quinta-feira, agosto 24, 2006

VdaC 1


Finalmente, fotos de Vitória da Conquista! Nos anúncios do Festival de Inverno da Bahia, as atrações principais tinham a foto maior no cartaz, as outras atrações tinham as suas fotos diminuíndo de acordo com a importância dada pelos organizadores. Como podem ver, não levaram muita fé na Plebe. Após o show, tenho certeza que, se fossem fazer hoje a divulgação, nossa foto ocuparia o outdoor inteiro!

quarta-feira, agosto 23, 2006

Senadores no Inferno!

Um senador está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre.

A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.

- "Bem-vindo ao Paraíso!"; diz São Pedro

- "Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.”

- "Não vejo problema, é só me deixar entrar", diz o antigo senador.

- "Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte: Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.”

- "Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso”, diz o senador.

- "Desculpe, mas temos as nossas regras. "



Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.

A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe.

Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar.

Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe.

Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele.



Agora é a vez de visitar o Paraíso. Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.

- "E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora escolha a sua casa eterna."



Ele pensa um minuto e responde: - "Olha, eu nunca pensei ... O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno."

Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.

A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo. Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos.

O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador.

- "Não estou entendendo", - gagueja o senador. "Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!"

O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz: - "Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto..."
bela lugosi's dead - trent reznor and peter murphy

No último dia 13 de julho, em Washington, dois de meus heróis subiram no palco para cantar o clássico Bela Lugosi's Dead, do Bauhaus. O Peter Murphy e o Trent Reznor, do NIN. Apreciem.

Pessimismo semanal....

O PCC conta com mais de 320 soldados na rua, prontos para a ação, conforme divulgação da facção criminosa. Economistas apontam para o fim da classe média no Brasil, que deverá ficar só com um monte de pobres, de um lado, e uns poucos ricos do outro. Também fazem a observação de que os impostos pagos hoje no Brasil dariam para reverter esse quadro, mas são utilizados em emendas de deputados que não beneficiam a população.

Enquanto isso, a quase-extinta classe média se refugia em lounges, esperando o fim de sua espécie, crentes que passarão a fazer parte do lado rico da distribuição. Que surpresa terão quando começarem a ter que vender suas TVs de plasma para pagar o aluguel. E a crescente classe pobre cai nas armadilhas eleitorais do PT, dando seu aval para um presidente fantoche, agora abandonado pelos seus mentores, que somente ampliará a base da pirâmide.

Espere! Tem uma luz no fim do túnel! Novo CD da Plebe Rude no começo de setembro!

segunda-feira, agosto 21, 2006

X-Rádio Está no Ar!

Dei o próximo passo e comecei um podcast. Se chama X-Rádio e será transmitido semanalmente. A idéia é mostrar um pouco do que a gente ouve na Plebe, mais especificamente, o que eu estou ouvindo..... he he he. Quando começarmos a tocar mais, planejo colocar alguns trechos dos shows e outras raridades. O denominador comum será Plebe Rude.
Como primeira transmissão, uma homenagem ao Clash, a banda que influenciou de forma mais definitiva a Plebe. Mas não incluí nenhum hit, pois esses você já têm. Quis mostrar um pouco o outro lado do Clash, o que aconteceu quando a banda terminou, seu legado. O podcast, chamado de Clashcast, começa com Joe Strummer & the Mescaleros, do disco Earthquake Weather, segue com o sensacional Havana 3 a.m., banda do Paul Simenon, pouca conhecida, mas sensacional. Deles, toco Urban Surfer, música inspirada nos surfistas de trens cariocas. Segue com BAD, do Mick Jones e termina com o lado B do compacto Rock the Casbah, o Mustapha Dance, que é nada mais nada menos que um remix do lado A.
Divirtam-se.

Para acessar: www.canal.podcast1.com.br/x-radio

domingo, agosto 20, 2006

Vitória da Conquista

Desculpem todos aqueles que ficaram agüentando o Jornal da Globo para ver a Plebe. Esse negócio de link funciona assim: eles acertam um horário, e não importa quem estiver no palco naquela hora, a imagem será transmitida. Como tudo atrasou – a Wanesa da Mata perdeu o avião – foi o Nando Reis.

O Festival de Inverno da Bahia é um evento impressionante. Trinta mil pessoas por noite se dividem entre um palco principal, dois secundários, uma tenda de forró, outra de música eletrônica e várias outras atrações. O nosso show foi legal, mas como era tarde, ficou somente um terço da galera, que mesmo assim é um público impressionante. Na primeira fila, uns Plebeus e meia dúzia de punks olhando feio durante as músicas lentas e dançando para as rápidas. Prefiro os Plebeus, com suas mentes mais abertas.

O Jander não pode participar, pois logo após o show do Nando Reis, tiveram que subir no ônibus e seguir para Salvador. Nossa volta também não foi das melhores, tendo que fazer de madrugada, por uma estrada coberta de neblina, cheia de buracos, o caminho até Ilhéus.

Próximo show, dia 14 de setembro em Curitiba.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Passagem de Som em V da Conquista


Acabamos de voltar da passagem de som. Essa noite, tocaremos no Festival de Inverno da Bahia, após o Nando Reis. Nos falaram que quando a gente tiver no palco, vai abrir um link no Jornal da Globo, mostrando um pouco do show. Quem chegar a ver, por favor comente aqui.

Como podem reparar, essa bateria do Txotxa é a maior maria-vai-com-as-outras, qualquer um pega, mais acessivel do que a Adriana Galisteu.

Ana na Batera


Ainda na Torre, na gravação do clipe, minha filha Ana detonando na batera (e na cabeça do pai tmb.)

quinta-feira, agosto 17, 2006

X e o Arrudao


O José Arruda, próximo governador de Brasília, se as pesquisas se confirmarem, diz que não cometeu grande pecado político ao mentir sobre a violação do painel eletrønico do Senado, fato que levou å recomendação de sua cassação e, eventualmente, sua entrega de mandato em maio de 2001. Diz que não é grave, pois não levou prejuízo ao errário público. Então mentir não é grave? Acho que para os políticos, não! Eles estão tão acoustumados, que já é atividade corriqueira para eles.

Diz o Arruda, que está redimido, que nunca mais vai mentir. Será, ou isso é outra mentira?

O Arruda também foi Chefe de Gabinete do Secretéario de Obras do GDF, quando da construção do metrø....

Esse Arrudao encontramos na saída da gravação do clipe, na Torre de TV. Quem se lembra da confusão do meu discurso no BMF deve estar rindo å toa!

quarta-feira, agosto 16, 2006

Sessão de Fotos no Metrô








O metrô de Brasília é algo inédito no seu gênero. Metrôs existem desde 1880. Lúcio Costa, ao planejar o traçado urbano da cidade, se esquecer disso e ignorou totalmente o transporte coletivo, dando preferência ao transporte individual egoísta dos carros. É o único metrô do mundo que não atende ninguém. Não há integração com ônibus, por tanto o povão não usa. Dizem que na sua construção os políticos (entre os quais um que quer se eleger governador) meteram a mão, superfaturando tudo. Tem, ainda, várias estações abandonadas.

Foi idéia do Nicolau tirarmos as fotos de divulgação numa dessas. Acima, minhas humildes fotos da tarde no subsolo brasiliense.

terça-feira, agosto 15, 2006

Já Viram as Fotos. Agora esperem o Vídeo.



O Diretor em Ação


José Eduardo é o diretor do clipe. A Plebe tem o privilégio de contar com a ajuda de vários amigos no lançamento do disco. Além do Zé, Nicolau e Cláudia El Moor e o Rodrigo Viana têm nos dado uma força inimaginável, garantindo material de primeira para vocês. Na gravação do vídeo, toda a equipe foi sensacional. De cabeça, quero agradeçer ao Frango, André Lavenerè, Edson, Érica, o carinha do 10Zero4 (desculpe, estou sem cabeça para nomes), o carinha da câmera e, claro, o Diretor. Saudações!

Inversão de Papéis

O Q C Faz


Clemente expressa a sua alegria em ter que madrugar num domingão.

Clipe Clipe


O clipe de O Que se Faz foi gravado do nascer do sol de domingo, até o meio dia, em cima da Torre de TV de Brasília. Acima, uma foto tirada pelo Frango, o roadie do set de filmagem. Mais fotos virão. Estamos a mil com os últimos detalhes do lançamento do CD, por isso as poucas palavras. Mas, como uma imgagem vale mais do que mil.....

sábado, agosto 12, 2006

Voto no Sítio

Sem que eu me desse conta, colocaram no ar Voto em Branco. Está no site, www.pleberude.com.br. Não é uma música nova, foi feita a duas décadas, quando ainda estávamos domando os nossos instrumentos. Quatro acordes, refrão fácil. Punk rock da época, vintage. Foi muito legal a ter gravado. Na primeira parte, na metade porrada, o baterista é o Fê Lemos, do Capital. No improviso final, o Txotxa. Essa parte final a gente fazia nos shows, sempre falando sobre uma coisa ou outra que evoluia para o refrão final. Como disse, não é característico do som da Plebe, a gente até cogitou em incluí-la no CD como faixa secreta. Mas foi muito divertido a ter gravado.

Daqui a pouco, no sabadão de tarde, num ponto de metrô da asa sul, estaremos tirando fotos para a revista que trará o CD e para divulgação. Domingo, a gravação do clipe. Na segunda, entrevista para a Bizz. Na quinta, viagem para Vitória da Conquista, via SP, Ilhéus e, de ônibus, para o local do festival. O show será na sexta, com provável participação do Jander (se ele topar).

Começou, galera!

sexta-feira, agosto 11, 2006

Sasha sem graxa!


Hoje, antes de embarcar para o Rio a trabalho, passei na banca e vi a nova Caras, com a Sasha na capa. Meu deu pena. A manchete dizia que a menina segue os passos da mãe. Tá na cara – e na Caras – que vai ser o maior fracasso. É isso que a Xuxa quer para a filha, que seja uma Xuxa II, sem personalidade, burra, mal informada, protegida do mundo por trás de grades, seguranças e mistério? Sabe aquele presidente da Sony (esqueci o nome), o todo poderoso da organização? Ele deixou para o filho somente uma educação bem dada, nada mais. Nem um empreguinho na Sony. O garoto se virou e hoje é também um empresário de sucesso. Já a Sasha vai se servir de todas as regalias globais da mãe, assim como favores e outros quem-indiques para tentar seguir os tais passos da mãe.

