terça-feira, junho 13, 2006

Croatas caem no samba!!


E, assim como aconteceu em 1970, quando os comunistas se reuiniram e decidiram que era ok torcer pelo Brasil, mesmo implicando propaganda para o governo, eu me reuni com minhas várias personalidades e decidimos que, se eles podiam, nós também podemos. Então: dá-lhe Brasil!!!

segunda-feira, junho 12, 2006

Cada ação provoca uma reação.






Vocês nunca se perguntaram porque os cachorros atacam os humanos? Vejam, nas fotos acima, a resposta! Quando morava no Rio, fica bobo de ver os cariocas enfiarem suéters em seus cachorros quando a temperatura baixava dos 19 graus! Dá-lhe dentes!

sexta-feira, junho 09, 2006

Viva a Seleglobo!


Subindo no elevador, meu vizinho pergunta: “E aí, vai torcer para a Seleção da Rede Globo?” Não entendi nada. A ficha só caiu vendo o Jornal Nacional. Não é estranho que a Seleção representa o país, mas só a Globo tem acesso aos jogadores, ao técnico, aos treinos? E aquele bonequinho da Vivo no uniforme? Muito esquisito. Parece que a realidade Blade Runner, onde as corporações tudo controlam, está chegando.

Voltando à Seleção, vocês provavelmente viram Lula, o Candidato, numa seção de perguntas e respostas com os jogadores. Sabiam que a condição era: somente o Presidente pergunta, os jogadores só respondem. Indagações ao Lula eram proibidas. E tem gente que acha que a música Censura está ultrapassada!!!

Já o Ronaldinho, que não foi fazer campanha pró-Lula nas seção de perguntas e respostas armada pela Globo, deu um golaço com a resposta ao Presidente que perguntou ao Parreira se o Fenômeno estava gordo. Ele, irritado falou: “Se você acredita o que lê na imprensa, acredita que eu estou gordo, então eu também acredito e acho que você é um bebum, cachaceiro!” Muito boa!

Eu queria ver um Kaká marcar um gol e comemorar levantando a camisa do uniforme para revelar outra camisa escrita: Seja Alguém, Vote em Ninguém!

quinta-feira, junho 08, 2006

Seja Alguém.....


No último BMF (Brasília Music Festival), quando fui apresentar Voto em Branco, falei de um político brasiliense que, quando foi senador pelo DF, acabou mentindo, jurando uma inverdade, depois chorou, pediu desculpas e, covardemente, renunciou ao cargo. Não foi o único que mencionei na tentativa de alertar sobre como os candidatos se mostram e como na verdade são. Mas esse sujeito, em particular, ficou ofendido, pegou o telefone do Philippe e ficou enchendo o saco. Quis nos processar, mas sacou que somente falamos a verdade. Estamos num ano de eleições. E de copa! Quando saio para o trabalho de manhã, fico assustado com o número de bandeiras, da cidade pintada de verde e amarelo. Lembro que não estamos na ditadura, que aquilo não é uma ação “moral e cívica” dos militares e me acalmo um pouco. Só para ficar novamente apavorado quando constato que tem mais adesivos nas janelas dos carros desse político do que bandeiras pró-seleção. Não preciso explicar o desenho do Angeli, acima. Muito apropriado.

terça-feira, junho 06, 2006

Invadiram o Congresso Nacional!

Estou rolando de rir, enxugando as lágrimas que jorram para fora desses olhos felizes. O plenário da Câmera dos Deputados está lotada numa terça-feira, coisa inédita. Mas não pensem que é por vontade de trabalhar de nossos representantes. É que estão com medo, acuados, cagando nas calças. O MST invadiu o Congresso Nacional e está realizando o sonho de milhares de brasileiros: dar porrada nos deputados!

Liguem na TV Câmara, é hilário ver os cagalhões medrosos justificando a força policial, querendo que a imprensa não dê foco nos invasores. Olha, nunca fui simpático ao MST, mas dessa vez estou aplaudindo em pé.

Quando do Giraffest, o Philippe disse que o sonho dele era ver as milhares de pessoas que estavam para o show, um dia, na frente do Congresso Nacional protestando. Acho que deveríamos todos ir para lá, dar força aos sem-tera invasores.

Sensacional, não há outra palavra

Pensamento do Dia

Suzane von Richthofen consultando o advogado:

- Eu tenho alguma chance de ser absolvida?

- Só se for julgada pelo Congresso Nacional !!!

Homenagem ao Nettinho.


Não conhecia pessoalmente o guitarrista dos Detonautas. Uma vez esbarramos com eles no backstage da gravação da homenagem ao Renato Russo. Me chamou a atenção a alegria da banda de estar lá prestando as devidas honras. O baixista até me deu uma palheta personalizada que usei no show do Girrafest (é muito boa!). Segunda, quando li a notícia de sua morte, assassinado numa tentativa de assalto, uma tristeza muito grande se apoderou de mim. Imediatamente a letra da Legião soa na minha cabeça: “porque que os jovens sempre sofrem” (ou algo nessa linha, não me lembro bem da letra, mas sim do tom de tristeza e do significado). Quantos morrem assim, que não são celebridades e, por isso mesmo, ficam no anonimato? Voltando ao caso específico do Nettinho, o cara estava fazendo o que gostava, não incomodava ninguém – vítima de um incidente estúpido.

