quarta-feira, fevereiro 21, 2007
A Filmagem do Clipe de O Que Se Faz
Só que desse dia até a entrega das cópias nas mãos do Ivan levou mais de um ano! Nesse meio tempo o Zé Eduardo terminou um outro longa, a gente lançou o CD, fizemos o clipe de Voto em Branco e, ufa, já estamos planejando o DVD. Resumindo, o cara é meio enrolado, some, se envolve em infinitos projetos paralelos e, ainda, cuida de um filho, que é superlegal.
Temos uma parcela de culpa também, pois foi difícil definir qual música que faríamos. Primeiro era Mil Gatos, depois Quanto a Você e, finalmente, O Que Se Faz. Lembro-me que o roteiro original era para ser gravado numa cidade satélite do DF, para dar um pouco de exibição para a outra face da capital federal. A gente estaria tocando numa praça, ia ter uma briga e, sendo época de seca em Brasília, ia levantar a maior poeira que encobriria tudo. O Philippe já ficou apreensivo em usar seu Mesa Boogie, pois, com certeza, a poeira iria destruir o amplificador. Depois disso, o roteiro mudou mais de dez vezes.
A idéia de gravar na Torre de TV veio do Balé, baterista dos Resistores e ex-Escola de Escândalos. José Eduardo comprou a idéia e acrescentou alguns elementos próprios. Acho bacana como uma concepção vai ganhando forma e mudando os conceitos quando começa a ser trabalhada por outras pessoas. O Philippe sempre diz que as pessoas deveria ficar livres para fazer a sua arte. Foi assim com a capa, quando jogamos a idéia básica e a Cláudia a fez; também com o clipe de Voto em Branco e o Steve E. Ponto. E foi assim com esse vídeo.
A interpretação que o José Edurardo deu à música por meio do clipe foi interessante. Ele achou que a letra falava de decepções em termos de vida e usou o cenário da torre para falar das pessoas que se jogaram lá de cima, porém de forma lúdica, sem ser apelativo. Isso combina muito com o conceito das letras novas que tratam da micro-política, aquela que somos obrigados a lidar no nosso dia-a-dia. Gostei muito.
As gravações começaram às 5 da manhã. Lá de cima, a gente via as horas finais de uma rave que estava rolando no estacionamento do Mané Garrincha. Claro que horas depois tinham uns ravers virados vendo a gente fazer os playbacks para as câmeras, há há há. Pintram também uns motoqueiros de goiânia, tipo Hells Angels, além da turistada normal de domingo. Mas quando esses começaram a chegar, a gente já estava nas últimas tomadas.
Agora que o carnaval acabou, que o Brasil retoma o seu cotidiano, o Ivan, com o clipe nas mãos, já está negociando sua divulgação. Claro que anunciaremos aqui e no site quando será.
Carnaval Terminou!
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
A Filmagem do Clipe Voto em Branco
O clipe de Voto começou numa pizzaria, onde sentei com o pessoal da produtora Cara de Cão que queria ver sobre o que se tratava. À mesa, estavam o diretor, Steve E. Ponto, e a produtora Juliana. Ao celular, acompanhando a conversa de perto, a principal sócia da CdeC, Renata. A idéia era fazer um clipe bem tosco, totalmente baseado em cima daquelas exibições no horário gratuito de políticos a cargos insignificantes – veradores, deputados estaduais, etc. – que são vinculados durante a época das eleições. Como todo diretor criativo, Steve logo viajou na idéia e começou a incorporar cenas suas.
A próxima reunião já foi com a presença do Philippe, na sede da produtora, onde ficamos debruçados sobre livros do Winston Smith, um cara que faz colagens muito doidas, assinando todas as capas dos Dead Kennedys (procurem obras dele na internet, vale a pena!), livros de pôsters de filmes-B’s e outras preciosidades trash cultivadas pelo Steve. Percebemos que, como toda boa idéia, já havia criado vida própria e estava em plena mutação.
A gravação foi ótima, com toda a equipe do CdeC trabalhando por migalhas – obrigado gente! E o resultado foi bacana, não só em termos visuais, mas por mostrar um lado bem humorado da Plebe. E posso assegurar, estar com o Philippe, Clemente e Txotxa é uma comédia atrás da outra.
Detalhes da gravação: o Philippe assumiu o personagem militar, não tirou o uniforme depois de gravar a sua parte e ficou “dando ordens”em todos. Já o Clemente, assim que terminou sua participação, arrancou a gravata. Txotxa, no início tímido perante as câmeras, logo se soltou, mas ficou mais para Drácula do que o Severino, há há há.Outra menção especial é para o pessoal do fã clube Planaltina que participou na rodoviária com plaquetas e animação. Mais um agradecimento especial para vocês! O Philippe foi ver e quase foi linchado por um discípulo da Heloísa que achava um absurdo esse negócio de votar em branco. Sério, o cara teve que fugir para não ficar feia a coisa.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Grind House Teaser Trailer
Tarantino e Rodriguez estão de volta - e juntos!!! Não poderia haver melhor notícia para tirar um pouco da depressão carnavalesca! Sensacional! Vejam o trailer, acima, e babem.
A Filmagem do Clipe de Até Quando Esperar (ao vivo)
O interessante comentar sobre essa música é que, quando a gente começou a ensaiar para a gravação do ao vivo, queríamos fazer uma versão diferente do nosso maior hit. Brincando, chegamos à mudança das baterias, do pulsar do baixo, a inserção da viola e o som mais cru da guitarra. Somente agora, após o lançamento do R ao Contrário é que voltamos a tocar a música como foi gravada no Concreto. Qual das duas versões será que os plebeus preferem?
Um Homem Sem História = Árvore sem Raíz.
Para piorar, esse ano choveu adoidado, forçando muitos dos poucos organizadores de shows a não quererem arriscar perder dinheiro por causa do baixo comparecimento de pessoas que não saem de casa quando cai um temporal.
Poderia, também, abrir o bico sobre os detalhes do DVD, mas o silencio, nesse caso, é estratégico. Quando sair, vai ser de supetão, surpresa total.
Além disso, gosto de contar histórias passadas. Como diz o historiador Galbraith: o estudo da história é um assunto pessoal, na qual a atividade é mais valiosa que o resultado.” E é assim que me sinto. A atividade de compartilhar os bastidores da Plebe e o feedback de vocês é muito valioso, divertido e trás satisfação. Espero que estejam de acordo.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
A Filmagem do Clipe de Luzes
José Eduardo Belmonte é um talentoso diretor de Brasília. São fã pessoal de seu trabalho, desde os curtas como TP e Cinco Filmes Estrangeiros, até seus longas, do qual destaco Concepção, que tem na trilha sonora Plebe e André X. Também é o diretor com o qual mais trabalhamos.
Seu primeiro clipe para a Plebe Rude foi para Luzes. A idéia do Zé Eduardo era bastante ambiciosa. Queria, num único clipe, mostrar a banda tocando, os músicos em locais importantes para a Plebe, como a comercial do Adrenalina, o Foods, contar a estória de um garoto que era rejeitado por seus colegas por ter um estilo diferente, pois ainda ouvia vinil, dançava chutando, usava roupas alternativas, e, ainda, relatar a letra da música, que fala da primeira transa de um moleque, com todas as ansiedades e decepções. E conseguiu! O resultado final foi muito bom. Esse é considerado por muitos plebeus como o melhor vídeo da Plebe.
As gravações ao vivo ocorreram num show realizado no Paranoá, dentro de um projeto do GDF de levar música ao vivo para comunidades do DF onde ninguém tocava. Os locais “importantes” foram filmados de manhãzinha, de madrugada, para aproveitar melhor a luz. Lembro que gravei as cenas, troquei de roupa e ainda fui trabalhar! O ator que fez o personagem principal, cujo nome claro que esqueci, fez um trabalho muito bom.
Tem uma cena de um garoto - acho que o nome era Patolino - fazendo reverência para mim. Durante um tempo, em qualquer show que a gente fazia no DF, ele pulava no palco e fazia essa encenação. Fico feliz que o Zé tenha capturado isso no clipe.
A música, como vocês sabem, é da Escola de Escândalo, banda formada pelo meu irmão, Bernardo, Balé, Geraldo e Fejão. Realmente foi uma pena eles nunca terem gravado um disco, pois seriam a grande quarta banda de Brasília.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
A Filmagem do Clipe de Mais Tempo que Dinheiro
O roteiro do clipe era muito simples: filmar a gente tocando ao vivo e sincar as imagens ao som de Mais Tempo que Dinheiro. O local escolhido não poderia ser melhor, um show na UERJ, universidade que fica ao lado do Marcanã. O público estava 110% plebeu, aqueles shows perfeitos onde existe uma sinergia entre a banda e o público. Se conseguisse capturar essa energia, essa sensação, e torná-la comercial, seria dono da melhor e mais possante droga do mundo, ficaria rico.
O pessoal que editou as imagens conseguiu capturar essa troca plebe/público com perfeição. Os moshes, a emoção, o pessoal cantando junto, a alegria dos músicos, tudo ficou perfeito. Lembro que estava usando uma camiseta do White Zombies com uma camisa social por cima. Em algum lugar, eu ainda tenho esse show inteiro em VHS. Vou descavar isso, transformar em DVD e colocar na internet.
Infelizmente, o clipe não foi muito tocado, a Natasha Records não tinha bala para bancar os jabás necessários. Não existe no You Tube. E, antes que perguntem, não, não temos uma cópia, buá!
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Uma Pausa para os Comerciais.


Para começar, um álbum de figurinhas do Rat Fink, intitulado Máquinas e Monstros. Quem já viu a capa do sensacional disco Junk Yard, do Birthday Party, sabe que os desenhos do Ed “Big Daddy” Roth só são superados pelos seus famosos hot rods. Na década de 70s, o jovem X montava modelos da Revell baseados nas figuras do Ed Roth. Eram sensacionais e me arrependo de tê-los explodidos com bombinhas (prática comum na Colina naquela época......). Com certeza será o álbum cujas figurinhas serão compradas mais por adultos do que por crianças. Quem entrar nessa, entre em contato para troca de figurinhas, pois esse é um que pretendo completar.
