Tarantino e Rodriguez estão de volta - e juntos!!! Não poderia haver melhor notícia para tirar um pouco da depressão carnavalesca! Sensacional! Vejam o trailer, acima, e babem.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
A Filmagem do Clipe de Até Quando Esperar (ao vivo)
O interessante comentar sobre essa música é que, quando a gente começou a ensaiar para a gravação do ao vivo, queríamos fazer uma versão diferente do nosso maior hit. Brincando, chegamos à mudança das baterias, do pulsar do baixo, a inserção da viola e o som mais cru da guitarra. Somente agora, após o lançamento do R ao Contrário é que voltamos a tocar a música como foi gravada no Concreto. Qual das duas versões será que os plebeus preferem?
Um Homem Sem História = Árvore sem Raíz.
Para piorar, esse ano choveu adoidado, forçando muitos dos poucos organizadores de shows a não quererem arriscar perder dinheiro por causa do baixo comparecimento de pessoas que não saem de casa quando cai um temporal.
Poderia, também, abrir o bico sobre os detalhes do DVD, mas o silencio, nesse caso, é estratégico. Quando sair, vai ser de supetão, surpresa total.
Além disso, gosto de contar histórias passadas. Como diz o historiador Galbraith: o estudo da história é um assunto pessoal, na qual a atividade é mais valiosa que o resultado.” E é assim que me sinto. A atividade de compartilhar os bastidores da Plebe e o feedback de vocês é muito valioso, divertido e trás satisfação. Espero que estejam de acordo.
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
A Filmagem do Clipe de Luzes
José Eduardo Belmonte é um talentoso diretor de Brasília. São fã pessoal de seu trabalho, desde os curtas como TP e Cinco Filmes Estrangeiros, até seus longas, do qual destaco Concepção, que tem na trilha sonora Plebe e André X. Também é o diretor com o qual mais trabalhamos.
Seu primeiro clipe para a Plebe Rude foi para Luzes. A idéia do Zé Eduardo era bastante ambiciosa. Queria, num único clipe, mostrar a banda tocando, os músicos em locais importantes para a Plebe, como a comercial do Adrenalina, o Foods, contar a estória de um garoto que era rejeitado por seus colegas por ter um estilo diferente, pois ainda ouvia vinil, dançava chutando, usava roupas alternativas, e, ainda, relatar a letra da música, que fala da primeira transa de um moleque, com todas as ansiedades e decepções. E conseguiu! O resultado final foi muito bom. Esse é considerado por muitos plebeus como o melhor vídeo da Plebe.
As gravações ao vivo ocorreram num show realizado no Paranoá, dentro de um projeto do GDF de levar música ao vivo para comunidades do DF onde ninguém tocava. Os locais “importantes” foram filmados de manhãzinha, de madrugada, para aproveitar melhor a luz. Lembro que gravei as cenas, troquei de roupa e ainda fui trabalhar! O ator que fez o personagem principal, cujo nome claro que esqueci, fez um trabalho muito bom.
Tem uma cena de um garoto - acho que o nome era Patolino - fazendo reverência para mim. Durante um tempo, em qualquer show que a gente fazia no DF, ele pulava no palco e fazia essa encenação. Fico feliz que o Zé tenha capturado isso no clipe.
A música, como vocês sabem, é da Escola de Escândalo, banda formada pelo meu irmão, Bernardo, Balé, Geraldo e Fejão. Realmente foi uma pena eles nunca terem gravado um disco, pois seriam a grande quarta banda de Brasília.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
A Filmagem do Clipe de Mais Tempo que Dinheiro
O roteiro do clipe era muito simples: filmar a gente tocando ao vivo e sincar as imagens ao som de Mais Tempo que Dinheiro. O local escolhido não poderia ser melhor, um show na UERJ, universidade que fica ao lado do Marcanã. O público estava 110% plebeu, aqueles shows perfeitos onde existe uma sinergia entre a banda e o público. Se conseguisse capturar essa energia, essa sensação, e torná-la comercial, seria dono da melhor e mais possante droga do mundo, ficaria rico.