Poderia falar sobre como a bolsa-família, principal arma eleitoreira do PT, estimula as pessoas a não fazerem nada. Como o assistencialismo, do qual o Brasil é vítima durante décadas, é apontado como o maior causador do abismo social. Poderia apontar dedos e escolher culpados diretos e indiretos, mas não vou fazer nada disso. Essa é uma homenagem a uma pessoa que não conhecia, mas poderia conhecer. A alguém que vivia de música, que trazia um pouco de alegria àqueles que gostavam de seu som. Repouse em paz. Amém.

segunda-feira, junho 05, 2006

Sexta Doom no Porão





Porão do Rock - sexta-feira – 2 de junho de 2006. Noite dos camisas pretas, e não me refiro ao movimento pró-Mussolini na Itália, antes da segunda guerra mundial. São os fãs do metaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal!, que comparecem em hordas para prestigiar Lobotomia, Totem, Paul Di’ Anno, entre outros. Não sei o que o Cólera estava fazendo no meio, destoando, no bom sentido, de tudo isso. Aliais, lágrimas foram contidas vendo o Cólera. Quando do lançamento do Nunca Fomos, éramos unha e carne. Sempre em São Paulo, a Plebe vivia com os caras. O reencontro foi emocionante. E sábado foi aniversário do Pi R, parabéns!! Vejam as fotos.

O nosso set de dj foi muito divertido. O Balé entrou com um peso de bigorna, manobrou para um tecno e aterrisou no velho e bom Devo. Bacana.

Para marcar o começo dos trabalhos, comecei com Highway to Hell, tocado pela banda country Hayseed Dixie, com direito a solo de banjo e tudo. Os metaleiros até que levam jeito para o country, deveriam frequentar mais feiras de agropecuária, he he he. Depois, um mash de Nirvana Teen Spirit com Billei Jean do Michael Jackson. Tinha uns que não sabiam se dançavam, me xingavam ou se divertiam. Em seguida, Vines misturado com Pink, com a mesma reação da platéia. Daí, foram três versões reprogramadas de grandes hits, com a batida comendo solta: Whole Lotta Love, Eye of the Tiger e Pink Floyd. Legal que quando o groove começa a aparecer, as garotas voltam à pista, que até então só tinha garotão. Daí foram, Robot Rock, do Daft Punk, um mash de Satisfaction com Fatboy Slim e, para terminar, Vou Criar Galinha, do Agildo Ribeiro, com solo de galinhas fazendo boc-boc-boc.

Queria tocar mais, mas o Igor chegou e foi tomando conta dos decks (deram uma hora para cada um). Gostei da reação do público, tirando uns radicais, como da foto acima, acho que todos conseguiram se divertir. Não é o que costumo tocar, mas achei legal trazer um pouco de bom humor à noite negra do porão.

sexta-feira, junho 02, 2006

É Hoje! Porão do Rrrrrrrockkkk!



Dei a notícia errada! Balé e eu (mais Igor Cavalera e outros dê jotas) estaremos hoje (repito: hoje!) na tenda do Porão. Acima, um flyer feito pelo Balé para o evento do ano passado. Ignorem a data.

Espero que estejam lá para me proteger dos metaleiro enfurecidos quando tocar AC/DC misturado com Miss Eliot (eta!).

quarta-feira, maio 31, 2006

Poente em Brasília


Severino Cavalcanti – a piada política de 2005 – deu uma entrevista dizendo que já tem 100 mil votos garantidos para que volte ao Congresso como deputado. Sim, aquele mesmo contra experiências com células tronco. Aquele que extorquiu o dono de um restaurante para que o estabelecimento continuasse a funcionar no edifício do Congresso. Não é que o povo tenha memória curta. Não tem nem memória! Não entende que é o dinheiro deles que está sendo desviado para contas de deputados.

Mais de metade dos deputados e um senador estão comprovadamente envolvidos com o desvio de dinheiro destinado a ambulâncias. Sabiam que mais da metade das mortes por remoção acontece porque não há um transporte eficiente para levar o enfermo/acidentado ao hospital? Esses, além de serem cassados, deveriam cumprir pena por assassinato!

O Quércia, símbolo de político corrupto no final do século passado, agora é a salvação do PMDB. Hoje, está reunido com Lula para traçar estratégias que beneficiem ambos. Será que vão lembrar da gente?

Mensalão está comprovado que existe. Além dos abonados salários, deputados e assessores recebem mensadinhas do PT para formar a base governista. É o mesmo que por a raposa no galinheiro. Enquanto não tem fome, não mata as galinhas. Cassaram o Jefferson e o Dirceu e todos fazem um acordo que mais ninguém vai ser punido. Beleza, né?

