês, a Arena da Baixada, também conhecida como Caldeirão, a sede do Atlético Paranaense, o time brasileiro de melhor resultados deste século! Não temos um Eurico Miranda, não precisamos pedir esmolas à bancos iraquianos. Time sério, administração séria. Babem um pouco com os dados abaixo. Onde, nesse Brasil, tem um estádio com vestiário para cheerleaders? Hidromassagem nos vestiários?::

Medida do campo 105m X 68m;
• 25.438 cadeiras, todas cobertas
• Arquibancadas com degraus pré-moldados;
• Cadeiras de polipropileno, importadas da Espanha;
• Gramado com dois tipos de grama: Rye Grass e Tifton 419;
• Sistema de drenagem do campo;
• 6 elevadores convencionais e 2 elevadores panorâmicos;
• 21 banheiros públicos (11 masculinos e 10 femininos) na primeira fase da obra e mais 12 (6 masculinos e 6 femininos) após a conclusão
• 68 lojas
• 10 suítes de patrocinadores com sala, banheiro privativo e sala de estar, para 22 pessoas, no anel inferior;
• 35 camarotes tipo “c” de 9 a15 lugares, no anel superior;
• 41 camarotes tipo"b" para aproximadamente 16 pessoas, com banheiro privativo e sala de estar, no anel inferior
• sistema de monitoramento eletrônico com 63 câmeras posicionadas em todos os pontos do estádio;
• 4 lojas externas (tipo mall)

8 vestiários, sendo:
2 principais com aproximadamente 360m2 área de banho, hidromassagem, área técnica, departamento médico e área de aquecimento;
2 para jogos preliminares;
1 para gandulas;
1 para “cheerleaders”;
1 para juízes;
1 para representantes da federação;
10 camarins para shows

Estacionamento para 500 carros (nesta primeira fase)
Na parte frontal da Arena existe um centro comercial onde estão localizados os 2 elevadores panorâmicos com:
Uma academia de ginástica de grande porte;
Espaço para construção de um centro de convenções;
Memorial (será construído);
Loja de artigos esportivos Arena Store;
Loja de atendimento aos visitantes;
Uma Churrascaria
Lanchonete

terça-feira, janeiro 17, 2006

Geddy Lee que se Cuide!


A Fabiana mandou essa sensacional foto tirada num show realizado no Teatro Vitória, em São Paulo, no ano de 2001. Nela estou usando uma técnica que mistura o virtuossísmo do Geddy Lee com a sensibilidade musical do Jaco Pastorius e pintadas de Sid Vicious.
A foto trás lembranças do final da turnê do disco ao vivo, quando já estávamos no terceiro empresário, tentando acertar com um que pudesse unir a banda e levá-la para frente. Só depois que achamos o Ivan, um cara que acredita piamente na Plebe e seu pontencial.
E por falar nisso, Ivan está em São Paulo negociando, negociando, negociando...

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Brasília, Mar de Lama


Brasília está, literalmente, um mar de lama! Tanto no Congresso Nacional, como nos Supremos, como no Palácio do Planalto e, prinicipalmente, nas ruas. Temos um governador que agracia a classe média com pistas duplicadas, viadutos e pontes, e esquece da saúde, da segurança e da educação. A classe pobre também não reclama, pois ganham lotes, vale-gás, vale-salário, vale-leite, vale tudo para se manter no poder. Só que é impossível corromper a natureza e ela está puta! As fotos, acima, são da Capital Federal. É uma imagem que a mídia não passa. Governo Roriz? É só seguir o mar de lama.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Entubado na Quinta.