Outra boa notícia é que Zack Snyder confirmou que vai dirigir a adaptação para o cinema de Watchmen, clássico dos quadrinhos escrito e desenhado por Alan Moore e Dave Gibbons. Numa entrevista ao site Omelete.com (Não conhece? Corre atrás!), o diretor disse que não vai deixar os estúdios hollywoodianos interferirem no roteiro. Essa preocupação é grave, pois, recentemente, deram um banho nos roteiros de Flash e Mulher Maravilha para torná-los mais “família”.
E, também, do mesmo site, outra confirmação sensacional: vão filmar Ronin, que para mim é um dos melhores trabalhos do Frank Miller.
Ah, se somente tudo isso saísse no carnaval, seria perfeito para fugir do samba, suor e ouriço.
Uma Pausa nas Filmagens para o Arruda.
Refiro-me ao governador do DF, Arruda. Como sabem, não falamos bem dele durante as eleições ocorridas no ano passado. Temos sérias restrições contra a prevaricação, que consideramos um dos grandes males de nossos políticos. Como não tem lei contra, qualquer um pode mentir sem grandes conseqüências para suas carreiras. Nosso “pega” com o então candidato era esse.
No entanto, há pouco menos de dois meses no comando do Distrito Federal, o Arruda tem agido de forma que nos fez notar e tirar o chapéu com aprovação. Na verdade antes de iniciar o seu mandato, começou mandando bem. A postura do Arruda deveria se imitada por outros chefes dos executivos estaduais, municipais e federal. Quando ganhou as eleições, parou de agir como candidato e começou a falar como administrador. Tem muito político que, mesmo cumprindo o enésimo mandato, insiste em agir como candidato.
O Arruda age em equipe, condição necessária para qualquer gerente ter sucesso. Envolveu todos durante a transição, que não foi fácil, pois recebeu o DF totalmente arruinado financeiramente e socialmente pela dupla Roriz/Abadia. Oficialmente, o rombo que pegaram foi R$ 2 milhões, deve ser mais. Isso imobilizou todo seu espaço de manobra para implementar suas ações. Outro teria procurado um “milagre” contábil ou alguma forma jurídica de gastar mais e ignorar o buraco. Fez o contrário, assumiu a dívida e propôs maneira de diminuí-la.
Nos dois meses à frente do DF, desonerou a folha de pagamento (que é paga por nós, contribuintes), tirando não concursados, diminuindo os comissionados, revendo contratos, fazendo tudo que um administrador da iniciativa privada faria. Implodiu aquele esqueleto ao lado da Academia de Tênis. Está propondo um túnel por debaixo da esplanada, da praça dos Três (podres) Poderes, visando desafogar o trânsito. Mesmo contra a vontade do Neimeyer, que está gagá e não deve mais ser ouvido quando o assunto for urbanismo. Propôs novo esquema para os “pardais”, de tal forma a não permitir a indústria das multas, mas preservar a paz no trânsito. Mudou a sede do DF para Taguatinga. Andou conversando com o INDG, instituto que tem ajudado políticos sérios, como o de MG e SP, a governar por meio de objetivos claros, comunicação permanente, indicadores de acompanhamento e projetos viáveis.
Cumprimentamos o Governador Arruda, reconhecemos que está fazendo um bom trabalho e esperamos que continue assim, agindo com competência acima da politicagem, como gerente e não candidato permanente. Estaremos acompanhando de perto e sempre vigilantes para aplaudir os acertos e apontar os erros.
Desafios que terá pela frente: desenvolver uma indústria própria para o DF, alguma coisa que aproveite a vantagem comparativa do Distrito Federal e tire o poder econômico dos funcionários públicos; acabar com o descaso pelo bem público, pois aqui no DF qualquer um invade, constrói e sai impune, ricos e pobres, privado e governo; educar, educar, educar.
Note bem, não estamos virando a casaca, nem nos tornando cabos eleitorais do Arruda, simplesmente reconhecendo que quem está no comando do DF, pela primeira vez em décadas, começou com o pé direito.
Tem coisas que a gente faz na vida que, a cada lembrança, dá um nó na barriga, uma vergonha na alma e a vontade de migrar para o Iraque e virar um Taliban. O clipe de Este Ano é o meu embaraço artístico de todos os tempos. Tanto é que, ao procurar o clipe para disponibilizar, só achei essa versão do Mion zoando a gente – e olha que ele poderia ter feito bem pior!
Foi mais ou menos assim: terminamos de gravar o Mais Raiva do Que Medo por um selo independente, o Natasha Records. Claro que não havia verba para rodar um vídeo. Para terem uma idéia, até a ida para SP para divulgar o disco foi feito dentro do carro de um dos donos – e ainda tivemos que rachar o gás. A Connie, fundadora da Natasha, é muito bem relacionada. Ela conhecia um tal de Marcelo Dantas, um videomaker dono de uma produtora que fazia filmes experimentais. O cara concordou em fazer nosso clipe.
Quando fomos ter a reunião de pré-produção, ficamos impressionados com seu equipamento. Inclusive, tinha uma micro-câmera que me deu uma idéia bem legal: colocar a câmera dentro de balões e filmar a gente tocando. Só daria para ver umas imagens distorcidas. Daí, aos poucos, estouraríamos os balões e a banda entrava em foco. Daria um efeito bem bacana. Claro que o “gênio” do diretor nem considerou, queria fazer um lance sado-masoquista. O resultado é esse aí.
Claro que o clipe ia parar no Piores Clipes do Mundo da MTV, era seu destino, foi para isso que foi feito. E legal a pessoa que consegue rir de suas próprias atrapalhadas. Com o rosto rúbreo de vergonha, repasso o mico para vocês.
Vale dizer, no entanto, que a gente se divertiu muito gravando nos porões de um shopping abandonado em Copacabana. Até hoje, não sei como não pegamos tétano ou qualquer outra doença. Rolamos no esgoto, nos cortamos em arames e correntes. O Marcelo Dantas era louco, queria a coisa realista.
Outra historinha gozada: imagine a gente entregando o clipe na MTV. Fomos assistir com o pessoal e, quando terminou, ficou aquele silêncio. Arg!
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Plebe Rude III - sem clipes!
Voltando ao III, sinto dizer, não houve clipe oficial. Para o Fantástico, sim, o Boninho dirigiu um clipe para A Serra. Foi vinculado uma vez e pronto. Essa é a razão que estou pulando esses. Foram legais, mas é um esforço muito grande, recursos gastos para mostrar somente uma vez e arquivar. Nossa relação com a EMI estava pior que a situação EUA/Irã. Eles nem sequer cogitaram bancar um clipe, que seria, acho eu, de Valor ou Plebescito.
Quando a gravadora não tem interesse em divulgar um produto recém lançado, você saca que tem algo de errado. A gente sacou e os próximos anos foram de reinventar ou, se preferir, redescobrir a Plebe.
Semana que vem, mais histórias de nossos clipes.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
A Filmagem do Clipe Nunca Fomos Tão Brasileiros
Infelizmente, não achei o clipe no You Tube, quebrando o paradigma que diz que “o You Tube tem tudo.” Não tem. Se alguém tiver esse clipe, por favor façam o upload para o You Tube para compartilhar com todos. E me avisem para eu postar no blog!
Assim que terminamos de gravar o disco, Philippe e eu fomos para Nova York comprar instrumentos com o adiantamento que a EMI nos concedeu em cima das expectativas de vendagem do Nunca Fomos. Um conselho para jovens músicos: nunca peguem adiantamentos polpudos, serão para sempre escravos da gravadora, eternos devedores. Voltei com três baixos (um Fender Precission, que vendi para o Negrette, um GL marrom, que vendi para o Neto do Finis Africae, e um Vox branco que dei para o nosso engenheiro de som). Além dos instrumentos, na bagagem um monte de roupas de roqueiro, inspirado na fase roqueira do Cult e do Zodiac Mindwarp and the Love Reaction, grupos que ouvia sem parar.
O clipe também é bem nessa linha. A gente no palco dando uma de roqueiro. Calças de couro, lencinhos no pescoço, fumaça, óculos escuros, botas de caubói. E a música, cá entre nós, é um hardrock de primeira, casou bem com esse visual. Que pena que não tem no You Tube para vocês darem boas risadas!
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Até Quando Esperar alavancou o Concreto, que se tornou campeão de vendas na EMI, chegando a ouro. A Plebe Rude saiu à estrada, dando shows de quinta a domingo toda semana. Foi uma época louca, da qual minha memória guarda poucos detalhes. Outro clipe foi encomendado pela gravadora e nos preparamos para gravar.
Philippe e eu compartilhamos um sonho de fazer um vídeo baseado no velho-oeste, onde seríamos caubóis matando pistoleiros malvados. Era para ser o de Proteção, mas o orçamento não permitiu. Então eu bolei outro, mais simples. A idéia era a gente tocando e, ao fundo, um pano branco. Sombras de objetos a ver com a letra da música seriam projetadas sobre o pano.
O local de gravação foi um depósito abandonado no porto do Rio. Gravamos tudo de madrugada. Deixei um bigodinho de malandro crescer especialmente para o clipe e vesti uma roupa muito doida. Nem sei o porquê desse visual. No mais, foi uma filmagem tranqüila, do qual me recordo muito pouco.
