sexta-feira, abril 13, 2007

Blog do Txotxa!


Quem viu o documentário do Clash, Westways to the World, deve se lembrar de um comentário do Joe Strummer que uma banda de rock só é tão boa quanto seu baterista. Como baixista, assino em baixo. A bateria é o coração da banda, o baixo segue, e os dois fazem pulsar a cozinha sobre a qual as harmonias podem brincar à vontadade. O melhor batera que já toquei em toda minha carreira foi o Txotxa. Sei que posso complicar o que quiser, que ele estará lá, on the beat, para me salvar. E não é que o Txotxa começou um blog só sobre bateria. Está só no começo e vale a pena a leitura.









quarta-feira, abril 11, 2007

Kapital, Bi$$ e o Mercado.

Acabei de voltar da banca, onde dei a folhada mensal na revista Bizz. Aquela com o grande Miranda na capa. Lendo as resenhas dos últimos lançamentos, me deparei com uma crítica do novo CD do Capital Inicial que quase fez com que jogasse o periódico no lixo. Me contive, pois a revista era da banca e não minha.

O repórter, que não lembro o nome, elogiou o Capital por estar jogando a favor do mercado. Na opinião dele, não há nada errado com isso, é até sinal de maturidade para a banda. Vai além, diz que até os Sex Pistols jogaram com o mercado. Se fosse do Capital, escreveria uma carta à revista nos moldes abaixo.

Gozado que o mercado é visto como perverso em todos os segmentos, menos no meio musical. Por meio musical, excluo os compradores, pois eles são meramente estatísticas para o mercado. Me refiro às gravadoras, meios de divulgação, rádios, imprensa especializada, etc. Sabemos que vivem de forma simbiótica e se defendem quando um componente é atacado, os outros defendem com unhas e dentes. As bandas são meros peões no jogo e é perigosíssimo quando uma tenta fazer o “jogo do mercado”.

Quando um banco cobra juros abusivos, a desculpa é “agimos de acordo com o mercado”. Quando uma loja cobra preços inpagáveis por produtos que obviamente não valem isso a razão é “o mercado nos força a agir assim.” Quando as empresas aéreas fazem overbooking, dizem que é prática comum do mercado. Sempre o mercado é a desculpa por agir contra os consumidores. No meio musical não é diferente. Por isso o perigo, a ofensa até, em dizer que uma banda de rock joga junto com o mercado.

Não é isso que acha o crítico da Bizz. Fazer o jogo é sinal positivo para ele. Gozado que quando alguém menciona que uma banda joga com o mercado, me lembro de KLB, Tchan, Bruno e Marrone, Rebeldes, entre outros sons aguados. Difícil classificar o Capital nesse contexto, mas quem sou eu? Se o grande jornalista diz que é assim.....

Mas esse jornalista deveria ler um pouco mais. Sex Pistols fazendo o jogo do mercado? Obviamente esse cara não fez sua lição de casa. Recomendo que leia o livro England’s Dreaming, que detalha a extrema dificuldade do Malcom McLaren em lançar os discos dos Pistols da forma que queria, em divulgar como queria. Não vou me aprofundar, mas qualquer neófito ao rock n roll sabe que, pelo menos quando banda atuante, os Sex Pistols nunca fizeram o jogo do mercado.

Será que o Dinho vai defender a banda dessa injusta acusação?

terça-feira, abril 10, 2007

Entrevista na Drop Music.


Um portal bem legal é a Drop Music. Confiram a entrevista que dei ao site recentemente aqui.

segunda-feira, abril 09, 2007

Mc Plebe


Conformar para deformar? Só se for deformar o bucho, há há há! E não é que a Plebe Rude foi parar naqueles protetores de papel que vêm nas bandejas do Mc Donalds! O império contra-ataca! Nesse caso, o império do palhaço Ronald, não aquele ex-noivo da Cicareli, mas o tal que vende gordura trans aos nossos jovens. Tá bom, tá bom, eu sou culpado, comi um Mc Chicken ontem. Mas só porque estava com muita fome, e para acompanhar a Ana que devorava seus Mc Nuggets – tão jovem, já fisgada pelo consumismo alimentar. Mas o resto da semana vai ser à base de soja e farelo para desintoxicar.

A semana começou e muitas coisas boas vêm pela frente.

Tarde demais para desejar Feliz Páscoa?

quarta-feira, abril 04, 2007

Vem Coisa Boa Aí!!!

Desculpem estar fora do ar esses dias. Muitas coisas exigindo a minha atenção e acabei sem tempo de logar e postar coisas novas. Temos novidades pela frente! Em abril e maio a Plebe estará no Rio de Janeiro, Bauru e Riberão Preto. É o que temos confirmado, outras cidades entrarão no rol em breve. Com isso, voltamos a ensaiar. Nos shows novos, tocaremos pela primeira vez ao vivo Dançando No Vazio, do R ao Contrário. A versão está foda!

E preparem para fazer uns downloads especiais em breve. O Philippe achou a gravação completa dos dois shows que deram origem ao disco ao vivo. Como sabem, gravamos dois shows e escolhemos os melhores momentos de cada. Agora, vamos disponibilizar os dois shows inteiros, sem alterações ou edições. Estamos passando para MP3.

Aguardem;/

sexta-feira, março 30, 2007

Ira! e Plebe na Transamérica - Novo Link

Conforme solicitado, fiz um novo upload, dessa vez no Easy Share, do arquivo contendo a transmissão da gente e do Ira na Transamérica. Outra correção, o ano é 1989.

NOVO LINK!
download

quinta-feira, março 29, 2007

Ira! e Plebe na Transamérica (1988)

Esse ao vivo no estúdio foi gravado junto com o Ira! na rádio Transamérica de São Paulo, capital, em 1988. O que mais me vem à memória dessa apresentação é que eu estava com uma puta febre, o ar condicionado estava a mil e eu só estava de camiseta, insuficiente para me proteger da Sibéria artificial onde estávamos tocando.

O Ira! tinha acabado de lançar o Psicoacústico, uma das melhores capas de rock dos anos 80s. Era um disco meio que experimental, já com nuances de eletrônico entrando no meio. Lembro-me de ter desejado que os meus companheiros da Plebe fossem um pouco menos conservadores e gostassem de pesquisar sonoramente um pouco mais.

Dito isso, acho que demos um banho no Ira!, tocando bem e inspirados. O arquivo originalmente foi disponibilizado pelo Igor, umas duas postagens atrás. Valeu, cara! Façam como eu, baixem aqui.

quarta-feira, março 28, 2007

Ric Novaes Anjo


O Bruno, do Rio, que postou o comentário do artigo passado, falou dessa foto. Achei tão boa que resolvi colar aqui. Para mais informações www.moo.com.br.

segunda-feira, março 26, 2007

Adeus, Ric!

A verdadeira perda, aquela que dói, que deixa um vazio, a gente sente aos poucos. Quando registramos o fato, talvez não percebamos o quão grande o impacto vai ser. Dizemos “que pena” e tentamos seguir em frente. Mas lentamente, o vacum se abre, aquela noção do nada se sedimenta e a percepção de sua inexistência se instala. A alma vagarosamente destila a tristeza. Triste por perder um amigo, uma pessoa especial na minha vida, uma parte de minha própria história.

Olho em volta e tudo que vejo é Ric Novaes. A Rosa, minha esposa, foi o Ric que nos apresentou e deu força para a união. Dez anos atrás! Na minha estante, livros do Irvin Welsh. Foi o Ric que me mostrou os primeiros livros daquele que viria a ser meu escritor favorito. O Estadão falando de Carl Craig, dou risada. O Ric já tinha me apresentado a esse fantástico produtor no século passado! Abro a geladeira, lá no congelador, uma garrafa de Absolute Ruby Red, obra do Ric. Amigos me ligam para conversarmos sobre sua ida. A maioria, foram amizades facilitadas pela presença do Ric.

Como que conheci o Ric Novaes? Nem me lembro. Deve ter tido algo a ver com a tchurma. Talvez por ele ter sido empresário do Escola de Escândalo. Vivemos muitas aventuras juntas, muitas histórias para contar que nunca serão contadas, mas que ficam se repetindo na minha cabeça. Como o dia que quase apanhamos em Copacabana por ficar olhando para a mulher invisível. Ou quando decidimos fazer uma trilha em Teresópolis e desistimos nos primeiros 100 metros, voltando à cidade para beber e tocar violão. Ou as idas para festas do Ocho em Alto Paraíso, dirigindo por mais de 3 horas para chegar, festejando a noite toda, um banho de cachoeira para acordar e mais 3 horas para voltar para casa. Ou quando fiz o concurso para o Banco Central, que subimos na laje de seu prédio na 410 sul e matamos uma garrafa de uísque. Naquele momento, ambos sentimos que estávamos deixando uma boa parte de nossos sonhos para trás entrando no serviço público. Ele no Itamaraty, eu no BCB.

Os grandes amigos são assim, não precisamos estar em contato o tempo todo, mas sempre sabemos o que o outro anda aprontando. Mesmo em continentes separados, ele no Vietnã, Polônia, Espanha ou Portugal, eu em Brasília, o convívio era divertido. Ele me apresentando músicas novas, estórias surreais que haviam acontecido tendo ele como personagem central, livros, pessoas, iching. Fazia a consulta habitual sobre “negócios sérios”. Como é que pago imposto de renda? Como que abro uma conta bancária? Conhece algum advogado? Como pago parcela atrasadas do cartão de crédito?

