quinta-feira, abril 14, 2005

NOTÍCIAS DO FRONT - 12 DE ABRIL 2005

Minha participação no disco está quase no fim - todos os baixos já estão gravados. Ontem, matamos os baixos da parte final de Suficiente por Um Dia e a segunda parte de Voto em Branco. Agora, só volto para o estúdio para gravar a voz de Voto em Branco. Estamos muito perto, muito perto mesmo do fim. Agora sei como o Stalin se sentiu quando a vitória sobre o exército de Hitler era iminente.

quarta-feira, abril 13, 2005

AFRO-LULA

Lula, não tendo mais nada a fazer em Brasília, cansado de ficar inaugurando marcos pelo país, comprou um avião novo e, para não ser acusado de não usá-lo, viaja pelo mundo a qualquer pretexto. Agora mesmo, está na África, visitando ditadores, déspotas e líderes de valores morais questionáveis. Ao ser acusado de viajar muito, o nosso presidente se defende: “negociar olho-no-olho vale mais do que 500 e-mails”. Ele deveria avisar isso aos grandes administradores que cada vez mais fecham negócios pela internet, economizando dinheiro e acelerando o processo. Mas afinal, o quê mesmo que ele foi negociar lá? Hoje é sabido que quanto mais um país se envolve em comércio com os outros, mais ele progride. Essas republiquetas que o Lula está visitando representam traço na nossa balança comercial. Seria melhor ele visitar uma França, Rússia ou China, olhar no olho e derrubar barreiras comerciais que tragam vantagens reais para o Brasil. Eu, pessoalmente, acho que ele ficou uma gracinha vestido à caráter naquela festa africana. Consigo imaginar os anfitriões se trancando no banheiro, batendo nas costas uns dos outros e gargalhando sem parar: “conseguimos colocar aquela roupa ridícula no Presidente do Brasil, há há há há há há há há há!” E a gente aqui chora com o desperdício de dinheiro público: buá buá buá!

terça-feira, abril 12, 2005

O SONO DOS JUSTOS

Como é fácil quebrar o espírito do ser humano, pensa Alexandre enquanto espera a sua vez na fila do check-in no aeroporto para voltar para casa. Agora ele entende a utilização da técnica de interrogação que consiste em deixar o interrogado acordado durante dias. Sem sono, o homem perde a noção, o contato com a realidade. Os seus bloqueios viram pó, sua esperança morre. Alexandre chega a essa conclusão como um conhecedor da causa, fazem três noites e três dias que não prega os olhos. Primeiro foi o nascimento de seu primeiro filho. Vinte e quatro horas viradas acompanhando o parto, ajudando a esposa a amamentar, caçando médicos e enfermeiras pelo hospital, agüentando choro, trocando fraldas e cuidando da recém-tornada mãe. Depois foi o show da Plebe Rude, onde trabalha como técnico de som.

Nem teve tempo de se banhar e trocar de roupa. Quando encontrou o resto da equipe no aeroporto para partir em direção à Florianópolis, todos estranharam seu jeito de vagabundo: barba por fazer, cabelo comprido todo despenteado, olheiras que os óculos escuros não conseguem esconder e um cheirinho característico de suor azedo. O Philippe não vai gostar, avisou o roadie Felipão. Todos sabem que o Philippe é muito chato com a aparência do pessoal que trabalha com a Plebe. Ele vai ter que entender, responde o Alexandre, sem maiores explicações. Na verdade, o guitarrista não notou nada, pois viajou nas poltronas da frente e o técnico de som nas últimas.

Durante o vôo, também não conseguiu dormir. O gordo do seu lado era muito espaçoso, e a velhinha não parava de falar. Sem contar que a sua poltrona não reclinava e os seus joelhos ficavam espremidos contra a mesinha. Foi um inferno. Pior a chegada na capital catarinense: direto do aeroporto para a passagem de som, onde, claro, deu tudo errado e ele teve que arrumar os cabos até a hora do show, que terminou somente às seis da manhã, hora de voltar para o aeroporto, onde se encontra agora.

Os olhos do Alexandre ardem, parece que suas lágrimas são ácido sulfúrico. Sua língua jaz morta no fundo da boca, quando tenta falar, ela nem se mexe, pediu arrego há muito tempo. Ele agüenta pacientemente na fila, junto com o resto da equipe. Quando chegam no balcão, a moça avisa que o excesso de bagagem vai custar trezentos reais. Alexandre, como costuma fazer nessas horas, tenta argumentar com ela, talvez para reduzir o custo ou deixar passar. Ela não só não entende uma palavra do que ele diz, como acha sua aparência muito esquisita, por não falar suspeita. Mantém um sorriso forçado no rosto enquanto aperta o botãozinho vermelho debaixo de sua mesa.