O resultado final não ficou exatamente como prevíamos. As sombras quase não davam para notar. Mas não ficou ruim. Sei que, nem amanheceu, e já estávamos na estrada novamente. Reparem os (d)efeitos especiais que o diretor usou, como dividir a tela em quadros e outro aparecer no meio. Isso era moderno na época, mas ficou datado, confesso. Outro detalhe, a arrumada de gola do Philippe, ficou hilária, he he he. Outra coisa muito boa foi a inserção das cenas da polícia atuando. O Jander de casaco de couro é outra raridade. Algum tempo depois, ele já se recusava a ter esse visual.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Ah, os anos 80s! Como éramos inocentes. Na verdade não, éramos a Plebe Rude, há há há, e tínhamos acabado de gravar nosso primeiro LP, O Concreto Já Rachou. Além do rock-Br, estava crescendo também o vídeo clipe. Toda música de trabalho ganhava uma versão visual para a televisão e para Até Quando Esperar não foi diferente. Onde gravar? A resposta foi imediata e um dos poucos consensos entre os músicos: no mesmo local onde foi tirada a foto da capa!
Sobre a capa, queria fazer um adendo para contar como foi. O Gutje vinha insistindo para a sua esposa, na época, fazer parte da banda. Queria inclusive que ela assinasse o contrato, pois assim poderia ficar no hotel bancada pela EMI. Claro que a gente recusou! Mas o cara insistia, insistia e insistia em dar alguma função para ela. Para ele parar de encher o saco, pusemos ela para coordenar a capa. Acabou não coordenando nada e ainda deu a mancada de deixar sair no encarte “Fernandinha da Blitz” ao invés de Fernanda Abreu, que fez a participação em Sexo e Karatê. Bom, quem escolheu a locação foi o Flávio Colker, fez a foto e a capa e a finalização.
Voltando ao clipe, o local era uma casarona antiga, abandonada e caindo aos pedaços em Santa Teresa, Rio de Janeiro. Tinha tudo a ver com a capa e, pelo abandono, com a música. Não vou me lembrar do nome do diretor, mas a coisa foi feita muito rápida, em uma tarde gravamos tudo. Cenas em grupo, cenas individuais, tudo. O resultado não nos surpreendeu, pois ficou igualzinho como tínhamos imaginado. Acho um excelente clipe de estréia da banda e tem uma ligação visual fortíssima com a capa.
Vale dizer que não foi nossa primeira experiência à frente das câmeras. Já tínhamos feito o curta metragem “Ascensão e Queda de Quatro Rude Plebeus” e um clipe da demo de Censura. Essa última foi feita por um pessoal de São Paulo, à época em que tocávamos pelos Napalms, Madames Satãs e Roses da vida. Lembro-me com saudades dessa época e de como éramos bem recebidos na capital paulista. Tenho que descolar uma cópia desse clipe, pois é muito bom, psicodélico, lisérgico e, claro, anos 80s.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Vá ao Teatro, Mas Não me Convide!
Muito gentilmente, respondi que eu não era a pessoa certa para participar desse debate. Primeiro, porque o cara que eu conheci era o Renato Manfredini, não o Russo. Quando o Manfredo virou o Russo, já tinha se isolado da gente socialmente. Nossos contatos no Rio foram poucos, porém sempre agradáveis. Mas ele era outra pessoa. Segundo, porque eu nunca ficaria dez minutos numa fila para ver essa peça. Sei que ela toca ao coração de uma galera sedenta pelo ídolo, pessoas com fome do passado, dificuldade de entender a constante evolução do presente e com medo do imprevisível futuro. Só que não sou uma dessas pessoas. Me inclua fora! Terceiro, porque prefiro manter minhas lembranças do amigo Renato purificadas, não contagiadas pelo mito que estão criando.
Essa peça me lembra aqueles dublês do Elvis que ficam fazendo showzinhos para jogadores em Las Vegas. Já virou até piada, ninguém leva a sério, nem os fãs do Rei. Acho que os que estão gerindo o legado do Renato Russo deveriam ter esse cuidado. Uma superexposição de um ídolo pode dar-lhe pés de barro.
Poderiam se mirar no gerenciamento que as famílias do Elvis e do Hendrix estão fazendo no exterior. Lá, dificilmente um produto é aprovado sem que passe por uma avaliação muito criteriosa do que tal e tal lançamento poderia fazer a imagem do ex- roqueiro. Tudo bem que agora vai ser lançado um refrigerante chamado “Are You Experienced”, mas, pela avaliação dos detentores dos direitos do Jimi Hendrix, é um passo válido. Só existe um remix oficial de uma canção do Elvis, todos os outros pedidos foram negados.
O recente show em homenagem ao Renato, do qual participamos, foi um exemplo de como não fazer a coisa. A Plebe, que convivia com ele, quase foi barrada, enquanto outros artistas que certamente teriam a desaprovação do Russo foram tratadas como reis. Não vou mencionar nomes, mas vocês sabem do que estou falando.
Por isso, podem ir ao teatro, fiquem na fila, relembrem o que eles querem que você relembre. Uns serão carneiros, outros lobos, eu prefiro observar tudo das alturas como uma águia, talvez do mesmo ponto-de-vista do Renato.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
MPB assalta o Fisco!
Para vocês terem um idéia, vejam os números. Ana Carolina conseguiu R$ 700 mil para realizar uma turnê pelo Rio e por São Paulo. Caetano pediu e está só aguardando o final dos trâmites burocráticos R$ 1,3 milhões para que seu show passe por cinco cidades brasileiras. Daniela Mercury deu uma facada no fisco na quantia de R$ 814 mil para uma turnê de 12 datas. Até Carlinhos Brown, com toda consciência social que faz questão de exibir, desviou R$ 768 de dinheiro dos impostos para seu Camarote Andante.
Como? Tem a Lei Rouanet que permite que uma empresa (ou uma pessoa comum) invista dinheiro em projetos culturais e artísticos, e depois possa ressarcir esse investimento na hora de fazer sua declaração de Imposto de Renda. Ou seja: o dinheiro investido é aquele que iria para os cofres do governo federal. Indo para os cofres do governo federal, deveria ser gasto nas lacunas sociais, como educação, segurança, saúde e infra-estrutura. Como não vai, é gasto para que o Caetano voe de primeira classe, para que a Ana Carolina tenha um champanhe em seu camarim e para que o Carlinhos Brown possa comprar um figurino prateado desenhado pelo Gucci.
Tem mais, uma das pré-condições para o investimento do Estado em espetáculos culturais é o critério de democratização do acesso - os ingressos deveriam ser mais baratos. Não é o que acontece. Quanto que Caetano cobra para alguém vê-lo no palco? Não fica por menos de R$100. Sua irmã, Maria Betânia, também agraciada pelos subsídio cultural, cobrou R$ 140 em show recente. Ou seja, é claramente um caso de desapropriação de recursos público, punível em lei.
De acordo com a Wikipedia, do qual sou fã, subsídio é o fornecimento de fundos monetários a certas pessoas. Subsídios governamentais fornecidos a empresas (comércio e indústrias) possuem o intuito de abaixar o preço final dos produtos vendidos por tais companhias, para que estes produtos possam competir com os produzidos em outros países a preços menores (entre outras razões, por causa dos menores custos de mão-de-obra e de diferenças de taxas cambiais). Se pegarmos essa definição, que é aceita mundialmente, vemos o quão distorcido está o emprego dos subsídios culturais no Brasil. Nem conseguem abaixar o preço do ingresso, nem do disco, nem do DVD. Não permitem o acesso dos menos favorecidos à cultura nacional, nem fomentam a produção artística popular. Uma aberração sob qualquer ponto de vista.
Li recentemente nos jornais que artistas menos conhecidos não tem a mesma sorte. Um tocador de pífanos de 86 anos do interior da Paraíba, tenta a anos conseguir algum incentivo do governo, pela mesma lei, para gravar um CD. Nunca conseguiu um centavo! Claramente há descriminação e favorecimento no Ministério da Cultura. Imaginem a turnê que a Plebe faria com o “incentivo” de R$ 700 mil dada à Ana Carolina! Com essa grana, ela fez só cinco shows, a gente faria o Brasil todo, com ingressos muito baratos ou, até, de graça. Só um detalhe que todos estão esquecendo: ela ainda fica com o dinheiro da bilheteria! Quer dizer, turnê para esses megaestrelas da MPB é um investimento sem risco, com retorno garantido, quer tenham casa cheia ou não.
Analisando assim, vemos que os subsídios fazem exatamente o contrário de sua concepção de fomentar a cultura. Dando esse dinheiro para esses artistas já consolidados, impedem o acesso de outros artistas aos holofotes públicos. Criam uma reserva de mercado, com a qual estão muito felizes, pois são um dos poucos agraciados.
Hoje em dia criatividade musical não é um bem escasso. Analisando assim, os produtos gerados – música, shows, discos, dvds – não deveriam ser caros, pois a competitividade é acirrada e a oferta é muito maior que a procura. Não há mais motivo para existirem músicos milionários, ricos, espécie a parte dos outros humanos. Só continuam com seus status quo por causa de forças que distorcem o mercado, como jabás e subsídios desse tipo.
Portanto, no próximo show do Caê, mostre seu comprovante de contribuinte e entre de graça. Aproveite também para ir ao camarim da Ana Carolina e beba um copinho de uísque, pois afinal, você já pagou por isso. Segundo relatório da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), no primeiro semestre de 2006 as vendas de CDs caíram 6,74% em valores totais (e 52% dos discos vendidos são piratas), porquê será?
terça-feira, janeiro 30, 2007
A Gravação de R ao Contrário
Fase 1
Poucos sabem, mas o R ao Contrário quase foi gravado pela formação original da Plebe, Gutje, Jander, Philippe e André. A turnê do disco ao vivo estava já na rapa do tacho, com poucos shows acontecendo. As músicas já haviam sido escolhidas: tinham umas que vinham da época do Daybreak Gentelmen, banda do Philippe em NY, outras de idéias saídas de jams no estúdio do Philippe, em Brasília. Tudo armado, Philippe e André em Brasília, passagens compradas para o Gutje vir colocar as bases, data marcada, as gravações começariam num sábado. O plano era gravar tudo, depois o Jander viria para fazer a sua parte. Coisas de banda cujos membros moram em cidades distantes um da outra.