O pessoal que editou as imagens conseguiu capturar essa troca plebe/público com perfeição. Os moshes, a emoção, o pessoal cantando junto, a alegria dos músicos, tudo ficou perfeito. Lembro que estava usando uma camiseta do White Zombies com uma camisa social por cima. Em algum lugar, eu ainda tenho esse show inteiro em VHS. Vou descavar isso, transformar em DVD e colocar na internet.
Infelizmente, o clipe não foi muito tocado, a Natasha Records não tinha bala para bancar os jabás necessários. Não existe no You Tube. E, antes que perguntem, não, não temos uma cópia, buá!
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Uma Pausa para os Comerciais.


Para começar, um álbum de figurinhas do Rat Fink, intitulado Máquinas e Monstros. Quem já viu a capa do sensacional disco Junk Yard, do Birthday Party, sabe que os desenhos do Ed “Big Daddy” Roth só são superados pelos seus famosos hot rods. Na década de 70s, o jovem X montava modelos da Revell baseados nas figuras do Ed Roth. Eram sensacionais e me arrependo de tê-los explodidos com bombinhas (prática comum na Colina naquela época......). Com certeza será o álbum cujas figurinhas serão compradas mais por adultos do que por crianças. Quem entrar nessa, entre em contato para troca de figurinhas, pois esse é um que pretendo completar.
Outra boa notícia é que Zack Snyder confirmou que vai dirigir a adaptação para o cinema de Watchmen, clássico dos quadrinhos escrito e desenhado por Alan Moore e Dave Gibbons. Numa entrevista ao site Omelete.com (Não conhece? Corre atrás!), o diretor disse que não vai deixar os estúdios hollywoodianos interferirem no roteiro. Essa preocupação é grave, pois, recentemente, deram um banho nos roteiros de Flash e Mulher Maravilha para torná-los mais “família”.
E, também, do mesmo site, outra confirmação sensacional: vão filmar Ronin, que para mim é um dos melhores trabalhos do Frank Miller.
Ah, se somente tudo isso saísse no carnaval, seria perfeito para fugir do samba, suor e ouriço.
Uma Pausa nas Filmagens para o Arruda.
Refiro-me ao governador do DF, Arruda. Como sabem, não falamos bem dele durante as eleições ocorridas no ano passado. Temos sérias restrições contra a prevaricação, que consideramos um dos grandes males de nossos políticos. Como não tem lei contra, qualquer um pode mentir sem grandes conseqüências para suas carreiras. Nosso “pega” com o então candidato era esse.
No entanto, há pouco menos de dois meses no comando do Distrito Federal, o Arruda tem agido de forma que nos fez notar e tirar o chapéu com aprovação. Na verdade antes de iniciar o seu mandato, começou mandando bem. A postura do Arruda deveria se imitada por outros chefes dos executivos estaduais, municipais e federal. Quando ganhou as eleições, parou de agir como candidato e começou a falar como administrador. Tem muito político que, mesmo cumprindo o enésimo mandato, insiste em agir como candidato.
O Arruda age em equipe, condição necessária para qualquer gerente ter sucesso. Envolveu todos durante a transição, que não foi fácil, pois recebeu o DF totalmente arruinado financeiramente e socialmente pela dupla Roriz/Abadia. Oficialmente, o rombo que pegaram foi R$ 2 milhões, deve ser mais. Isso imobilizou todo seu espaço de manobra para implementar suas ações. Outro teria procurado um “milagre” contábil ou alguma forma jurídica de gastar mais e ignorar o buraco. Fez o contrário, assumiu a dívida e propôs maneira de diminuí-la.
Nos dois meses à frente do DF, desonerou a folha de pagamento (que é paga por nós, contribuintes), tirando não concursados, diminuindo os comissionados, revendo contratos, fazendo tudo que um administrador da iniciativa privada faria. Implodiu aquele esqueleto ao lado da Academia de Tênis. Está propondo um túnel por debaixo da esplanada, da praça dos Três (podres) Poderes, visando desafogar o trânsito. Mesmo contra a vontade do Neimeyer, que está gagá e não deve mais ser ouvido quando o assunto for urbanismo. Propôs novo esquema para os “pardais”, de tal forma a não permitir a indústria das multas, mas preservar a paz no trânsito. Mudou a sede do DF para Taguatinga. Andou conversando com o INDG, instituto que tem ajudado políticos sérios, como o de MG e SP, a governar por meio de objetivos claros, comunicação permanente, indicadores de acompanhamento e projetos viáveis.