Passei a noite de ontem com um tubo enfiado na veia, tomando soro. Comi um negócio podre e meu intestino não aguentou. E olha que tenho estômago de ferro, como ovo amarelo em paradas de ônibus interestadual, torresminho com pentelho. Numa parada no meio de Minas, viajando com com a Plebe, pedi um pedaço de uma torta de passas. O cara mexeu a mão em cima da guloseima, fazendo uma nuvem de moscas levantar vôo, dizendo "é de maçã"! Tem um monte de histórias sobre as paradas de ônibus onde parávamos, inclusive uma do Philippe que comeu um bife de cachorro enquanto os outros animais solidários uivavam a cada mordida.
Ontem não foi muito legal. Ao meu lado, uma adolescente suicída. Sei que é bom estar entre os vivos. Bom fim de semana para todos.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

O Gosto da Banda


Vocês vão achar isso estranho, mas vou dedicar o espaço seguinte para falar um pouco de um disco do Deep Purple. Mais especificamente o considerado pela crítica o pior, o desprezado pelos fãs da banda, o que marcou a saída do guitarrista Ritchie Blackmore, mas que para mim é o melhor e – hoje – o único que ainda me dou ao trabalho de ouvir: Come Taste the Band, de meados dos anos 1970s.

Porque gosto tanto desse disco? Bom, a saída do Blackmore significa que a banda tem que trabalhar sem o mestre criador de riffs que ele era. Cá entre nós, riffs são a manifestação egocêntrica onanística de guitarristas. Musicalmente, é um engessamento para todos os outros instrumentos. Uma banda que tem guitarrista que só usa riffs é igual ao Vasco desse início de 2006, que tem ordem de deixar todos os gols para o Romário fazer. Divaguei...... sai o Blackmore e entra o Tommy Bolin, um músico muito mais afinado com outros tipos de música tirando o hard rock.

Mas o mais importante é que volta à banda o Glenn Huges, que tinha sido expulso pelo Blackmore por estar “querendo impor música negra ao Deep Purple.” O Glenn Huges, como todo baixista, se apaixonou pelos grooves vindo dos EUA naquela década: War, James Brown, Parliment, Clinton, entre outros. Quando tentou implementar isso na banda, foi despedido, pois não combinava com os riffs do Blackmore.

Em Come Taste the Band eu identifico a (talvez) única mistura de hard rock com o groove do funk. As linhas de baixo são fantásticas, se pudesse isolá-las, iria samplear todas. O Ian Paice consegue sair do arroz-com-feijão do antigo Purple e faz umas batidas que dá até para tocar em pista de dança. Não tendo que mais simular guitarra base nos seus teclados, Jon Lord se solta mais, tirando aquele som irritante de hammond distorcido do repertório, e mostrando o quão bom tecladista ele é. E tem a voz do Coverdale, o único ponto que relembra o velho Purple, mas querer mudar isso é demais.

Uma boa dica para os que garimpam o passado e querem descobrir boas novas.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Imagine se....

11 de janeiro de 2010, o dia em que o Brasil parou estarrecido. Tirando a derrota para o Uruguai, na copa de 1950, nunca o país todo tinha ficado tão chocado com um acontecimento. As notícias começaram a ser divulgadas aos poucos: senador encontrado morto na praia, deputado assassinado nas suas feiras em Nova York, outro deputado encontrado morto dentro do seu carro estacionado do lado de fora de um puteiro em Porto Alegre, corpo de senador achado sem vida no jardim de sua mansão em Manaus. Muito político morto para ser coincidência. Foi aí que algum jornalista se tocou: alguém matou todos os membros do Congresso Nacional que não compareceram à convocação extraordinária de fim-de-ano.

Como costuma fazer todo final de ano, o presidente do Senado convocou extraordinariamente os deputados federais e senadores a trabalharem durante o recesso, com um custo caríssimo para a sociedade, milhões de reais. Cada um ganharia, por dois meses de trabalho, mais de 100 mil reais. A imprensa criticou, o povo achou um absurdo, mas a convocação saiu mesmo assim. Como previsto, a maioria dos representantes não compareceu às reuniões marcadas. O plenário vazio demonstrava o gasto de dinheiro público que é uma convocação desse tipo. A imprensa criticou, o povo achou um absurdo, mais nada fazia os políticos atenderem o chamado de trabalho.

Até 11 de janeiro, quando foram encontrados mortos. Um e cada um que não compareceram ao plenário agora estavam enterrados ou cremados. Alguns comemoraram, alguns acharam um absurdo, mas o efeito foi imediato: os suplentes, no dia seguinte, lotaram o Congresso Nacional que, em um dia, conseguiu votar um monte de projetos de lei que estavam trancando a pauta.