Gutje fura. Pega as passagens e vai andar de windsurfe em Recife ou algo inexplicável dessa natureza. Morremos numa nota, pois tinham equipamentos alugados especialmente para a gravação. Quando falamos com o Gutje, ele dá umas desculpas furadas do gênero “não tinha entendido isso”. Não tinha entendido que parte? A de que as gravações do novo disco iam começar ou de que a gente ia colocar as bases primeiro? Foi um balde de água fria, a Plebe acabou, pela segunda vez, a menos de 24 horas de começarem as gravações do primeiro disco de estúdio em mais de dez anos.
Fase 2
Chamo essa segunda fase de Philippe Seabra solo. Durante esse período, duas coisas aconteciam. Primeiro, o Philippe não ficou parado e começou a gravar as músicas como sendo seu disco solo. Dei a maior força para ele fazer isso, pois eu estava completamente decepcionado com o acontecimento da Fase 1. O Jander, que já estava com um pé atrás com o projeto, com a desistência do Gutje, também pulou fora. Sobrou o Philippe, que estava ainda com alguma força para seguir adiante. A segunda coisa é que a Plebe ainda dava shows esporádicos, pois os pedidos continuavam a chegar ao escritório do Ivan.
Abro um parágrafo para tirar o chapéu para o Ivan, que mesmo no meio desse tumulto todo, nunca perdeu a fé na banda e continuou empurrando a gente aos trancos e barrancos.
A Fase 2 termina com uma conversa entre o Philippe e eu em seu estúdio. Ele tinha me chamado para ouvir as gravações das músicas e fazer uma proposta: voltar com a Plebe. Acha que as músicas têm a cara da banda, muito mais do que Philippe Seabra solo. Penso um pouco e recuso.
Fase 3
A Alice vem passar um feriado aqui em Brasília e me leva para assistir um filme chamado Escola de Rock. Parece bobo, mais foi esse filme que reacendeu a chama roqueira dentro de mim. Saí de lá com uma vontade incontrolável de voltar a tocar, subir nos palcos, sentir a pressão do baixo sacudir meu esqueleto. Liguei imediatamente para o Philippe e voltei atrás, sim vamos seguir com a Plebe!
A Fase 3 foi marcada pelos trabalhos meus e do Philippe em cima do disco. Retocamos algumas músicas já gravadas e, principalmente, compusemos outras juntos, para marcar bem a volta com canções novas. Dessas, destaco O Que Se Faz. As gravações aconteciam aos poucos em seu estúdio no Lago Norte. Mas sabíamos que teríamos que definir a banda. Ia ser um trio, com baterista convidado, tipo na época do Mais Raiva, ou iríamos partir para um quarteto, com duo de vozes de guitarras? Optamos por essa segunda formação.
O resto vocês mais ou menos conhecem: convidamos o Clemente, que aceitou prontamente com a famosa frase/brincadeira: tem cachê, tô dentro. O Txotxa foi o escolhido por ser o melhor batera com o qual já tocamos no período sem Gutje. Outro cotadíssimo foi o Uri, que chegou a gravar várias faixas do disco, mas como não mora em Brasília, inviabilizaria ensaios regulares.
Fase 4
Com o Clemente e o Txotxa, ajustes finais são dadas ao disco. O Clemente coloca suas guitarras e vocais com uma facilidade imensa. Em duas vindas para Brasília, está tudo no lugar e bem feito. O Txotxa contribuí bastante. Destaco a recauchutada que dá à bateria de Katarina, Mil Gatos e, especialmente, R ao Contrário.
O Philippe foi o grande produtor desse disco. Não teve muito trabalho, acho, pois as gravações ocorreram de forma diluída, sendo ele o ator principal. Fez um excelente trabalho também de técnico, basta ouvir as gravações. Repito, são coisas diferentes, mas que muita vezes confundimos. O técnico é quem capta os sons, o produtor é o diretor, o que entende o conceito do disco. È a figura mais importante no estúdio. Está nas mãos dele transformar as músicas brutas em um disco coeso.
Fase 5
Fase que parecia interminável: a negociação do lançamento do disco. O Ivan foi o grande player dessa fase, que vocês acompanharam dia-a-dia nesse blog. Devido à demora, o disco foi até apelidado de “Chinese Democracy”, numa alusão ao disco do Guns n Roses que até hoje está sem lançamento. Mas saiu e estamos satisfeito. Um pequeno passo para a Plebe, um grande passo para nosso futuro.
segunda-feira, janeiro 29, 2007
A Gravação de Enquanto a Trégua Não Vem
Cena 2: No camarim de um show dos Paralamas em Brasília, o Hebert diz ao André e Philippe que está querendo produzir um disco ao vivo da Plebe e que a EMI topa.
Cena 3: Dia do show, expectativas em alta, Jander chega atrasado para o ensaio final, o primeiro da formação original da Plebe em mais de dez anos. Não vem com uma guitarra, mas sim com uma viola elétrica de dez cordas. Não há tempo para conversarmos, para quebrar o gelo. Passamos algumas músicas e vamos para o show, que é um sucesso.
Cena 4: Reunião da banda na casa do André, dias depois. Digo que não estou interessado na volta. O clima não está bom, há muitos rancores no ar, hostilidades veladas deixam o ambiente pesado. Penso no meu emprego e se vale a pena largá-lo por uma situação incerta dessas. Me convencem que dá para levar as duas coisas. Concordamos em gravar o disco pela EMI.
Cena 5: Um mês de ensaios no estúdio Floresta no Rio de Janeiro, bancado pela EMI. A gravadora quer músicas inéditas, os músicos não conseguem nivelar as expectativas, não conseguem pensar como banda. Gutje atrasa todos os dias. Philippe vai para SP com uma namorada, não volta para o ensaio. Jander não consegue um som satisfatório para sua viola. André preocupado com seu emprego. Não há líder, não há direcionamento.
Cena 6: Hebert visita a banda no estúdio. Quase desiste quando sente o clima. Chegou numa hora em que quase saíamos na porrada. Decide tomar conta da situação, dá boas sugestões, age como um verdadeiro produtor. Conversa com todos sobre tudo. Acalma os ânimos.
Cena 7: Hora da gravação. Hebert arranja amplificadores excelentes emprestados. Eu usei um Ampeg valvulado. O cuidado que tem para ajustar todos os timbres é notável no produto final. Ensaiamos no palco, ele dá recomendações finais.
Cena 8: Duas noites de shows são gravadas no Estúdio A da EMI. Nem quando o disco é ao vivo conseguimos fugir desse lugar! O público é excelente, um dos mais cativos que já tocamos. O Hebert, antes de cada show, sobe no palco, fala com o público. Direciona esse como se comportar. Até na performance do público ele se preocupa.
Curiosidade 1: Como não conseguimos compor coisas novas, gravamos Luzes do Escola de Escândalo e Medo do Cólera, duas músicas que já estavam em nossos planos há muito tempo. Ressuscitamos Voz do Brasil e, ainda, Roda Brasil, uma música rejeitada à época do Mais Raiva.
Curiosidade 2: Para a gravação de Medo, a idéia era ter uma base em loop, tipo Ministry, e a gente tocando em cima. Philippe foi à casa do produtor Chico Neves, a sugestão do Hebert, para compor o loop. Acabou não dando certo – mais por impaciência do Hebert de trabalhar com base eletrônica do que pelo resultado. O Rafael, nosso empresário e, também, do Sheik Tosado, convence a gente de usar o trio de percussão do grupo pernambucano na música. Usamos e quase que a faixa não entra no disco de tanto que erraram e atravessaram o tempo!
Cena 9: Plebe e produtor se desentendem nas mixagens. O primeiro resultado havia ficado muito ruim. Philippe e Gutje entram no estúdio e remixam o show inteiro, o disco cresce, o resultado vocês conhecem.
Cena 10: Vamos para estrada fazer os show! Tudo começa tão bem, que a gente resolve compor um disco de estúdio. Chegamos até a conceber algumas idéias que viriam a se tornar Remota Possibilidade e R ao Contrário.
Cena 11: Jander volta à estrada para trabalhar com o Nando Reis. Declara não estar interessado em rock n roll. Gutje apronta as suas. Plebe termina horas antes de gravar o novo disco.
Lição: Aprenda com o Capital Inicial. Antes de oficializarem a volta, sentaram juntos e lavaram as roupas sujas. Se xingaram, se ofenderam, fizeram terapia em grupo. Focados e com objetivos em comum, gravam novo disco e estouram. A gente se reuniu, após dez anos separados sem um ver a cara do outro, e horas depois já estávamos no palco. Dois meses depois já estávamos gravando. Três meses depois, na estrada e divulgando o disco. Um ano depois não agüentávamos mais nos ver.
Notas finais: É um excelente disco! Capturou com precisão a Plebe ao vivo, com toda a energia e força. Melhor, capturou a sinergia que a Plebe tem com seu público. Que diferença faz um bom produtor! Mesmo com as diferenças de visão e de personalidades, aquela formação da Plebe funcionava muito bem. Os problemas que ocorreram foram de outra natureza, não existindo 100% culpados ou 100% inocentes. O mais importante é que marcou que uhá, uhú, a Plebe está de volta!
sexta-feira, janeiro 26, 2007
A Gravação de Mais Raiva do Que Medo
Voltando ao tema, nos vimos de novo como sendo a Plebe, depois de três disco, vários sucessos, shows a rodo, duas brigas internas que geraram baixas, de queridinhos da gravadora a ser despedido sem nenhuma explicação. Então foi baixar a cabeça e fazer um exercício de lição aprendida. E aprendemos. Nas novas composições, o resgate das origens pós-punk e punk 77, temperadas com o que estava surgindo na cena naquela época. Lembro-me que ouvíamos muito Soundgarden, Body Count, Nirvana, Mudhoney e, pasmem, Metallica. Nada de tentar provar a destreza musical, nos focamos em compor canções fortes, que fizessem a cabeça balançar e pensar ao mesmo tempo.