Daqui uns anos a vejo drogada, revoltada, sem entender como o mundo não se abriu para ela. Vai tentar viver o sonha da mãe e se dar mal. Milhões serão gastos em analistas e outros tantos em drogas pesadas. Talvez comece a andar com uns malfeitores aproveitadores de sua fragilidade, sua necessidade por atenção. Ao quebrar o coração pela enésima vez, não confiará em mais ninguém, se isolando na mansão Xuxa, tendo um fim parecido com o do Hugh Hefner. Tomara que não, mas foi a visão que a foto me trouxe.

O Brasil é o país dos filhos-que-seguem-os-pais. Vide a família Sarney. O que é aquele Sarneyzinho? E a bruxa-do-mal da filha? E o tal Tarcizinho, o que aconteceu com esse charlatão? Alguém lembra do filho do Pelé? Não tá atrás das grades? O fodão da Sony é que tava certo!

quinta-feira, agosto 10, 2006

Gravação do Novo Clipe

Nesse domingo, entre 6 da manhã e às 10, a Plebe estará gravando o clipe da música O Que Se Faz em algum ponto turístico da cidade. Mistério, mistério! Quem fará o clipe é o José Eduardo Belmonte, o mesmo que fez o de Luzes e aquele ao vivo de Até Quando Esperar. Para mais referências sobre o diretor, checar nos cinemas o filme Concpeção, que está em exibição. Reparem no filme que tem duas músicas plebeias. A primeira é Seu Jogo, do concreto. A segunda é Samba Inferno, uma música que fiz no meu computador, foi gravada pelo Acácio, o Sapo, e cantada pela Luanna. Espero postar no blog fotos da gravação na segunda.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Misture o Caldeirão!


Quando em São Paulo, na semana retrasada, levei a Alice para conhecer o Museu da Língua Portuguesa, lá na Estação da Luz. Fui meio reticencioso, pois achava que dentro da bela obra de reforma que abriga as exposições encontraria um discurso sobre a preservação da língua portuguesa, uma defesa de nosso idioma contra incorporações de palavras estrangeiras. Essa atitude nacionalista burra se ouve muito nas universidades, sindicatos e velhos de direita. Vamos acabar com todo estrangeirismo em nossa língua- partia!, berram. E depois vão curtir um futebol, gritam gol, tomam chá marrom, acendem o abajur, ligam a TV para ver um documentário sobre avalanches, fazem um milkshake, assistem ao noticiário, tomam um chope e, sem reparar, usam um monte de expressões e palavras não natas ao idioma brasileiro.

O que encontrei lá foi exatamente o contrário. Logo no primeiro salão, um monte de computadores carregados com palavras que usamos vindas dos imigrantes europeus, dos escravos africanos e dos índios. Também, dos árabes e dos orientais. Que fantástico ter um idioma em mutação, que incorpora expressões novas, as adapta à cultura local e enriquece nosso dia-a-dia. Parabéns para todos que fizeram o museu, saí satisfeito.

Acredito muito na miscigenação, seja de idiomas, raças ou culturas. O que seria da bossa-nova sem o jazz? O que seria do jazz sem a música escrava? O que seria dos EUA sem os imigrantes? O que seria do futebol europeu sem os jogadores estrangeiros? Me digam sinceramente, a mulata não é a mulher mais gostosa do planeta? Produto de mistura de raças. Misturar só enriquece. Até o Bush tá atendo a isso, indo contra o congresso ianque no sentido de liberar as fronteiras para os imigrantes mexicanos. A cultura agradece o choque dos povos.

Já viram um vira-lata? Como é resistente a doenças, é safo e esperto? Miscigenação em ação, meus amigos. Fiquem com suas raças-puras, eu quero é me enfiar no caldeirão e fazer parte do denominador comum. Fiquem com suas proibições, seus nacionalismos baratos, eu quero é abraçar o mundo, abolir as fronteiras, comprar e vender de quem e para quem eu quiser! E quero poder usar a expressão que mais ilustre o que quero falar, seja ela do gueto, do nobre português ou um estrangeirismo qualquer. Quero beber de todas as fontes, sofrer todas as influências.

Só para terminar o papo, sabem quais os últimos dois políticos que tentaram purificar seus respectivos idiomas, por meio de torturas, leis, decretos e terrorismo cultural? Mussolini, nos anos 40 na Itália, e Mahmoud Ahmadinejad, aquele louquinho que ocupa a presidência do Irã. E o gozado é que o cara só usa terno e gravata! Quer dizer que falar como um infiel não pode, mas se vestir igual a um é legal?

See you later, alligator!

segunda-feira, agosto 07, 2006

O Maestro falou, tá falado!

Quem leu o editorial do Correio Braziliense de domingo, deve ter se deparado com artigo escrito pelo Maestro da UnB, professor titular de música, Jorge Antunes, sob o título de “Cem Anos de Perdão para os Piratas.”

O maestro trás a tona a mesma preocupação já emitida neste blog, de que a indústria fonográfica está cada vez mais voraz, se utilizando do jabá para garantir o mercado e expulsar os independentes. O artigo começa mostrando como a fusão entre Sony e BMG e a anunciada entre EMI e Warner estão a um passo de criar um monopólio cultural sobre a música que pode ameaçar toda a criação independente e autônoma. Eles estaria com toda a fabricação, distribuição e divulgação na mão. De acordo com o professor: “a gravação sonora vem se revelando, cada vez mais, meio de enriquecimento desenfreado de grupos financeiros que controlam e comandam o planeta Terra.” Muito grave, muito assustador.

Fiquei feliz com a opinião de alguém do gabarito de Jorge Antunes. A preocupação de que essas ações são muito nocivas a cultura nacional (e internacional) é muito válida. Ele se preocupa que o Estado nada está fazendo, nem para regular o jabá, nem para cuidar das fusões monopolistas. A única coisa que o governo faz é perseguir piratas, jogando a culpa nos músicos, dizendo que eles não vão receber seus direitos. Quer saber, o músico tá cagando! Ele é o menos prejudicado. Ao combater a pirataria, do jeito que está sendo feito, o Estado está fazendo o jogo das multinacionais.

O maestro termina o artigo dizendo que os piratas devem ser perdoados, pois ladrão que rouba de ladrão tem 100 anos de perdão. Assino embaixo!

sexta-feira, agosto 04, 2006

Capa na gaveta!

Ontem Philippe e André tiveram um encontro no Carpe Diem com a Cláudia e o Nicolau El-moor. Respectivamente, são os criadores da capa do R ao Contrário. Ela fazendo o design gráfico, ele as fotografias. Somos muito gratos aos dois, estão de cabeça no projeto e recebendo bem menos que merecem. Aliais, a tônica do disco tem sido essa, trabalho de amigos que compraram o projeto. O encontro foi para fechar os últimos detalhes da capa, encarte e arte do disco. O que posso adiantar? Se preparem para uma capa com um R ao contrário, mais nada. Portanto, fiquem atentos. Onde? Que tal começarem a checar as bancas a partir de setembro?

Quem viu o programa Claro que é Rock, transmitido ontem? Um dos convidados foi o Zé Rodrix, que teve, entre os vários grupos do que participou, uma passagem pelo Joelho de Porco (uma das minhas bandas nacionais favoritas). Ele já gravou Olho Seco, Inocentes, conhece Ratos do Porão, em fim, é um coroa esclarecidíssimo do rock nacional. Quando o carinha do Dead Fish cantou Surfista Calhorda, o Zé sabia toda a letra! Bom, tudo isso para dizer que ele afirmou que a banda favorita dele de todo o rock Br é Plebe Rude! Ficamos honrados, muito honrados. Espero, sinceramente, um dia poder trabalhar com essa figura incrível.

Outro que falou bem da Plebe foi o Toni Garrido. Que bom que atingimos todos e tudo!

Bom fim de semana!

quinta-feira, agosto 03, 2006

Curadores da Alma

Enquanto a mordaça não me permite divulgar mais nada sobre a Plebe – são boas as notícias! – vamos falar um pouco sobre de música.

Havia um época, no começo dos anos 90s, quando o selo mais badalado do underground era o inglês Too Pure. Os tempos eram esquisitos, a abundância criativa do pos-punk havia secado lá pelo ano 1985, quando as gravadoras acordaram e pararam de investir em talentos experimentais, passando a direcionar seus investimentos para artistas mais acessíveis, por meio de sua nova arma, a MTV. Bem quando a gente estava se acostumando a comprar discos reeditados do passado para suprir a sede de coisas legais, a Too Pure lança de uma só vez Stereolab, PJ Harvey e Th’ Faith Healers. Foi como um sopro de ar fresco após anos dentro de uma mina de carvão.

Quero falar sobre o menos conhecido e, na minha opinião, melhor desses três, Th’ Faith Healers. Imaginem uma guitarra seca, com o mínimo de distorção, se é que tem, fazendo o esporo melódico mais barulhento e harmônico que já ouviu. A voz, mixada lá no fundo, quase imperceptível, cantando harmonias lindas, naquele estilo afinado/desafinado. Cada música, uma viagem. Literalmente O grupo para se curtir sob o efeito de substâncias que fazem o cérebro focar nas emoções subliminares das músicas, aquelas emoções que só são percebidas quando há expansão da mente, foco no desconhecido.

Lançaram somente três discos, que valem a pena correr atrás. O Lido, disco de estréia, que trás o clássico Hippy Hole, além de um cover da banda Can, que deveria ter sido o Velvet Underground da geração de 90s, mas não foi. O segundo, Imaginary Friend, com solos barulhentos e viajantes. Arriscam até umas baladas que, claro, viram uma cacofonia maravilhosamente bela. Depois disso a banda acabou, cada um seguindo para seu lado. A Too Pure ainda lançou um CD com todos os compactos que não saíram nos LPs, chamado simplesmente L.

Porque a banda não estourou? Minha teoria é que a imprensa toda focou no grunge de Seattle, um “movimento” falso, fabricado e compactuado pela MTV e outros meios de comunicação. Com isso, o holofote saiu do underground londrino/nova iorquino e fixou exclusivamente naqueles flanelinhas querendo pousar de punk, mas atingindo mais o heavy metal (com exceções, claro). Uma pena, mas uma benção, pois os três discos que deixaram são pérolas que devemos guardar escondidas e mostrar só para aquelas pessoas que mereçam.

terça-feira, agosto 01, 2006

Ela estava certa!