No fim-de-semana, os principais jornais do país publicaram uma nota do grupo que se autodenominava Vigilantes da Ética Política – VEP. No texto, o grupo se dizia muito bem organizado e infiltrado em todas as instâncias do governo, exército e sociedade civil. Suas ações refletiram o anseio da sociedade de fazer com que seus representantes representassem o povo. Para tanto, tinham que tirar do cargo os políticos parasitas. Para tanto tinham três possibilidades previstas em lei: por meio da cassação, da renúncia ou da morte. Como a VEP não tinha o poder de cassar, os político não iriam por livre e espontânea vontade renunciar, só restava a terceira opção.

Ao chegar em seu gabinete, na terça-feira seguinte, o presidente da Câmara se viu na companhia de cinco homens encapuzados. Queriam falar com ele. Deram ordem para que diminuísse as regalias dos congressistas, abolisse o recesso e moralizasse a classe. Ele pegou o telefone e chamou a segurança. A voz do outro lado da linha fez sua espinha congelar: “deputado, acho melhor você ouvir o que esses senhores têm a lhe pedir.” Logo se lembrou da notinha no jornal: a VEP está infiltrada em tudo quanto é lugar.

O ano de 2010 foi considerado o mais produtivo do Congresso Nacional em toda a sua história. Os congressistas trabalharam de segunda a sexta, cortaram sua regalias, diminuíram os gastos da casa e ajudaram o Brasil a crescer votando leis e emendas importantes. No final do ano, não houve necessidade de convocação extraordinária. Também não houve recesso. Foi um bom ano.
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PS - O texto acima é somente uma obra de ficção. Não tenham idéias.

terça-feira, janeiro 10, 2006

O Diário da Turma


O livro “O Diário da Turma”, escrito pelo amigo Paulo Marchetti, conta, por meio de depoimentos das pessoas envolvidas, a história da formação das bandas de Brasília, do Aborto Elétrico, até os Filhos de Menguele. O autor fez um extenso trabalho de pesquisa, visitando as pessoas, deixando-as tagarelar e aproveitando as melhores partes, tentando dar um formato coeso ao texto, onde as idéias fossem concatenadas.

Hoje em dia gosto do livro, mas confesso que, quando saiu, senti muita falta de depoimentos de mais músicos, como o Jander, por exemplo. Pareceu-me que o livro era uma ode às pessoas que orbitavam em volta das bandas, tendo essas como pano de fundo. Após um tempo sem pegá-lo para ler, dei uma folhada cuidadosa e essa impressão negativa desapareceu. Sei da dificuldade em fazer os músicos falar, a maioria é bem reservada. Ao contrário dos satélites, que viam a oportunidade de seus 15 minutos de fama. Resultado, o livro reflete, por causa disso, como era ser adolescente em Brasília nos anos 80s. É até um tratado meio que antropológico da cena, onde trás as pessoas dos bastidores para frente.

Outro atrativo do livro são as fotos e o organograma das últimas páginas. Leitura recomendada, é uma visão dos 1980s diferente dessa onda comercial que está varrendo o país.

Paulo, estou esperando o próximo!

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Como sai na Bizz


Graças às taras arquivologistas do Philippe - e isso é um elogio - consegui o texto com foto que saiu na Bizz sobre o evento do trio elétrico:

A Plebe nunca foi tÃo Brasileira
Revista Bizz, 1989
A Plebe realizou o sonho de muito roqueiros tupiniquins: unir a garra do rock 'n roll com a potência e a qualidade de som de um trio elétrico. No dia 31 de janeiro a Plebe tocou em cima do trio Tiéte Vips para um público de 20 mil pessoas que se espremia no Farol da Barra, em Salvador. Buscando a rua e a imprevisibilidade dos velhos tempos de Brasí­lia, Philippe, Jander, André Gutje detonaram antigos e novos hits em uma hora de rock, suor e cerveja.


Sinceramente, vacilamos. Ficamos sem mais fotos, o evento, que foi do caralho, não foi devidamente registrado. Por isso que, hoje em dia, só viajo com minha máquina.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Plebe abre carnaval baiano.