Temos um código 22, avisa o chefe dos seguranças do aeroporto, e sai correndo, acompanhado por outros quatro colegas, nenhum pesando menos do que cem quilos, trajados em seus ternos pretos, a-lá matrix. Em suas mãos, um bastão anti-motim com descarga elétrica de vários volts. Não foi difícil identificarem o arruaceiro. Só pode ser aquele hippy drogado lá no balcão da Gol, aponta o segurança. O primeiro choque consegue acordar a língua do Alexandre que solta um grito de agonia. O segundo o faz cair no chão. O pior foram as porradas dos cassetetes, doem em dobro, primeiro com a pancada, segundo com a voltagem descarregada no seu corpo. Sem conseguir reagir mais, o arrastam para uma cabine a prova de som.

Olha só o que ele tem na mochila, grita um dos seguranças. Alexandre, como faz em todo final de show, coloca tudo que sobra no camarim na sua mochila para distribuir entre a equipe da Plebe. Dessa vez, os músicos não consumiram quase nada e ele embolsou três Johnny Walkers Red, duas Smirnoffs e algumas latas de Inferno. É um bebum, todos concluem. Foi direto do aeroporto para a cela da delegacia.

Ivan já sabia que o Philippe ia reclamar. Não gosto de drogados na equipe, ainda mais esses que fazem confusão, avisa o guitarrista. Fica relaxado, sugere o empresário, vou me livrar dele. Alexandre não está nem aí, dorme que nem um anjo no colchão surrado de sua cela.

COMO FOI A RAVE E NOTÍCIAS DO FRONT

Foi uma massa negra, e foi massa! Até a vodca era negra! Mordo a língua e abaixo a cabeça em respeito e admiração, a 7ª Thorns Rave Gótica foi muito bem organizada, freqüentada e executada. No Clube dos Bancários, um imenso resort sindical em São Bernado, SP, se reuniram mais de cinco mil jovens (e mais tantos velhos) vestidos de vampiros, gárgulas, noivas, coveiros e outras variações do tema. Divertiram-se muito e nós também. O show foi impecável, rolando até um triz, cover do I Fought the Law, do Clash. E o público ainda queria mais.

Depois do show, acompanhado pela Fernanda, namorada do Philippe, e o Txotxa, super batera, dei uma rolé pelo lugar. Demos muita risada com a dança do ventre para uma platéia de darks que a gente tinha certeza que ia se levantar, sacrificar a moça e beber o seu sangue. Coisa que não aconteceu. O show do Das Ich me agradou muito também, me remetendo a um passado no qual ouvia muito EBM e coisas do gênero. Pena que não tirei fotos, o povo estava bem à caráter, tornando o clima perfeito para a ressurreição do Bela Lugosi.

Boas notícias do front, também. O Clemente esteve em Brasília e terminou a sua participação n o disco. Gravou todas as vozes e guitarras. Pessoal, estamos muito próximo do fim. Faltam detalhes, somente detalhes. Espero que a próxima vez que postar novas sobre a gravação seja para anunciar a sua finalização.

terça-feira, abril 05, 2005

OLHO VIVO!

Fim de carnaval, época maldita, na qual a mídia vem de rodão obrigando-nos a nos divertir, mesmo que não gostemos de samba, axé, calor, ginga e alegria popular. Querendo me juntar aos meus semelhantes, fui tentar a sorte em Salvador, afinal, lá não tem samba. Maldições, deveria ter ficado em Brasília. O pior foi o que se seguiu, quarta-feira de cinzas não havia mais passagens de ônibus para voltar ao DF. O rapaz da rodoviária colocou as alternativas na mesa: “Meu rei, fica aqui, onde o carnaval ainda vai durar mais duas semanas, ou vá de cidadezinha em cidadezinha até Brasília. Agora mesmo, tem um ônibus saindo para São Judas do Concal Doce. De lá você pega outro até Deodato e assim por diante, até ter um direto para sua casa.”

“Mais duas semanas de carnaval?!?! Prefiro tentar a sorte na estrada, me vê uma passagem para esse tal de São Judas.”

Depois de seis horas saracoteando dentro de uma sauna sobre rodas que chamam de ônibus, junto com trinta outras pessoas, duas galinhas e um porco, parando de cidadezinha em cidadezinha, chegamos na parada final, São Judas do Concal Doce, o fim do mundo, na minha opinião. Uma estrada de terra com casas de barro em ambos os lados, uma igreja, uma delegacia, um colégio, uma rodoviária, em fim, um de cada coisa que uma vila deveria ter. Acho que nem Clint Eastwood se sentiria em casa num lugar inóspito desses.

Assim que saí do ônibus, fui correndo para o guichê – o único, claro – para comprar passagem para Deodato. “Meu rei, você acabou de perder a condução, hoje só depois de amanhã.” Desolado, fui me sentar nas cadeiras de madeira que ficavam sob o teto de zinco que chamavam de rodoviária para decidir o quê fazer. Ficar aqui? Ir para outra cidade? Voltar para Salvador? Estava entorpecido pelo calor, olhar distante, ouvindo as moscas zumbirem sobre a cabeça. De repente uma mão gelada toca o meu rosto. Levo um baita susto. Focalizo a visão e tem um homem parado, seu pélvis a centímetros do meu nariz. Sua mão suada ainda pousada na minha bochecha.