Ela tinha medo. Muito medo. Tanto medo que foi na TV e declarou: eu tenho medo do PT. Para quê? Além do Partido dos Trabalhadores, passou a ter medo também de intelectuais raivosos, acadêmicos furiosos, sindicalistas emputecidos, músicos psicóticos e uma imprensa impiedosa. Mas o tempo passa e temos que admitir: a esperança só venceu o medo na batalha, pois na guerra, medo está dando um banho.

Talvez não. Olhando mais de perto, não é o medo que está vencendo. Se fosse, até que seria bom, muitos não se reelegeriam. Quem está vencendo é um player que nem estava na jogada: a indiferença. Parece que o povão se acostumou. Também, tantas décadas vendo o patrimônio público ser repartido entre grupos de interesse, ser dilapidado diante seus olhos, que a coisa passou a ser normal. Mensalão, sanguessugas, dólar na cueca, investimento maciço em publicidade, deixando de lado as ditas ações sociais, uso da máquina pública para fins particulares, censura, mentiras, corporativismo político, ufa! – tanta coisa com um nome só: corrupção.

Sei que os defensores do Lula vão usar a velha retórica: pô, mas todo mundo faz isso! Ué? E isso lá é desculpa? Fazendo o que os outros faziam é que a esperança vai vencer o medo? A indiferença é a maior aliada dos que estão no poder. Faz com que as pessoas vão votar como se fosse uma obrigação, sem o coração estar no ato. Votam porque a lei manda, colocam um x em qualquer espaço e vão para praia, para suas casas, para a chopada sabendo que nada vai mudar.

Meu conselho? Fácil. Número 1: não vote em quem já está no poder. Pode até ser que tenha um honesto, mas esse está muito tempo lá, é fácil de corromper. Vamos para os nomes novos. Principalmente se o candidato quiser se reeleger para deputado ou vereador. Isso significa que é um político sem ambição, não quer progredir, quer ficar onde está porque está mamando. Pelo sim, pelo não, não reeleja.

Número 2: evitem candidatos que usam a profissão como atestadora de competência. Quem já viu as seguintes campanhas: Professor Fulaninho, pela educação. Cabo Sicrano, vai cuidar de sua segurança. Bispo Cifrão, abençoe essa idéia. Político tem que ser administrador – não de profissão, mas de atuação. Busque o passado, ele atuou em sindicatos, condomínios, grupos comunitários? Fez um bom serviço? É esse que se vota.

Número 3: Anote em quem votou. Anote o e-mail do candidato. Se eleito, cobre. Cobre mensalmente. Comente a atuação. Faça marcação em cima das promessas feitas. Ameace divulgar o cara como vigarista. Encha o saco!

E a próxima vez que uma voz se manifestar contra a gritaria lunática da maioria, ouça-a. Ouça bem.

segunda-feira, julho 31, 2006

Semana Decisiva!

Sim, estive fora do ar, passeando em São Paulo com a Alice, totalmente fora do alcance de qualquer computador.

Essa semana é decisiva, cruzem os dedos, façam macumba nas encruzilhadas e torçam. Hoje de manhã, assinei um contrato (que vou manter anônima a empresa, por enquanto), autentiquei ao lado das assinaturas do Philippe (que já haviam sido autenticadas) e mandei via Sedex 10 para o Mr. Ivan, o Terrível. Amanhã, ele pegará um vôo para SP, recolherá as assinaturas do Clemente e irá para a reunião final de negociação. Se tudo der certo, estarei anunciando as datas de lançamento do R ao Contrário, o quinto disco de estúdio da Plebe Rude, só com inéditas!

E ainda, esta semana, a disponibilização da música Voto em Branco no site provisório. O definitivo, só quando sair o CD – estamos preparando coisas boas para vocês.

quarta-feira, julho 26, 2006

The Damned

Tem certos discos que marcam tanto a vida da gente, que a cada ouvida nos remete à época, além de evocar exclamações do tipo: “caralho, isso é muito muito muito bom, como é que não se faz algo assim hoje em dia?”

Tenho vários discos “marcantes”, mas o Damned, Damned, Damned, do The Damned (quanta redundância!) é o au concour. Foi o primeiro disco punk lançado. Vamos começar por aí, tudo bem, tem uns que defendem os Ramones, mas argumento que o primeiro dos da brothers foi lançado como disco de rock e, depois, tachado de punk. O Damned, não. Banda punk desde o começo. Foram expulsos da Anarchy Tour pelas outras bandas (Clash, Pistols e Heartbreakers), além de outras histórias bizarras que os curiosos poderão ler no livro Light at the End of the Tunnel.

Voltando ao LP, quando ouvi minha vida mudou, literalmente. Não conseguia mais ouvir meus discos do Led, Lynard Skynard e Deep Purple. Meu relacionamento com meus colegas de escola esfriou, eles não conseguiam ver a importância daquela nova música. Meu jeito de vestir, meu corte de cabelo, minha visão de futuro – tudo foi modificado com as músicas do Damned, Damned, Damned. Isso sem ouvir, logo pela capa, uma foto gigantesca dos quatro músicos com os rostos sujos de torta de chantili, jogados na cara deles pela Judy Nylon e Pat Palladin, duas punquettes que tiveram o crédito da façanha anotado na contracapa do disco.

Quando digo punk, não me refiro ao estereotipo do casaco de couro e moicano. Não, nessa época o sentido da palavra ainda não havia sido padronizado pela mídia e absorvida por um monte de adolescentes burros. O baixista, à época, hoje guitarrista, Captain Sensible era uma árvore da natal ambulante, cada vez com uma fantasia diferente. No disco, aparece vestido de enfermeira, na foto da contracapa. O vocalista, Dave Vanium acha que é um vampiro e se veste e comporta como tal. Isso, muito antes de qualquer gótico ver a luz do dia (ou da noite, he he he). Rat Scabies, o batera, parecia um Keith Moon ensandecido, se é possível isso. O cara tocava tão bem, tinha um estilo tão próprio, que foi sondado pelo Jimmy Page para substituir o John Bonham. Muitas vezes, tocava com um rato morto pendurado pelo rabo à frente do bumbo. E, finalmente, o mais normal, visualmente, nas guitarras, o Brian James, fã dos New York Dolls e que, após sair do Damned, fundou o Lords of the New Church, com o Stiv Bators, dos Dead Boys.

Mas vamos ao disco, música por música, que ouvi mais uma vez hoje e quero compartilhar com vocês:

Lado 1:
· Neat Neat Neat. Baixo que morro de inveja cada vez que ouço. Tão simples, tão poderoso, resume a música. O refrão “she can’t afford no cânon, she can’t afford no gun at all” não diz muita coisa, mais é lindo.
· Fan Club. Música gélida sobre um astro de rock que odeia os fãs, não entende porque se sacrificam tanto para vê-lo tocar. Muito punk isso, na sua melhor essência em desmistificar o estrelato dos roqueiros e trazer a música para o nível do publico. O gemido do Dave Vanium de entediado resume tudo.
· Born to Kill. O mosh deve ter começado com essa música.
· Stab Your Back. Música composta pelo batera. Keith Moon, morra de inveja. O Rat não usava o chimbal, só os pratos. E tem ainda o riso medonho no meio da música. Menos de um minuto de pura alegria cantando apunhale suas costas!
· Feel the Pain. O inferno é gelado. Ouça a música e confira. A dor é fria, a agonia é branca.

Lado 2:
· New Rose. Clássico punk. Primeiro compacto punk, lançado em 1976.
· Fish. Música de amor, onde o cara quer passar a mensagem que se a mina ficar com ele, nunca vai cheirar um peixe, ou seja, não vai entrar numa fria. Que idéia!
· See Her Tonite. Nenhuma música traduz mais a alegria e expectativa de ver a pessoa amada do que essa. Um must para começos de namoro.
· 1 Of The 2. Damned, no seu melhor.
· So Messed Up. Adoro ouvir essa, seguida do Stupid Girl, dos Rolling Stones. Para aquela menina que você acha asquerosa, chata, insuportável. Tem uma hora que pergunta: “eu poderia a matar, mas acho que vocês ainda considerariam isso um crime – ou não?”.
· I Feel Alright. Cover dos Stooges. Única música do LP que não consigo mais ouvir. Quando chega nela, tiro o disco. Tudo bem, à época, dizer que gostava dos Stooges, mas a versão não acrescenta nada à original e as outras músicas são tão mais significativas que essa passa batida.

segunda-feira, julho 24, 2006

Cena, que cena?

Estava procurando no Soul Seek o primeiro disco do Suede, aquele que tem Animal Nitrate. Não sei porque razão, quando a banda estourou no circuito independente inglês eu até que gostei, mas acabei vendendo todos os CD-Singles na Rock It!, minha loja/selo que tinha com o Dado, sem ficar com nenhum para mim. Daí o tempo foi passando e me esqueci totalmente disso.

Quando os resultados apareceram, qual a minha surpresa de encontrar um arquivo disponibilizando os 100 melhores compactos independentes de 1976 a 1998. Devo dizer que o sujeito acertou 90%, coisa fina mesmo esse apanhado. Começa com Final Solution do Pere Ubu e termina com Monkey on Your Back, do Clinic. Nisso passa pelo Damned, Joy Division, Elvis Costello, Primal Scream, Blur, Pixies, Belle and Sebastian e vários outros. Divertido ir ouvindo na ordem temporal e ver como a cena independente evoluiu no período.

O que chama a atenção mesmo é que todas essas bandas saíram do independente e são reconhecidas mundialmente. Daí a questão: porque a cena independente brasileira não consegue atingir o grande público? Porque ficamos presos no que toca nas rádios, do que passa na MTV? O roqueiro é preguiçoso, ou não há onde procurar coisas novas?

Temos hoje a Tratorre, a Outra Coisa, selos como o Monstro, o Senhor F e festivais alternativos. Mas não vejo ninguém capitalizando com isso. Vejo sempre uma cena mambembe, restrita a poucos curiosos. Gostaria muito de ver uma cena independente que fizesse o main-stream, estações de rádio, TVs e gravadoras, suarem. De ver gente correndo atrás da novidade, enchendo showzinhos, comprando músicas (físicas ou virtuais).