Por tudo isso, publico a foto, acima, gentilmente encaminhada pelo Kuala Bala Ribeiro. Por do sol em Brasília é isso aí. Aceitam uma fatia?

terça-feira, maio 30, 2006

Picolé de Macaco



O macaco da foto, acima, ilustra muito bem o jeito de pensar da maioria da nossa população. Sejam ricos, sejam pobres, a tendência é sempre pensar no curtíssimo prazo, nas vantagens do agora, não dando importância à construção de um futuro sustentável e próspero.

Voltando ao caso do macaco ártico. Para se proteger das épocas mais frias do inverno, o símio adota hábitos nômades, procurando temperaturas mais amenas ao sul ou norte, conforme for o caso. Mas estar em constante mudança dá trabalho, exige preparação, planejamento, plano de curso, racionamento dos alimentos, proteção da família, enfim, se gasta muita energia. O nosso amigo da foto achou uma piscina de água quente brotando do chão. Oras, pensou, vou me aquecer dentro dela e, assim, me proteger do frio.

Agora está numa sinuca. Se sair, a água no seu pelo vai congelar e o macaco morrerá de hipotermia. Já, se optar por ficar dentro da piscina, morrerá de fome. Por optar pela saída mais fácil – se proteger na água quente – o peludinho condenou sua existência na terra a poucos dias. Se tivesse escolhido a opção mais trabalhosa – migrar – poderia viver mais uma dezena de anos.

Vejo muito jovens optando pela saída mais fácil: deixar de estudar, preferindo um empreguinho agora. Oras, o salário paga o cinema e o refri, pra que mais? Porque, meu caro, um dia você vai precisar de casa, vai ter que sustentar uma família, vai querer montar o seu negócio, vai preferir um emprego mais desafiador. Ser burro é muito fácil. Ser medíocre é moleza. Difícil é ralar anos para ser um médico, um técnico de som, um engenheiro. Viver à sombra dos outros é mole. Fazer a sombra que abriga outro que dá trabalho.

Os políticos brasileiros seguem bem a linha de raciocínio do macaco ártico. Preferem roubar agora, depenar o patrimônio público, desconhecendo que comprometem gerações à ignorância e pobreza. Roubar agora e encher de dólares uma conta num paraíso fiscal é moleza. Construir uma nação forte, competitiva e independente dá mais trabalho.

O negócio é que a saída fácil prejudica não só os outros, como, principalmente, o feitor, o que opta por ela. A próxima vez que passarem por uma piscina quente e estiverem com frio, pensem duas vezes, suem a camisa, queimem os neurônios. Vocês não vão se arrepender. Melhor um cabeça quente do que um picolé humano!

segunda-feira, maio 29, 2006

White lables e Boots.

Desculpem a desaparecida! Peguei dois dias de férias e me desliguei do mundo. Voltando à real, descobri que teve um terremoto na Indonésia (novidade ruim), que o Lula ainda tá inaugurando coisas por aí (nenhuma novidade) e que o Atlético Pr. ganhou e pulou para o 10º lugar do brasileirão (novidade boa)!

Bem, e novidades da Plebe?, vocês devem estar perguntando. Tem, mas não vou abrir o bico para não melar! Vocês terão que esperar!

Enquanto isso, preparo o meu set com DJ no Porão, no sábado, dia 3. Como já adiantei, só estarei tocando white labels ou, como também são conhecidos, bootlegs. O que vem a ser isso? Saca só: o garotão em casa, munido de um computador e uns softwares de áudio, pega uma música, digamos Owner of a Lonley Heart do , urg!, Yes. Ele decompõe a música e remonta ela de outro jeito. Vira uma versão bootleg.

Outro exemplo: o cara pega duas músicas que não têm nada a ver uma com a outra. Digamos Smells Like Teen Spirit, do Nivrana, e Billie Jean, do Michael Jackson. E funde as duas!! Fica outra coisa, dá pra reconhecer as duas canções, mas é diferente das duas originais.

Isso é o que estarei tocando na minha hora comandando os decks. Estejam lá, de cabeça aberta, dancem e curtam!

quarta-feira, maio 24, 2006

X no Porão do Rock

Como no ano passado, estarei discotecando no Porão do Rock, na noite de 3 de junho. Ao contrário do ano passado, não tentarei impor um set de punk/post-punk/new wave para um público misto que não tem definição de estilo. O que farei é tocar uma hora de bootlegs, aquelas versões não oficiais de músicas remixadas e jogadas na internet. Se preparem para ouvir o batidão de Sunshine of Your Life, do Cream; Strange Love do Depeche Mode, Wholo Lotta Love, do Led. Tudo retrabalhado, reeditado.

terça-feira, maio 23, 2006

Chaves, pior que Colombo!



Certa vez, antes de usurpar a noção do socialismo para justificar suas ações ambiciosas, Hugo Chaves proferiu a frase: “Cristóvão Colombo foi muito pior que Hitler”. Referia-se, é claro, ao genocídio do povo índio praticado pelos colonizadores espanhóis. Vários historiadores acham a frase muito simplista, pois não toma o grande número de tribos que se aliaram aos europeus invasores e outras tensões inter-nativos. No entanto, faz sentido – se bem que, saindo de Chaves, deve ter uma agenda oculta que logo aparecerá (invadir a Espanha, talvez).