“Filho da puta!”, grito, e empurro o cara, que cai sentado no chão e rola descontroladamente para os lados.

O movimento da rodoviária cessa. Todos olham para a cena: eu de pé, o cara no chão, agonizando. “Ele empurrou o ceguinho!”, alguém grita. Logo, aparecem uns dois negões para ajudar o sujeito a se levantar. Não deu nem tempo para pedir desculpas, de explicar que não tinha idéia que era um cego. Levei um soco na barriga que me jogou sentado. “Quero ver bancar o valente com alguém do seu tamanho!”, diz o agressor, se afastando.

Sinto os olhos de todos sobre mim, me fuzilando, me condenando por ter agredido o cego. Retiro-me devagar, olhando para o chão, tentando não cruzar olhares com ninguém. Vou até o bar do outro lado da rua e peço um café. O cara atrás do balcão põe o copo cheio na minha frente e, quando vou pegá-lo, cospe dentro e me xinga: “babaca!”. Sinto que também não sou bem vindo no bar. Assim que saio na rua, um grupo está me esperando. “Vamos descontar nele o que fez com o ceguinho!”, comando um garoto fedelho, e todos obedecem. Derrubam-me, levo chutes, cascudos e escarradas. Quando cansam de me agredir, me arrasto até a calçada e fico lambendo as feridas.

Só percebo que tem alguém no meu lado quando levanto a cabeça. Com os dentes cerrados, esperando ser agredido novamente, resmungo: “Cara, sei que errei, mas eu não sabia..”

“Fica frio. Adorei o que você fez. Toma um gole.” O sujeito coloca um copo de água na minha mão. Bebo gulosamente, mas sem entender nada. Quando o encaro, noto que é caolho. O olho bom me observa com ternura; o ruim, todo opaco e negro, fita o nada.

“Já ouviu o ditado em terra de cego, quem tem olho é rei? Tudo papo furado! Eu tenho um olho, mas quem ganha todas as esmolas é o cego! Todos ficam com pena dele e o cara leva dez vezes mais grana para casa todas as noites do que eu.”

“Sinto muito,” respondo.

“Pois é, pra mim não dá mais, vou me mandar. Meu cunhado vai me levar para Deodoro, lá não tem cego nenhum e vou poder pedir esmola sem competição. Quer uma carona?”

Digo que sim, animado. Dentro de minutos uma Rural caindo aos pedaços estaciona na nossa frente, nos levantamos. O caolho senta na frente e eu, sendo o caronista, me acomodo no baú, atrás. Quando começamos a partir, vejo o ceguinho apoiado no muro, esmolando. Bato no vidro que dá para a cabine e falo para o motorista: “espera um pouco, tenho um último negócio a acertar.”

Pulo do carro, corro até o cego e aplico-lhe uma banda. Ele voa no ar e cai de costas no chão. Ainda cuspo em cima e xingo: “cego filho da puta”. Antes que os locais consigam reagir – certamente me linchariam se me pegassem – pulo na Rural que arranca. Vejo uns furiosos correndo atrás do carro, tentando nos acertar com pedras. Em vão.

Olho para frente e reparo na mão do caolho estendida para fora do carro, o dedo do meio em riste, se despedindo da cidade.

ANA'S IN THE HOUSE!

Sim, estive ausente. È frustrante para os leitores de um blog acessarem o endereço todos os dias somente para verificar que não há mudanças nenhuma. Pelo desculpas, mas houve um bom motivo. É que uma mulher nova entrou na minha vida. Ela me mantém ocupado praticamente todas as horas do dia. Quando digo nova, é nova mesmo: tem apenas uma semana de idade. Ana, minha filha mais nova, nasceu dia 29 de março às 05h19min. Já está em casa conosco e, junto com minha primogênita, Alice, e a Rosa formamos uma Happy Family. Hey Ho, Let’s Go! Bem vinda!

segunda-feira, março 28, 2005

A PLEBE ESTARÁ NUMA RAVE GÓTICA!

Acreditem, a sétima edição da Thorns Gothic Rave (traduzindo: Rave Gótica Espinhos) será no dia 9 de abril e, sim, a Plebe estará lá. O que vem a ser uma rave gótica? Bom, numa rave presume-se encontrar um monte de gente alegre dançando e se divertindo; pulando e berrando; roupas leves, tênis retrôs ou sandálias; luzes brilhantes e coloridas. Por góticos, imagina-se um grupo todo vestido de preto, caras amarradas, filosofando, discutindo existencialismo, falsidade da humanidade e outros assuntos do gênero, usando botas e tentando não se misturar com a podridão hipócrita que habita esse planeta. Agora, junte os dois e se tem...... o quê mesmo? Nick Cave com os braços para o ar gritando "uhú, cachû e cogû"? A Siouxsie doida de ecstacy? O Sisters of Mercy fazendo uma almôndega humana ao som de house? Quem estiver curioso, apareça, nós vamos dar o máximo para que seja um acontecimento digno do nome.