Tinha um tempo em que saíamos toda segunda-feira. Eu me referia a esses dias de heads-down-no-nonsence-mindless-Mondays. Minhas terças eram uma ressaca infernal por causa deles! Foi numa dessa que acabei namorando a Rosa. Um de nossos primeiros beijos foi na casa do Ric. Quando estávamos brigados, ele armou com nós dois uma ida no Café da Rua 8 e, propositadamente, não foi. Fizemos as pazes. Valeu, Ric!

Ric Novaes faleceu na madrugada desse domingo. Descanse em paz, amigo! Sua falta será sentida, boas lembranças não pararão de serem revividas.

"How frighteningly few are the persons whose death would spoil our appetite and make the world seem empty."
--Eric Hoffer


Valeu, Ric!

Sesc Pompéia - Parte 2 - Completa!

Tá certo, errei. A pasta disponibilizada de download da parte 2 do show de 25 de novembro de 2007 no Sesc Pompéia estava faltavando alguns arquivos, entre os quais Medo com a participação do Redson. Baixe aqui a versão completa.

sexta-feira, março 23, 2007

Todos os links, num só lugar!




Para você que está chegando agora, todos os links disponibilizados nesse blog estão num só lugar: a página da Plebe Rude no My Space. Então, tá esperando o quê? Vamos ver o que mais terei pela frente na semana que vem.

Para aqueles que estão em São Paulo, não percam o The Evens, banda do Ian McKay, ex-Minor Threat, Embrace e Fugazi, no Sesc Vila Mariana. Quem for, por favor me mande um recado contando. Isso que dá raiva de morar nesse Planalto Central, só vem para cá Asa de Águia e Chiclete com Banana! E lota! Arg!

Para aqueles que iam ver a Peach, fiquem em casa, foi cancelada a turnê, por isso sem shows em SP e RJ. Mas aqui, em Brasília foi confirmado, vai rolar axé. Urg!

No mais, um bom fim-de-semana para todos!

Sesc Pompéia - Nov 2007 - Parte 1


Demorei porque o Rapidshare sempre caía, mas aí vai, a segunda parte do show no Sesc Pompéia.

Parte 2.

quarta-feira, março 21, 2007

No Meio de um Mar de Plebeus.



Recebi essas fotos do Luís Gustavo, lá de Nazaré das Farinhas. São excelentes fotos, que capturaram bem o momento de nossa saída do camarim, para entrar na van que nos levaria para a fazenda onde estávamos hospedados. Esse foi outro show memorável dessa nova fase, tocando em um lugar onde nunca imaginei que fossemos. Valeu pelas fotos, Luís!

Sesc Pompéia - Novembro de 2006

Agora vamos voltar ao presente, porque quem vive de recordações, parou no tempo. Eu prefiro viver de sonhos, olhando para o futuro. Ou melhor, fazer que nem esse blog e estar no passado-presente-futuro simultaneamente. O show disponibilizando desta vez foi um dos melhores que fizemos com a nova formação, no Sesc Pompéia, no dia 25 de novembro de 2006. A apresentação é o exemplo clássico da troca de energia entre a Plebe e o público. Foi emocionante ver cantarem com garra igualmente as novas como as velhas músicas. Se tudo der certo, quero começar a gravar todos os shows e botar para baixar em seguida. No bis, um Should I Stay or Should I Go, com Redson e Ronaldo Inocentes. Divirtam-se.

Devido ao tamanho dos arquivos e a limitação do Rapidshare, a apresentação foi dividida em duas partes:

Parte 1
Parte 2

terça-feira, março 20, 2007

1985 - Ultraje Não Invade Nossa Praia

O ano era 1985 e a cena em Brasília fervia. Plebe Rude, Legião Urbana, Escola de Escândalos, Elite Sofisticada faziam o som não só da tchurma, mas de todos os jovens brasilienses que, tendo em vista a história da cidade, pela primeira vez, tinham um marco cultural com o qual podem se identificar e se orgulhar: o rock de Brasília. Eram tempos incríveis, não havia MTV, nem rádio em rede para pasteurizar as cenas das cidades, que, por isso mesmo voltavam seus interesses musicais para a produção local. Não havia como ignorar a cena. Apesar de ninguém ter disco gravado, todos conheciam as principais musicas, iam para os shows, cantavam juntos, se divertiam.

Nesse contexto, era impossível para um contratante que realizava um show não considerar incluir na programação pelo menos uma das bandas locais. Assim, o Legião, ainda desconhecido, abriu para o Kid Abelha, que estava no auge. E foi pau a pau, de igual para igual. E foi dessa forma que a Plebe e a Legião abriram o show do estouradão Ultraje a Rigor no Ginásio de Esportes de Brasília. Foi um evento memorável para o rock-Br. O Ultraje mandando bem, a Legião prestes a ser contratada e a Plebe, batalhando pelo seu espaço. Foi nesse show que vimos que éramos tão bom, ou até melhor, que nossos camaradas paulistas, cariocas ou de onde quer que venham.

O legal desse show que disponibilizo aqui é a garra demonstrada pelas bandas brasilienses. O Philippe, Jander e Renato estão no seu pico de juventude entediada, querendo mostrar que são capazes de mais do que prestar um concurso púbico e mofar nos anais da burocracia estatal. São diamantes brutos pronto para serem lapidados – eta clichê!

A recordação mais forte desse show foi tocar para um ginásio lotado, pessoas realmente curtindo a prata da casa e o sabão que tinha usado para arrepiar meu cabelo derretendo e caindo no meu olho como lava quente. Ardeu, mas agüentei até o fim. O Ultraje veio invadir nossa praia, mas acabou comendo areia, há há há.

domingo, março 18, 2007

Chá das Cinco - 1988 - Plebe e Zero

Havia uma época em que as rádios ousavam e a Transamérica era uma as que saia na frente na busca de um diferencial. Para tanto criou um programa chamado Chá das Cinco, que era a transmissão ao vivo de bandas tocando no estúdio da estação. Era um risco e tanto que assumiam, pois vários riscos estavam em jogo. Por exemplo, a banda poderia ser ruim, o que iria afastar a audiência para os concorrentes. Alguém poderia falar um palavrão ou qualquer outra ofensa que geraria uma multa à rádio. Mas mesmo assim seguiram em frente com o projeto. Hoje em dia, não vejo uma estação comercial dando um espaço desses para artistas em ascensão.

Somos muito gratos à Transamérica, pois fomos escolhidos para fazer o primeiro Chá das Cinco, junto com os Paralamas, do qual foi retirado a versão entendida de Proteção, que acabou estourando a música.

O programa que estou disponibilizando aqui é um Chá das Cinco que fizemos com o Zero e o Finis Africae. Aconteceu assim: o local do encontro era a sede da EMI, em Botafogo, Rio de Janeiro. De lá sairíamos de táxi para a Transamérica. Como chegamos cedo, começamos a explorar o prédio. Entrei no escritório de um dos diretores, junto com o guitarrista do Zero, o Edu, e descobrimos ouro! Ouro líquido, para ser mais exato, uma garrafa de J. Walker Red dentro de uma gaveta. Não tivemos dúvida e secamo-la no ato. Não foi uma decisão muito esperta.

Claro que o álcool subiu direto ao cérebro e chegamos na estação de rádio já pensando torto. Não que isso comprometesse a execução das músicas, pois, afinal, somos roqueiros, há há há. Sei que teve uma hora que me perdi nos corredores da Transamérica, não sabia voltar ao estúdio. De repente, me deparo com uma central telefônica cheia de botões. Apertei todos enquanto gritava no transmissor: “emergência, emergência no estúdio, rápido, rápido!” Sei que quando consegui voltar ao local mais da metade dos funcionários da rádio estavam lá querendo saber onde estava a tal emergência!

Outro fato gozado que merece comentar. Quando o Zero foi tocar agora eu sei, pediram para o Philippe fazer o papel do Paulo Ricardo, que, na música original, cantava “o que isso me trás de dor.” Só que o sacana cantou “e isso atrás que dor!” O Guilherme Isnard não ficou nada satisfeito.

Ouçam aqui, Plebe e Zero e Finis no Chá das Cinco, em 1998.

quinta-feira, março 15, 2007

Rock in Rio III - Download



A estória de nossa participação no Rock in Rio III já foi contada inúmeras vezes, mas acho interessante repetir aqui. À época, a gente era empresariado pelo Rafael Borges, ex-Legião Urbana. Tínhamos ótimo relacionamento com ele e achamos que ia dar certo. Acontece que ele também representava o Sheik Tosado, banda de Recife que tinha acabado de lançar um CD pela Trama. Olhando para trás, repensando tudo que aconteceu, acho que a razão que o Rafael aceitou empresariar a gente foi para o Sheik Tosado aproveitar no nosso vácuo e ganhar um espaço debaixo de nosso holofote.