Será que algum dia um maluco irá disponibilizar um artigo com os melhores compactos de rock independente brasileiro de alguma década? E será que, quando isso acontecer, vamos ouvir e conhecer todas as bandas que lá estão?

É um sonho.

quarta-feira, julho 19, 2006

Os Resistores Chegaram



Ontem fui assistir ao show de estréia dos Resistores, nova banda do ex-Escola de Escândalo, Balé. Foi na sala Cássia Eller, no complexo da Funarte, atrás da Torre de TV. O trio é muito bom, tocando um pop-rock mais para o rock do que o pop. Teve até uma música dedicada ao Philippe, que estava presente, com direito aos acordes iniciais de Brasília. O show terminou com uma versão pessada-punk de Model do Kraftwerk, com o Balé nos vocais. Sensacional.

Depois do show, Philippe e eu fomos surpreendidos com uma presentação de plaqueta comemorativa dos 25 anos da Plebe, feita pelo Fã Clube de Planaltina. Ficamos muito emocionados, fotos em breve.

Estar novamente na Sala Cássia Eller me fez lembrar do memorável show que fizemos lá com o Blitx 64, em 1981. Quem conhece o livro do Paulo Marchetti sabe que aquela foto do Loro, Geraldo, Gutje e eu (com a camisa “enforquem o Fábio Jr.”) foi tirada lá.

Constatei uma coisa, os Stranglers tinham razão, everyone loves you when you’re dead (todos te amam quando está morto). Pô, a Sala tinha outro nome, porque mudar para Cássia Eller (agora mais underground do que nunca, literalmente)? Será que quando o Philippe bater as botas vão dar nome de sala, teatro, mictório para ele?

Veja a página dos Resistores no My Space, com direito à quatro MP3s gravadas no estúdio do Philippe. http://www.myspace.com/resistores

Depois não digam que não avisei.

Notinha rápida, seguindo a de ante-ontem.

Chaves, o novo membro do Mercosul, vai à cúpula em Buenos Aires e também à anti-cúpula, formado por grupos contra o bloco econômico. Ou seja, vai fazer seu showzinho de líder dos sul-americanos contra o imperialismo ianque em dois palanques. Justamente essa cúpula que deveria servir para fortalecer o pacto. De quebra, vai levar o seu dicípulo Evo Morales. Quanto será que o Brasil vai ceder dessa vez?

terça-feira, julho 18, 2006

2º Festival de Inverno da Bahia - Plebe estará lá!

A Plebe Rude estará presente na segunda edição do Festival de Inverno na Bahia, marcado para os dias 18, 19 e 20 de agosto, em Vitória da Conquista. Estaremos lado a lado com o Rappa, los Hermanos, Lenine e Engenheiros do Hawaii, entre outros. Vamos estar tocando mais músicas do CD novo, antecipando o crepúsculo do seu lançamento (chique essa frase, heim?). Seria ótimo encontrar o pessoal que foi para o show em Nazaré das Farinhas para que dessa vez assistissem um show com estrutura decente. E será ótimo encontrar plebeus em geral. Gosto de nosso público, se diferencia positivamente dos outros. São mais inteligentes, críticos e divertidos – eta, puxação de saco! Mas é verdade, lá do palco, identifico logo os plebeus.

Outras datas e notícias em breve.

segunda-feira, julho 17, 2006

De 4 no Ato!



Nós brasileiros nos orgulhávamos do nosso futebol. Também, era uma das únicas áreas onde o país empunhava respeito, com muita raça e competência. Em 2006, isso mudou, como é de conhecimento e motivo de tristeza de todos. Para o consciente coletivo da nação, viramos motivo de chacota e a moral do povo torna a baixar. Se nem no ludopédio podemos nos impor, imagine na política externa?

Tem uma piada que rola em Brasília sobre diplomatas, totalmente infundada, mas, dizem as más línguas que todos são, digamos, efeminados, para não usar outro termo mais pejorativo. Besteira pura, não vem ao caso. Mas a atual atitude do nosso Itamaraty, sempre de quatro quando o interesse do Brasil está em jogo, não ajuda muito a limpar essa imagem.

Cedemos para a Argentina em todas as negociações do Mercosul: sobre geladeiras, linhas brancas, peças automotivas, produtos agrícolas, prazos e outros. Tudo para manter o mercado comum funcionando, mas a que custo? Cedemos para o Hugo Chaves, deixando a Venezuela entrar no Mercosul para torná-lo mais um palanque de discursos do coronel usurpador. Isso, depois dele ter acabado com a união dos países do norte da América do Sul. Cedemos para o Evo Morales, quando a Bolívia roubou ativos da Petrobrás naquele território. E ainda, como recompensa, o Lula manda o BNDES emprestar não sei quanto bilhões ao Evo Morales! Como se o BNDES não tivesse nada para fomentar dentro do Brasil.

Vi uma entrevista com o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim na qual ele diz que condena as ações do Hezbollah, mas acha a reação de Israel desproporcional. Concordo, mas gostaria muito que a reação dele fosse, só uma vez, pelo menos proporcional aos nosso interesses. Nós aqui não temos Hezbollah, mas temos que rebolar muito para tornar esse país grande, para inseri-lo no contexto global. Celso Amorim deveriam ir para a reserva, junto com o Ronaldo, Roberto Carlos e Cafu, para nunca mais ser convocado.

sexta-feira, julho 14, 2006

Fechando bem a semana

As coisas estão ganhando momentum! Sinto as forças invisíveis alinhando as energias para o nosso lado. Nada que eu possa noticiar agora, mas sugiro que fiquem de olho no site a partir do dia 1º de agosto, quando outra música nova será disponibilizada. E após essa data, só boas notícias.

Outra dica do que está por vir: em agosto Plebe no nordeste, começando pela Bahia!

Quem mora no Rio, fiquem de olho no jornal O Dia, para o qual dei entrevista ontem sobre a música Voto em Branco. Uma coisa legal é que o repórter me falou que pela nova legislação eleitoral, nem o voto branco, nem o nulo computa pontos para o vencedor. Então, podem anular ou podem deixar em branco que tanto faz! É uma forma de protesto. Por favor, quem tem acesso ao Dia, comprem e me digam como ficou a entrevista.

Uma dica: acessem o blog do Black em www.brblack.com, que vem com a entrevista com o Cícero de Freitas, da banda Só o Fim.

Bom fim-de-semana para todos!

quarta-feira, julho 12, 2006

CBGB: já foi tarde!



Outro dia, num show do Capital Inicial em Brasília, o Dinho estava usando uma camisa do CBGB. Sabe, aquela preta, com as letras brancas, que vem junto com a camisa Jack Daniels em qualquer kit-roqueiro? Ele chegou para a gente e falou: ainda bem que não fechou!

Acho que tenho tendências iconoclastas, mas gosto de ver instituições caindo, símbolos sendo banalizados, heróis sendo desmistificados. Não tenho saudades do passado, quero viver o futuro! E o que mais me incomoda nessa nostalgia dos anos 80s é impor a uma geração nova símbolos velhos, que nada significam para eles.

De quando que é mesmo CBGB? Da década de 70, se não antes. Vinte e poucos anos atrás foi sede do embrião do punk nova-iorquino. Tocaram no seu palco Talking Heads, Ramones, Dead Boys, entre outros. Naquela época, deveria ter sido algo novo, emocionante. Hoje não passa de uma atração turística, tipo Disneylândia para roqueiros saudosos.

Para vocês terem uma idéia, em 1997 fui visitar o Philippe e o Balé que moravam juntos num triplex de 20 metros quadrados em Nova York. Sabem quem estava tocando no CBGB? O Vanilla Ice, sim aquele do Ice Baby! Na época pensei: temos que achar novos símbolos! O rock como a gente conhecia morreu!

E não é que, acessando o site no NME, li que, finalmente, o CBGB vai fechar! O Dinho vai ficar desapontado, mas tenho uma boa notícia para ele: o clube vai ser transferido para Las Vegas. Não, você não leu errado, Las Vegas, aquela cidade no meio do deserto do Arizona, cheia de cassinos e lugares cafonas. Nada mais apropriado para provar minha teoria, o CBGB é coisa do passado, virou uma caricatura de si mesmo.

Lembram o que Las Vegas fez com a carreira do Elvis? Transformou-o em uma aberração-espetáculo para a classe média americana. Conseguiu domar o rebelde. Vai acontecer o mesmo com o CBGB. Mais um dogma quebrado! Que venham os novos!

terça-feira, julho 11, 2006

Politicamente Roqueiro


Eu não acreditei quando li, mas é verdade. Paulo Ricardo, ex-RPM, ex-sex simbol, ex-ex-roqueiro, ex-Luciana Vendramini, vai se lançar candidato para Deputado Federal por São Paulo. Até aí, tudo bem. Não vejo mal nisso, nossa geração de músicos sempre esteve muito alinhado com a política. Falei diversas vezes para o Clemente e para o Philippe afirmando que ambos seriam excelentes representantes do povo. Tenho certeza, porém, que se candidatassem, não seria pelo PFL.

Paulo Ricardo escolheu o PFL. Poderia ser pior, poderia ser o PP, o PDS, o Prona ou qualquer outro desses partidos nanicos que só servem de barganha política. Poderia ser o PMDB, partido fisiológico, casa do símbolo-mor de todos os males políticos reunidos em uma só pessoa: José Sarney. PR se livrou desses, mas foi parar no PFL.

O Partido Frente Liberal não faz jus ao seu nome, de liberal não tem nada. Até admiro a atuação do Senador Bornhausen como oposição. Mas para cada Bornhausen o PFL tem centenas de aspirantes à ACMs, além do próprio. Pergunte para qualquer historiador político os males causados pelas, entre outras, oligarquias ligadas ao PFL no nordeste. É um partido que nasceu da ditadura, estando sempre no lado do mais forte. Não tenho muita simpatia por eles.

No seu site, Paulo Ricardo escreve que o PFL está alinhado com o Serra e o Alckmim. Se admira tanto esses dois, porque não sair pelo PSDB, um partido mais sério, mais alinhado com as poucas músicas de cunho político escritas pelo cantor?

Não critico o Paulo Ricardo. Acima, somente algumas considerações. Quem sabe o PFL foi a melhor opção no momento. Tomara que, se ganhar, seja um bom representante do povo de São Paulo no Congresso Nacional. Estando em Brasília, me ligue, PR! Vamos sair para traçar umas pizzas.