Posso parecer estar zoando, mas, nos anos 1980s, já fui dark (que é como chamavam os góticos na época). Já li muito Friedrich Nietzsche. Já discuti o existencialismo enquanto bebia cachaça. Já me vesti todinho de preto e andava pelas sombras no auge do verão carioca. Já vi Sisters of Mercy no Canecão e fiquei de joelhos gritando "caramurú, caramurú". Minha filha já usou o pijama que herdei do filho do Nick Cave. Já colecionei caveiras. Por isso, minha curiosidade. Quem quiser saber mais, entre no site: www.thorns.com.br ou fiquem ligados neste blog para os comentários póstumos.

Só uma reclamação: para que colocar no site e na divulgação uma foto do Philippe tocando com os Paralamas (eles são góticos? >:) Ou aquela foto velha, com o saudoso Jander?

RESUMO DA SEMANA (até 28 de março)

MÚSICA: Cosmic Sounds, último CD do Thievery Corporation. Miles Davis, Charlie Parker e muito West Coast Jazz.

LEITURA: Históira do Olho, de Georges Bataille (é pornografia? é erotismo intlectual? é um safado escrevendo ou um acadêmico respeitado? dúvidas......)

COMIDA: Vatapá da Sogra.

TRAIÇÃO À PÁTRIA: torcer para o Peru. Calma, eu explico: temos muita gordura para queimar, estamos longe do terceiro lugar. Se o Peru ganha, o Parreira cai. Tudo pelo bem da Seleção.

quarta-feira, março 23, 2005

DIA INTERNACIONAL DA ÁGUA, 22 DE MARÇO.

Ainda insistem em avacalhar a data tocando aquela música insuportável do Guilherme Arantes, Planeta Água. Mas o tema é dos mais sérios, pois a água é um bem escasso, ou seja, um dia vai acabar. Quando isso acontecer, tudo bem, morreremos juntos. O pior é o que ocorrerá antes: só terão acesso à água os mais ricos. Pobres serão aniquilados pela sede. Será pior que a corrida por petróleo, pois sem gasolina a vida continua, sem água, não.

E alguém se preocupa com isso? Sim, a WWF, o Greenpeace e outras organizações que, infelizmente, não apitam nada. Os políticos, que têm o dever de legislar sobre o assunto, possuem uma visão míope, que se restringe aos seus mandatos. De que adianta fazer leis que só afetará os eleitores daqui a algumas décadas se eu não estiver mais no poder? É assim que pensam. Literalmente, os burros d’água!

O Distrito Federal, de acordo com o Ibama, é um dos exemplos mais negativos no gerenciamento dos recursos hídricos. Dos três rios planejados para serem represados no intuito de abastecimento de água à população, um está inutilizado. O São Bartolomeu deveria ter sido, pelos projetos originais de Brasília, represado alguns quilômetros acima para construção de um segundo lago que viria amenizar o clima e garantir o abastecimento d´água. Devido aos condomínios e chácaras que ocuparam suas cabeceiras e boa parte das áreas que seriam inundadas, o projeto foi deixado de lado. Ou seja, permite-se o aumento da população, por meio de invasões e crescimento desordenado, mas não do acesso à água. Mais eleitores, tudo bem, mas vão passar sede. Reza o dito popular que a água é silenciosa, mas perigosa. A bomba relógio está armada.

Os bacanas que moram nos lagos desconsideram a lei e sugam sem parar do lençol freático, com sérias conseqüências para o futuro do abastecimento do DF. Fazem isso não porque são malvados e gananciosos, mas porque não existe uma política de longo prazo que eduque e, principalmente, fiscalize. Tudo para não perder votos. A água dá, a água leva. É o que vai acontecer.

Mas estou chovendo no molhado. Muitos outros também estão. Se não resulta em votos, os nossos representantes não estão interessados. Água fria não escalda pirão. Depende de nós. Águas passadas não movem moinhos, mas as urnas futuras sim.

terça-feira, março 22, 2005

SHOW DA PLEBE DIA 19 DE MARÇO: KAZEBRE

O Kazebre já tem minha simpatia por ser um clube de motos. A organização é impecável, melhor camarim que pegamos nos últimos anos. Aliáis, melhor público também. Só não entendi o Iron Maiden depois que tocamos, deve ser alguma praxe do lugar, tudo bem. A reação da platéia à nova formação é inspiradora. Dá a força necessária para derrubar todos os obstáculos e seguir em frente. Conheci um monte de gente que não me lembro mais, abraços!

quarta-feira, março 16, 2005

PAPA ESSA!