Isso ficou óbvio quando a gente foi lançar o Enquanto a Trégua Não Vem no Canecão, Rio de Janeiro. Lembro-me que houve uma discussão terrível se o ST iria abrir ou não. Muitos da banda – corretamente – achavam que não deveria, que deveria ser um evento dedicado somente à Plebe. O Rafael insistiu tanto, que o Sheik acabou abrindo e quase estraga tudo, pois utilizaram todo o seu cenário. Oras, banda de abertura não usa cenário próprio, mas o Rafael insistiu e o ST usou. Isso criou um atraso significativo de nossa entrada. O público, sedento a décadas por Plebe, não curtiu nem um pouco aquilo. Depois do Sheik, a gente ainda exibiu, pela primeira vez num show, o filme Ascensão e Queda de 4 Rudes Plebeus, que leva uns 20 minutos. O público, impaciente, de saco cheio de ouvir uma banda que não queriam ouvir, nem curtiu.

Quando veio o RRIII, ofereceram ao Rafael duas posições: uma no palco principal e outra no palco Brasil, menor. O que fez? Deu o principal para o Sheik Tosado e nos enfiou no palco Brasil. Foi pior para o Sheik, que tocou na noite metaleira e recebeu as tradicionais vaias e abusos. Foi um tiro no oceano para eles. A Plebe teria tirado de letra, temos afinidade com os mais radicais. A gente foi tocar no meio da tarde e lotou tanto a tenda onde ficava o palco Brasil que teve gente lá de fora exigindo que ligassem o PA do palco principal. Fomos a única banda a tocar lá que teve bis. Entramos com raiva e a utilizamos para fazer uma das nossas melhores apresentações, foi emocionante.

Ainda bem que foi gravada e agora você pode a baixar aqui.

Apesar de tudo, tenho muito apreço pelo Sheik Tosado, pelo China e, claro, pelo Rafael. Mas que atrasou nossa vida, atrasou.

quarta-feira, março 14, 2007

Entrevista sobre o novo Clipe!


E continuando a inundação da internet, hoje tem entrevista com o Philippe no site da Oi FM. Confiram aqui.

A Dança do Semáforo


De todas as músicas que a Plebe gravou como demo, a única que não chegou a entrar em nenhum disco foi A Dança do Semáforo. Essa era a música da Plebe que mostrava o potencial das plebetes, Ana XYZ e Marta Detefon, que faziam os backing vocais. A canção foi escrita para elas. Talvez esse seja um dos motivos de nunca aparecer uma versão oficial, pois elas saíram antes do Concreto, possibilitando o Philippe a assumir os vocais e o Jander a passar para a guitarra, mudança significativa para a banda. Outro motivo é que o baixo é muito similar a uma música do Cure. Tem ainda que o Philippe acha a música um pouco comercial demais para a Plebe.

Deixa eu defender a Dança do Semáforo. A guitarra é excepcional, punk-pós-punk total. Os acordes não são alegrinhos, tirando da reta a acusação de ser comercial. O baixo pode até parecer um do Gallup, juro que não foi intencional. No contexto da música, então, nada a ver. Eu adoro essa música, acho que poderia funcionar bem ao vivo e agora disponibilizo aqui para vocês, na versão demo, gravada em Brasília durante o ano de 1984.

Durante a mesma sessão de estúdio, a gente ainda gravou Sexo e Karatê. As duas músicas foram hits da então roqueira Rádio Fluminense. Que saudades da época que as rádios buscavam novos talentos, não restringindo à regurgitação das gravadoras, e o público ansiava por descobrir novidades.

Outro desejo meu é um dia entrar no estúdio do Philippe e, num fim de semana, gravar umas antigas da Plebe que nunca chegaram aos ouvidos públicos, tirando a tchurma. Me refiro a músicas como Festas, Pirataria, Moda e, a favorita do Philippe, João Trovão.

terça-feira, março 13, 2007

Plebe no Circo Voador - 1993

Sou um novato nesse negócio de internet. Mas insisto e acabo conseguindo as coisas. Sempre quis disponibilizar gravações raras da Plebe aqui no blog e, finalmente, consegui descobrir o caminho das pedras! Então, estreando o “quem quer música?”, estou colocando aqui um link para quem quiser baixar um show da Plebe Rude realizado em 1993 no Circo Voador – o velho Circo, não esse novo high-tech – realizado após o lançamento do Mais Raiva do Que Medo. A formação da banda era o eterno duo André/Philippe, mais Márcio Romano na bateria e o Sound Gnomo nas guitarras suporte. O som não está lá essas coisas, mas tem algumas passagens interessantes, como, por exemplo, a improvisação feita em cima de Body Count. Não tive tempo de formatar as músicas, por tanto alguns nomes aparecem errados. A primeira música, onde está escrito “não sei”, trata-se de Não Nos Diz Nada, que fazia anos que não escutava. Morri de rir com o fecho da música, com o Marcinho dando rufadas no bumbo! Divirtam-se!

segunda-feira, março 12, 2007

O Q se Faz na Oi FM!


Cyberspace is the place! Sim, mais um site disponibilizando o novo clipe da Plebe Rude! Desta vez é a Oi FM. Clique e vejam!

Clipe Novo no Ar!!!!!


Finalmente, ao alcance de um clique do seu mausse, o clipe de O Que Se Faz, dirigido pelo José Eduardo Belmonte, baseado numa idéia do Balé (Resistores, Escola de Escândalo). Está disponível no site da Uol. Comentários serão bem vindos!

Plebe no Meu Espaço!


Demorou, mas chegamos lá. O espaço Plebe Rude no My Space está no ar! O que podemos esperar? Fotos inéditas, tiradas pelos próprios músicos ou membros da equipe. Idem para vídeos (confiram o Txotxa passando bateria no BMF). Avisos de shows, promoções e outras notícias. Isso tudo para complementar o vasto material do nosso site! Hoje, o plebeu dispõe de três fontes de informação oficiais da Plebe, onde pode se comunicar com a gente e outros que curtem a banda: o blog X da Questão, a página do My Space, que fica no www.myspace.pleberudeoficial e, ainda o sensacional site. Isso é cyberplebe, mano! E ainda temos a comunidade do Orkut, que não é oficial, mas bate um bolão! Ainda sobre nossa página no My Space, estamos em constante melhoria, essa versão é somente a 1.0. Espero que, no futuro, outros, além de mim, contribuam para a página.

sexta-feira, março 09, 2007

Outro fim-de-semana!


A dica para esse fim-de-semana é o Flávio Campos. Quem é ele? Bom, ele foi o baixista de uma banda carioca chamada Distúrbio Social, que chegou a ter algum prestígio no underground no final da década de 80. Eles ensaiavam numa casa no alto do Jardim Botânico, me lembro de ter ido para vê-los lá, mas não me lembro do Flávio. Mas isso não importa, pois o cara trabalha no BCB, no mesmo edifício em que trabalho aqui em Brasília. Isso também não importa, o que importa é que o Flávio é um idealista persistente e um músico que não para de produzir. Seu último trabalho foi produzido pelo Philippe, que ainda toca nas faixas. O Txotxa também dá uma mão (ou duas) na batera. Foi gravado no Daybreak, o estúdio do Philippe e as faixas estão disponíveis de graça na internet. Confira aqui: FLÁVIO CAMPOS.

O que me deixa triste: mais de 100 mil pessoas saem às ruas para protestar contra o Bush, enquanto um protesto contra a violência no Brasil não consegue reunir mais de 10 mil. Quando compararmos que em 2006 morreram 3 mil assassinados no Iraque contra 200 mil no Brasil, vemos que realmente não damos importância às vidas de nossos compatriotas. Hoje em dia, Bagdá está mais segura que o Rio de Janeiro.

O que me deixa feliz: tomar uns grapefruit martinis com a Rosa e que o Philippe está marcando novos ensaios.

Divirtam-se, mas não tanto quanto o camarada aí na piscina.

quinta-feira, março 08, 2007

Almoço da família Seabra

Hoje recebi um e-mail do Ricky Seabra, que é o irmão do meio do Philippe, guitarrista da Plebe. Ele me disse que tem uma filmagem em Super-8 realizado no topo do World Trade Center, em 1987, com o Philippe e eu, quando fomos para lá, logo após a gravação do Nunca Fomos, torrar nosso adiantamento concedido pela EMI. As imagens são geniais e ele concorda que dariam um ótimo vídeo clipe. Também me informou que iria colocar uma versão editada, com pouco André/Philippe, no You Tube. Fui procurar, mas ainda não está lá. No entanto, achei essa pérola. Será a família do Philippe? Se sim, onde está ele? Segurando a câmera?

quarta-feira, março 07, 2007

O dia em que o Brasil foi invadido

Sensacional filminho feito toda em animação corta-e-cola. Mesmo com todo tom cômico, critica a ambição americana no mundo globalizado e, mais importante, nossa incompetência em melhorar o Brasil. Divirtam-se.

Tenha medo, tenha muito medo.


O mundo se tornou menor, as informações circulam com mais facilidade, barreiras culturais e econômicas ruíram e, teoricamente, deveríamos estar convivendo com mais harmonia, cooperação e compaixão com o próximo. No ano passado, foram geradas 161 exabytes de informação. Isso equivale à 161 bilhões de exabytes, totalmente disponível a qualquer um que tenha um acesso à internet. Com tanta informação, como é que ainda temos preconceito, como é que tem gente que ainda não respeita o próximo, como é que tem gente que ainda cai nas grandes mentiras dos políticos, padres e falsos profetas?