O que me chama atenção é que é muito provável que, dentro de algumas décadas, um futuro líder venezuelano declare: “Chaves foi muito pior que Colombo!” Vai olhar para seu país, isolado do mundo, tendo como aliados uma Bolívia reduzida à sucata, com o povo mais sofrido do que antes. Nem uma Cuba vai estar do seu lado, tendo em vista que após a morte de Castro, a ilha se integrará ao mundo globalizado, se transformando em fornecedora de vacinas, estado-da-arte em medicina e, claro, charutos.

Num recente fascículo da revista neoliberal Economist, um balanço da América do Sul é feito. Por incrível que pareça, e eu concordo, elogiam muito o Lula, dizendo que, pelo menos economicamente, tem a cabeça no lugar. Podemos criticar, mas o Brasil está bem melhor que seus vizinhos. Podemos achar que há espaço para melhoras, mas nossa economia apresenta sinais de robustez.

O principal elogio, que também assino embaixo, é que o Lula, ao contrário dos nossos “priesidientes” vizinhos, tem uma política externa de união. Ele não ataca, tenta negociar, achar o ponto comum e chegar num acordo. Já o Chaves, não. Esse adora usar a velha teoria maquiavélica de achar um inimigo do país para desviar o foco do povo. Evo Morales também faz isso – e o inimigo somos nós, personificados na Petrobrás. Kirchner também nos escolheu, junto com o Chile, como agressores aos interesses argentinos (só se for no futebol, he he he).

Nesse momento que o Lula não é mais presidente e, sim, candidato; que não despacha mais do Palácio do Planalto, mas sim de um jatinho entre uma inauguração e outra; que não é mais idealista, mas sim estadista, buscando apoio de quem quer que seja (Quércia?!?! Sarney!?!), ainda assim, relativamente aos nossos hermanos, estamos bem melhor.

sexta-feira, maio 19, 2006

Inéditas.


Mais um take inédito do novo clipe do CapIn. Nessa cena, notem no fundo, alguns paralamas tomando baculejo da polícia.



Outra inédita: foto da sede de consultoria em polícia usada pelo Governo de São Paulo.



Bom fim-de-semana para todos!!!

quinta-feira, maio 18, 2006

Fê Lemos Solo no O'Rilleys


Depois do megashow na Esplanada, o Girrafest, o Capital Inicial foi embora, mas o Fê Lemos ficou em Brasília para apresentar o seu trabalho solo, capturado no CD Hotel Básico (já mencionado nesse blog). Fez dois shows, um na livraria Cultura, no domingo, e outro, de onde vem a foto acima, no pub O'Rilleys.



O que admirio no trabalho do Fê é uma busca alternativa para o pop. Tenho certeza que muito roqueiro torce o nariz por ser muito "eletrônico", e muito raver torce o nariz por ser muito "pop", mas é uma quebra de paradigmas do que vinha realizando com o Capital. Quando toca ao vivo, o Fê fica nos controles e em alguns vocais. Além dele, viaja com uma vocalista, a Talita, aí na foto, e o Nivaldo na guitarra, que não aparece.



Philippe Seabra pedindo um autógrafo do Fê!

Obrigado, Lidiana, pelas fotos!

quarta-feira, maio 17, 2006

Outros cameos no clipe do CapIn




O Didiu Mocó gentilmente disponibilizou mais dois frames do novo clipe do Capital Inicial, anúncio de refrigerante, que deve estreiar no final do mês. No vídeo animado, estarão presentes várias figuras da tchurma de Brasília que deu origem ao rock desta capital federal. Acima, o saudoso Fejão e o Little Quail and the Mad Birds, que, apesar de não serem da tchurma original, foram muito inspirados por ela.

E lembrem: vocês viram primeiro aqui!

terça-feira, maio 16, 2006

Síndrome do Pânico em SP

Pâncio em SP! Conforme comentário do Black, o Clemente foi profeta, visionário. Não desmerecendo o Clemente, tendo a discorda. Os fatos estavam claros – tensões sociais geradas por falta de investimento em educação, orçamentos que interessam os políticos, não os governados, forte presença do governo onde não deveria haver governo (cinema, informática, comércio, futebol, etc.), falta do governo onde deveria estar presente (saúde, segurança, educação). Qualquer um poderia ver que forças paralelas às oficiais estavam se organizando, ocupando o vácuo deixado pela ausência do Estado. Sinais visíveis nas periferias, nos morros, nos condomínios da classe-média. Um dia, uma dessas organizações ia se achar mais forte que o Estado e desafia-lo. Esse dia chegou.

Segurança pública não dá voto. Educação também não. Pontes e praças sim. Por isso a concentração de políticos cortando fitas nas inaugurações de obras e nenhum mostrando os benefícios de uma política de longo prazo de aplicação pedagógica ou de uma integração polícia-bairro. Só tem um jeito de mudar isso – não votem nos que aí estão. Escolham os novatos. Dêem uma chance aos calouros.