Está no jornal: “Papa aparece de surpresa para abençoar fiéis.” Imagino a cena: um grupo de turistas brasileiros passeando pelo Vaticano. Passam maravilhados pelas obras de arte, pelas esculturas, pelas tapeçarias. Liderando a turma, um senhor, tipo Severino Cavalcanti, se achando mais perto de Deus por estar em local tão sagrado. Atrás dele, senhoras religiosas ficam repetindo “benza Deus” a cada atração. No meio, uns adolescentes entediados, loucos para sair dali para ver um jogo do Inter de Milão.

De repente, de trás de uma coluna, pula o pontífice, todo de branco, e diz, em latim, “em nome do pai, do filho e do espírito santo”. As velhas quase morrem de susto! Fantasma!, gritam, assombração! O pseudo-Severino sente seu coração fraco disparar e os braços ficarem dormentes. Tem que se apoiar no joelho de Davi para não desmaiar. O menino grita: “é o Jabá, the Hut!” E a irmã, mais acertadamente, grita: "não! é o bicho papão!"

O Papa some, tão rápido quanto veio, para pregar a mesma peça em outros turistas desavisados.

20 ANOS NO LIXO.

Foi um golpe! Um golpe no sentido do pôquer, do blefe, do assustar o colega que tem uma mão melhor, que desiste, e você, que tem um jogo horrível, pega o prêmio. O Figueiredo sabia, saiu pelos fundos, querendo nos avisar: esse cara é um pilantra, não vou passar a faixa para ele. Pena que ninguém ouviu! Depois de 21 anos de ditadura, não estavam acostumados com os ares democráticos e, feito um alcoólatra reincidente, foram contaminados, foram com muita sede ao pote. Engolimos o Sarney, a Constituinte, o Ulysses, o Funaro, o Plano Cruzado e todo o resto da farsa sem pestanejar. Como dizem na pesca: anzol, vara e tudo.

Queríamos começar com o pé direito, mas acabamos com cabelo na sopa. Ou melhor, fio de bigode. O Mestre do Maranhão hoje diz que foi “obrigado a fazer um plano populista pois faltou apoio da inteligência nacional ou da opinião pública, nem de grupos econômicos.” Quer dizer, foi tudo uma fachada, que pagamos caro até hoje. Na verdade ele não tinha o apoio porque esse pessoal viu nele um charlatão. Não iam colocar suas fichas numa furada dessas. Aliais, ele não enganou ninguém, a não ser os fiscais do Sarney, um bando de donas-de-casa que não tinham mais o que fazer.

Hoje fazem 20 anos! Nesse mesmo tempo, a Coréia, investindo maciçamente em educação, elevou o nível do seu povo para o de primeiro mundo. Em duas décadas, investindo em educação e infra-estrutura, o Japão se recuperou de uma guerra e duas bombas atômicas, se tornando referência econômica mundial. Não só perdemos o bonde da história, como entramos numa canoa furada. O capitão, seu José Sarney. Jogamos esses 240 meses no lixo acreditando na Constituição de 88, que ainda engessa o país. O Delfin vai voltar, agora como ministro do PT. O Maluf ainda tem força. Quércia apita. O único que está no fundo é o Ulysses, literalmente. Estamos ainda na linha de largada e o resto do mundo moderno já está voltas à nossa frente.

E o pior: quem manda ainda é o bigodudo.

segunda-feira, março 14, 2005

RESUMO DA SEMANA (7 a 14/março/2005)

Música: "Moving Targets" do Penetration, conjunto punk de Manchester, liderado pela incrível Pauline Murray, gravado em 1978. Mixes do Laurent Garnier e Jeff Mills pela Radio Nova, na qual saem do tradicional e mixam tudo, inclusive Marcelo D2 e Jorge Ben.

Leitura: Artigo sobre Clevelândia, o Inferno Verde, publicado na última revista História, que conta um pouco dessa colônia penal no Oiapoque para onde o presidente Arthur Bernardes mandava os líderes trabalhadores, anarquistas e outros que se opunham ao governo central. Tortura, repressão e censura não era exclusividade da "gloriosa" de 1964.

Comida: Paella da Luana e Saiuri!

TV: Lost, na AXN.

Link: http://www.showstudio.com/projects/hyena/start.html

sexta-feira, março 11, 2005

CADEIA DE TELEVISÃO

José Cruel nunca foi um expoente no mundo do crime. Teve sorte de nascer com esse sobrenome, pois essa alcunha nunca teria lhe sido dada se não estivesse na sua certidão de nascimento. Zé Cruel, como era conhecido na Ceilândia, desde pequeno andava com os maus elementos da sua vizinhança. Tanto que o povo começou a se acostumar com sua figura ao lado dos traficantes e criminosos locais. Lá vai o Zé Cruel, diziam, e o nome ficava gravado na cabeça do ouvinte. O marketing faz o produto e, com um apelido desses, logo ganhou fama de perigoso, apesar de não passar de um garoto de recados dos verdadeiros criminosos.