Cumprimentamos o Governador Arruda, reconhecemos que está fazendo um bom trabalho e esperamos que continue assim, agindo com competência acima da politicagem, como gerente e não candidato permanente. Estaremos acompanhando de perto e sempre vigilantes para aplaudir os acertos e apontar os erros.
Desafios que terá pela frente: desenvolver uma indústria própria para o DF, alguma coisa que aproveite a vantagem comparativa do Distrito Federal e tire o poder econômico dos funcionários públicos; acabar com o descaso pelo bem público, pois aqui no DF qualquer um invade, constrói e sai impune, ricos e pobres, privado e governo; educar, educar, educar.
Note bem, não estamos virando a casaca, nem nos tornando cabos eleitorais do Arruda, simplesmente reconhecendo que quem está no comando do DF, pela primeira vez em décadas, começou com o pé direito.
Tem coisas que a gente faz na vida que, a cada lembrança, dá um nó na barriga, uma vergonha na alma e a vontade de migrar para o Iraque e virar um Taliban. O clipe de Este Ano é o meu embaraço artístico de todos os tempos. Tanto é que, ao procurar o clipe para disponibilizar, só achei essa versão do Mion zoando a gente – e olha que ele poderia ter feito bem pior!
Foi mais ou menos assim: terminamos de gravar o Mais Raiva do Que Medo por um selo independente, o Natasha Records. Claro que não havia verba para rodar um vídeo. Para terem uma idéia, até a ida para SP para divulgar o disco foi feito dentro do carro de um dos donos – e ainda tivemos que rachar o gás. A Connie, fundadora da Natasha, é muito bem relacionada. Ela conhecia um tal de Marcelo Dantas, um videomaker dono de uma produtora que fazia filmes experimentais. O cara concordou em fazer nosso clipe.
Quando fomos ter a reunião de pré-produção, ficamos impressionados com seu equipamento. Inclusive, tinha uma micro-câmera que me deu uma idéia bem legal: colocar a câmera dentro de balões e filmar a gente tocando. Só daria para ver umas imagens distorcidas. Daí, aos poucos, estouraríamos os balões e a banda entrava em foco. Daria um efeito bem bacana. Claro que o “gênio” do diretor nem considerou, queria fazer um lance sado-masoquista. O resultado é esse aí.
Claro que o clipe ia parar no Piores Clipes do Mundo da MTV, era seu destino, foi para isso que foi feito. E legal a pessoa que consegue rir de suas próprias atrapalhadas. Com o rosto rúbreo de vergonha, repasso o mico para vocês.
Vale dizer, no entanto, que a gente se divertiu muito gravando nos porões de um shopping abandonado em Copacabana. Até hoje, não sei como não pegamos tétano ou qualquer outra doença. Rolamos no esgoto, nos cortamos em arames e correntes. O Marcelo Dantas era louco, queria a coisa realista.
Outra historinha gozada: imagine a gente entregando o clipe na MTV. Fomos assistir com o pessoal e, quando terminou, ficou aquele silêncio. Arg!
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Plebe Rude III - sem clipes!
Voltando ao III, sinto dizer, não houve clipe oficial. Para o Fantástico, sim, o Boninho dirigiu um clipe para A Serra. Foi vinculado uma vez e pronto. Essa é a razão que estou pulando esses. Foram legais, mas é um esforço muito grande, recursos gastos para mostrar somente uma vez e arquivar. Nossa relação com a EMI estava pior que a situação EUA/Irã. Eles nem sequer cogitaram bancar um clipe, que seria, acho eu, de Valor ou Plebescito.
Quando a gravadora não tem interesse em divulgar um produto recém lançado, você saca que tem algo de errado. A gente sacou e os próximos anos foram de reinventar ou, se preferir, redescobrir a Plebe.