Foi uma época que me lembro com muito carinho. O Philippe morava a algumas quadra da minha casa. Ia para lá a pé, ele pegava o violão, seu caderninho de idéias e a gente ficava horas compondo. Estávamos confiantes e entusiasmados com a possibilidade de gravar um novo disco, dessa vez pela independente Natasha Records, que seria distribuída pela Sony.
Fizemos tudo certinho, só entramos no estúdio com as músicas redondas e prontas. Escolhemos um produtor novato, o Paulo Junqueiro, que já havia trabalhado em outras gravações de bandas nacionais, mas nunca como produtor. O estúdio seria o famoso Nas Nuvens. Todas as cartas indicavam que seria um discasso.
Então o que houve de errado? No produto final não transparece a força das canções, o som meio pífio, o que aconteceu? Acho que o que matou a grandeza do disco foi a produção do Paulo Junqueiro. Cheguei à conclusão que técnico de som nunca dará um bom produtor – a parte técnica fala mais alto do que a artística. No caso do Paulo, nem suas habilidades técnicas foram usadas, ele simplesmente não se interessou. Acostumado com Barão Vermelho e Kid Abelha, não sabia o que fazer com aquelas músicas e deu o mesmo tratamento dado às bandinhas pop com quem havia trabalhado.
Durante o mês de gravação, não deu um pitaco sequer. Isso nos assustou, pois imaginávamos que seria igual ao Hebert, que atuou como produtor, psicólogo e amigo. O Paulo foi a antítese disso! Quando chegou a hora de gravar os vocais, fomos mostrar as letras e ele não quis ler! Disse que letra não importa!!! Foi aí que sacamos que tinha algo errado no ar.
Outro bola na trave que fizemos foi não entrosar os bateristas que fariam a gravação o suficiente antes de entrar nos estúdios. Teve músicas que eles pegaram na hora, e isso não é bom na interpretação.
Uma historinha sobre o Paulo. Tinha outra banda gravando no Nas Nuvens, cujo nome esqueci, mas era bem rock comercial, o contrário de tudo que a Plebe era. Ele tinham um pôster que penduraram na cantina. No pôster, uma mulher pelada. Coisa de adolescente mesmo. Um dia, vendo aquilo, desenhei umas imagens pornoeróticas em cima. Acho que também desenhei em cima do logo da banda. Os moleques ficaram ofendidos! Foram reclamar para o Paulo, que ao invés de me defender, mostrando a tempestade em copo de água que estavam fazendo, me fez ligar e pedir desculpas. Imagine a situação: “olha, desculpa pelas pirocas e peitos que desenhei no seu logo, enxuguem as lágrimas, nunca mais vou expor vocês a imagens tão fortes, eu prometo.” Foi ridículo.
Noutra noite, eu estava defendendo que o De Falla era melhor que o Midnight Blues Band (banda de blues do Barão/Kid Abelha) e o Paulo ficou ofendido. Como que um cara que acha que MBB é melhor que De Falla pode sequer pensar em gravar a Plebe? Desastre total.
Na mixagem, minha primeira filha, Alice, veio ao mundo. Isso foi em novembro de 1992. Gozado que cada disco da Plebe significa um marco na minha vida. Dediquei todo o esforço colocado na obra à ela.
Insisto, as músicas do MRDQM são muito fortes. Aurora, por exemplo, ganhou um gás com a interpretação do Txotxa e Clemente. Sem Deus Sem Lei, Mais Tempo Que Dinheiro, são músicas que, gravadas de outro jeito, poderiam estar entre os clássicos da Plebe. Aos poucos, quero salvar algumas em shows futuros.
Resumindo, planejamento perfeito, execução dúbia. Assim que vejo esse nosso quarto disco, do qual gosto muito. Foi importante, pois afirmou a determinação minha e do Philippe de continuar com a Plebe Rude.
quinta-feira, janeiro 25, 2007
A Gravação de Plebe Rude III
O Roberto Reis e o Armando eram nossos técnicos de palco. Fomos convencidos de que, se são bons ao vivo, fariam um trabalho legal no estúdio. Só que há uma diferença muito grande entre os dois ambientes e o que a banda mais precisava naquele momento era de um produtor com opiniões e liderança forte, não de dois técnicos de som. Na verdade três, pois o lado conservador da Plebe teve voto forte ao trabalhar pelo terceiro disco em seguida com o Renato Luiz. Deveríamos ter partido para produtores de nome, outros estúdios, outros pontos-de-vista, mas não, ficamos no mesmo caminho já trilhado nos outros discos.
A Plebe Rude é uma banda polarizada no sentido que há uma dualidade de sentimentos e emoções rolando. Mesmo caminho na produção, outra estratégia na música. Isso que sempre me deixa bolado. Estávamos partindo para um disco experimental, bastante ousado, mas fomos extremamente conservadores na sua produção. Chegamos ao estúdio, para variar, vindos de uma série de shows. Quando não estávamos tocando, cada um estava na sua, o Jander isolado em Mendes, o Gutje armando as suas, o Philippe recuperando de uma separação e eu começando a estudar à noite na Escola Superior de Propaganda e Marketing. Ou seja, mais uma vez, nada de coesão e foco no que estava sendo feito.
Não é que tínhamos desistido da Plebe, é que faltou uma pessoa para dar uns tapas na gente e falar: olha, a Plebe são vocês quatro, lavem a roupa suja, se unam, porque a vida de vocês está em jogo. Realmente, nossa visão à época era míope, para não dizer completamente cega.
O gozado é que o disco reflete uma postura coletiva de ousar. O Philippe insistia em mostrar que éramos excelentes músicos, então incluía em suas composições acordes e arranjos complicados, muitas vezes deixando de lado o simples e óbvio que sempre deram excelentes canções. O Jander fascinado pelo som da viola de Elomar e de outros músicos regionais, trouxe essa influência também para o estúdio. Gozado que os dois, sempre antagônicos, se uniram para influenciar no que viria a ser o som de nosso terceiro e último disco de estúdio pela EMI.
A única música feita em conjunto foi Plebiscito, que era um dos nomes cotados para o disco. É a mais simples do disco, baseada numa linha de baixo que trouxe, inspirada nos Comsat Angels. Só que de CA não ficou nada. Com o único riff rock n roll do disco e uma parte do meio bem energética, é a faixa que guarda alguma referência aos primeiros dois discos. As outras são obras de masturbação musical, ao meu ver. Não que sejam ruins, mas não eram o que a Plebe necessitava naquele momento. Toda bagagem punk e pós-punk foi atirada no lixo. Tanto é que hoje em dia não tocamos nenhuma faixa desse disco. Para comentários faixa a faixa, checar o site.
A gravadora sacou isso e tentou nos avisar. Não queriam lançar o disco na época prevista. Queriam nos dar mais tempo para gravar outras músicas. Queriam que a gente usasse uma letra do Cazuza. Não ouvimos, insistimos que fosse lançado. Foi. Um tiro na água. Olhando para trás, fazendo a minha culpa, acho que poderíamos ter atendido aos pedidos da EMI sem comprometer a nossa imagem. Mas éramos jovens, tão jovens....... tínhamos todo o tempo do mundo (achávamos).
E as gravações? Totalmente sem comando. O Renato Luiz, apesar de excelente técnico de som, não era um produtor, suas opiniões se limitavam ao lado técnico da gravação. Os outros dois, coadjuvantes de quinta, não participavam em nada. André, Philippe, Jander e Gutje achando que estavam ousando muito, dando um importante passo de evolução no som da banda, não percebendo os erros que estavam cometendo. Todos se achando os melhores dos músicos por estarmos compondo coisas complicadas, com sotaques regionais. Daí vem o Renato Russo, faz um disco de rock, só com três acordes, belíssimas canções que qualquer um canta junto, e vende mais de cinco vezes do que o Plebe Rude III. Lição aprendida. Faltou um líder no estúdio, faltou uma voz que falasse igualmente para os quatro.
A EMI não teve interesse nenhum em divulgar o disco. A relação gravadora/banda se deteriorou a tal ponto que, numa entrevista (que foi marcada pelo empresário da banda, não pela gravadora, como é de praxe) a gente rasgou o símbolo da EMI. Foi a gota d’água. No dia seguinte, estávamos oficialmente barrados do prédio em Botafogo. Uma maneira bem direta de dizer: estão despedidos.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
A Gravação de Nunca Fomos Tão Brasileiros
Foi assim que chegamos de novo ao estúdio A da EMI para gravar o segundo disco. A pressão era enorme, todos queriam um outro Concreto Já Rachou. Acontece que não tivemos tempo nenhum de compor músicas novas, não havia espaço na nossa agenda na estrada de ensaiarmos, de atuarmos juntos criativamente. Mas a gravadora queria o disco, então o jeito foi gravar as músicas compostas em Brasília que não entraram no Concreto. Não que elas fossem ruins, mas eram antigas e a vivência dos últimos meses da Plebe as tornaram distantes e pertencentes à outra época.
As idéias novas, três para ser exato, foram apresentadas à pressa e pouco exploradas. O Philippe trouxe A Ida, que considero a sua melhor e mais íntima letra até hoje. Música sensacional, diferente, com pegada e emoção, mas que chegou de forma bem crua ao estúdio, precisando de uma atenção grande de um produtor que não houve – mais sobre isso no final do texto. O que salvou a música e deu o grandor que ela necessitava foi a orquestração do Jaques Morelenbaum, mais uma vez participando de um disco da Plebe. É impressionante como ela evoluiu na estrada. Hoje a tocamos com mais segurança e com uma pegada melhor do que está registrado no Nunca Fomos Tão Brasileiros. Ela foi, naturalmente, escolhida como carro chefe do disco.