Estudou pouco, sua escola foi a rua; seus “professores”, todos procurados pela polícia. Mas não aprendeu muito, Zé Cruel era mais pose do que fato, e esse foi todo o problema. Um dia, a turma local pegou um dedo-duro, um informante da polícia infiltrado no bando. Torturaram o coitado. O corpo foi achado enterrado no lixão. O defunto era bem quisto na delegacia. O delegado queria a todo custo o assassino. Quem teria o sangue-frio para fazer uma barbaridade dessas? Foi o quê os tiras se perguntaram. Só pode ter sido obra do Zé Cruel!, responderam todos, inclusive os verdadeiros culpados, para se inocentarem. Resultado: sem ter para onde ir, traído pelos amigos, Zé foi obrigado a se refugiar num quartinho em cima de um bar de um primo, enquanto a barra não esfriava para o seu lado.

Zé Cruel está se sentindo a Anne Frank, escondido do mundo nesse quartinho minúsculo decorado com um colchão e uma TV. Nada mais. A única janela é pequena e estreita e fica colada à laje, longe do seu alcance. Fica vendo televisão 24 horas por dia, pois não se arrisca descer e ser reconhecido. É do interesse de todos que seja preso logo, então passa o seu tempo vendo a programação da Globo, SBT, Record e MaisTV. E não agüenta mais! Quanta merda!, diz para si mesmo. Isso está o deixando maluco.

Começa o dia com o Bom Dia DF, passa pela Ana Maria Braga (tem desejos secretos de matar o Louro José), pelos desenhos animados, pelo Jornal Hoje, pelas novelas mexicanas, pelo Vale A Pena Ver De Novo, pelas reprises de filmes ruins, pelos programas de fofoca, pela Hébe, pelo Leão, pelo Ratinho e termina a noite vendo a Ana Paula Padrão. Dorme pensando na telinha, na programação ruim. Seu desejo é falar para as emissoras o quão ruim é. Não é possível que eles não saibam. Ninguém merece, concluí.

Um dia, no meio da reprise vespertina de Se Meu Fusca Falasse, o primo aparece na porta e avisa: Zé, pega leve que o Ibope está lá em baixo.

Zé Cruel vê a sua chance. O Ibope? É com eles mesmo que quero falar! Eles têm que saber! Eles têm que me ouvir, vou contar a verdade sobre a TV. Desce correndo a escada, passando pelo primo, sem ouvir as advertências e protestos do parente. Está convicto de suas ações. Quer, porque quer, dar um jeito nessa programação de merda.

Quando chega no bar, o reconhecem na hora. Os quatro policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais sacam suas armas, imobilizam o coitado e jogam ele no camburão. Esteja preso! Não era o Ibope, mas sim o BOPE. Bem que o primo tentou avisar, mas fazer o quê, o Zé se entregou. Foi o que achou. Não percebeu que o outro tinha entendido errado.

A caminho da prisão, o policial fala para o Zé Cruel: fique tranqüilo, cara, na prisão agora tem televisão. Levou um susto com a reação do preso: nãããããããããããããããooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, março 10, 2005

VIVA O REI CHARLES!

Longa vida ao Charles! Viva o futuro Rei da Grã Bretanha! Estou de saco cheio de todo essas manifestações conservadoras e caretas sobre o casamento de Charles com a Camila Parker Bowles. o orelhudo teve culhão de assumir seus sentimentos pela feiosa e que se foda o resto do mundo. O amor não só é lindo, como é uma questão individual que se restringe aos envolvidos. Quem quer se meter na vida dos outros que volte ao Big Brother.

Neozelandesas protestam, mostrando os peitos. Devem morrer de inveja da noiva real, pois pelo menos os delas estão recebendo carinhos e não têm que ficar ao vento para ganhar alguma atenção. George Bush proíbe a Camila de entrar na Casa Branca porque ela é divorciada e, de acordo com o caubói fascista, causou a separação Charles e Diana. Que diabos! Queria ele que o orelhão ficasse morando com alguém que não amava? Então chifrar a Diana pode, separar não? Se o Bush fosse realmente contra o divórcio, não teria enviado soldados para a guerra, pois os traumas causados por estar em campo são a maior fonte de separação nas forças armadas.

A Rainha Elizabeth não vai ao casamento do filho. Que moralismo falso. Dizem que ela e o marido, o tal do príncipe consorte, rolam de bêbados pelos corredores do Palácio de Buckinham. Ela é que não está a fim de largar a coroa! God save the queen, the fascist regime, cantavam os Sex Pistols. Eles sabiam do que estavam falando. Charles e Camila recentemente foram vaiados pelos súditos durante uma aparição pública. Deveriam ter mandado um dedo real para todos. É muita frustração causado pela inveja da felicidade alheia.