Ando assustado com o mundo em que vivemos. Balas perdidas, gente passando fome, ódio crescente, a natureza degringolando, o que está acontecendo? Se você ainda acha que nada disso vai te atingir, se suas preocupações estão restritas ao seu microcosmo (casa, emprego, diversão), aqui vai algumas razões para começar a se preocupar. São coisas que vão acontecer nos próximos 50 anos e, certamente, vão mudar o seu estilo de vida:

1. A entrada de quase um bilhão de consumidores novos no mercado, cada um querendo possuir carro, casa, ar condicionado, passagens aéreas, entre outros produtos-sonhos de toda classe média, além de demandar serviços como escolas, hospitais, academias, entre outros. Tudo bem, você diz, deixa vir. Mas o problema é como atender esse pessoal todo, a maioria vindo da Índia, Rússia, Indonésia e China, que estão fazendo o dever de casa direitinho, se inserindo no contexto global de progredindo (não se preocupe, o Brasil deve contribuir muito pouco nesse saldo). Não vai haver recursos disponíveis para atender a todos. Não vai haver energia (petróleo, eletricidade, carvão, água) para suprir suas demandas. O resultado: meio-ambiente destruído, guerras para garantir recursos naturais, barreiras serão erguidas novamente. O egoísmo intolerante reinará.
2. Buscando tirar o poderio concedido aos árabes pelo petróleo, o mundo se prepara para entrar na era do etanol. Para o Brasil, uma maravilha, pois seremos o maior exportador e vamos suprir o mundo. Todos se beneficiarão? Não, pois as terras cultiváveis brasileiras serão ocupadas todas pela cana. Comida terá que ser importada, ficará mais cara e mais passarão fome. Como, no Brasil, não se distribuí a riqueza, os lucros do etanol ficarão na mão de poucos, que concentrarão mais terra, gerando mais conflitos e estendendo o já extenso fosso social.
3. Guerra nuclear, uma ameaça mais eminente hoje do que na guerra fria. Tudo bem, você diz, vai ser lá no Oriente Médio ou entre a Índia e o Paquistão, ou, ainda, Coréia do Norte e o Japão. Mas guerra significa retirada dos meios de comunicação, com o cenário mais provável da internet ficar restrita ao uso militar. É bom ir se acostumando a viver sem podcasts, blogs, chats, downloads e informação just-on-time.
4. A floresta Amazônica está encolhendo e o governo brasileiro, o principal responsável, não está nem aí. Vejam como foi o início deste ano, chuvas, secas, ventos. Até tornados já são visto em solo tupiniquim. Sem falar que pode dizer adeus ao cerrado (viva a soja e a cana!), ao pantanal (viva a pecuária!) e à mata atlântica. Comece a se acostumar a viver no calor, na chuva, com desmoramentos e avisos de ciclones.
5. Cada vez menos artistas têm acesso aos meios de comunicação, especialmente àqueles acessíveis à grande população, como rádio e tv, principalmente por causa do jabá. Isso significa menos músicas circulando, o que retraí a demanda por shows. Esse acontecimento já é sentido, podem verificar quantos artistas estão em turnê hoje em dia. Disco já deixou de ser cultura a muito tempo, shows também deixarão.

O que podemos fazer? Nos isolar, nos tornarmos xiitas, mudar de planeta? Sou um otimista (não parece, né?), acho que a sabedoria e a inteligência humana sempre acharão um jeito – ou será que estou me iludindo?

Para os que ainda não estão preocupados a ponto de fazer alguma coisa, pensem no seguinte: os fatos acima, isolados, já são ruins. A realidade, porém, é outra: estão acontecendo simultaneamente, junto com outros que não citei. Aí é que funciona a sinergia, sempre contra a gente. Está preocupado agora?

terça-feira, março 06, 2007

Plebe na Globo FM -Promoção


O ano está começando, depois do carnaval molhado que, ainda bem, passou. Eu sei que o carnaval definitivamente acabou quando a banca perto de casa tira os posters que anunciam as vedetes (Atrizes? Modelos? Podutoras?) que possam para as revistas masculinas publicadas durante a festa de Momo. Só para seu conhecimento, os posters foram para o lixo hoje.

Mas não é só isso, as engrenagens estão começando a se mexer. A Globo Fm está com uma promoção do R ao Contrário. Clique aqui >;} para saber mais. Isso é um passo importantíssimo, pois estamos conseguindo vincular nosso CD independente aos grandes canais de comunicação. Nossa meta: criar mais plebeus, sem perder os antigos de casa.

Em breve, mais notícias.

Mais uma Batalha Ganha! (Lá Fora)

Quem está acompanhando a guerra anti-jabá que acontece nos EUA tem mais um motivo para comemorar. A gente sempre noticia quando uma gravadora grande é obrigada a pagar multas milionárias por ter pago para canais de comunicação dar preferência aos seus artistas de forma discriminatória contra outros. A justiça entende que essa é uma forma de coibir que gravadoras menores e artistas independentes ganhem um espaço nos holofotes e, também, concentra a atuação nas ondas do rádio – que é uma concessão governamental – em poucas empresas e artistas. Além de negar o livre acesso à produção musical, a prática é vista como uma barreira a proliferação da cultura do país.

Agora, pela primeira vez, o corrompido também foi multado. Uma rádio – a quarta maior dos EUA – foi condenada a pagar US$ 12,5 milhões em multas e, essa é a parte mais legal, terá que providenciar 8.400 inserções de meia hora grátis para gravadoras independentes.

Imagine se isso acontecesse no Brasil! Seria uma glória para os selos independentes. Nem precisa da multa, basta exigir o espaço cedido aos vários selos, distribuidoras e artistas que penam, nadam e morrem na praia. A principal causa, o jabá. Aproveitem e passem um e-mail já para seu senador e deputado federal comunicando a notícia e exigindo o mesmo em terras tupiniquins.

sexta-feira, março 02, 2007

Fim-de-Semana com Lestics.



Recebi uma mensagem bem bacana do Olavo Rocha, que não tem relacionamento nenhum, acho, com o Renato Rocha, vulgo Negrette. Ele é vocalista dos Gianoukas Papoulas, que é uma banda que se você não conhece, ainda tem tempo de se atualizar entrando no site. Bem, ele e o Umberto Serpieri, que vem a ser o guitarrista e tecladista dos Gianoukas, formaram um projeto paralelo que se chama Lestics. Gravaram um disco e estão disponibilizando-o, absolutamente grátis, a um clique de distância. Dica para o fim-de-semana: clique aqui, baixe o disco e curta-o. Ou entre na página deles no My Space e comece uma sessão de surfe musical virtual. Até segunda!

Guilherme Werneck´s Discofonia.


Sexta-feira chegou, véspera de fim-de-semana que promete muito. Em homenagem ao dia, deixei a melhor dica por último. Trata-se dos blogs do Guilherme Werneck que, coincidentemente, colocou um podcast com Plebe Rude no ar recentemente. Não sei quem é o Guilherme, não conheço sua história, nem o vi pessoalmente, mas navegando pelo Estadão on-line me deparei com seu blog, Discofonia, que abrange um leque vasto de estilos e épocas. Identifiquei-me bastante, pois a gama musical que faz o teor do blog é muito parecido com o meu gosto pessoal. De Morricone a Boris, coisas que estão constantemente no meu iPod são temas do Guilherme em seus artigos. Quer saber de Iggy Pop, Deep Purple, Cinematic Orquestra, Max de Castro, Orquestra, Jorge Mautner, improvisos, mpb, trilhas sonoras e barulho? Vire leitor do Discofonia!

Mas o melhor não é isso. O bom mesmo é que ele tem um outro site, só de podcasts, que toca tudo de bom. Por exemplo, essa semana tem um só com músicas dos anos 80s (com Plebe tocando Sexo e Karatê), um sensacional só com barulho, uma série com os melhores de 2006 em vários estilos (mpb, eletrônico, rock, etc.). Vale a pena explorar. Music for Pleasure. E tem gente que ainda se dá ao trabalho de tirar um disco da capa e colocar para tocar!

Hoje em dia, quem tem computador em casa tem que tirar ele do escritório e plugar no som. Aos poucos, essa máquina está se tornando o centro de entretenimento do lar. A banda está ficando cada vez maior e, em breve, a TV também fará parte periférica do computador. Bem-vindo ao século XXI.

quinta-feira, março 01, 2007

Ubu Web - viagem para os entendidos e curiosos.



A dica de hoje é somente para aqueles que realmente querem ousar na busca de seus prazeres auditivos. Música? Tem um pouco. Poemas? Sim, dos mais vauguardas de todos os tempos, desde os beats, até Patti Smith (tem até Caetano Veloso, há há há ). Sons estranhos? Também.

Trata-se da Ubu web, que se descreve assim: “UbuWeb is a completely independent resource dedicated to all strains of the avant-garde, ethnopoetics, and outsider arts. All materials on UbuWeb are being made available for noncommercial and educational use only. All rights belong to the author(s). UbuWeb is completely free.” O importante é essa última frase, onde free = grátis.