Semana que vem, mais histórias de nossos clipes.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
A Filmagem do Clipe Nunca Fomos Tão Brasileiros
Infelizmente, não achei o clipe no You Tube, quebrando o paradigma que diz que “o You Tube tem tudo.” Não tem. Se alguém tiver esse clipe, por favor façam o upload para o You Tube para compartilhar com todos. E me avisem para eu postar no blog!
Assim que terminamos de gravar o disco, Philippe e eu fomos para Nova York comprar instrumentos com o adiantamento que a EMI nos concedeu em cima das expectativas de vendagem do Nunca Fomos. Um conselho para jovens músicos: nunca peguem adiantamentos polpudos, serão para sempre escravos da gravadora, eternos devedores. Voltei com três baixos (um Fender Precission, que vendi para o Negrette, um GL marrom, que vendi para o Neto do Finis Africae, e um Vox branco que dei para o nosso engenheiro de som). Além dos instrumentos, na bagagem um monte de roupas de roqueiro, inspirado na fase roqueira do Cult e do Zodiac Mindwarp and the Love Reaction, grupos que ouvia sem parar.
O clipe também é bem nessa linha. A gente no palco dando uma de roqueiro. Calças de couro, lencinhos no pescoço, fumaça, óculos escuros, botas de caubói. E a música, cá entre nós, é um hardrock de primeira, casou bem com esse visual. Que pena que não tem no You Tube para vocês darem boas risadas!
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Até Quando Esperar alavancou o Concreto, que se tornou campeão de vendas na EMI, chegando a ouro. A Plebe Rude saiu à estrada, dando shows de quinta a domingo toda semana. Foi uma época louca, da qual minha memória guarda poucos detalhes. Outro clipe foi encomendado pela gravadora e nos preparamos para gravar.
Philippe e eu compartilhamos um sonho de fazer um vídeo baseado no velho-oeste, onde seríamos caubóis matando pistoleiros malvados. Era para ser o de Proteção, mas o orçamento não permitiu. Então eu bolei outro, mais simples. A idéia era a gente tocando e, ao fundo, um pano branco. Sombras de objetos a ver com a letra da música seriam projetadas sobre o pano.
O local de gravação foi um depósito abandonado no porto do Rio. Gravamos tudo de madrugada. Deixei um bigodinho de malandro crescer especialmente para o clipe e vesti uma roupa muito doida. Nem sei o porquê desse visual. No mais, foi uma filmagem tranqüila, do qual me recordo muito pouco.
O resultado final não ficou exatamente como prevíamos. As sombras quase não davam para notar. Mas não ficou ruim. Sei que, nem amanheceu, e já estávamos na estrada novamente. Reparem os (d)efeitos especiais que o diretor usou, como dividir a tela em quadros e outro aparecer no meio. Isso era moderno na época, mas ficou datado, confesso. Outro detalhe, a arrumada de gola do Philippe, ficou hilária, he he he. Outra coisa muito boa foi a inserção das cenas da polícia atuando. O Jander de casaco de couro é outra raridade. Algum tempo depois, ele já se recusava a ter esse visual.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Ah, os anos 80s! Como éramos inocentes. Na verdade não, éramos a Plebe Rude, há há há, e tínhamos acabado de gravar nosso primeiro LP, O Concreto Já Rachou. Além do rock-Br, estava crescendo também o vídeo clipe. Toda música de trabalho ganhava uma versão visual para a televisão e para Até Quando Esperar não foi diferente. Onde gravar? A resposta foi imediata e um dos poucos consensos entre os músicos: no mesmo local onde foi tirada a foto da capa!
Sobre a capa, queria fazer um adendo para contar como foi. O Gutje vinha insistindo para a sua esposa, na época, fazer parte da banda. Queria inclusive que ela assinasse o contrato, pois assim poderia ficar no hotel bancada pela EMI. Claro que a gente recusou! Mas o cara insistia, insistia e insistia em dar alguma função para ela. Para ele parar de encher o saco, pusemos ela para coordenar a capa. Acabou não coordenando nada e ainda deu a mancada de deixar sair no encarte “Fernandinha da Blitz” ao invés de Fernanda Abreu, que fez a participação em Sexo e Karatê. Bom, quem escolheu a locação foi o Flávio Colker, fez a foto e a capa e a finalização.