Alguém viu a patética entrevista do Governador Lembo no Jornal Nacional de ontem? Para ele, nada de errado estava acontecendo, somente uns incidentes isolados. Que papo furado! E os paulistas ainda terão que agüentar essa mula até o fim do ano. Mas liguem não, ele já negociou com o PCC. O que ofereceu em troca do cessar-fogo não sei, mas vai sair do bolso de vocês. Outra dica: tomem cuidado com os vices! Enquanto o titular prosa, o vice versa! Tenham em mente os extermindadores-de-futuros Sarney, Itamar, Lembo, entre outros.

Mas tudo isso vocês já sabem. A solução é de longo prazo. Requer investimento agora, trabalho duro e colher os frutos no futuro. Isso demora muito, não reelege ninguém. Enquanto isso, ficamos espremidos nas trincheiras entre os tiroteios entre os marginais nas prisões e os marginais nos prédios públicos. Chamem o Lula para inaugurar uma praça! Convoquem o Lembo para ..... ih, nem me lembo......

segunda-feira, maio 15, 2006

Plebe em clipe do Capital!


A Plebe Rude, em sua formação original, estará no próximo clipe do Capital Inicial, da música Anúncio de Refrigerante. Fizemos as pazes com o Gutje? O Jander mudou de idéia? Nada disso, trata-se de clipe animado pelo mestre Didiu. Aqueles ligados nos Ratos do Porão devem se lembrar de um clipe que ele desenhou para a banda dois anos atrás (ou mais?). Vejam a cena, acima. Trata-se de um resgate dos shows que ocorriam no Foods, uma lanchonete na Asa Sul. Vejam o Jander, com seu colete de brim. O Philippe com seu topete exagerado. E esse que lhes escreve com a camisa com o A da anarquia. Didiu, faltou o detalhe, que abaixo do A tinha a frase: "enforquem o Fábio Jr."

MTV - seu passado, seu presente.

Clipes promocionais de músicas de artistas surgiram nos meados da década de 1960, quando mega-bandas como os Rolling Stones e os Beatles se tornaram tão grandes que era impossível atenderem toda a demanda de aparição em TVs pelo mundo todo. A solução foi filmá-los fazendo mímica para seus últimos sucessos e mandar o clipe para àquelas estações que quisessem exibi-los. No seu formato inicial, eram bem toscos e ingênuos. No entanto, as raízes dos vídeos que conhecemos hoje podem ser traçadas para as seqüências musicais de filmes como Help! e Hard Days Night.

Mas foram os Monkees, aquela banda sempre acusada de copiar os Beatles, que, no seu programa televiso semanal, que cunharam o que viria a ser a programação de vídeos. No programa, sempre havia clipe para uma música da banda, mostrando, além dos músicos tocando (fazendo mímica) seus instrumentos, uma história que tinha a ver com as letras (ou não – o programa, um favorito deste que lhes escreve, era muito doido).

Não é a toa que a idéia da MTV surgiu da cabeça de um ex-Monkee, o Michael Nesmith, o mais sério do quarteto trapalhão. Quando deixou a banda, nos anos 1907s, ele começou a criar um monte de clipes para promover a sua carreira solo. Daí, para a criação de uma estação de TV que passasse exclusivamente vídeos musicais, foi um pulo.

Mas no começo, acreditem se puderem, a MTV não tinha acesso a grande número de clipes. Tinham que mendigar nas gravadoras para que liberassem os vídeos promocionais de graça, sem cobrar pela exibição. Não havia caído na cabeça obtusa dos executivos fonográficos (assim como hoje, são lentos para ver oportunidades) a força que isso teria nas vendagens de seus produtos.

À época, vendas de discos estavam em livre queda. As grandes rádios americanas baseavam os seus playlists em consultorias contratadas para planejar a sobrevivência das mesmas. Para tanto, aconselhavam, e elas idiotamente aceitavam, só tocar rock tradicional, antigo. Bem, se é antigo, é bem provável que o ouvinte já tenha o disco, então não comprava nada de novo. Acontece que essas bandas tradicionais, Lynard Skynard (eca!), REO Speedwagon (Deus nos livre!), Deep Purple, Sabath e outras dessa laia não tinham vídeos promocionais. Quem tinha eram as chamadas bandas New Wave – Elvis Costelo, Talking Heads, Thomas Dolby, Thompson Twins – que tinham uma base artística bem mais abrangente que a musical. Então, a MTV passou a tocar esses, por falta de outros clipes.

Foi a salvação da indústria! Onde tinha MTV, vendas de novos artistas começaram a subir, e muito. De uma hora para a outra, o canal parou de solicitar os clipes e passou a negociar com as gravadoras para tocá-los, com vantagens para o canal, claro. Foi o fim da novidade, da chance de mostrar novos artistas. Claro que as empresas fonográficas investiam naqueles que dariam o maior retorno, os velhos artistas, as Madonnas da vida, os mais maleáveis e vendáveis.