O Jander trouxe a pegada esquisita, porém muito Plebe, de Nada. Não tínhamos letra, então aproveitamos uma de uma música bem antiga, de quando a Plebe era só eu e o Philippe. Castanholas deram o toque mágico à canção, que, por ser de difícil assimilação, não agradou aos ouvidos cada vez mais pop dos radialistas. No entanto, virou cult entre os plebeus.
Mas cult mesmo virou Mentiras Por Enquanto. Essa foi composta pelo Philippe e eu numa noite de chuva após assistir um vídeo de Rude Boy do Clash. Fala do turbilhão de emoções que estávamos passando: uma mistura de alegria pelo sucesso, medo do futuro, saudades de Brasília, expectativa de um disco novo que não tinha músicas novas. Adoro quando essa química funciona entre a gente. Até hoje tem gente que nos shows grita: Mentiras!
Tudo certo para gravar, convocamos a mesma dupla campeã do Concreto para fazer a produção. Acontece que o Hebert não era o mesmo, não estava com o foco no disco. Muita coisa estava acontecendo em sua vida: havia levado uma chifrada da Paula Toller, descobrira o álcool, estava cotado para produzir o Gilberto Gil, os Paralamas estavam mudando o estilo – não havia espaço em sua mente perturbada para a Plebe Rude. Na verdade, e isso está claro para quem ouve o disco, não houve uma produção efetiva. Músicas fortes como Consumo e 48 saíram tímidas e insossas no vinil. A falta de produção foi tanta que o Renato exigiu que seu nome aparecesse na capa, e lá está, podem conferir, pois foi ele que conduziu todos os trabalhos, porém como técnico, não produtor.
Fico pensando que, se tivéssemos nos situado e percebido a situação, poderíamos trocar de produtor, o que seria um alívio até para o Hebert. Poderíamos ter trabalhado com outro, tipo Liminha ou Sussekind, e o resultado poderia ser outro.
Considero a capa de Nunca Fomos como uma de nossas melhores. Sua produção foi comandada pela Fernanda, mulher do Dado, junto comigo. As fotos eram de amigos de Brasília, Nicolau El-mor o principal. O quadro da capa especialmente pintado por um artista de Brasília, está hoje inapropriadamente nas mãos de nosso empresário de então, o Arnaldo Bortolom Rosa (que, se estiver lendo, por favor devolva!).
Para mim a gravação do disco foi bastante tumultuada. Como tinha trancado minha matrícula na UnB no último semestre de arquitetura, havia alcançado os dois anos limites para voltar e completar o curso, ou ser jubilado. Então dividia meu tempo entre gravar no Rio e estudar em Brasília. Gastei tudo que havia ganho na turnê do Concreto com viagens de avião. Não raro eu gravar de noite, pegar o avião de manhãzinha, assistir aula, voltar de tarde para mais uma sessão nos estúdios da EMI. Viajava para os shows com régua T e canetas nanquim e ficar trabalhando no quarto de hotel! Mais uma vez, se tivéssemos tido a clareza da situação, teríamos esperado um pouco, parado, conversado, ensaiado mais, composto outras músicas e, daí sim, entrar para gravar.
O disco foi lançado numa época muito infeliz: o maldito plano Cruzado II, quando o Sarney, mais uma vez, enganou a nação e provocou um recesso sem precedentes àquela década. As vendas de todos os artistas caíram, shows se tornaram mais raros e o disco não teve os holofotes que merecia.
Saímos dos estúdios direto para a estrada, com pouco ensaio e exaustos pelos meses que passamos dentro da EMI trabalhando no disco. Isso trouxe muitas conseqüências para a banda, que cada vez mais se polarizava.
Dito isso, preciso reconhecer que é um puta disco, favorito de muitos plebeus e que tem muitas músicas que gostaria de ressuscitar, tipo a já mencionada 48, Nunca Fomos Tão Brasileiros e Nova Era Techno.
terça-feira, janeiro 23, 2007
A Gravação do Concreto Já Rachou
A gente ainda era moleque, não tínhamos noção da importância de estarmos lá, gravando o primeiro disco. Estávamos maravilhados em estar hospedados pela gravadora num hotel em Copacabana (em frente ao Crepúsculo de Cubatão!), com tudo, menos bebidas alcoólicas, liberado. As gravações eram à noite, iniciando às 21 horas e esticando até umas três da madrugada. Seguindo essa rotina por mais de 45 dias, o corpo se acostuma e, de uma hora para outra, você está em horário japonês, só que no Brasil.
As seções eram bastante produtivas. Começamos gravando as baterias e o Gutje tirava de letra. Mais tempo era gasto procurando o som perfeito do que ele desempenhando o seu papel de baterista. Esse era o tipo de cuidado que o Hebert e o Renatinho tinham, nos detalhes. Por isso repito, são os “culpados” pelo som soberbo do disco. Os baixos vieram em seguida, também sem maiores problemas. Lembro-me que fica sozinho com o Renato na cabine de gravação, onde ficava a mesa, gravando minhas linhas, enquanto o resto do pessoal ficava dentro do estúdio jogando vôlei.
As guitarras, obviamente, receberam a maior atenção do nosso produtor Vianna. Cada noite ele apresentava uma guitarra nova para o Philippe e o Jander tocarem. Recordo de uma birra que o Philippe deu, antecipando que o Hebert ia querer que ele gravasse a parte do meio de Até Quando com uma Stratocaster, chegou ao estúdio armado para recusar. Que nada, o Hebert nem sequer cogitou essa idéia. As guitarras demandaram um tempo e carinho enorme para serem gravadas. Dá para notar no produto final.
Depois, as vozes. De novo, sem problemas, tirando o típico nervosismo do Philippe cada vez que tem que cantar no estúdio. Acho que é pela responsabilidade; o que ele cantar, será registrado para todo o sempre. Tinha vezes que todos saíamos do estúdio para deixar ele mais à vontade.
O maior problema eram as visitas. Na hora de gravar voz, a pessoa se sente muito vulnerável, precisando de uma atenção muito grande do produtor e apoio do resto da banda. A Plebe era (é até hoje) uma banda muito querida e de fácil acesso. O estúdio vivia lotado de amigos de Brasília, que viajaram especialmente para estar junto da gente nesse momento histórico, e do Rio, que incluíam membros do Black Future, Paralamas, Zero (que gravava ao lado), Kongo, entre outros.
No aniversário do Philippe, dia 4 de novembro, prepararam uma festa surpresa que quase acabou em desastre quando abriram espumante em cima da mesa. Foi uma bronca só do Hebert e, depois, a coisa ficou mais calma.
Finalmente, chegou a vez dos convidados especiais. O Hebert insistiu para o George Israel comandar o naipe de Seu Jogo. Achamos esquisito ter alguém do Kid Abelha, banda completamente antagônica à Plebe, no disco, mas ele insistiu e o resultado não comprometeu a credibilidade do Concreto. A Fernanda Abreu, ainda na Blitz, fez o backing em Sexo e Karatê, e ainda por cima arrancou suspiros da galera. Mas o grande triunfo foi o Jaques Morelenbaum no violão celo, fazendo a abertura clássica de Até Quando Esperar. Ele ainda viria a tocar com a gente nos próximos dois discos. Uma honra.
Outra coisa que me lembro foi que a gravação foi uma época de engorda. Não era para menos, no hotel tudo liberado, no estúdio, entregas de pizzas e massas toda hora, noite a dentro. Voltamos todos bem mais gordos, especialmente o Jander. Já no final das gravações, fui subir a Pedra da Gávea com uns amigos. Estava tão fora de forma, que desisti no meio. Aquilo me chateou tanto que, meses depois, mais magro, refiz o caminho, fazendo questão de ficar à frente do grupo.
Quando terminou voltamos para Brasília. Isso foi um anticlímax, pois saímos de um período onde éramos o centro das atenções, quando estávamos produzindo diariamente, para uma calmaria sem fim. Bateu uma deprêzinha em todos, que durou pouco, pois, em fevereiro saiu o Concreto. O resto é história. Um história que, infelizmente, está fora de catálogo. Acorda EMI!
segunda-feira, janeiro 22, 2007
O Lobby da Sacanagem e o Raio Azul.

Um dos fatores mais importantes na adoção de uma nova tecnologia é a formação de um padrão. Existem vários sistemas operacionais bons, mas o mundo escolheu o Windows, que se tornou o padrão, permitindo que uma série de avanços fossem conseguidos para uso mundial. Vejam a dificuldade da Inglaterra que escolheu um padrão de carros (direção no lado esquerdo) em participar do mercado automotivo. Nem sempre a melhor tecnologia é a escolhida, como no caso do padrão de vídeo. Como todos sabem, o padrão é o VHS, que ganhou a escolha em cima do Betamax.
O que poucas pessoas sabem é que um dos players mais pesados, cujas ações determinou essa escolha, foi o mercado de filmes pornôs. A Sony, fabricante do Betamax, determinou, num ato moralista e, pode-se até dizer, de censura prévia, que suas fábricas não atenderiam as produtoras de filmes adultos. Esse mercado estava louco para permitir que as pessoas assistissem seus filmes de conteúdo erótico em casa, via a entrada do videocassete pessoal como a solução de seus problemas. O objetivo, ganhar um público imenso que não se dispunha a assistir pornô em cineminhas de quinta categoria, expondo a sua imagem, correndo o risco de ser visto. Para vocês terem uma idéia do mercado, só no ano passado, nos EUA, a indústria do filme pornô movimentou 3,6 milhões de dólares.
Então, nos meados dos anos 70s, quando a Sony anunciou sua postura moralista, um certo lobby às escondidas foi feito para que a escolha fosse para a outra fita, com menos recursos, o VHS, da RCA. Não foi o único fator que pesou na escolha, mas teve uma forte influência.