Coisas interessantes que achei lá:
Mantra indígena para o cogumelo sagrado.
Andy Warhol’s Silver Flotations
William S. Burroughs "Origin and Theory of the Tape Cut Ups"
Entrevista com Allen Ginsberg

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Concert Vault - música ao vivo de grátis!


Outra dica para quem quer garimpar músicas na internet. Dessa vez é o Concert Vault, que, como o nome indica, é um depósito de concertos gravados ao vivo que vai desde Bod Dylan, passa pelos Pink/Zeps, e cai no Clash. O dono do site está constantemente sob pressão judicial dos músicos e gravadoras que querem que ele tire os áudios do ar e passe as gravações para eles. Só que o cara resiste e, semanalmente, coloca outra pérola. Da semana passada, por exemplo, foi um show do Clash, de 1979, no EUA, durante a turnê do Give’em Enough Rope. Coisa fina! Esta semana tem os Rolling Stones de 1978, quando eram bons. Quem gosta de música ao vivo, especialmente de bandas mais consagradas, vale a pena.

Espero que gostem do tema dessa semana: música grátis na internet. Eu sou fascinado pelo assunto, sempre achei que deveríamos ter acesso a tudo e decidir o que quisermos ouvir. Por isso sou tão contra o jabá radiofônico e televisivo, assim como os “filtros” aplicados pelas grandes gravadoras e distribuidoras. Acho que pela primeira vez temos as ferramentas necessárias para causar uma verdadeira revolução. O que temos que temer é a preguiça e ignorância da grande massa. Depende de nós dar o exemplo!

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Blogs Musicais

Outra diversão internética que anda ocupando meus preciosos minutos livres é a navegação por blogs que disponibilizam discos. São muito bem feitos, geralmente por blogueiros que realmente têm conhecimento e amor ao estilo musical que resolveram divulgar. A maioria garimpa os sebos, digitaliza vinis raros e disponibiliza para o deleite de surfistas virtuais, como eu. Um leque de delícias aurais está disponível para quem tem paciência e curiosidade.

Eu mesmo, pretendo um dia disponibilizar toda a coleção da Plebe Rude aqui, nesse blog.

Enquanto isso não acontece, recomendo os seguintes blogs para vocês se encherem de sonoridades boas em suas vidas:

Secret Fun
?perimetric
365 Day Project
Musicometro
Loronix





Divirtam-se e me avisem se acharem outro que não toque o convencional.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Surfando no My Space

Esse carnaval me deliciei navegando pelo My Space. Faz tempo que não sinto a excitação provocada por achar bandas novas – principalmente aquelas que não foram ainda assinadas. Quando morava na Inglaterra, em 1978, ficava a noite toda sintonizado no John Peel, anotando as coisas legais que ele tocava. Assim, cheguei às já famosas Killing Joke, Bauhaus e Echo (só para mencionar algumas), mas também às até hoje desconhecidas Stiffs, Carpetts e Skids, que faziam a trilha sonora das fitas K7s que gravava para a galera da tchurma. O My Space me fez retornar no tempo e saborear de novo o prazer de garimpar músicas novas.

Por exemplo: tive sorte aterrisando na página da primeira banda (que se tem notícia) de glamjazz, a scandinava Domination Circus (http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=146830449 ). Pesquisando os seus amigos, no Friends’ Space, pousei na página do baixista Rik Kraak (http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=129500963 ), que toca com várias das bandas e artistas dessa cena. Não é que um dos seus amigos é o Bugge Wesseltoft, um músico muito interessante cujo cd New Form of Jazz eu ouvia anos atrás (http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=65325074 ). Bem, ele é amigo da dupla eletrônica Punkt (http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=65325074 ), que é amiga dos malucos experimentais do Deathprod (http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=48773901 ), que por sua vez tem entre o rol de conhecidos o doidão do Nacht (http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=26817874 ), que é amigo do Coil, outra banda que ouvia muito no início dos 1990s.

Legal demais, saí do jazz para pousar no experimental. Noutra viagem, saí do ska e parei no hardcore. Mas o mais legal é que são todas bandas desconhecidas, muitas sem sequer discos no mercado. E o negócio vicia, isso tende a consumir madrugadas inteiras! A morte das gravadoras, das rádios e de todo o establishment musical? Que venha!

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Plebe Rude - Suficiente por um dia (ou dois)

Outro vídeo não oficial que merece destaque. Acho isso o máximo, pessoas usando o que a tecnologia permite para interpretar as nossas músicas do jeito que querem.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Voto em Branco - Vídeo Alternativo

Terminamos nossos relatos sobre os clipes oficiais da Plebe. Com sorte, todos e mais alguns irão aparecer no DVD. No entanto, essa pérola, acima, foi feita por um fã e eu acho muito muito muito legal. Parabéns para quem fez.

Vive les Femmes!

Sou fã das mulheres. Também nesse sentido que você está imaginando, mas numa abrangência muito maior. Elas são batalhadoras, persistentes, trabalhadoras. Quantas faxineiras e empregadas (o termos politicamente correto, hoje em dia, é “consultoras do lar”) que já trabalharam comigo sustentam a família toda, filhos, pais e marido, enquanto o homem de casa, desempregado, fica coçando o saco sem fazer nada? Tudo bem, emprego para mão-de-obra não especializada está difícil, mas ajude no lar! A mulher, dizem, trabalha vários turnos, em casa e fora. Os melhores chefes que já tive foram mulheres. São objetivas, não se preocupam em agradar, pois preferem que a tarefa seja bem feita.

Siouxsie Sioux, Brody Dalle (essa do vídeo acima!) e PJ Harvey são exemplos de batalhadoras, sendo as líderes de suas respectivas bandas, se destacando num ambiente onde homens reinam e são machistas. Destaco-as entre outras, que usaram seus talentos e não corpos – apesar de serem lindas – para serem notadas.

Recentemente foi divulgado o resultado de uma pesquisa feita pela Unilever que trás um resultado supreendente: mulheres preferem mais fazer compras do que fazer sexo! Claro que as compras se referem a roupas, que isso fique claro. Um colega meu, ao ler isso comentou: isso é culpa dos homens que não estão fazendo o serviço bem feito. Que panaca! Porque na verdade é culpa das griffes que estão sabendo fazer o serviço muito mais bem feito. E quem está à frente da maioria das griffes? Mulheres! Nós não soubemos evoluir, as fabricantes de roupas femininas sim.

Vejam os outros resultados: para 70% das pesquisadas, o amor à primeira vista só existe por saias, blusas ou sapatos; para 48% das entrevistadas, nenhum homem faz uma mulher se sentir tão segura e sexy quanto a sua roupa favorita. Isso mesmo, humilhem! Nós merecemos.

Será que a Hillary no comando dos EUA será capaz de inverter o antiamericanismo causado pelo governo Bush? Eu acredito que fará o possível. Quero ver uma sentada no Palácio do Planalto (desde que não seja uma Sarney!).

Esse texto deveria ser publicado somente no dia 8 de março, dia internacional da mulher, mas não consegui agüentar. We salute you!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

A Filmagem do Clipe de O Que Se Faz

A estória desse clipe começou assim. Uma noite, fui ao Beirute e me deparei com um José Eduardo Belmonte pra lá de Bagdá, já de saída. Disse que queria falar comigo, pois havia incluído Seu Jogo na trilha sonora de seu novo filme, Concepção, e estava tendo problemas com a editora no sentido de liberar a execução. Disse para ele que uma mão lava a outra, que estaríamos dispostos a abrir mão de nossa parte se ele dirigisse um novo clipe. Topou na hora.

Só que desse dia até a entrega das cópias nas mãos do Ivan levou mais de um ano! Nesse meio tempo o Zé Eduardo terminou um outro longa, a gente lançou o CD, fizemos o clipe de Voto em Branco e, ufa, já estamos planejando o DVD. Resumindo, o cara é meio enrolado, some, se envolve em infinitos projetos paralelos e, ainda, cuida de um filho, que é superlegal.

Temos uma parcela de culpa também, pois foi difícil definir qual música que faríamos. Primeiro era Mil Gatos, depois Quanto a Você e, finalmente, O Que Se Faz. Lembro-me que o roteiro original era para ser gravado numa cidade satélite do DF, para dar um pouco de exibição para a outra face da capital federal. A gente estaria tocando numa praça, ia ter uma briga e, sendo época de seca em Brasília, ia levantar a maior poeira que encobriria tudo. O Philippe já ficou apreensivo em usar seu Mesa Boogie, pois, com certeza, a poeira iria destruir o amplificador. Depois disso, o roteiro mudou mais de dez vezes.

A idéia de gravar na Torre de TV veio do Balé, baterista dos Resistores e ex-Escola de Escândalos. José Eduardo comprou a idéia e acrescentou alguns elementos próprios. Acho bacana como uma concepção vai ganhando forma e mudando os conceitos quando começa a ser trabalhada por outras pessoas. O Philippe sempre diz que as pessoas deveria ficar livres para fazer a sua arte. Foi assim com a capa, quando jogamos a idéia básica e a Cláudia a fez; também com o clipe de Voto em Branco e o Steve E. Ponto. E foi assim com esse vídeo.