Voltando ao clipe, o local era uma casarona antiga, abandonada e caindo aos pedaços em Santa Teresa, Rio de Janeiro. Tinha tudo a ver com a capa e, pelo abandono, com a música. Não vou me lembrar do nome do diretor, mas a coisa foi feita muito rápida, em uma tarde gravamos tudo. Cenas em grupo, cenas individuais, tudo. O resultado não nos surpreendeu, pois ficou igualzinho como tínhamos imaginado. Acho um excelente clipe de estréia da banda e tem uma ligação visual fortíssima com a capa.
Vale dizer que não foi nossa primeira experiência à frente das câmeras. Já tínhamos feito o curta metragem “Ascensão e Queda de Quatro Rude Plebeus” e um clipe da demo de Censura. Essa última foi feita por um pessoal de São Paulo, à época em que tocávamos pelos Napalms, Madames Satãs e Roses da vida. Lembro-me com saudades dessa época e de como éramos bem recebidos na capital paulista. Tenho que descolar uma cópia desse clipe, pois é muito bom, psicodélico, lisérgico e, claro, anos 80s.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Vá ao Teatro, Mas Não me Convide!
Muito gentilmente, respondi que eu não era a pessoa certa para participar desse debate. Primeiro, porque o cara que eu conheci era o Renato Manfredini, não o Russo. Quando o Manfredo virou o Russo, já tinha se isolado da gente socialmente. Nossos contatos no Rio foram poucos, porém sempre agradáveis. Mas ele era outra pessoa. Segundo, porque eu nunca ficaria dez minutos numa fila para ver essa peça. Sei que ela toca ao coração de uma galera sedenta pelo ídolo, pessoas com fome do passado, dificuldade de entender a constante evolução do presente e com medo do imprevisível futuro. Só que não sou uma dessas pessoas. Me inclua fora! Terceiro, porque prefiro manter minhas lembranças do amigo Renato purificadas, não contagiadas pelo mito que estão criando.
Essa peça me lembra aqueles dublês do Elvis que ficam fazendo showzinhos para jogadores em Las Vegas. Já virou até piada, ninguém leva a sério, nem os fãs do Rei. Acho que os que estão gerindo o legado do Renato Russo deveriam ter esse cuidado. Uma superexposição de um ídolo pode dar-lhe pés de barro.
Poderiam se mirar no gerenciamento que as famílias do Elvis e do Hendrix estão fazendo no exterior. Lá, dificilmente um produto é aprovado sem que passe por uma avaliação muito criteriosa do que tal e tal lançamento poderia fazer a imagem do ex- roqueiro. Tudo bem que agora vai ser lançado um refrigerante chamado “Are You Experienced”, mas, pela avaliação dos detentores dos direitos do Jimi Hendrix, é um passo válido. Só existe um remix oficial de uma canção do Elvis, todos os outros pedidos foram negados.
O recente show em homenagem ao Renato, do qual participamos, foi um exemplo de como não fazer a coisa. A Plebe, que convivia com ele, quase foi barrada, enquanto outros artistas que certamente teriam a desaprovação do Russo foram tratadas como reis. Não vou mencionar nomes, mas vocês sabem do que estou falando.
Por isso, podem ir ao teatro, fiquem na fila, relembrem o que eles querem que você relembre. Uns serão carneiros, outros lobos, eu prefiro observar tudo das alturas como uma águia, talvez do mesmo ponto-de-vista do Renato.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
MPB assalta o Fisco!
Para vocês terem um idéia, vejam os números. Ana Carolina conseguiu R$ 700 mil para realizar uma turnê pelo Rio e por São Paulo. Caetano pediu e está só aguardando o final dos trâmites burocráticos R$ 1,3 milhões para que seu show passe por cinco cidades brasileiras. Daniela Mercury deu uma facada no fisco na quantia de R$ 814 mil para uma turnê de 12 datas. Até Carlinhos Brown, com toda consciência social que faz questão de exibir, desviou R$ 768 de dinheiro dos impostos para seu Camarote Andante.