Charles é gente boa. Diz que é fã do Darkness. Alguém com um senso de humor assim não pode ser gente ruim. Viva o Rei Charles!

quarta-feira, março 09, 2005

QUEM (OU O QUE) É A TURMA DA COLINA?

Renato Russo sempre aludia ao grupo de amigos e conhecidos que formavam o núcleo do chamado “movimento punk de Brasília” como a Turma da Colina. Muito mais do que um punhado de músicos que vieram a formar a Legião Urbana, o Capital Inicial, a Plebe Rude, a Escola de Escândalos, o Diamante Cor-de-Rosa, entre outros, faziam parte do grupo pessoas que faziam suas próprias camisetas, estavam envolvidos com fotografia, arte, serigrafia, cinema e desenvolveram um humor próprio identificável até hoje em certas rodas brasilienses. Quando íamos em bando para o Rio ou São Paulo, sempre tentavam nos rotular: vocês são punks ou new wave? Não tínhamos resposta, essa falta de identificação classificatória nunca gerou traumas em nossas cabeças. Éramos únicos, e isso é o que importava.

Para quem não sabe, a Colina não é um monte de terra onde brincávamos em cima, mas sim quatro blocos de três andares dentro do campus da Universidade de Brasília, cercada por mato, isolada no Plano Piloto, onde moravam os professores da instituição. Só que, à época do surgimento da turma, ninguém mais morava lá. Para falar a verdade, do grupo, somente quem morou na Colina foram os irmãos Felipe e Flávio (hoje no Capital), o Gutje, meu irmão Bernardo e eu. A maioria dos outros integrantes da turma nunca botou os pés no local. Morávamos lá muito antes do punk. Éramos recém adolescentes e o Russo, que ainda era Manfredini, nem conhecíamos.

Para nós, que morávamos lá, a turma da Colina era um pessoal mais velho, com jeito de hippies, que ouviam Jimi Hendrix, montavam bandas para tocar blues no térreo dos blocos, acampavam debaixo de umas árvores, liam Marx, jogavam xadrez e nos tratavam bem, mas como pirralhos. Eles, até hoje, mantêm uma ligação forte, tendo até grupo virtual na internet, do qual faço parte como ex-morador do lugar. Por isso estranho quando leio na imprensa, quando vejo na MTV, quando ouço alguém se referir às bandas de Brasília com a Turma da Colina. Sempre me lembro daqueles que foram nossos mentores àquela época.

Passei 18 meses na Inglaterra com meus pais, em 1978. Quando voltamos ao Brasil, permaneci em Curitiba por mais seis meses estudando para o vestibular. No feriado de 7 de setembro, fiz uma pausa e vim para Brasília, me reencontrando com o Fê e conhecendo o Renato Russo, o Loro, o Geraldo, o Aborto Elétrico e a Blitx 64. Saímos uma noite na Caravan laranja dos Lemos e fomos passar o tempo num balão que dividia um cruzamento na Colina. Aprendi que era um lugar favorito do pessoal. Nunca me diverti tanto, ouvindo K7s no toca-fita do carro, falando merda e planejando as bandas que montaríamos e que iriam estourar. Daí a alcunha que o Russo tacou à turma. E colou.

terça-feira, março 08, 2005

Resumo da Semana (última de fevereiro)

Leitura: História dos Videogames, artigo na web encaminhado pelo Sr. Pio, garimpador número uno da internet. O endereço é http://outerspace.terra.com.br/retrospace/materias/consoles/historiadosconsoles1.htm .

Música: Hotel Básico, disco solo de Fê Lemos. Ska-p, grupo ska mexicano.

Comida: Pipoca de microondas, sabor bacon.

Alegria: derrota dupla do Severino no Congresso: a liberação das células tronco para pesquisas e o não aumento dos deputados.

TV: Fórmula 51, filme inglês, e a transmissão de Palmeira x Santos (porco!!!!).

Notícias do Front - Voto em Branco

Ontem foi, ao meu ver, um dia histórico. Finalmente, depois de vinte e cinco anos como músico, gravei uma música com meu ex-vizinho da Colina, companheiro de adolescência, Felipe Lemos, baterista do Capital Incial. Gozado que, ele sendo baterista e eu baixista, era de se imaginar que já teríamos gravado antes. A verdade é que até tocar juntos posso contar no dedo da mão direita as ocasiões. Mas, por obra do destino, nunca entramos no mesmo estúdio. Gravamos a base de Voto em Branco no estúdio do Philippe. Música com menos de dois minutos, 198 bpm. Divertisão pura.

segunda-feira, março 07, 2005

SHOW DA PLEBE DIA 18 DE MARÇO

Sim, é isso mesmo. Dia 18 de março, uma sexta-feira, estaremos tocando no Kazebre Rock Bar, em São Paulo (me falaram que é perto de Guarulhos). Quem vai abrir são nossos brothers Phonopop (de Brasília) e Bikini Cavadão. A promoção é da Rádio 89 FM, então, qualquer dúvida, liguem para lá.