A interpretação que o José Edurardo deu à música por meio do clipe foi interessante. Ele achou que a letra falava de decepções em termos de vida e usou o cenário da torre para falar das pessoas que se jogaram lá de cima, porém de forma lúdica, sem ser apelativo. Isso combina muito com o conceito das letras novas que tratam da micro-política, aquela que somos obrigados a lidar no nosso dia-a-dia. Gostei muito.

As gravações começaram às 5 da manhã. Lá de cima, a gente via as horas finais de uma rave que estava rolando no estacionamento do Mané Garrincha. Claro que horas depois tinham uns ravers virados vendo a gente fazer os playbacks para as câmeras, há há há. Pintram também uns motoqueiros de goiânia, tipo Hells Angels, além da turistada normal de domingo. Mas quando esses começaram a chegar, a gente já estava nas últimas tomadas.

Agora que o carnaval acabou, que o Brasil retoma o seu cotidiano, o Ivan, com o clipe nas mãos, já está negociando sua divulgação. Claro que anunciaremos aqui e no site quando será.

Carnaval Terminou!


Recomendo a leitura do blog do Felipe Machado no Estadão online sobre o carnaval. Falo minhas as suas palavras. http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Voto em Branco - O Clipe

A Filmagem do Clipe Voto em Branco

A grande eminência parda por trás dos clipes do José Eduardo e desse, do Voto em Branco, é a Rosinha. Desde os 14 anos trabalha na produção e por trás das câmeras de filmes, sejam propagandas, curtas ou longas. Assim sendo, é muito bem relacionada e nos colocou em contato com esses diretores e viabilizou produtoras a custo razoável. Dos quatro últimos clipes da Plebe, seus contatos tornaram a coisa possível, dentro do paco orçamento que dispúnhamos. Valeu, Rosa!

O clipe de Voto começou numa pizzaria, onde sentei com o pessoal da produtora Cara de Cão que queria ver sobre o que se tratava. À mesa, estavam o diretor, Steve E. Ponto, e a produtora Juliana. Ao celular, acompanhando a conversa de perto, a principal sócia da CdeC, Renata. A idéia era fazer um clipe bem tosco, totalmente baseado em cima daquelas exibições no horário gratuito de políticos a cargos insignificantes – veradores, deputados estaduais, etc. – que são vinculados durante a época das eleições. Como todo diretor criativo, Steve logo viajou na idéia e começou a incorporar cenas suas.

A próxima reunião já foi com a presença do Philippe, na sede da produtora, onde ficamos debruçados sobre livros do Winston Smith, um cara que faz colagens muito doidas, assinando todas as capas dos Dead Kennedys (procurem obras dele na internet, vale a pena!), livros de pôsters de filmes-B’s e outras preciosidades trash cultivadas pelo Steve. Percebemos que, como toda boa idéia, já havia criado vida própria e estava em plena mutação.

A gravação foi ótima, com toda a equipe do CdeC trabalhando por migalhas – obrigado gente! E o resultado foi bacana, não só em termos visuais, mas por mostrar um lado bem humorado da Plebe. E posso assegurar, estar com o Philippe, Clemente e Txotxa é uma comédia atrás da outra.

Detalhes da gravação: o Philippe assumiu o personagem militar, não tirou o uniforme depois de gravar a sua parte e ficou “dando ordens”em todos. Já o Clemente, assim que terminou sua participação, arrancou a gravata. Txotxa, no início tímido perante as câmeras, logo se soltou, mas ficou mais para Drácula do que o Severino, há há há.

Outra menção especial é para o pessoal do fã clube Planaltina que participou na rodoviária com plaquetas e animação. Mais um agradecimento especial para vocês! O Philippe foi ver e quase foi linchado por um discípulo da Heloísa que achava um absurdo esse negócio de votar em branco. Sério, o cara teve que fugir para não ficar feia a coisa.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Grind House Teaser Trailer

Tarantino e Rodriguez estão de volta - e juntos!!! Não poderia haver melhor notícia para tirar um pouco da depressão carnavalesca! Sensacional! Vejam o trailer, acima, e babem.

A Filmagem do Clipe de Até Quando Esperar (ao vivo)

Enquanto a Trégua Não Vem teve um segundo clipe, também dirigido pelo José Eduardo Belmonte. Inclusive, ele só existe por causa de uma iniciativa do José Eduardo em sugerir gravar um show da Plebe no Teatro Nacional, em Brasília, e editar as cenas sincronizadas com o áudio de Até Quando Esperar, do disco. Como um leitor já comentou, uma forma barata e eficiente de fazer um clipe. O resultado ficou bastante bom, porém não encontro cópia no You Tube para mostrar para vocês.

O interessante comentar sobre essa música é que, quando a gente começou a ensaiar para a gravação do ao vivo, queríamos fazer uma versão diferente do nosso maior hit. Brincando, chegamos à mudança das baterias, do pulsar do baixo, a inserção da viola e o som mais cru da guitarra. Somente agora, após o lançamento do R ao Contrário é que voltamos a tocar a música como foi gravada no Concreto. Qual das duas versões será que os plebeus preferem?

Um Homem Sem História = Árvore sem Raíz.

Um comentário no post sobre o clipe de Luzes me fez pensar um pouco. Muito bem escrito, porém não assinado, trata das várias histórias passadas da Plebe Rude que ando contando. Por exemplo, terminei recentemente uma série sobre detalhes das gravações dos discos e, atualmente, estou escrevendo sobre a filmagem de todos os clipes oficiais lançados para divulgar os discos. O anônimo sugeriu que deveria me concentrar no presente e no futuro, deixando de lado o passado. Em parte ele tem razão, acontece que essa é a época do ano chamada de “calmaria” entre as bandas. Espremida entre as festas de fim-de-ano e o carnaval, nada acontece a não ser festivais de verão e axé e samba.

Para piorar, esse ano choveu adoidado, forçando muitos dos poucos organizadores de shows a não quererem arriscar perder dinheiro por causa do baixo comparecimento de pessoas que não saem de casa quando cai um temporal.

Poderia, também, abrir o bico sobre os detalhes do DVD, mas o silencio, nesse caso, é estratégico. Quando sair, vai ser de supetão, surpresa total.

Além disso, gosto de contar histórias passadas. Como diz o historiador Galbraith: o estudo da história é um assunto pessoal, na qual a atividade é mais valiosa que o resultado.” E é assim que me sinto. A atividade de compartilhar os bastidores da Plebe e o feedback de vocês é muito valioso, divertido e trás satisfação. Espero que estejam de acordo.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Plebe Rude - Luzes (Video Clipe) 1999

A Filmagem do Clipe de Luzes

José Eduardo Belmonte é um talentoso diretor de Brasília. São fã pessoal de seu trabalho, desde os curtas como TP e Cinco Filmes Estrangeiros, até seus longas, do qual destaco Concepção, que tem na trilha sonora Plebe e André X. Também é o diretor com o qual mais trabalhamos.

Seu primeiro clipe para a Plebe Rude foi para Luzes. A idéia do Zé Eduardo era bastante ambiciosa. Queria, num único clipe, mostrar a banda tocando, os músicos em locais importantes para a Plebe, como a comercial do Adrenalina, o Foods, contar a estória de um garoto que era rejeitado por seus colegas por ter um estilo diferente, pois ainda ouvia vinil, dançava chutando, usava roupas alternativas, e, ainda, relatar a letra da música, que fala da primeira transa de um moleque, com todas as ansiedades e decepções. E conseguiu! O resultado final foi muito bom. Esse é considerado por muitos plebeus como o melhor vídeo da Plebe.

As gravações ao vivo ocorreram num show realizado no Paranoá, dentro de um projeto do GDF de levar música ao vivo para comunidades do DF onde ninguém tocava. Os locais “importantes” foram filmados de manhãzinha, de madrugada, para aproveitar melhor a luz. Lembro que gravei as cenas, troquei de roupa e ainda fui trabalhar! O ator que fez o personagem principal, cujo nome claro que esqueci, fez um trabalho muito bom.

Tem uma cena de um garoto - acho que o nome era Patolino - fazendo reverência para mim. Durante um tempo, em qualquer show que a gente fazia no DF, ele pulava no palco e fazia essa encenação. Fico feliz que o Zé tenha capturado isso no clipe.

A música, como vocês sabem, é da Escola de Escândalo, banda formada pelo meu irmão, Bernardo, Balé, Geraldo e Fejão. Realmente foi uma pena eles nunca terem gravado um disco, pois seriam a grande quarta banda de Brasília.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

A Filmagem do Clipe de Mais Tempo que Dinheiro

Pouca gente sabe, mas o Mais Raiva do que Medo teve um segundo clipe oficial. Por acaso, era meu vídeo favorito da Plebe até ver o de O Que Se Faz. Trata-se do clipe de Mais Tempo que Dinheiro. Vejam só a ironia, quando a gente era de gravadora grande, havia uma dificuldade de filmar vídeos. Indo para uma independente, conseguimos fazer dois em menos de seis meses.

O roteiro do clipe era muito simples: filmar a gente tocando ao vivo e sincar as imagens ao som de Mais Tempo que Dinheiro. O local escolhido não poderia ser melhor, um show na UERJ, universidade que fica ao lado do Marcanã. O público estava 110% plebeu, aqueles shows perfeitos onde existe uma sinergia entre a banda e o público. Se conseguisse capturar essa energia, essa sensação, e torná-la comercial, seria dono da melhor e mais possante droga do mundo, ficaria rico.