Como? Tem a Lei Rouanet que permite que uma empresa (ou uma pessoa comum) invista dinheiro em projetos culturais e artísticos, e depois possa ressarcir esse investimento na hora de fazer sua declaração de Imposto de Renda. Ou seja: o dinheiro investido é aquele que iria para os cofres do governo federal. Indo para os cofres do governo federal, deveria ser gasto nas lacunas sociais, como educação, segurança, saúde e infra-estrutura. Como não vai, é gasto para que o Caetano voe de primeira classe, para que a Ana Carolina tenha um champanhe em seu camarim e para que o Carlinhos Brown possa comprar um figurino prateado desenhado pelo Gucci.
Tem mais, uma das pré-condições para o investimento do Estado em espetáculos culturais é o critério de democratização do acesso - os ingressos deveriam ser mais baratos. Não é o que acontece. Quanto que Caetano cobra para alguém vê-lo no palco? Não fica por menos de R$100. Sua irmã, Maria Betânia, também agraciada pelos subsídio cultural, cobrou R$ 140 em show recente. Ou seja, é claramente um caso de desapropriação de recursos público, punível em lei.
De acordo com a Wikipedia, do qual sou fã, subsídio é o fornecimento de fundos monetários a certas pessoas. Subsídios governamentais fornecidos a empresas (comércio e indústrias) possuem o intuito de abaixar o preço final dos produtos vendidos por tais companhias, para que estes produtos possam competir com os produzidos em outros países a preços menores (entre outras razões, por causa dos menores custos de mão-de-obra e de diferenças de taxas cambiais). Se pegarmos essa definição, que é aceita mundialmente, vemos o quão distorcido está o emprego dos subsídios culturais no Brasil. Nem conseguem abaixar o preço do ingresso, nem do disco, nem do DVD. Não permitem o acesso dos menos favorecidos à cultura nacional, nem fomentam a produção artística popular. Uma aberração sob qualquer ponto de vista.
Li recentemente nos jornais que artistas menos conhecidos não tem a mesma sorte. Um tocador de pífanos de 86 anos do interior da Paraíba, tenta a anos conseguir algum incentivo do governo, pela mesma lei, para gravar um CD. Nunca conseguiu um centavo! Claramente há descriminação e favorecimento no Ministério da Cultura. Imaginem a turnê que a Plebe faria com o “incentivo” de R$ 700 mil dada à Ana Carolina! Com essa grana, ela fez só cinco shows, a gente faria o Brasil todo, com ingressos muito baratos ou, até, de graça. Só um detalhe que todos estão esquecendo: ela ainda fica com o dinheiro da bilheteria! Quer dizer, turnê para esses megaestrelas da MPB é um investimento sem risco, com retorno garantido, quer tenham casa cheia ou não.
Analisando assim, vemos que os subsídios fazem exatamente o contrário de sua concepção de fomentar a cultura. Dando esse dinheiro para esses artistas já consolidados, impedem o acesso de outros artistas aos holofotes públicos. Criam uma reserva de mercado, com a qual estão muito felizes, pois são um dos poucos agraciados.
Hoje em dia criatividade musical não é um bem escasso. Analisando assim, os produtos gerados – música, shows, discos, dvds – não deveriam ser caros, pois a competitividade é acirrada e a oferta é muito maior que a procura. Não há mais motivo para existirem músicos milionários, ricos, espécie a parte dos outros humanos. Só continuam com seus status quo por causa de forças que distorcem o mercado, como jabás e subsídios desse tipo.
Portanto, no próximo show do Caê, mostre seu comprovante de contribuinte e entre de graça. Aproveite também para ir ao camarim da Ana Carolina e beba um copinho de uísque, pois afinal, você já pagou por isso. Segundo relatório da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), no primeiro semestre de 2006 as vendas de CDs caíram 6,74% em valores totais (e 52% dos discos vendidos são piratas), porquê será?