Uma história bacana – e triste ao mesmo tempo – é a relação do Devo com a MTV. Dois integrantes do Devo sempre foram defensores do vídeo clipe. O Casale e/ou Statler dirigiam todos os clipes da banda, tinham um acervo imenso dos hits devianos. A MTV chamou eles para uma reunião e literalmente implorou que deixassem exibir os vídeos de graça. Eles aceitaram, crente que seria para sempre um canal que apoiaria os novos diretores, novos conceitos e novas bandas, sem preconceito, sem jabá. Quando a MTV estourou, o Devo encaminhou o seu novo clipe, da música That’s Good. Qual a surpresa dos caras quando os executivos da MTV quiseram censurar a cena de uma batata frita passando por dentro de um donut – desculpa fiada para não tocarem o clipe. Como o Devo não tinha cacife para negociar, nunca tocou.

Achei interessante todos conhecer como funciona o mundo executivo-musical. Ninguém é inocente (talvez somente o Devo), não há almoço grátis. Fico imaginando o que poderia ser uma MTV vibrante, inovadora, independente. A brasileira dá de dez na americana, que é totalmente controlada pelas megas corporações. Ainda consigo assistir a nacional. E nossas VJs dão de dez nas gringas, he he he.

(Fonte da informação: MTV and the Second British Invasion, artigo escrito pelo Simon Reynolds).

sexta-feira, maio 12, 2006

Giraffest - fotos de Guilherme Fontes






Como havia dito: o fluxo de informações no meio digital é muito legal. Vejam as fotos, acima, tiradas pelo Guilherme Fontes. Gostei principalmente da camisa que ele pintou com os 25 anos da Plebe, devidamente autografada.

Blog, blog, blog.


Lembram do Lula, Paz e Amor?

É interessante ele lembrar do ditado popular: “O Amor é como capim. Você planta, ele cresce...Aí vem uma vaca e acaba com tudo!”

Por falar em amor, acordei entusiasmado com blogs. Acho que são o futuro da literatura cotidiana, da notícia independente, da informação sem filtros. Prova disso são os inúmeros jornalistas que têm blogs dentro dos sites dos grandes jornais. Tudo bem, na verdade não são blogs, pois se sujeitam às regras editoriais dos jornais, mas muitos começaram com blogs.

Sei que têm dois leitores do blog que mantêm blogs, a Pamela e o Black. Inclusive, no blog desse útlimo, tem entrevista minha, do Clemente, do Dado e outras figuras. O cara é um entusiasmado pela night, valendo a pena entrar no seu submundo. Acessem www.brblack.com. O da Pamela, não me lembro, mas é legal e ela pode postar aqui o endereço.

Aliais, vamos postar blogs pessoais ou indicações de blogs legais. Pra que quero jornais???

A resposta que estou tendo com o X da Questão me anima muito. Vou para Nazaré das Farinhas e encontro leitores. Daí, a gente continua um papo que rolou no blog, como se estivéssemos conversando a tempos. Dá uma intimidade maior, diminuindo o maldito fosso artista-fã que alguns metidos a pop-star insistem em manter. Fazemos um show e o pessoal manda fotos, dizem o que acharam. Temos uma resposta instantânea, de pessoas interessadas – não jornalistas tentando fazer um texto bonitinho para seus jornais.

Estamos todos de parabéns.

quinta-feira, maio 11, 2006

Girrafest - Deu no Correio Braziliense



Girrafest - Fotos do Jr.




Giraffest - Passagem de Som




Eu adoro o mundo digital! Fotos, textos e músicas fluem muito naturalmente. Não há espaço para a privação de dados.

As fotos acima foram tiradas na passagem de som. Postei uma do Clemente instruíndo a equipe técnica sobre o que quer no palco (muuiiita guitarra!). O cara que parece o Bel do Chiclete com Banana é o nosso técnico de som, o Conde Vlad. E um excelente técnico por falar nisso, com um conhecimento profundo em rock ao vivo. O carinha afinando o violão, lá trás, é o Júnior. Competentíssimo e confiável. Faltam o Carlinhos, da luz, que vcs conhecem das fotos de Farinha e o Felipão, que ainda estava no avião. Ah, e o loirinho sentado ao lado do Clemente é o Gustavo Conhaque Dreher, que fez o som do palco.

terça-feira, maio 09, 2006

Giraffest - primeiras fotos.




Fotos tiradas pelo colega baceninao Emílio Carlo, utilizando um celular.

segunda-feira, maio 08, 2006

Giraffest - considerações póstumas.

Certamente foi o maior público que já pegamos pela frente. Bateu o recorde do aniversário de Brasília de 1987 (ou foi 88?) quando tocamos para mais de 50 mil pessoas. Na ocasião o Kid Abelha esnobou a gente no hotel e, enquanto eles tocavam, o público demandava: Plebe! Plebe! Foi uma vingança legal.