O ano era 1988 ou 1989, não me lembro bem. Sei que estávamos na Bahia fazendo divulgação do terceiro disco. Já havia má vontade da gravadora, eles não acreditavam muito no disco. Por outro lado, não tinham se preocupado em acompanhar as gravações, deixaram correr livre e, quando receberam o produto, não sabiam muito bem o que fazer. Teve ainda o problema de quererem postergar o lançamento. Convidaram o Naldo, nosso empresário na época para um almoço, e propuseram outra data de lançamento, lá para frente. A gente, louco para voltar à estrada, rejeitou. O impasse foi criado e a EMI fez um trabalho meia-boca.

Mas, como ia dizendo, estávamos na Bahia, Salvador, onde a Plebe tinha um monte de contatos fora gravadora, com músicos e roqueiros locais. Já era véspera de carnaval, os baianos já estavam pensando nas festas, quando alguém sugeriu da Plebe Rude tocar em cima de um trio elétrico no dia antes da abertura oficial das festas do Rei Momo. Aceitamos na hora! Foi uma das experiências mais intensas da minha carreira. Mas o problema foi viabilizar a coisa, pois significava ficar uma semana a mais em Salvador, quem ira pagar por isso? Negociamos com a EMI e eles aceitaram na hora. Claro, seria uma promoção e tanta do disco.

Ficamos num hotel ao lado da Praça Castro Alves. Um tédio só, pois estávamos sem grana e matávamos o tempo fazendo nada no hotel. Tipo: chamar a atenção de alguém em alguma janela no prédio na frente, quando a pessoa olhava a gente escancarava a cortina e eles tinham a visão do Gutje mostrando a bunda. Não foi uma espera muito agradável, pois as tensões intrabanda não andavam lá muito sociáveis, com tensões internas.

Finalmente chegou o dia. Fomos até a garagem do trio elétrico do Tiéte Vip’s e subimos. O veículo começou a se movimentar. O plano era o seguinte: o Tiéte ia tocando até o Farol da Barra, quando o trio iria estacionar e a Plebe tocaria. E assim foi. Enquanto nos movimentávamos pelas ruas de Salvador, o povo ia seguindo, dançando – alegria popular. Se a música é um dos ópios do povo, que eles aproveitem! Somente Karl Marx mesmo para achar que o povo não precisa de um “ópio” para sobreviver. Paramos, finalmente (não agüentava mais axé!), em frente ao farol. Havia um mar de pessoas em nossa volta. O trio elétrico uma pequena ilha no meio da multidão, a atenção de todos. E começamos a tocar. E todos deliraram! Punk rock de Brasília abrindo oficialmente o carnaval baiano! Isso, meus amigos, foi história!

Pena que não foi registrado como deveria. A gravadora não fez os contatos na imprensa. A Bizz soltou uma notinha (que o Philippe garante que vai estar no site – no ar em breve). No bis, fizemos um jam com o Tiéte Vip’s em cima de Até Quando, com batucada na parte do meio. Foi sensacional. O rock de atitude, de protesto, não pode ficar isolado em guetos. Temos que nos mesclar, aparecer, influenciar – sem perder as raízes e razão de ser, claro. Foi lindo. O ponto alto foi uma versão pessadona de Plebiscito e os baianos batendo a cabeça. Axé para vocês.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

McLaren, o Rei dos Reis!


Acabei de ler England’s Dreaming – Anarchy, Sex Pistols, Punk Rock and Beyond, do Jon Savage, livro que conta a história do surgimento do punk, concentrando-se nos Sex Pistols. O autor vai fundo em suas considerações, chegando a um nível até acadêmico nas considerações históricas e sociais. São mais de 500 páginas. Se você souber ler bem inglês, recomendo – e muito.