Você que mora em Sampa, o número do candidato Paulo Ricardo é 2543.

Agora, se um dia o Philippe ou o Clemente se animarem..........

Um pós-comentário: brincadeiras à parte, política é algo sério que, infelizmente, é visto como piada nesse país. Deveriam ser políticos pessoas estudadas, cultas, conhecedoras das necessidades de suas bases eleitorais, sem perder a perspectiva do todo. Nesse contexto, não acho legal personalidades se candidatarem - seja o Philippe, o Clemente, o PR, o Clodovil ou o Macaco Simão - por serem famosos tomarem o lugar de candidatos mais capacitados, que dariam muito mais pelos que votaram neles, e pelos que não votaram também. Mas esse é o nosso país. Por pouco, Silvio Santos não virou presidente!

segunda-feira, julho 10, 2006

Cenas de Brasília.

Cena 1. Palácio do Planalto, Brasília. Segunda-feira, à noite.

- Senhor secretário, posso lhe expor uma preocupação minha?
- Claro assessor, entre, fique à vontade. O que está lhe perturbando?
- Bem, é que aqui no jornal diz que a gente andou pagando benefícios da Bolsa-Família até para mortos.
- E?
- O senhor não acha isso meio irregular, antiético?
- Meu caro, e por acaso morto não tem família? Que tipo de pessoa é você que acha que o governo vai abandonar uma família pobre só porque um membro dessa morreu?
- Sob esse ponto-de-vista......
- E além do mais, esse é nosso maior carro eleitoral, nosso puxa-votos. A oposição, as elites e os conservadores estão contra.
- Mas, senhor, morto não vota.
- Mas a família dele sim!

Cena 2. Palácio do Alvorada. Segunda-feira, à tarde, na beira da piscina.

- Lula! Hoje é dia de semana, dia de trabalho, e você aqui, à toa?
- Calma, Marizete, já trabalhei muito. Estou relaxando um pouco.
- Foi?
- Sim, e você não acha que cortar fita de inauguração cansa?
- Mas e seus deveres como Presidente?
- Bom, desde que deixei de fazer, ninguém notou, então tudo bem.
- Aqui no jornal diz que a gente gasta mais com publicidade do que com segurança.
- E?
- Bem, de acordo com a matéria, se a gente gastasse metade do que você usa com propaganda na construção de novas e modernas prisões federais, poderíamos resolver a questão de crime organizado nas prisões.
- E por acaso preso vota, tolinha?
- Vota, Lula!
- Epa, então vamos repensar isso...

Cena 3. Na casa de um Deputado por Brasília. Segunda-feira, à noite.

- Benzinho, já fez as malas?
- Ué, vamos viajar de novo?
- Claro, vamos para o Rio de Janeiro.
- Mas, você não tem trabalho aqui em Brasília?
- Nada! Vou trabalhar somente nove dias no recesso e receber quase três salários!
- Nossa! Então vamos aproveitar essa grana extra e viajar, né?
- Claro que não, as passagens são por conta do Congresso, para visitar minhas bases.
- Mas as suas bases são aqui, benzinho, porque te dão passagens para o Rio?
- Mulher não entende de polítca!

sexta-feira, julho 07, 2006

O clipe da Ida para o Fantástico.

Antigamente, nos idolatrados e explorados anos 80s, não existia MTV. O máximo para um artista era ter seu clipe vinculado no Fantástico, aquele programa dominical da Rede Globo. Era uma coisa estranha, a emissora bancava um vídeo da banda, que era mostrado somente uma vez no programa e pronto, mais nenhuma exibição. Acontece que essa única aparição rendia um conhecimento nacional, tendo em vista a audiência do Fantástico.

A EMI certamente deve ter pago uma baba para a Globo fazer o clipe de A Ida para o Fantástico. Impossível aparecer no programa sem um jabazinho, isso eu tenho consciência. Mas o pior era que o diretor do clipe tinha todos os poderes para criar o roteiro, escolher o elenco e filmar. A banda não apitava nada. E assim foi.

Na época, o clipe que mais fazia sucesso era o Beat It do Michael Jackson (ou teria sido Bad, tanto faz), onde tinha uma luta de gangues interpretada por dançarinos, que faziam suas evoluções à noite, com neblina, em cima de um asfalto molhado. E não é que o diretor do clipe de A Ida para o Fantástico teve a mesma idéia? Coincidência pura! Então ficou assim: duas gangues, uma liderada por mim, outra pelo Jander. Cada uma formada por aqueles figurantes globais, vestidos com a visão roqueira dos figurinistas da Globo. Isso significava roupas com cores berrantes, estrategicamente rasgadas, cabelos cheios de gel e maquiagem carregada. Meio ridículo, resumindo. O Philippe ficava entre as duas gangues com seu violão, cantando. E o Gutje...... não me lembro, acho que fazia parte da gangue do Jander (chegou atrasado outra vez).

O local da gravação foi o porto do Rio de Janeiro, com o chão devidamente molhado e o ar cheio de fumaça geradas por aquelas máquinas fedorentas. Ficou horrível! Philippe Jackson não pega bem. Eu tinha passado o dia na praia e, por alguma razão, queimei só metade do rosto. Tinha uma linha divisória que passava entre os olhos e corria pelo nariz. Metade vermelho, metade branco-alemão. A maquiadora ficou puta, teve um trabalhão para deixar como o diretor queria.

Hoje, dou risadas com essa história, mas na época nos sentimos usados e manipulados.

quinta-feira, julho 06, 2006

Você deveria estar preocupado?


1. Você convidaria a Yoko Ono para elevar a moral de sua banda? E que tal o Romário ou Edmundo para formar uma equipe que precisa ser unida para vencer? Que tal incluir o Paulo Maluf num negócio, como sócio? Pois isso é o Hugo Chaves entrando para o Mercosul. Depois do que ele fez com a Comunidade Andina, como é que o frágil Mercosul irá sobreviver sendo mais um palanque do ditador venezuelano? Como que isso afeta você? Pode não perceber, mais graças ao pacto de livre comércio entre Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil, muitas das coisas do nosso dia-a-dia são bem mais baratos do que eram. Sem falar que o Brasil aumentou muito sua competitividade e exportou mais. O desemprego e inflação te preocupam? Deveriam.
2. Que tal trabalhar durante nove dias e receber equivalente a três meses de salário? Largue já seus estudos e se filie a um partido! Vá virar deputado, senador, rapaz! Como que isso afeta você? Quem paga a conta? De onde vem esse dinheiro? Da educação, saúde, segurança.....
3. Sessenta por cento do Distrito Federal é considerada Área de Proteção Ambiental, mais conhecidas como APAs. Isso se deve ao fato de que o eco sistema do Planalto Central ser extremamente frágil. As áreas de proteção foram criadas para não desestabilizar a natureza, evitando que se tornasse um deserto. Só existe um fiscal do Ibama encarregado de fiscalizar todas as APAs do DF. Seu maior inimigo: o governo distrital, que tem conluio com os grileiros disfarçados de empresários imobiliários e permitem a invasão e construção nesses terrenos. As APAs são de responsabilidade do governo federal, que não está nem aí. Claro, não dá voto. Como isso afeta você? Água mais cara, clima mais seco, mais calor de dia, mais frio a noite. Afinal de contas, você tem vocação para bedoíno?
4. Existe um movimento no âmbito do Congresso Nacional de investigar as ONGs que defendem a Floresta Amazônica. Querem difamar essas organizações, acusando-as de receber dinheiro ilegalmente. Claro que é promovido pelo lobby dos agricultores que estão cada vez mais invadindo a região, transformando floresta em mares de soja. Quem são esses congressistas que questionam de onde vem o dinheiro para defender o verde? Eu quero é saber de onde vem o dinheiro que alimenta as contas deles! Isso porque, nesses últimos meses, as ONGs têm sido muito atuantes, denunciando grilagens, invasões e desmatamentos. Óbviamente, incomodaram alguém. Como isso afeta você? Quando a última árvore tiver sido cortada, o último verde queimado, vão descobrir que não dá para comer dinheiro.
5. Não houve mais nenhuma notícia do lançamento do CD da Plebe nesse blog. Será que o André está sem notícias ou está segurando as boas para só serem divulgadas no hora certa? Como que isso afeta você? Pode ter uma surpresa em breve!

terça-feira, julho 04, 2006

Sombras do Passado numa Esteira Automática



A MTV a palmos do meu rosto, e por mais que eu corresse, não adiantava, não conseguia me distanciar. A opção era descer da esteira, mas não é para isso que eu tinha acordado tão cedo nessa madrugada invernosamente cinza de terça-feira. O jeito foi aumentar a inclinação, ajustar a velocidade e assistir o programa LAB sem som. As academias modernas têm isso, além de querem arrumar nossos corpos, desconfio que possuem uma agenda oculta de obliterar nossa capacidade de raciocinar. Se não, como é que se explica a cacofonia multimídia que assombra os que se sacrificam para manter a forma? TVs de plasma estrategicamente penduradas nas paredes em ângulos que, não importa em que aparelho você esteja malhando, estará vendo pelo menos dois programas. Sim, dois, pois cada TV está sintonizada num canal – e não estou me referindo à TV aberta! Isso, com o volume desligado. São só imagens piscando num ritmo caledoscópico reduzindo os pensamentos dos atletas a nada. Como fundo sonoro, um tecno a - lá Jovem Pan dos infernos. Bate-estaca da pior qualidade. É um hipnotismo coletivo que tem como meta aniquilar qualquer vontade dos presentes a não ser uma: se exercitar. Mas é um exercício sem prazer, tipo vício em crack, quando a dose anterior não satisfaz mais. Minha proteção: um iPod, hoje munido com jazz bebop do Charlie Parker. Mas o fone de ouvido quebrou e fui obrigado a correr os seis quilômetros nas condições acima descritas.

Dois clipes foram exibidos, um após o outro, que me fizeram voltar ao passado e analisar meus gostos e, agora confessos, erros. Primeiro a data: 1987. Reynolds, no seu livro sobre o post-punk (melhor livro de rock de 2005, pelo NME), definiu o fim desse maravilhoso movimento como o ano de 1984. Portanto, os vídeos estão no calendário três anos após essa data. A Plebe estava lançando o Nunca Fomos e, por coincidência, as duas bandas que eu mais ouvia eram The Cult e New Model Army, que tinham colocado no mercado, respectivamente, os discos Love e Ghost of Caine.