COMO NASCEM AS AMIZADES (E O PUNK BSB).

André Pretorious era uma figura. Quase dois metros de altura, um Sid Vicious loiro que lembra um pouco o Billy Idol. Filho do embaixador da África do Sul, estudava no mesmo colégio que eu, só que uma série na minha frente. Acho que a amizade começou quando nos demos conta que ambos odiavam os Rolling Stones. Isso, numa época em que as chamadas “big bands” (Led Zeppelin, Aerosmith, Lynard Skynard, Deep Purple, etc.) dominavam a cabeça dos jovens. Fomos salvos, em 1976, pelos Ramones, Clash e Pistols. No colégio inteiro, éramos os únicos a ouvir esses grupos novos. Entendíamos que algo estava acontecendo, que 1977 era um divisor de águas. Os outros insistiam em ouvir Free Bird do Lynard Skynard durante o recreio. Coisa que nos dava náuseas, nos obrigando a lanchar no parquinho, junto com os alunos do jardim de infância. Lá, pelo menos o barulho era mais digerível.

Naquele mesmo ano, aconteceu um mega-evento, uma espécie de olimpíada escolar de grande porte, no Rio de Janeiro. Oitenta por cento dos alunos da escola foram. Só ficaram para trás um bando de nerds, uns rebeldes e nós (até hoje não sei se me enquadro no primeiro ou segundo grupo...). Como a maioria dos professores também foram, criaram uma programação “alternativa” para aqueles que permaneceram em Brasília. Eram umas oficinas de arte, leitura e muito, muito tempo livre, que gastávamos ouvindo Never Mind the Bollocks, o primeiro do Clash, Rocket to Russia e uma coletânea punk da revista POP.

Mas éramos obrigados a participar das oficinas. Uma das quais, a oficina de bonecos, nos deu uma idéia genial. Na aula, um professor nos ensinava a costurar meias, calças e camisa, tudo junto, enchendo aquilo de jornal e pronto, um boneco tamanho humano estava produzido. Fazer o quê com esse manequim? Tínhamos a resposta. Naquela sexta, fui dormir na casa dele, a embaixada da África do Sul, no setor de embaixadas sul (Brasília é assim mesmo, uma redundância só!). Esperamos os pais deles ir dormir, e ainda enrolamos um pouco a mais ouvindo discos. Assim que estávamos certos que todos estavam nos braços de morfeu, saímos pelos fundos da embaixada e descemos uma rua que, àquela época, tinha mato em ambos os lados (a capital era assim, um monte de ruas cercadas por mato.) Com uma espingardinha de chumbo apagamos a luz de um dos postes e botamos o boneco deitado no meio do asfalto. Detalhe: para ficar mais realista, o André Pretorious tirou seu tênis novo e calçou o manequim de pano. Depois, nos enfiamos dentro do mato para observar a reação dos carros.

A rua era de pouco movimento. De madrugada, então, quase não passava ninguém. Escondidos, vimos as luzes do farol de um automóvel subindo a rua. Quando o motorista viu o boneco, freiou, repentinamente, e saiu disparado de ré. Rolamos de rir! Nosso plano tinha dado certo. O segundo carro desviou em cima da hora, catando o meio fio e acelerando do local. Estávamos satisfeitos. A nossa alegria terminou no terceiro carro: um patrulha da polícia. Esses pararam e examinaram o “atropelado”, descobrindo a farsa. Puxaram uma lanterna do carro e começaram a vasculhar os arredores, suas pistolas nas mãos.

O André entrou em pânico. Imagine só a vergonha: filho de embaixador pregando peças marotas na madrugada brasiliense. Também tinha o perigo da polícia, afinal, estávamos em plena ditadura. Poderiam achar que éramos terroristas de esquerda, assaltantes ou algo assim, agindo sorrateiramente para destruir embaixadas pela causa comunista. Foram minutos de tensão que pareceram horas. Acho que ouvi o Pretorious rezar, coisa que ele sempre negou.

Ficamos deitados na terra entre os capins gordura esperando os policiais desistirem. Quando ouvimos a patrulhinha ir embora, ainda não nos mexemos, temendo um guarda ter ficado para trás. Passado uns quinze minutos, levantamos, devagar, e constatamos que a costa estava limpa, poderíamos voltar para casa. Daí ouço o André xingar: puta que pariu! Que foi? pergunto. Levaram meus tênis novos, eram importados! Morremos de rir – eu mais do que ele, pois não tive que caminhar para casa de meias.

André Pretorious fundou, junto com o Renato Russo e Felipe Lemos, hoje baterista do Capital Inicial, o Aborto Elétrico, primeiro conjunto punk de Brasília. Para mim, é a figura mais importante de todo o rock candango, pela sua originalidade, energia, garra e determinação.