Mas voltando à girafa fria, ops, vaca fria: muita gente! Uns diziam 180 mil. Eu chuto lá pelos 100 mil. Mas, por incrível que pareça, não houve aquela ligação energética com o povo. Tocamos maravilhosamente bem. Mas a faísca não voou. Acho eu. O Clemente adorou. O Philippe mais ou menos. O Txotxa gostou. Gostaria de ouvir opinião dos presentes.

A interação entre as bandas não rolou como imaginava. Ficou cada um meio que confinado nos seus respectivos camarins. Tirando o Fê e o Flávio do Capital que circulavam entre a galera. E a Plebe, claro, parece que nós quatro temos fobia de camarim! Mas deu para dar um oi no Dado, Bi, Barone e Hebert. Dinho ficou ouvindo AC/DC a todo volume trancado no seu camarim. Mas tenho que tirar o chapéu para ele, puta showman, segurou como nenhum outro, naquela noite, o público. Ficou com eles na palma da mão. Melhor show do festival, certamente, o Capital saiu com a medalha de ouro. E a de prata, quem leva?

Estou à cata das fotos para postar aqui. Mandem!

quinta-feira, maio 04, 2006

Os Quatro Mosquiteiros


O diabo não é mais inteligente, é mais velho. Com a idade avançada, olhamos para os acontecimentos sob uma perspectiva menos emocional, mais racional. Com a experiência, sabemos que soluções radicais sempre prejudicam alguns que, mais cedo ou mais tarde, irão demandar reparos – talvez utilizando meios mais radicais ainda. Como o Philippe tão inteligentemente colocou na entrevista dada pela Plebe após o Porão do Rock 2005, hoje sabemos que o mundo não é preto, nem branco, é cinza. Sabemos que o imediatismo leva á soluções precárias. Principalmente sabemos que a negociação pode ser difícil, parecer impossível, mas sem ela, não haverá um mundo decente.

Vejo a foto, acima, e fico com medo de encontrar esse bando numa rua escura, à noite. De diabo do ditado popular não têm nada – nem inteligência, nem experiência – a não ser a ambição que deve ser resolvida a curto prazo. Custe o que custar. Vejamos o caso da Bolívia. Veja o que a Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa escreveu em sua coluna, que concordo inteiramente:

“O governo brasileiro, embalado pelo sonho distante de liderar a América Latina, afastando-se o mais possível do imperialismo americano, caiu nas artimanhas do crescente imperialismo venezuelano. Hugo Chávez dá as cartas e isso ficou extremamente nítido nesse último fim de semana, véspera do Primeiro de Maio em que Evo Morales resolveu cumprir aquilo que prometera ao seu eleitorado. No dia 1º de maio não ‘nacionalizou’ o que sempre foi boliviano, os recursos minerais. O que fez foi expropriar bens brasileiros e ocupar instalações da Petrobras com seu exército.

A Bolívia, para usar uma metáfora que não é futebolística, mas que estaria ao alcance do presidente-candidato, se ele porventura viesse a ler este texto, saiu do colo da mamãe e caiu nos braços de uma amante instável, mais velha e muito ambiciosa. Será que o povo boliviano, além de poder gritar a plenos pulmões: “É tudo nosso!”, vai poder usufruir de suas riquezas, com mais escolas, hospitais, estradas, saneamento básico e tudo o mais que torna um país civilizado?”


Nada mais fácil do que carimbar o bem de outros com o nosso nome. E o Chaves, espertalhão, já mandou técnicos da estatal venezuelana para substituir os técnicos da Petrobrás (não há técnicos bolivianos capazes de operar os bens desapropriados da empresa brasileira). Valeu, Morales, agora não é mais dependente dos brasileiros, mas sim dos venezuelanos – qual a diferença? É dependente do mesmo jeito.

Será que nunca passou pela cabeça dele uma negociação do tipo: ok, Petrobrás, vocês ficam aqui, mas treinam meus técnicos, que deverão fazer parte chave (não Chaves) da sua equipe? Algo que a longo prazo traga benefício para os dois lados? Mas para que negociar? Não cria alarde, não dá manchetes e, por isso mesmo, não dá votos. Acontece que quando o Morales terminar seu mandato, viajará o mundo cobrando caríssimo por palestras em universidades européias e americanas. Em dólares, claro. Enquanto o povo boliviano continuará sem escolas, saúde e pobre.

Olha o aviãozinho.....


Do jeito que a informação voa pela rede virtual, tenho certeza que todos já viram a charge, acima. Mas decidi publicar aqui, mesmo arriscando ser uma “piada datada” para frisar o descontentamento com políticos da laia do Garotinho.

A gota d’água que fez com que sua candidatura fosse inviabilizada foi a descoberta do repasse de dinheiro público a ONGs criadas por empresas que doaram dinheiro a campanha do pequeno Garoto. De acordo com a lei, não é necessário fazer licitação quando ONGs estão envolvidas. Como o carioca é criativo, heim? Criaram ONGs só para receber grana do governo fluminense (e tenho certeza que não é exclusivo do Rio esse golpe).