Deu deja-vu vendo os clipes. Além disso, vergonha. Vergonha, vergonha, vergonha! Quero pegar todas as cópias do vídeo A Ida (não a do Fantástico, que também é uma merda, a outra versão, a oficial) e queimá-las. Jogar no reator de Angra I e reduzir tudo a átomos! Como que eu, uma pessoa esclarecida, pude, um dia, querer me vestir de Ian Astbury e Billy Duffy? Vendo o vídeo de Love Removal Machine vi o quão ridículos eram. Não só isso, o pior é que eles são traíras, vira-casacas, traidores.

O Death Cult estava bem envolvido na onda post-punk de destruir-para-reconstruir o rock. Tinham um hit importante, Fatman, que trazia tambores baseados nos índios norte-americanos, obsessão do vocalista. Tinha o look certo, tentando sair dos clichês do rock mainstream. Quando o pessoal do post-punk se vestia daquele jeito, ridicularizava os Poisons, Guns n Roses e Vipers da vida. A música era agradavelmente revolucionária, não no termo marxista, mas no sentido boêmio, inteligente, mas individualista. Daí, de uma hora para a outra, largam o Death, ficam com o Cult e fazem a pior paródia de uma banda de rock. Cabelos compridos lavados com galões de condicionador, calças de couro justinhas, jaquetas jeans rasgadas, bandanas (arg!), paredões Marshall (argh! arg!), gritinhos, solos chatos e letras despresíveis.

Eu vendo tudo isso sem som e pensando: que merda! que merda! Mas tiveram o fim que mereciam: o pessoal que gosta do rock tradicional os desprezou. Por que ouvir uma cópia mal feita do AC/DC, quando se tem o verdadeiro lançando não sei quanto discos (todos iguais) por ano? E, claro, os esclarecidos do post-punk abaixam os olhos quando passam pelos músicos do Cult, contendo uma risadinha e evitando contanto visual que pudesse acusar: traíras!

Em seguida, o New Model Army invadiu a tela de plasma com o excelente 51st State of America. Igualmente cabeludos, mas sem o creme rinse e as horas no salão. Cabelo comprido pela opção: ou gasto minhas escassas moedas num corte, ou vou tomar outra cerveja. A cerveja sempre ganhava. Mechas gordurosas, cheias de nós, cabelo normal. Roupas de couro, tudo bem, mas folgadas, provavelmente compradas de segunda mão, igualmente gordurosas, usadas para combater o frio, não pelo fashion. Dentes tortos! Um alívio para minha alma, não é que acertei em alguma coisa em 1987?

Clipe bonito, sem mega-produções, praticamente todo filmando fora da base americana na Alemanha. Letra consistente, dava para ver que eles acreditam naquilo que cantam. E não é que hoje eu tenho o CD do New Model Army, mas não do Cult? Ufa! Terminou a sessão da esteira, pude voltar para casa!

segunda-feira, julho 03, 2006

O prazer de torcer.


Onde estão nossos heróis? Na cadeia ou no cemitério. Então quem são aqueles aí? São uns covardes!

Não adianta, quem quer fazer história tem que sair na hora certa. Kafú, Roberto Carlos e Ronaldo deveriam ler mais Jack Kerouac. Talvez, se lessem, lembrariam da frase acima e sairiam de cena por cima da carne seca. Agora, não estando “presos ou mortos”, não são mais heróis no imaginário coletivo, mas sim, covardes.

E o que temos que aprender com a Argentina? Vejam a diferença: cinco mil argentinos receberam a sua seleção em Buenos Aires. O scratch dos hermanos foi recebido com vivas e tapinhas nas cosas. Tudo bem, não ganhamos essa, mas fizemos bonito e vamos ganhar as próximas.

Aqui, dezenas de mal intencionados fizeram plantão nos aeroportos internacionais do Rio e de São Paulo para vaiar os pouco jogadores que voltaram e a comitiva técnica. Tudo bem que o Parreira foi incompetente, mas classificou o Brasil nas eliminatórias e levou o time para o título em 1998. Não merecia fugir pelas portas do fundo do Galeão, como um bandido.

A turma gritava: Vergonha! Vergonha! Vergonha Nacional! Vergonha nacional é depositar todas as esperanças de uma nação em cima de um esporte. Ainda mais o único que não tem dedo do governo no meio. A Fifa é uma entidade cem por cento privada. Tem seus interesses. É mera coincidência que as seleções usam as bandeiras dos seus países. Teríamos muito mais para torcer se a imprensa desse o valor que outros esportes, pesquisa científica e vôos tecnológicos Made in Brazil merecem.

Bem vindos ao mundo real!

sexta-feira, junho 30, 2006

Plebe marcando presença na história de Brasília.

Meu avô materno, Brasil Pinheiro Machado, um político experiente da velha guarda, sempre falava que seu maior medo era ter uma rua ou praça batizada com seu nome, pois isso significaria que já estaria velho demais para a política. Seria uma espécie de aposentadoria forçada. Lembrei-me disso, hoje, quando vi a foto da Plebe na revista que veio encartada no Correio Braziliense de hoje, sexta-feira, 30 de junho. Conta um pouco da história de Brasília e éis que encontro um trio sorridente: Philippe Seabra, Gutje e eu. Bacana a homenagem, tenho certeza que, nesse caso, significa uma volta às atividade e não uma sumida de cena.

Essa foto foi tirada dias antes da volta, em 2000, para o Porão do Rock, que resultou na decisão de gravar o CD ao vivo. Nessa ocasião, ainda não sabíamos se o Jander iria participar ou não, por isso ele não está na foto (deveria estar!). Ele chegou horas antes do show, para grande alívio nosso.

terça-feira, junho 27, 2006

Nova Era Tecno

Você pagaria por uma refeição “tudo que puder comer por X reais”, quando a única coisa que você quer é um cafezinho? Essa é a sensação que tenho cada vez que me oferecem para comprar música pela internet. Me refiro às várias lojas virtuais, capitaneadas pela iTunes, da Macintosh. Pagar um dólar por uma música, quando a versão grátis está a algumas tecladas de distância me parece um pouco absurdo. Calcule, um disco inteiro sairia, digamos 12 músicas, por doze dólares! Essa lógica da indústria nunca me pareceu muito inteligente.

O mesmo sobre pornografia na internet. Como é que tem gente que coloca o cartão de crédito nesses sites pagos, quando a sacanagem corre livre e sem custo em vários outros endereços eletrônicos? E o pior, sabendo que esse tipo de site é um arsenal de spywares e adwares! E "mais pior" ainda, assinar é fácil, basta fornecer o número do cartão. Sair é mais difícil, quase uma tarefa hercúlea. E enquanto você não sai, o seu credenciamento é renovado a intervalos regulares, sangrando sua conta e sua paciência.

A indústria fonográfica, que agora não tem mais fonograma físico, mas sim virtual, vai à imprensa e comemora downloads recordes de músicas. Querem que a gente acredite que está dando certo. Ouvindo o podcast da revista Wire, soube diferente. Na verdade eles estão desesperados. Invejam a indústria cinematográfica que enfrenta a mesma pressão dos piratas, mas consegue lucros cada vez maiores. Eles não sacam que as pessoas têm um senso do valor-agregado daquilo que compram. Pagar 20 reais para ver um filme, tá valendo (caro, mas vale). Pagar 35 reais por um DVD legítimo? Porque não, é uma embalagem bonitinha, fica legal na prateleira. Pagar 25 reais por um CD? To fora!

Nessa era de iPods e semelhantes, a capinha deixou de fazer sentido. Então, não tem aquele risco de você ter uma coleção de CDs piratas em casa, fazendo sua estante parecer uma barraca de camelô da Feira do Paraguai. Deixe o espaço reservado para os seus DVDs, daí sim sua namorada vai ficar impressionada com aquele Up In Smoke, com todos os extras, e a trilogia original do Planeta dos Macacos. O povo sabe o que quer e onde vale a pena gastar o seu suado dinheiro. A percepção maior é que música é descartável, um prazer momentâneo. Pra que pagar um dólar por uma canção que já vou ter esquecido em uma semana?

Me pergunto: será que esses executivos nunca foram para aulas de administração? Acho que não, pois vem muita coisa pela frente: rádio na internet ainda está na ponta do iceberg, muita gente ainda não usa, mas quem descobre, até pensa em nunca mais comprar um disco. E quando der para acessar do rádio do carro? Adeus CD player! Outra, TV pela internet está dobrando a esquina. Logo, logo, estudiozinhos de garagens suburbanos vão estar competindo com a Globo. Tecnologia é tão legal, não sei porque esses caras não pensam um pouco sobre ela.

Com tudo isso, uma ressalva: nunca compro CDs piratas. Porquê? Por causa da indústria maléfica que existe por trás, que vai desde a exploração dos “mulas”, aqueles caras que vendem os CDs, carregados em uma caixa de papelão, enchendo nosso saco nos barzinhos da vida, até o financiamento de tráfego de armas, prostituição infantil e um monte de outras coisas ruins. Melhor: eu faço os meus e dou cópias de graça para meus amigos.

A TV digital vem aí, já foi definido o modelo. Será o japonês, seja lá o que isso queira significar. Mas, com ela, vamos poder surfar a internet pela TV. Já estão vendo as vendas de computadores caírem? Você vão poder ler o blog na sala de estar! Epa, informação a livre escolha do telespectador vai estar disponível na sala de estar, invadindo a principal área familiar da casa. Isso, se bem usada, vai ser a verdadeira revolução digital.

sexta-feira, junho 23, 2006

O Saudoso Teatro Rolla Pedra

Em Taguatinga existia um lugar onde, durante uma época, o pessoal da Tchurma se encontrava. Era o Teatro Rolla Pedra e, todo sábado, tinha o show de alguma banda. Me lembro do melhor show da Legião que vi, que era só o Renato num tecladinho barato e o Bonfá na bateria. Soldados e Fábrica foram tocados assim e ficaram do caralho. O lugar era pequeno, escuro, mofado, quente, em fim, exatamente como um clube de rock deveria ser.

A Plebe tocou lá várias vezes. O peculiar do espaço era que o palco ficava no nível do solo e o público ficava acima, pois a pista era inclinada, subindo. Num show do Mantenha Distância, banda hardcore do Jander e Fred, roadie da Plebe, o baixista, Barney, saiu distribuindo bolacha em todos, foi muito gozado.

