
No dia 25 de maio, em um protesto inédito, quatro capitais brasileiras venderam gasolina sem impostos. O resultado foi uma venda recorde do combustível, que estava saindo para o consumidor final, em média, 40% mais barato. Essa fatia que vai para o governo está embutido em tudo que compramos, em todos serviços pelo qual pagamos e em toda diversão que a gente consome. A grande pergunta é: o que fazem com um dinheirão desses? Pelo que a gente vê por aí, pagam passagens para mães de deputados, pagam os salários dos assessores dos congressistas, emprestam dinheiro para a Venezuela, Bolívia e outros que já quebraram contratos com empresas brasileiras, “investem” em publicidade governamental e, claro, com o que sobre constroem algumas escolas, hospitais e presídios.
A intenção do movimento é demonstrar para o brasileiro o quanto de imposto ele está pagando, o quanto ele está contribuindo para a farra governamental. O Brasil é um dos países que mais cobram impostos do mundo. A data escolhida para o protesto é a quantidade de dias que os brasileiros precisam trabalhar para pagar os tributos cobrados. De 1º de janeiro à 25 de maio, 145 dias trabalhados para encher os cofres públicos. Tenho certeza que ninguém se importaria em dar essa contribuição compulsória se houvesse uma contrapartida visível da aplicação desse dinheiro. Mas se até o PAC está emPACado, inaugurando obras pela metade ou já construídas a muito tempo, isso fica meio difícil.
Para vocês terem uma idéia, perto de minha quadra construíram um belíssimo posto policial comunitário. Só que cortaram o telefone do edifício! Os policiais e a comunidade têm que se comunicar por meio do orelhão localizado alguns metros ao fundo do posto.
Os nossos representantes são pouco criativos. Quando se vêem com algum problema de caixa, a solução é sempre aumentar os tributos. Não conseguem bolar outra forma de gastar menos, onerando menos o contribuinte.
E por falar em gasolina, fiquei muito feliz com a decisão da prefeitura de Nova York em priorizar o pedestre, colocando o carro em segundo plano. O tráfego entre as ruas 42 e 47, de Times Square, descendo a Broadway até a Macy’s, nada de carros. Isso vai tumultuar a vida dos motoristas? Vai, mas a decisão mostra a priorização do prefeito Michael Blommberg pelo transporte público. A cidade oferece um sistema invejável de transporte público, não há necessidade de veículos egoístas com um ou dois motoristas dentro poluindo e obstruindo a cidade.
Enquanto isso, em Brasília, e em todas as outras capitais do país, o negócio é duplicar vias, pontes e viadutos. Para o carro, tudo! Para o pedestre, nada! Nada de ciclovias, vias exclusivas de ônibus, extensão real do metrô, pedágios dentro das limitações urbanas para incentivar ao motorista deixar o carro na garagem (por mim, iam todos para o ferro-velho!).
Voltando ao assunto original, impostos, que têm tudo a ver com a decisão de priorizar os carros. Com tanto IPVA, ICMS, tributos, taxas em cima de automóveis e seus agregados (auto-peças, combustíveis, etc.), os governos são reféns dessa forma distorcida, nada prática e autoritária de transporte.
