O pessoal que editou as imagens conseguiu capturar essa troca plebe/público com perfeição. Os moshes, a emoção, o pessoal cantando junto, a alegria dos músicos, tudo ficou perfeito. Lembro que estava usando uma camiseta do White Zombies com uma camisa social por cima. Em algum lugar, eu ainda tenho esse show inteiro em VHS. Vou descavar isso, transformar em DVD e colocar na internet.

Infelizmente, o clipe não foi muito tocado, a Natasha Records não tinha bala para bancar os jabás necessários. Não existe no You Tube. E, antes que perguntem, não, não temos uma cópia, buá!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Uma Pausa para os Comerciais.




Esse mundo materialista nos leva a comprar coisas que não queremos, não precisamos e/ou não nos servem. Nesse sentido, resistam, guardem seus trocados no “cofrinho da Colméia” que muitas coisas legais estão vindo por aí.

Para começar, um álbum de figurinhas do Rat Fink, intitulado Máquinas e Monstros. Quem já viu a capa do sensacional disco Junk Yard, do Birthday Party, sabe que os desenhos do Ed “Big Daddy” Roth só são superados pelos seus famosos hot rods. Na década de 70s, o jovem X montava modelos da Revell baseados nas figuras do Ed Roth. Eram sensacionais e me arrependo de tê-los explodidos com bombinhas (prática comum na Colina naquela época......). Com certeza será o álbum cujas figurinhas serão compradas mais por adultos do que por crianças. Quem entrar nessa, entre em contato para troca de figurinhas, pois esse é um que pretendo completar.

Outra boa notícia é que Zack Snyder confirmou que vai dirigir a adaptação para o cinema de Watchmen, clássico dos quadrinhos escrito e desenhado por Alan Moore e Dave Gibbons. Numa entrevista ao site Omelete.com (Não conhece? Corre atrás!), o diretor disse que não vai deixar os estúdios hollywoodianos interferirem no roteiro. Essa preocupação é grave, pois, recentemente, deram um banho nos roteiros de Flash e Mulher Maravilha para torná-los mais “família”.

E, também, do mesmo site, outra confirmação sensacional: vão filmar Ronin, que para mim é um dos melhores trabalhos do Frank Miller.

Ah, se somente tudo isso saísse no carnaval, seria perfeito para fugir do samba, suor e ouriço.

Uma Pausa nas Filmagens para o Arruda.

Eternos vigilantes, de olho nas ações dos outros, procurando agir localmente para impactar globalmente, estamos sempre apontando os erros e absurdos cometidos. No entanto, quando acertam, acho que deveríamos elogiar e bater palmas.

Refiro-me ao governador do DF, Arruda. Como sabem, não falamos bem dele durante as eleições ocorridas no ano passado. Temos sérias restrições contra a prevaricação, que consideramos um dos grandes males de nossos políticos. Como não tem lei contra, qualquer um pode mentir sem grandes conseqüências para suas carreiras. Nosso “pega” com o então candidato era esse.

No entanto, há pouco menos de dois meses no comando do Distrito Federal, o Arruda tem agido de forma que nos fez notar e tirar o chapéu com aprovação. Na verdade antes de iniciar o seu mandato, começou mandando bem. A postura do Arruda deveria se imitada por outros chefes dos executivos estaduais, municipais e federal. Quando ganhou as eleições, parou de agir como candidato e começou a falar como administrador. Tem muito político que, mesmo cumprindo o enésimo mandato, insiste em agir como candidato.

O Arruda age em equipe, condição necessária para qualquer gerente ter sucesso. Envolveu todos durante a transição, que não foi fácil, pois recebeu o DF totalmente arruinado financeiramente e socialmente pela dupla Roriz/Abadia. Oficialmente, o rombo que pegaram foi R$ 2 milhões, deve ser mais. Isso imobilizou todo seu espaço de manobra para implementar suas ações. Outro teria procurado um “milagre” contábil ou alguma forma jurídica de gastar mais e ignorar o buraco. Fez o contrário, assumiu a dívida e propôs maneira de diminuí-la.

Nos dois meses à frente do DF, desonerou a folha de pagamento (que é paga por nós, contribuintes), tirando não concursados, diminuindo os comissionados, revendo contratos, fazendo tudo que um administrador da iniciativa privada faria. Implodiu aquele esqueleto ao lado da Academia de Tênis. Está propondo um túnel por debaixo da esplanada, da praça dos Três (podres) Poderes, visando desafogar o trânsito. Mesmo contra a vontade do Neimeyer, que está gagá e não deve mais ser ouvido quando o assunto for urbanismo. Propôs novo esquema para os “pardais”, de tal forma a não permitir a indústria das multas, mas preservar a paz no trânsito. Mudou a sede do DF para Taguatinga. Andou conversando com o INDG, instituto que tem ajudado políticos sérios, como o de MG e SP, a governar por meio de objetivos claros, comunicação permanente, indicadores de acompanhamento e projetos viáveis.

Cumprimentamos o Governador Arruda, reconhecemos que está fazendo um bom trabalho e esperamos que continue assim, agindo com competência acima da politicagem, como gerente e não candidato permanente. Estaremos acompanhando de perto e sempre vigilantes para aplaudir os acertos e apontar os erros.

Desafios que terá pela frente: desenvolver uma indústria própria para o DF, alguma coisa que aproveite a vantagem comparativa do Distrito Federal e tire o poder econômico dos funcionários públicos; acabar com o descaso pelo bem público, pois aqui no DF qualquer um invade, constrói e sai impune, ricos e pobres, privado e governo; educar, educar, educar.

Note bem, não estamos virando a casaca, nem nos tornando cabos eleitorais do Arruda, simplesmente reconhecendo que quem está no comando do DF, pela primeira vez em décadas, começou com o pé direito.
A Filmagem do Clipe de Este Ano

Tem coisas que a gente faz na vida que, a cada lembrança, dá um nó na barriga, uma vergonha na alma e a vontade de migrar para o Iraque e virar um Taliban. O clipe de Este Ano é o meu embaraço artístico de todos os tempos. Tanto é que, ao procurar o clipe para disponibilizar, só achei essa versão do Mion zoando a gente – e olha que ele poderia ter feito bem pior!

Foi mais ou menos assim: terminamos de gravar o Mais Raiva do Que Medo por um selo independente, o Natasha Records. Claro que não havia verba para rodar um vídeo. Para terem uma idéia, até a ida para SP para divulgar o disco foi feito dentro do carro de um dos donos – e ainda tivemos que rachar o gás. A Connie, fundadora da Natasha, é muito bem relacionada. Ela conhecia um tal de Marcelo Dantas, um videomaker dono de uma produtora que fazia filmes experimentais. O cara concordou em fazer nosso clipe.

Quando fomos ter a reunião de pré-produção, ficamos impressionados com seu equipamento. Inclusive, tinha uma micro-câmera que me deu uma idéia bem legal: colocar a câmera dentro de balões e filmar a gente tocando. Só daria para ver umas imagens distorcidas. Daí, aos poucos, estouraríamos os balões e a banda entrava em foco. Daria um efeito bem bacana. Claro que o “gênio” do diretor nem considerou, queria fazer um lance sado-masoquista. O resultado é esse aí.

Claro que o clipe ia parar no Piores Clipes do Mundo da MTV, era seu destino, foi para isso que foi feito. E legal a pessoa que consegue rir de suas próprias atrapalhadas. Com o rosto rúbreo de vergonha, repasso o mico para vocês.

Vale dizer, no entanto, que a gente se divertiu muito gravando nos porões de um shopping abandonado em Copacabana. Até hoje, não sei como não pegamos tétano ou qualquer outra doença. Rolamos no esgoto, nos cortamos em arames e correntes. O Marcelo Dantas era louco, queria a coisa realista.

Outra historinha gozada: imagine a gente entregando o clipe na MTV. Fomos assistir com o pessoal e, quando terminou, ficou aquele silêncio. Arg!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Plebe Rude III - sem clipes!

Dando prosseguimento à série de clipes oficiais da Plebe Rude, passaremos para o próximo disco, o III ou sem nome. Só para deixar claro, os relatos dizem respeito somente aos clipes patrocinados pelas gravadoras e vinculadas em mais de uma emissora. Por tanto, o clipe de Minha Renda e A Ida, que foram feitas para o Fantástico não tiveram a história de suas filmagens descritas aqui. Todos os clipes que consigo achar no You Tube, posto aqui, como embasamento visual ao texto.

Voltando ao III, sinto dizer, não houve clipe oficial. Para o Fantástico, sim, o Boninho dirigiu um clipe para A Serra. Foi vinculado uma vez e pronto. Essa é a razão que estou pulando esses. Foram legais, mas é um esforço muito grande, recursos gastos para mostrar somente uma vez e arquivar. Nossa relação com a EMI estava pior que a situação EUA/Irã. Eles nem sequer cogitaram bancar um clipe, que seria, acho eu, de Valor ou Plebescito.

Quando a gravadora não tem interesse em divulgar um produto recém lançado, você saca que tem algo de errado. A gente sacou e os próximos anos foram de reinventar ou, se preferir, redescobrir a Plebe.