Volta e meia, o pessoal do Rolla Pedra organizava um festival. Montavam um palco à frente do teatro e as bandas tocavam de graça para a galera. Foi num desses que o Philippe dedurou o Alessandro como italiano, no dia que a Itália tinha eliminado o Brasil da Copa. O garoto quase foi linchado.

Mas a melhor história de um desse festival foi quando resolveram transformar o segundo andar do prédio nos camarins para os músicos. O palco ficava de costas para o edifício, de tal forma de quem olhava pela janela tinha uma visão privilegiada da banda tocando e do público.

Quem estava tocando era a Banda 69, que orbitavam junto a tchurma, mas nunca fizeram parte. Por azar dele, no camarim, tinha um saco de limões. Nossa diversão foi ficar jogando limão no surdo da bateria, que ficava bem embaixo da janela, bastava mirar e largar a fruta. Cada limão que caia, parecia uma batida fora do ritmo, e a banda toda olhava para trás, furiosos com o Militão, o baterista, crente ele estar errando.

O Rolla Pedra foi um bom exemplo dos espaços que tínhamos para mostrar nossa música. Pena que nada parecido exista hoje em Brasília.

segunda-feira, junho 19, 2006

Jabá dá Multa (nos EUA)


Jaba, the Hut? Não, mas tão letal quanto! O pagamento para ter exclusividade dos meios de comunicação é considerado crime no mundo todo. Rendeu multa à EMI nos EUA. E aqui, quanto tempo teremos que esperar até que a justiça condene as gravadoras que fecham o acesso dos artistas às rádios e televisão? Ministro Gil, tem alguma novidade para a gente? Abaixo, notícia do Estadão.

EMI é multada em US$ 3,75 milhões por pagar jabás

A gravadora também vai revisar suas táticas promocionais em virtude de uma investigação sobre pagamentos ilegais a emissoras de rádio
EFE

NOVA YORK, Estados Unidos - A gravadora EMI pagará multa de US$ 3,75 milhões e revisará suas táticas promocionais em virtude de uma investigação sobre pagamentos ilegais a emissoras de rádio - popularmente conhecidos como "jabás" -, informou nesta sexta-feira a promotoria de Nova York.
O escritório do promotor Eliot Spitzer chegou a um acordo extrajudicial com a EMI Music North America em que esta se compromete a suspender pagamentos e outras compensações para que emissoras de rádio toquem com mais freqüência músicas de alguns artistas.
"Quando uma companhia fonográfica emprega um elaborado plano para comprar tempo de execução para seus artistas, viola a lei estadual e federal e oferece aos consumidores uma imagem distorcida da música supostamente melhor e mais popular", destacou Spitzer em um comunicado.
A promotoria determinou durante a investigação que a EMI fez pagamentos ilegais para ganhar tempo de execução e impulsionar seus artistas nas paradas de sucessos, subornando empregados com entradas para shows e outros presentes e ajudando emissoras com alguns de seus custos, entre outras práticas.
Os grupos Rolling Stones, Coldplay, Gorillaz e a cantora Norah Jones são alguns dos artistas que se beneficiaram das atividades ilegais de promoção, segundo a promotoria.
Os mais de US$ 3 milhões que a gravadora pagará serão distribuídos entre entidades com fins não lucrativos que se dedicam à promoção e à educação musical.
A promotoria nova-iorquina alcançou acordos anteriores similares com a Sony BMG, a Warner e a Universal. Além disso, destacou que mantém aberta uma investigação sobre pagamentos ilegais a emissoras.

sexta-feira, junho 16, 2006

Exclusividade: o Fax de Lula à Ronaldo



Essa é para manter o bom humor no fim de semana. Tem um dito anarquista de que a melhor forma de acabar com um governo é rir dele. Então lá vai.

Meu pesado colega Ronaldo,

Venho atraveis deste fáquiz, encerar de uma veize por todas, estas polêmica sobre os fato de você estar rexonxudo e um tanto quanto repolhudo ou não. Hic. Mesmo porque isso é um assunto de forno íntimo e não é da minha calçada.

Eu sei que ônti, quando eu perguntei pros Parrera sobre os seus pobrema de obesidade eu cometi uma garfield e acabei trocando os pés pelos mamões e botando nós doiz numa saia injusta.

Acho que por causa disso você acabou falando que se você é gordo eu sou um bêbo. Eu não sou bêbo, hic, e por acaso eu nem to mais gordo, mas ao invés de tentar brigar mais ainda, acho melhor a gente botar umas pingas nos is.

Vou aproveitar esta miçiva e matar dois coelho com uma caixa dágua: eu não falo mais dos seus pneu e você não fala mais das minhas cana.

Boa sorte pra você, espero que vocês volte com o hexa e me ajude a conquistar o bi nas eleissão de outubro.

Hoje eu vi as abertura da Copa nas Alemanha e se emocionei muito ao ver o Pelé com a Cláudia Chifre.

Tudo de bom, abassos a todo, do seu conhaque presidente.

quarta-feira, junho 14, 2006

Plebe na Copa de 1990


A data era 24 de junho de 1990. Copa do Mundo rolando na Itália e a Plebe (músicos, equipe e convidados) enfurnada no quarto do Philippe, num hotel em Goiânia. O jogo era Brasil e Argentina, o time que adoramos odiar. Jogo fraquíssimo, ambos os times na retranca e pouco futebol para se gabar. Logo o frigobar foi esvaziado, sob os olhares do Philippe que perguntava: quem vai bancar isso? Essa preocupação foi eliminada, junto com o Brasil, quando o Caniggia marcou o único gol da partida, aos 35 minutos do 2º tempo.

Melancolia total quando descemos ao lobby para ir a boate, onde seria o show daquela noite. Passagem de som já é chato, imagine o clima entre todos com a Seleção eliminada pela Argentina! Passamos poucas músicas e voltamos ao hotel para relaxar até a hora do show.

Se o clima na passagem de som estava ruim, imagine durante o show. Na verdade, o dono da boate armou o evento para comemorar a vitória do Brasil sobre a Argentina. O lugar estava todo decorado de verde e amarelo. Onde você olhava, tinha algo para te lembrar da Copa, agora com um Brasil eliminado. Nada que fazíamos conseguia elevar o astral da galera, que parecia mais num velório.

Foi nessa que o Philippe teve a grande sacação: ele tinha acabado de comprar um teclado que vinha com um monte de efeitos especiais pré-programados. Entre eles, um chicote estalando. Então ele ia pro microfone e falava: “Chibatada no Lazaroni!” E a casa vinha abaixo. Lazaroni era o técnico da Seleção, para quem não se lembra. Assim foi o show, entre cada música, a gente ia até o teclado e mandava uma série de chibatadas e gritava: “Essa é pro Lazaroni!”.

Nem só de música se faz um show.

terça-feira, junho 13, 2006

Croatas caem no samba!!


E, assim como aconteceu em 1970, quando os comunistas se reuiniram e decidiram que era ok torcer pelo Brasil, mesmo implicando propaganda para o governo, eu me reuni com minhas várias personalidades e decidimos que, se eles podiam, nós também podemos. Então: dá-lhe Brasil!!!

segunda-feira, junho 12, 2006

Cada ação provoca uma reação.






Vocês nunca se perguntaram porque os cachorros atacam os humanos? Vejam, nas fotos acima, a resposta! Quando morava no Rio, fica bobo de ver os cariocas enfiarem suéters em seus cachorros quando a temperatura baixava dos 19 graus! Dá-lhe dentes!

sexta-feira, junho 09, 2006

Viva a Seleglobo!


Subindo no elevador, meu vizinho pergunta: “E aí, vai torcer para a Seleção da Rede Globo?” Não entendi nada. A ficha só caiu vendo o Jornal Nacional. Não é estranho que a Seleção representa o país, mas só a Globo tem acesso aos jogadores, ao técnico, aos treinos? E aquele bonequinho da Vivo no uniforme? Muito esquisito. Parece que a realidade Blade Runner, onde as corporações tudo controlam, está chegando.

Voltando à Seleção, vocês provavelmente viram Lula, o Candidato, numa seção de perguntas e respostas com os jogadores. Sabiam que a condição era: somente o Presidente pergunta, os jogadores só respondem. Indagações ao Lula eram proibidas. E tem gente que acha que a música Censura está ultrapassada!!!

Já o Ronaldinho, que não foi fazer campanha pró-Lula nas seção de perguntas e respostas armada pela Globo, deu um golaço com a resposta ao Presidente que perguntou ao Parreira se o Fenômeno estava gordo. Ele, irritado falou: “Se você acredita o que lê na imprensa, acredita que eu estou gordo, então eu também acredito e acho que você é um bebum, cachaceiro!” Muito boa!

Eu queria ver um Kaká marcar um gol e comemorar levantando a camisa do uniforme para revelar outra camisa escrita: Seja Alguém, Vote em Ninguém!

quinta-feira, junho 08, 2006

Seja Alguém.....


No último BMF (Brasília Music Festival), quando fui apresentar Voto em Branco, falei de um político brasiliense que, quando foi senador pelo DF, acabou mentindo, jurando uma inverdade, depois chorou, pediu desculpas e, covardemente, renunciou ao cargo. Não foi o único que mencionei na tentativa de alertar sobre como os candidatos se mostram e como na verdade são. Mas esse sujeito, em particular, ficou ofendido, pegou o telefone do Philippe e ficou enchendo o saco. Quis nos processar, mas sacou que somente falamos a verdade. Estamos num ano de eleições. E de copa! Quando saio para o trabalho de manhã, fico assustado com o número de bandeiras, da cidade pintada de verde e amarelo. Lembro que não estamos na ditadura, que aquilo não é uma ação “moral e cívica” dos militares e me acalmo um pouco. Só para ficar novamente apavorado quando constato que tem mais adesivos nas janelas dos carros desse político do que bandeiras pró-seleção. Não preciso explicar o desenho do Angeli, acima. Muito apropriado.

terça-feira, junho 06, 2006

Invadiram o Congresso Nacional!

Estou rolando de rir, enxugando as lágrimas que jorram para fora desses olhos felizes. O plenário da Câmera dos Deputados está lotada numa terça-feira, coisa inédita. Mas não pensem que é por vontade de trabalhar de nossos representantes. É que estão com medo, acuados, cagando nas calças. O MST invadiu o Congresso Nacional e está realizando o sonho de milhares de brasileiros: dar porrada nos deputados!