O que ficou claro para mim é o seguinte: a banda definitiva punk, quem inventou isso tudo, quem teve a idéia foi os Sex Pistols. Tudo bem, você pode falar: prefiro Clash, gosto de Ramones, mas te digo logo que está sendo míope. Está pensando só musicalmente. Os Pistols foram tudo, menos uma banda típica de rock n roll. Pelo contrário, foram concebidos pelo Malcom McLaren para destruir o rock n roll. Nunca tinha dado muita bola para esse empresário, mas ele e sua mulher, hoje a famosa estilista Viviene Westwood, pesquisaram sobre anarquistas, situacionistas e outros que nadam contra a maré para fazer a banda. Foram anos refinando o conceito. Primeiro ele tentou aplicar no New York Dolls, mas eles estavam muito inseridos no sistema para poderem ser uma ferramenta destrutiva da indústria musical. Foi quando voltou para Londres e montou os Pistols.

O John Lydon, quando sai da banda após a maravilhosa turnê americana por cidades por onde não passam grandes bandas, diz que sai porquê a banda se tornou uma típica banda de rock, coisa que não era para ser. O Clash, Ramones e outros queriam ser considerados músicos sérios, dar shows, gravar discos. Os Pistols não. Queriam ser uma ameaça – e durante muito tempo foram. Quando chegaram nos EUA, só para se ter uma idéia, foi montado um esquema imenso para que não conseguissem passar a sua mensagem para a população. Rádios, TVs e até a Casa Branca de Carter se empenharam nisso – e não é teoria da conspiração, está documentado.

O que a banda conseguiu fazer em 1977 na Inglaterra está muito além do que qualquer outra banda de rock tenha feito. Eles aterrorizaram uma nação! Eram banidos de se apresentar em qualquer lugar. Eram perseguidos. Mudaram o jeito de uma geração inteira pensar. Forçaram as gravadoras a se reinventar. Abriram as comportas para os selos independentes, para a música alternativa. O conceito foi além de musical, envolvendo roupas, fotografia, literatura, arte. Deram o golpe em duas gravadoras, saindo com dinheiro de rescisão de contrato na mão. Hoje, sou fã do Malcom McLaren, ele tinha a visão! Cash from Caos! Pena que no final, o Steve Jones, Paul Cook e Sid Vicious decidiram assumir que eram músicos e a banda teve o fim que mereceu.

terça-feira, janeiro 03, 2006

R ao Contrário nos Céus Cariocas

O Rio Rende-se ao Conceito!

Então o Rio se rendeu à Plebe Rude logo nos primeiros segundos de 2006. Quem estava na praia de Copacabana conferiu; quem não estava viu as fotos nos jornais no dia seguinte. Tentando escrever o nome da cidade no céu por meio de fogos de artifício, o “R” saiu ao contrário! Começaram bem. Achei sensacional esse erro/acerto. É um presságio que este ano será sensacional para a banda.

A última coisa que vi antes de sair de Brasília foi o prédio do INSS pegando fogo. Como desenhou o Caruso, o Rio tem queima de fogos, Brasília tem queima de arquivo. E pergunto para o motorista do táxi: será que alguém se machucou? Ele responde: que nada, ainda são oito da manhã, funcionário público nenhum está no trabalho a essa hora!

Melhor frase de 2005 – “Ele é muito bom, faz um trabalho social de importância. Espero que faça mais, fique bem ocupado e se mantenha longe dos estúdios” – Henry Rollins se referindo ao Bono Vox.

Melhor show da Plebe em 2005 – A dobradinha no Teatro Odisséia, Rio de Janeiro.

Bandas de 2005 – Kaiser Cheifs, Franz Ferdinand, Matanza, Clor (Cloooooooor!!!)

Show que marcou – Flaming Lips, no Claro que é Rock.

Melhor programa de televisão – Os documentários sobre o punk e outro chamado Surplus, traduzido para Sucata.

Em fim, que 2006 seja exponencialmente extraordinário para todos!

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Anarconatal para Todos - Oh oh oh oh!


Ho ho ho ho ho! Feliz natal para todos! Boas festas!
Veja só que espírito de natal legal. Tem uns malucos na Califórnia que se reunem nessa época do ano, bebem todas, se fantasiam de papai noel e saem pelas ruas desejando feliz natal para todos, além de fazendo bagunça. Se autodenominam os Santanarchy - algo como Noelnarquia. Muito bem bolado, veja a foto. Reparem que tem um com uma másacara do Jason.
Em fim, imaginação é tudo, façam diferente em 2006! Errem ao contrário!