Semana que vem, mais histórias de nossos clipes.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A Filmagem do Clipe Nunca Fomos Tão Brasileiros

1987 e a Plebe está de disco novo, Nunca Fomos Tão Brasileiros. Apesar da primeira música de trabalho ter sido A Ida, a EMI acabou bancando o clipe de Nunca Fomos Tão Brasileiros, a faixa título do disco. Na verdade, A Ida tinha ganho um clipe meio que patético no Fantástico, mas essa série de relatos refere-se somente aos clipes oficiais, aqueles bancados pela gravadora e usados como ferramenta de divulgação em mais de uma emissora.

Infelizmente, não achei o clipe no You Tube, quebrando o paradigma que diz que “o You Tube tem tudo.” Não tem. Se alguém tiver esse clipe, por favor façam o upload para o You Tube para compartilhar com todos. E me avisem para eu postar no blog!

Assim que terminamos de gravar o disco, Philippe e eu fomos para Nova York comprar instrumentos com o adiantamento que a EMI nos concedeu em cima das expectativas de vendagem do Nunca Fomos. Um conselho para jovens músicos: nunca peguem adiantamentos polpudos, serão para sempre escravos da gravadora, eternos devedores. Voltei com três baixos (um Fender Precission, que vendi para o Negrette, um GL marrom, que vendi para o Neto do Finis Africae, e um Vox branco que dei para o nosso engenheiro de som). Além dos instrumentos, na bagagem um monte de roupas de roqueiro, inspirado na fase roqueira do Cult e do Zodiac Mindwarp and the Love Reaction, grupos que ouvia sem parar.

O clipe também é bem nessa linha. A gente no palco dando uma de roqueiro. Calças de couro, lencinhos no pescoço, fumaça, óculos escuros, botas de caubói. E a música, cá entre nós, é um hardrock de primeira, casou bem com esse visual. Que pena que não tem no You Tube para vocês darem boas risadas!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A Filmagem do Clipe de Proteção

Até Quando Esperar alavancou o Concreto, que se tornou campeão de vendas na EMI, chegando a ouro. A Plebe Rude saiu à estrada, dando shows de quinta a domingo toda semana. Foi uma época louca, da qual minha memória guarda poucos detalhes. Outro clipe foi encomendado pela gravadora e nos preparamos para gravar.

Philippe e eu compartilhamos um sonho de fazer um vídeo baseado no velho-oeste, onde seríamos caubóis matando pistoleiros malvados. Era para ser o de Proteção, mas o orçamento não permitiu. Então eu bolei outro, mais simples. A idéia era a gente tocando e, ao fundo, um pano branco. Sombras de objetos a ver com a letra da música seriam projetadas sobre o pano.

O local de gravação foi um depósito abandonado no porto do Rio. Gravamos tudo de madrugada. Deixei um bigodinho de malandro crescer especialmente para o clipe e vesti uma roupa muito doida. Nem sei o porquê desse visual. No mais, foi uma filmagem tranqüila, do qual me recordo muito pouco.

O resultado final não ficou exatamente como prevíamos. As sombras quase não davam para notar. Mas não ficou ruim. Sei que, nem amanheceu, e já estávamos na estrada novamente. Reparem os (d)efeitos especiais que o diretor usou, como dividir a tela em quadros e outro aparecer no meio. Isso era moderno na época, mas ficou datado, confesso. Outro detalhe, a arrumada de gola do Philippe, ficou hilária, he he he. Outra coisa muito boa foi a inserção das cenas da polícia atuando. O Jander de casaco de couro é outra raridade. Algum tempo depois, ele já se recusava a ter esse visual.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Filmagem do Clipe Até Quando Esperar

Ah, os anos 80s! Como éramos inocentes. Na verdade não, éramos a Plebe Rude, há há há, e tínhamos acabado de gravar nosso primeiro LP, O Concreto Já Rachou. Além do rock-Br, estava crescendo também o vídeo clipe. Toda música de trabalho ganhava uma versão visual para a televisão e para Até Quando Esperar não foi diferente. Onde gravar? A resposta foi imediata e um dos poucos consensos entre os músicos: no mesmo local onde foi tirada a foto da capa!

Sobre a capa, queria fazer um adendo para contar como foi. O Gutje vinha insistindo para a sua esposa, na época, fazer parte da banda. Queria inclusive que ela assinasse o contrato, pois assim poderia ficar no hotel bancada pela EMI. Claro que a gente recusou! Mas o cara insistia, insistia e insistia em dar alguma função para ela. Para ele parar de encher o saco, pusemos ela para coordenar a capa. Acabou não coordenando nada e ainda deu a mancada de deixar sair no encarte “Fernandinha da Blitz” ao invés de Fernanda Abreu, que fez a participação em Sexo e Karatê. Bom, quem escolheu a locação foi o Flávio Colker, fez a foto e a capa e a finalização.

Voltando ao clipe, o local era uma casarona antiga, abandonada e caindo aos pedaços em Santa Teresa, Rio de Janeiro. Tinha tudo a ver com a capa e, pelo abandono, com a música. Não vou me lembrar do nome do diretor, mas a coisa foi feita muito rápida, em uma tarde gravamos tudo. Cenas em grupo, cenas individuais, tudo. O resultado não nos surpreendeu, pois ficou igualzinho como tínhamos imaginado. Acho um excelente clipe de estréia da banda e tem uma ligação visual fortíssima com a capa.

Vale dizer que não foi nossa primeira experiência à frente das câmeras. Já tínhamos feito o curta metragem “Ascensão e Queda de Quatro Rude Plebeus” e um clipe da demo de Censura. Essa última foi feita por um pessoal de São Paulo, à época em que tocávamos pelos Napalms, Madames Satãs e Roses da vida. Lembro-me com saudades dessa época e de como éramos bem recebidos na capital paulista. Tenho que descolar uma cópia desse clipe, pois é muito bom, psicodélico, lisérgico e, claro, anos 80s.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Badger Badger Badger

Fiquei fora do ar porque descobri os Badgers! Um mantra que não sai da cabeça! Depois, vi que é uma epedimia internacional, vejam os posts abaixo. Será que a Plebe vai começar a tocar isso ao vivo? Não resista, seja você também um badger!
A garota se rende ao Badger
Badgers no Pula Pula

Depois de ver a animação, a vontadade é sair e imitar os badgers! Originalidade conta!
Badger - imitadores!

Impossível resistir, você também vai virar um fã do Badger!
Badgers - Loucura Internacional!

Como prova, outra turma que aderiu à loucura badger!

Vá ao Teatro, Mas Não me Convide!

Sábado, estou brincando com minhas filhas quando toca o telefone. Era do Correio Brasiliense e queriam que participasse de um grupo que iria debater o seguinte tema: “o porque das pessoas passarem horas numa fila para ver a peça Renato Russo.” Para quem não está a par, fizeram uma peça de teatro onde o ator Bruce Gomlevsky faz um monólogo personificando o Renato Russo. Por incrível que pareça, a peça é campeã de bilheteria do CCBB, nunca tanta gente foi ao teatro.

Muito gentilmente, respondi que eu não era a pessoa certa para participar desse debate. Primeiro, porque o cara que eu conheci era o Renato Manfredini, não o Russo. Quando o Manfredo virou o Russo, já tinha se isolado da gente socialmente. Nossos contatos no Rio foram poucos, porém sempre agradáveis. Mas ele era outra pessoa. Segundo, porque eu nunca ficaria dez minutos numa fila para ver essa peça. Sei que ela toca ao coração de uma galera sedenta pelo ídolo, pessoas com fome do passado, dificuldade de entender a constante evolução do presente e com medo do imprevisível futuro. Só que não sou uma dessas pessoas. Me inclua fora! Terceiro, porque prefiro manter minhas lembranças do amigo Renato purificadas, não contagiadas pelo mito que estão criando.

Essa peça me lembra aqueles dublês do Elvis que ficam fazendo showzinhos para jogadores em Las Vegas. Já virou até piada, ninguém leva a sério, nem os fãs do Rei. Acho que os que estão gerindo o legado do Renato Russo deveriam ter esse cuidado. Uma superexposição de um ídolo pode dar-lhe pés de barro.

Poderiam se mirar no gerenciamento que as famílias do Elvis e do Hendrix estão fazendo no exterior. Lá, dificilmente um produto é aprovado sem que passe por uma avaliação muito criteriosa do que tal e tal lançamento poderia fazer a imagem do ex- roqueiro. Tudo bem que agora vai ser lançado um refrigerante chamado “Are You Experienced”, mas, pela avaliação dos detentores dos direitos do Jimi Hendrix, é um passo válido. Só existe um remix oficial de uma canção do Elvis, todos os outros pedidos foram negados.

O recente show em homenagem ao Renato, do qual participamos, foi um exemplo de como não fazer a coisa. A Plebe, que convivia com ele, quase foi barrada, enquanto outros artistas que certamente teriam a desaprovação do Russo foram tratadas como reis. Não vou mencionar nomes, mas vocês sabem do que estou falando.

Por isso, podem ir ao teatro, fiquem na fila, relembrem o que eles querem que você relembre. Uns serão carneiros, outros lobos, eu prefiro observar tudo das alturas como uma águia, talvez do mesmo ponto-de-vista do Renato.