Agora, mais de trinta anos depois, o mundo se vê diante de uma nova batalha para a escolha de um padrão, novamente envolvendo a Sony. De novo, é para a escolha de um veículo para filmes caseiros (entre outras utilidades). Trata-se da guerra entre a Sony, defendendo o seu Blu-ray, e a Toshiba, com o HD DVD. Em quem vocês apostam? A indústria pornô, mais uma vez, se vê obrigado a mexer seus pauzinhos (também pauzões e outros órgãos, he he he) para derrotar a Sony, que já avisou: não vai trabalhar com produtoras dos ditos cinemas adultos.
Quem será a Debbie Diamond, a Sylvia Saint, a Linda Lovelace desse novo século? Se depender da Sony, você nunca saberá! Essa é uma batalha para ser vista de perto, ainda por cima que a tecnologia dessas duas mídias tem uma definição tão alta que detalhes nunca vistos antes na telinha de sua casa vão estar gritantes. Isso também vem desafiando os maquiadores de filmes pornôs, onde as atrizes estão nuas, revelando muitas imperfeições que podem broxar o mais lunático adolescente cheio de testosterona.
Place your bets, now!
sexta-feira, janeiro 19, 2007
Tudo Acaba em Samba

O Mercosul é uma fantasia. Todos sabem disso. Não há como realizar uma integração econômica de seres tão díspares como Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela. Jogue ainda a Bolívia nesse caldeirão e deixe o carnaval rolar!
E foi isso mesmo que aconteceu. Após improvisos do Lula, bravatas do Cháves, sensacionalismo do Morales, todos caíram no samba da Vila Isabel, que ano passado recebeu dois milhões de petrodólares do presidente venezuelano para cantar o tema "Soy Loco por tí América - a Vila canta a latinidade”.
Repórteres que não são da Venezuela não puderam assistir a festa que varou a madrugada. Foram expulsos do recinto pelos seguranças do Cháves, que, para completar o trabalho, expulsaram também os funcionários do hotel e, por pouco, os outros participantes da cúpula (está nos jornais).
Enquanto isso, continuamos a mostrar nossa melhor face, a bunda da multa, nosso produto-mor de exportação.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Marvel World!
Quando me mudei para o Rio de Janeiro com a Plebe em 1986, o nosso road manager de então, Sr. Pedro Ribeiro, me introduziu ao mundo Marvel e fiquei maravilhado. Andava com uma lista das revistas que faltavam e, em cada cidade que a Plebe tocava, vasculhava as bancas de revistas usadas. Assim, consegui a coleção completa do Hulk, Homem Aranha, Marvel Especial, entre outras.
Em 1995, voltei a morar em Brasília. Na mudança, acabei doando as revistas para o Pedro, que nunca foi pegar, e elas desapareceram! Sniff, sniff.
Foi mais ou menos nessa época que começaram a fazer as versões para cinema dos personagens Marvel. Alguns funcionaram nas telas, outros não. A série X-men ficou bem legal, bastante fiel aos quadrinhos. Homen-Aranha também, tirando alguns detalhes importantes, como a morte da Gwen Stacy que não foi registrada no filme. Hulk ficou horrível, nada a ver com a polaridade do personagem original. Demolidor teve sua história destruída, muito mal interpretado pelo atorzinho escolhido.
Um dos piores foi a adaptação do Quarteto Fantástico. Que filme ruim, não captaram nada dos personagens das revistinhas. O Dr. Fantástico era para ser mais acadêmico, mais experiente, mais velho, mais sério. A Mulher Invisível, mais madura. Péssimo mesmo.
Hoje, tive a grata surpresa que chegará às telas novo filme do Quarteto, dessa vez retratando a história do Surfista Prateado. Esse personagem é querido por todos os marvelmaníacos, é melhor não gagarem em cima! Já achei ruim serem os mesmos atores do primeiro filme, mas acho que isso é necessário para manter uma cronologia hollywoodiana. O trailer promete, mas não vou aos cinemas esperando muito. Infelizmente.
Outras adaptações que chegarão aos cinemas são:
• Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider) – um personagem favorito meu, mas que na pele do Nicolas Cage pode ser um desastre.
• Homem-Aranha 3 – dessa vez com o Venom! Tenho fé que seja legal.
• Hulk 2 – não vou ver nem o trailer!
• Homem de Ferro – para 2008, esse tem que ficar bom, o personagem é ótimo.
• Wolverine – também para 2008, se seguir a linha X-men pode ser bom.
Quem eu gostaria que recebesse um filme decente:
• Pantera Negra – um desafio para qualquer diretor.
• Luke Cage – o herói de aluguel, num filme bem violento.
• Dr. Estranho – num filme bem maluco, psicodélico.
PSOL e Chaves, me perdoem!
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Até hoje eu encontro pessoas na rua, no trabalho, no supermercado que me olham e dizem: “te vi no Jô Soares”. Pela primeira vez, hoje, um me falou: “jogue, mas fale!” A princípio, não tinha idéia do que ele estava falando. Percebendo a minha cara de confuso, esclareceu: me viu naquele programa da Play TV.
Quero voltar aos palcos! O Txotxa já está totalmente recuperado, o Clemente vive mandando e-mail perguntando quando será o próximo, o Philippe já está entediado de ficar em Brasília. No entanto, propostas de shows vêm e não são finalizados, outros são, mas depois são adiados. Isso me deixa muito ansioso!
Tem coisas rolando nos bastidores que virão à luz no futuro próximo. Dizem respeito ao DVD da Plebe, para o qual o Ivan está dedicando o seu tempo. Buda já dizia: quem não deseja, não se decepciona. André X diz: a vida é dura para quem é mole! O jeito é ir atrás e colher no futuro. Eu desejo e quero e a Plebe vai chegar lá! Com a ajuda de vocês, claro.
terça-feira, janeiro 16, 2007
Quem Não Gosta de Samba.......
Ao contrário de nossos latifúndios, não existe monocultura brasileira. Uma das coisa que mais me orgulha nesse país é a diversidade cultural. Do gaúcho ao índio, da timbalada ao paratins, tem para tudo e para todos. Daí vem a Globo e tenta me convencer que de norte a sul todos curtem o carnaval feito no Rio! Quanta pretensão!
Posso até entender os motivos da emissora. Ela está localizada no Rio e o carnaval gera receitas importantíssimas para o Estado. Atrai turistas e gastam muito, movimentando a economia. Até já fui ver o desfile, no camarote do Darcy Ribeiro, durante o governo Brizola. É legal, mas lá pela oitava escola estava de saco cheio, e não justifica eleger essa manifestação cultural popular como sendo a representativa de nosso país.
Infelizmente, o povo compra essa idéia e, aos poucos, abandona as manifestações locais, tentando assimilar o que a TV mostra como sendo o “melhor carnaval do mundo”. Já me estranha Curitiba ter um desfile de escolas, imagine Blumenau, Manaus e Porto Velho! Reclamam do americanismo, mas o carioquismo está matando a cultura local muito mais rápido. Suas armas: as novelas, as propagandas subliminares exibidas nos intervalos da programação, entre outras.
Samba, suor e ouriço? Tô fora! Me desculpe Dorival, mas não sou bom sujeito, sou ruim da cabeça e doente do pé!
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Mesmo sendo sexta, fiquem longe do sertanejo, ha ha ha, especialmente os MIGOS (o A já se foi). Dia de acalmar os ânimos, pô, 2007 só está começando e tem gente aí perdendo a cabeça a toa. Para descontrair, uns vídeos legais.
Já que todos sairemos para comemorar e tomar umas, cuidado para não ficar como o carinha aí no vídeo.
Calma! Essa só é a segunda semana de 2007!
Ou seja, a Plebe está seguindo o padrão do momento. Na verdade, teríamos mais shows, não fosse a operação do Txotxa. Em breve, esperem ver mais datas na agenda do site.
Outra: muitas articulações se fechando para o DVD. Esse é o projeto para 2007, aguardem mais notícias.
Para quem está com saudades de votar: www.comandorock.net, onde a Plebe está concorrendo a prêmios da Comando Rock.
No mais, um bom fim-de-semana para todos e, espero, que a próxima semana comece com cabeças mais frias e solidárias.
Abraço!
quinta-feira, janeiro 11, 2007
2008: o Começo do Fim.
Os urbanistas dizem que está na hora da gente se preocupar. Mesmo tomando conta de menos de um por cento do planeta, as cidades são as maiores responsáveis pela poluição, pelo efeito estufa, consomem quase a totalidade da energia disponível e são nelas que acontecem a maioria dos crimes e desigualdade social.
O padrão de vida adotado pela maioria dos homens e mulheres nesse século XXI não aponta para nenhuma redução dos males apontados acima. Mais e mais pessoas preferem o transporte individual (carro) do que o coletivo. Transportes alternativos, como a bicicleta, são ignorados pelos nossos planejadores nos governos estaduais, municipais e federais. O caminhão – máquina retrógoda, poluidora e pouco eficiente – ainda é mais usado que ferrovias e hidrovias. Queremos acumular bens materiais, tendo muito mais do que precisamos efetivamente. E ainda assim não somos felizes.
O Brasil tem tudo para inverter essa situação. Assim como a China será a fornecedora intelectual, a Índia o armazém da mão-de-obra especializada, o Brasil tem toda condição de ser o celeiro da humanidade. Todos os estudiosos, dos mais variados campos acadêmicos apontam nessa direção. Isso seria ótimo para nós, pois desmobilizaria a ocupação urbana, esvaziando favelas, distribuindo geograficamente a população. Geraria empregos e riquezas.
Só não vê quem não quer. Aparentemente nossos tecnopolitcocratas de plantão não querem. Ou não são capazes. Se não assumirmos nossa condição de líder no agronegócio mundial, outros o farão. Temos que aproveitar a nossa vantagem comparativa, para não sermos permanentemente um “país de futuro”. Um futuro que nunca chega, pois essa frase é da época do meu avô.