Liguem na TV Câmara, é hilário ver os cagalhões medrosos justificando a força policial, querendo que a imprensa não dê foco nos invasores. Olha, nunca fui simpático ao MST, mas dessa vez estou aplaudindo em pé.

Quando do Giraffest, o Philippe disse que o sonho dele era ver as milhares de pessoas que estavam para o show, um dia, na frente do Congresso Nacional protestando. Acho que deveríamos todos ir para lá, dar força aos sem-tera invasores.

Sensacional, não há outra palavra

Pensamento do Dia

Suzane von Richthofen consultando o advogado:

- Eu tenho alguma chance de ser absolvida?

- Só se for julgada pelo Congresso Nacional !!!

Homenagem ao Nettinho.


Não conhecia pessoalmente o guitarrista dos Detonautas. Uma vez esbarramos com eles no backstage da gravação da homenagem ao Renato Russo. Me chamou a atenção a alegria da banda de estar lá prestando as devidas honras. O baixista até me deu uma palheta personalizada que usei no show do Girrafest (é muito boa!). Segunda, quando li a notícia de sua morte, assassinado numa tentativa de assalto, uma tristeza muito grande se apoderou de mim. Imediatamente a letra da Legião soa na minha cabeça: “porque que os jovens sempre sofrem” (ou algo nessa linha, não me lembro bem da letra, mas sim do tom de tristeza e do significado). Quantos morrem assim, que não são celebridades e, por isso mesmo, ficam no anonimato? Voltando ao caso específico do Nettinho, o cara estava fazendo o que gostava, não incomodava ninguém – vítima de um incidente estúpido.

Poderia falar sobre como a bolsa-família, principal arma eleitoreira do PT, estimula as pessoas a não fazerem nada. Como o assistencialismo, do qual o Brasil é vítima durante décadas, é apontado como o maior causador do abismo social. Poderia apontar dedos e escolher culpados diretos e indiretos, mas não vou fazer nada disso. Essa é uma homenagem a uma pessoa que não conhecia, mas poderia conhecer. A alguém que vivia de música, que trazia um pouco de alegria àqueles que gostavam de seu som. Repouse em paz. Amém.

segunda-feira, junho 05, 2006

Sexta Doom no Porão





Porão do Rock - sexta-feira – 2 de junho de 2006. Noite dos camisas pretas, e não me refiro ao movimento pró-Mussolini na Itália, antes da segunda guerra mundial. São os fãs do metaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal!, que comparecem em hordas para prestigiar Lobotomia, Totem, Paul Di’ Anno, entre outros. Não sei o que o Cólera estava fazendo no meio, destoando, no bom sentido, de tudo isso. Aliais, lágrimas foram contidas vendo o Cólera. Quando do lançamento do Nunca Fomos, éramos unha e carne. Sempre em São Paulo, a Plebe vivia com os caras. O reencontro foi emocionante. E sábado foi aniversário do Pi R, parabéns!! Vejam as fotos.

O nosso set de dj foi muito divertido. O Balé entrou com um peso de bigorna, manobrou para um tecno e aterrisou no velho e bom Devo. Bacana.

Para marcar o começo dos trabalhos, comecei com Highway to Hell, tocado pela banda country Hayseed Dixie, com direito a solo de banjo e tudo. Os metaleiros até que levam jeito para o country, deveriam frequentar mais feiras de agropecuária, he he he. Depois, um mash de Nirvana Teen Spirit com Billei Jean do Michael Jackson. Tinha uns que não sabiam se dançavam, me xingavam ou se divertiam. Em seguida, Vines misturado com Pink, com a mesma reação da platéia. Daí, foram três versões reprogramadas de grandes hits, com a batida comendo solta: Whole Lotta Love, Eye of the Tiger e Pink Floyd. Legal que quando o groove começa a aparecer, as garotas voltam à pista, que até então só tinha garotão. Daí foram, Robot Rock, do Daft Punk, um mash de Satisfaction com Fatboy Slim e, para terminar, Vou Criar Galinha, do Agildo Ribeiro, com solo de galinhas fazendo boc-boc-boc.

Queria tocar mais, mas o Igor chegou e foi tomando conta dos decks (deram uma hora para cada um). Gostei da reação do público, tirando uns radicais, como da foto acima, acho que todos conseguiram se divertir. Não é o que costumo tocar, mas achei legal trazer um pouco de bom humor à noite negra do porão.

sexta-feira, junho 02, 2006

É Hoje! Porão do Rrrrrrrockkkk!



Dei a notícia errada! Balé e eu (mais Igor Cavalera e outros dê jotas) estaremos hoje (repito: hoje!) na tenda do Porão. Acima, um flyer feito pelo Balé para o evento do ano passado. Ignorem a data.

Espero que estejam lá para me proteger dos metaleiro enfurecidos quando tocar AC/DC misturado com Miss Eliot (eta!).

quarta-feira, maio 31, 2006

Poente em Brasília


Severino Cavalcanti – a piada política de 2005 – deu uma entrevista dizendo que já tem 100 mil votos garantidos para que volte ao Congresso como deputado. Sim, aquele mesmo contra experiências com células tronco. Aquele que extorquiu o dono de um restaurante para que o estabelecimento continuasse a funcionar no edifício do Congresso. Não é que o povo tenha memória curta. Não tem nem memória! Não entende que é o dinheiro deles que está sendo desviado para contas de deputados.

Mais de metade dos deputados e um senador estão comprovadamente envolvidos com o desvio de dinheiro destinado a ambulâncias. Sabiam que mais da metade das mortes por remoção acontece porque não há um transporte eficiente para levar o enfermo/acidentado ao hospital? Esses, além de serem cassados, deveriam cumprir pena por assassinato!

O Quércia, símbolo de político corrupto no final do século passado, agora é a salvação do PMDB. Hoje, está reunido com Lula para traçar estratégias que beneficiem ambos. Será que vão lembrar da gente?

Mensalão está comprovado que existe. Além dos abonados salários, deputados e assessores recebem mensadinhas do PT para formar a base governista. É o mesmo que por a raposa no galinheiro. Enquanto não tem fome, não mata as galinhas. Cassaram o Jefferson e o Dirceu e todos fazem um acordo que mais ninguém vai ser punido. Beleza, né?

Por tudo isso, publico a foto, acima, gentilmente encaminhada pelo Kuala Bala Ribeiro. Por do sol em Brasília é isso aí. Aceitam uma fatia?

terça-feira, maio 30, 2006

Picolé de Macaco



O macaco da foto, acima, ilustra muito bem o jeito de pensar da maioria da nossa população. Sejam ricos, sejam pobres, a tendência é sempre pensar no curtíssimo prazo, nas vantagens do agora, não dando importância à construção de um futuro sustentável e próspero.

Voltando ao caso do macaco ártico. Para se proteger das épocas mais frias do inverno, o símio adota hábitos nômades, procurando temperaturas mais amenas ao sul ou norte, conforme for o caso. Mas estar em constante mudança dá trabalho, exige preparação, planejamento, plano de curso, racionamento dos alimentos, proteção da família, enfim, se gasta muita energia. O nosso amigo da foto achou uma piscina de água quente brotando do chão. Oras, pensou, vou me aquecer dentro dela e, assim, me proteger do frio.

Agora está numa sinuca. Se sair, a água no seu pelo vai congelar e o macaco morrerá de hipotermia. Já, se optar por ficar dentro da piscina, morrerá de fome. Por optar pela saída mais fácil – se proteger na água quente – o peludinho condenou sua existência na terra a poucos dias. Se tivesse escolhido a opção mais trabalhosa – migrar – poderia viver mais uma dezena de anos.

Vejo muito jovens optando pela saída mais fácil: deixar de estudar, preferindo um empreguinho agora. Oras, o salário paga o cinema e o refri, pra que mais? Porque, meu caro, um dia você vai precisar de casa, vai ter que sustentar uma família, vai querer montar o seu negócio, vai preferir um emprego mais desafiador. Ser burro é muito fácil. Ser medíocre é moleza. Difícil é ralar anos para ser um médico, um técnico de som, um engenheiro. Viver à sombra dos outros é mole. Fazer a sombra que abriga outro que dá trabalho.

Os políticos brasileiros seguem bem a linha de raciocínio do macaco ártico. Preferem roubar agora, depenar o patrimônio público, desconhecendo que comprometem gerações à ignorância e pobreza. Roubar agora e encher de dólares uma conta num paraíso fiscal é moleza. Construir uma nação forte, competitiva e independente dá mais trabalho.

O negócio é que a saída fácil prejudica não só os outros, como, principalmente, o feitor, o que opta por ela. A próxima vez que passarem por uma piscina quente e estiverem com frio, pensem duas vezes, suem a camisa, queimem os neurônios. Vocês não vão se arrepender. Melhor um cabeça quente do que um picolé humano!

segunda-feira, maio 29, 2006

White lables e Boots.

Desculpem a desaparecida! Peguei dois dias de férias e me desliguei do mundo. Voltando à real, descobri que teve um terremoto na Indonésia (novidade ruim), que o Lula ainda tá inaugurando coisas por aí (nenhuma novidade) e que o Atlético Pr. ganhou e pulou para o 10º lugar do brasileirão (novidade boa)!

Bem, e novidades da Plebe?, vocês devem estar perguntando. Tem, mas não vou abrir o bico para não melar! Vocês terão que esperar!

Enquanto isso, preparo o meu set com DJ no Porão, no sábado, dia 3. Como já adiantei, só estarei tocando white labels ou, como também são conhecidos, bootlegs. O que vem a ser isso? Saca só: o garotão em casa, munido de um computador e uns softwares de áudio, pega uma música, digamos Owner of a Lonley Heart do , urg!, Yes. Ele decompõe a música e remonta ela de outro jeito. Vira uma versão bootleg.

Outro exemplo: o cara pega duas músicas que não têm nada a ver uma com a outra. Digamos Smells Like Teen Spirit, do Nivrana, e Billie Jean, do Michael Jackson. E funde as duas!! Fica outra coisa, dá pra reconhecer as duas canções, mas é diferente das duas originais.

Isso é o que estarei tocando na minha hora comandando os decks. Estejam lá, de cabeça aberta, dancem e curtam!