Sei que é difícil. Temos que melhorar nosso poder de escoar a produção, nossa eficiência agrícola, nossa capacidade sociológica de incentivar o trabalhador rural, nossa educação. Mas vale a pena o esforço.
2008 vem aí. Comece a se preocupar. O planeta vai começar a entrar em colapso.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Quando a Voz do Povo se Manifesta.
Voltou tarde, pois já mostrou para o mundo o quão atrasados somos em garantir os direitos básicos de acesso a informação e livre pensar. Se um advogadozinho qualquer que passou num concurso tendencioso para virar juiz pode proibir o acesso a um site, o que será quando o governo resolver fazer uma triagem no que você pode ou não pode ver? Daí vem o Chaves e, na contramão da história, quer nacionalizar tudo. Vem o Morales e rouba os investimentos externos. Que mensagem é essa que a América - latina quer passar? Contratos não valem nada? Os nossos direitos estão à mercê de caudilhos? Nosso judiciário é para inglês ver? Ou seremos a eterna piada dos países em desenvolvimento, como mostram as manchetes nos principais jornais?
Hoje você fica sem seu clipe. Amanhã, sem seu jornal. Depois, sem sua TV.
Fiquei feliz com as manifestações contra a proibição do juizinho. Fiquei mais feliz ainda com o abaixo-assinado da Ceilândia, cidade-satélite do DF, contra a indicação do governador Arruda de Benício Tavares para ser o próximo administrador do local. Para quem não se lembra, esse sujeito esteve a bordo de um barco no Amazonas que afundou. Quando foram ver, todas as vítimas eram meninas menores de idade que estavam lá, suspeita-se, se prostituindo. Mesmo estando preso à uma cadeira de rodas, o Deputado Distrital conseguiu sair. Ou seja, os clientes que praticam exploração sexual de menores têm preferência, as meninas pobres morrem. Sujou a imagem dele, mas nada foi provado, nada foi feito. Até agora, quando a população ceilandense, indignada, recusou-o como administrador. Os protestos partiram principalmente das mulheres da cidade-satélite. Ele cedeu e não vai assumir.
Ainda há esperança. E ela vem da voz do povo!
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Txotxa Recebe Alta!
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Retrospectiva 2006
Melhores Discos
My Robot Friend – Dial 0
Lotterboys – Animalia
NewYoung Pony Club – Ice Cream
Strokes - First Impression of Earth
TV on the Radio – Return to Cookie Mountain
Franz Ferdinand – You Could Have it so Much Better
Melhores Filmes/DVDs
PJ Harvey – Please Leave Quietly
007 – Cassino Royale
Little Miss Sunshine
Simpsons – 8ª Temporada Completa
Wire – On the Box
Melhores Shows
Sesc Pompéia na Sexta
Sesc Pompéia no Sábado
Fnac/ Brasília
Curitiba
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Quem quer música?
O que acho legal nisso é o fato de estarem dando um by-pass na gravadora. Estão entrando para o que o Thomas Friedman chama de “achatamento” que nada mas é que a colaboração direta entre pessoas, entre empresas e, nesse caso, entre artistas e fãs. Sem intermediários. Sem taxas embutidas de comercialização. Sem gordura. Direto de quem fez para quem quer ouvir.
Imagine se essa onda pega, vamos viver uma fase revolucionária nos relacionamentos musicais. As bandas vão ser responsáveis pelo seu futuro, várias inundarão a internet, mas só as melhores sobreviverão. Sem jabá, sem manipulação da mídia. Sendo o que importa mesmo para o artista é o show, que a música seja de graça!
Estou tentando convencer meus companheiros a fazer algo semelhante, tipo gravar uma música inédita e disponibilizar para quem quiser baixar no nosso site. Algo como um presente de começo de ano. Se não me engano o pessoal da Monstro Discos fez algo semelhante. Tomara que mais artistas sigam esse caminho. O mundo está aí para a gente fazer o que quiser, a tecnologia permite tudo. Estão esperando o quê?
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Phil Lynott tinha um pé no Brasil, pois o pai (ou mãe) era nordestina. Olhe bem a cara dele, poderia ser o porteiro do seu prédio, he he he. Gente fina, gravou baixo no primeiro disco solo do Johnny Thunders. Forçando bem a barra, acho que meu gosto pelo dark veio do Lizzy.
terça-feira, janeiro 02, 2007
Este Ano.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
(2) 007. Que venha!

Será esse o último post do ano? As possibilidades disso são imensas, pois a partir de amanhã o mundo entra num estado de pausa, mas vou tentar ao máximo colocar algumas linhas do computador de casa.
Primeiro gostaria de agradecer muito as manifestações da apreço dos freqüentadores desse blog. Valeu e tudo em dobro para vocês. Segundo, avisar que o que foi feito até agora pela Plebe foi um esforço grande de divulgar o disco. Sabemos que é um disco independente, que não contamos com suporte financeiro nenhum. Mesmo assim, aparecemos feito banda grande. Dois clipes produzidos, Jô Soares, todas as revistas importantes, jornais, rádios, sites. Tem banda de gravadora que não atinge esse espectro tão abrangente. Em 2007 queremos colher os frutos, com muito shows (assim que o Txotxa melhorar) e, a meta principal, gravar um DVD. Não preciso nem dizer que sem a ajuda de vocês não seria nada possível. Isso é chover no molhado, mas é a mais pura verdade.
Terceiro, me pediram para falar um pouco dos shows na Bahia nos anos 80s. Vou só fazer um pequeno comentário: foi o público mais punk (no bom sentido) que pegamos. Rolou até chuva de cuspe (eca!)! Imagine ser punk na Bahia, cercado de axé por todos os lados. Automaticamente, você vai para a outra ponta do espectro, fica radical. É assim que me lembro dos punks bahianos.
Quarto, sobre Noronha, entro em detalhes mais tarde. Mas em Recife vi um cartaz anunciando um show de natal hardcore. Ainda há futuro para a humanidade.
Que venha 2007, que seja frutífero para todos e que a terra seja salva. Depende só de nós.
quinta-feira, dezembro 28, 2006
O Retorno.
Indo para o trabalho hoje tive um flashback da minha adolescência. Todos os postes estavam enfaixados de verde e amarelo, igual na época do Médici. Chequei a data do relógio, não, não estamos em sete de setembro. Ah, mas vem posse presidencial, é isso! Em cima de cada enfeite uma bandeira brasileira onde está escrito o slogan do segundo mandato lulista: “Acelerar! Crescer! Incluir!” Então obedeci, enfiei o pé no acelerador, o velho Senic ganhando velocidade até cruzar por outra placa: “reduza a velocidade.”
Pô, é para acelerar ou não? O carinha dentro do Chevete tubarão do meu lado não teve dúvida, acelerou, cresceu a velocidade, passou pelo PM e foi incluído na lista dos que vão perder a carteira.
O ano termina com o Txotxa se recuperando de uma operação. Está em casa assistindo replays do vale-tudo, sua paixão, enquanto os pontos cicatrizam. Parece que vai ficar inoperacional até meados de janeiro, significando que a Plebe ficará parada também. No entanto, acho que o Ivan está fechando umas datas no nordeste. Uma mini-turnê que passará, entre outros lugares, por Aracajú. Aguardem por mais notícias.
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Xuxa Acredita em Clementes!
De Costas para a População.
Saiu hoje uma pesquisa da WWF, uma das ONGs mais atuantes mundialmente para preservação do meio-ambiente. A pesquisa, feita pelo Ibope, demonstra que a maioria dos brasileiros não acha que a preservação do meio-ambiente seja entrave para o crescimento econômico, contrariando o que o governo vem divulgando. Ou seja, o povo, que deveria estar sendo representado por aqueles que foram eleitos acha uma coisa, os que estão no poder acham outra. Pior, os governantes agem de acordo com a pressão dos grandes grupos de interesse, não de acordo com o que os elegeram. Uma distorção completa do que chamam de democracia.
Cito a pesquisa para demonstrar como as instituições políticas desse país estão longe do povo, distante dos interesses da nação. A mesma pesquisa indicou que para 62% da população o que impede o crescimento é a corrupção, não os entraves ambientais. Somente 7% citaram esse motivo. Não deveria o governo ouvir mais seus súditos e agir conforme a demanda popular? Não no Brasil, onde a voz dos lobistas corporativos falam mais alto.
Mais um exemplo para ilustrar: ouvi na CBN que o STF derrubou uma liminar que exigia para a transposição do Rio São Francisco um estudo de impacto ambiental. Então, se para mexer no leito de um dos rios mais importantes do país não precisa de estudo de impacto ambiental, nada precisa. Que festejem os lobistas!
E tem mais, não duvido nada que os parasitas sanguessugas que se dizem nossos representantes consigam receber o aumento que quiserem, mesmo com voto aberto. Até as eleições ninguém se lembrará de nada! Ao invés de mover para frente, aceitar um reajuste mais baixo e começar a tratar dos assuntos importantes para a Nação, os congressistas agora estão preocupados formulando uma vingançinha contra os magistrados. É para isso que ganham, agir como crianças. Cadê as tortas, os tomates e os ovos? Cadê as vidraças quebradas, os carros virados, barricadas de pneus pegando fogo? Sonhe, André, sonhe!
terça-feira, dezembro 19, 2006
Jô Soares Confirmado
Atenção Videospotters!
Acho que maiores esclarecimentos serão dados pelo próprio Clemente no Ya Dog de hoje.
Ah, sim, e parece que o Jô vai ao ar hoje!
Repito, fiquem espertos.
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Plebe na TV
E amanhã, a Plebe só com o Clemente, na MTV no Ya Dog.
Quem ver, por favor postar as impressões aqui.
domingo, dezembro 17, 2006
Semana Cheia!
Se até o dia 30 você já quebrou seu aparelho por não aguentar mais a programação, tudo bem, ligue o rádio e ouça a nossa entrevista na CBN no Sala de Música.
Mesmo Plebe horário, mesmo plebe canal.