O que me impressiona é a quantidade de dinheiro repassado, mais de 300 milhões de reais. Imagine o impacto disso na rede educacional do estado. Ou na saúde? Eu sou totalmente favorável a acusar corruptos de assassinato em massa. Bastaria provar que o dinheiro desviado causou danos à população, resultando em morte de crianças. Indo mais longe, poder-se-ia traçar uma linha de causa-consequência mostrando que a falta de educação pública levou a população a ter subempregos, que pagam mal, que obrigam o trabalhador a morar em condições subumanas que geram mortes. Roubou dos cofres públicos? Crime hediondo! Paredão!

O Garotinho se meteu numa sinuca de bico. A saída mais honrosa seria morrer de desnutrição. Qualquer outra, ele vai sair humilhado. E ninguém leva a sério essa greve de fome. Sentir fome no aconchego de um prédio de luxo é moleza! Quero o ver fazer essa greve na caatinga. Feche a boca, Garotinho, o Brasil tem a ganhar.

quarta-feira, maio 03, 2006

Giratock ou Woodraffa?

O Giraffestival que acontecerá no próximo dia 6 de maio (sábado, agora!) será uma homenagem e tanta ao rock de Brasília. Acho que é a primeira vez que músicos da tchurma se reúnem depois de estourar nacionalmente. Paralamas – os responsáveis pela contratação da Legião e da Plebe Rude – são os “padrinhos” da turma. Capital e Plebe, bandas irmãs, naquilo que diferem e naquilo que são iguais. E o Dado representando a Legião. Grande sacada! Vai ser interessante a química dessa junção de egos, amizades e camaradagem.

Parece que estão estimando 60 mil pessoas – ou mais, pois são 80 mil ingressos à disposição. Para pagar, basta levar um quilo de alimento não perecível ao Giraffas. O Clemente está chegando amanhã, quando os ensaios serão intensificados. Adrenalina já corre na veia, véio!

terça-feira, maio 02, 2006

X in Sampa

Passei esse último fim-de-semana em São Paulo, passeando com a Rosa. No sábado à noite, fomos assistir o Echo & the Bunnymen no Credicard Hall. É a quarta vez que vejo os coelhinhos de Liverpool – e uma das melhores! O Echo faz uma coisa que é muito Plebe (ou será que é vice-versa?) de dar ênfase à cozinha. O baixo e a bateria ganham importância fundamental na construção das músicas. As guitarras “respiram” bastante, deixando lacunas para os outros instrumentos aparecerem. É uma técnica muito usada pelo Philippe, que admiro muito. Como baixista e, também, como apreciador de música.

Pontos altos do show: tocarem músicas antigas “não-hits”, como The Disease; qualidade do som; a guitarra do Will Sergeant; a luz, simples, bonita e eficaz.

Pontos baixos do show: o McCullock exigindo mais animação do público. Porra meu, vocês tocam música melódica, tingida por traços depressivos, levando o ouvinte à introspecção. Não é axé não, ninguém tem que ficar pulando e gritando com seu som, mas sim meditando e curtindo.

Evento ridículo: um baixinho do meu lado, querendo mostrar empolgação e seu conhecimento de inglês, só que gritava tudo errado. Querendo xingar o Ian, ao invés do “fuck you” mandava o “fuck me”! Isso no intervalo de todas as músicas! Querendo que voltassem depois do bis, ao invés do “come back” gritou “go back”, que é exatamente o contrário. Intencionava gritar "mais um" e soltou o "again". Se o Echo fosse atender, teria que tocar a mesma música novamente. Teve um monte de pérolas desse tipo saindo de sua boca. Que falta um bom skinhead não faz numa hora dessas!

sexta-feira, abril 28, 2006

Dia Internacional da Educação

Fiquei muito feliz quando liguei a TV, ontem, e vi o MV Bill fazendo propaganda do Dia Internacional da Educação. É hoje, minha gente, 28 de abril! Fiquei frustrando quando o comercial chegou ao fim e não era patrocinado pelo Governo, mas sim pela Unicef. Ingenuidade de minha parte pensar que alguém no nosso governo está preocupado com a educação.

Estudos mostram que a falta de educação formal é responsável pela violência, desemprego, pouca produtividade dos trabalhadores, falta de saúde e até a corrupção. Epa, acabei de descrever o Brasil!

Sempre achei que era teoria da conspiração, mas começo a acreditar quando dizem que os oligarcas nordestinos freiam avanços na educação para não perder o voto de seus rebanhos. Hoje começo a achar que é verdade.

Já imaginaram um Maranhão educado? Iriam derrubar o Sarney e promover queima do livro Marimbondos de Fogo. Uma Alagoas letrada? Tchau Renan. Até nunca mais Collor!

É significativo que o Dia Internacional do Trabalho seja dois dias após o da Educação, pois esta precede aquele. Educação é fundamental para se ter um bom emprego. Mas estamos longe de atingir esse sonho. Vamos continuar disfarçando nossa incompetência em ser um país do futuro com futebol, carnaval e pagode. Que disperdício.

segunda-feira, abril 24, 2006

Pop subversivo.


Muitos vão tentar me internar, outros vão achar que perdi a noção do ridículo, portanto acho bom sentarem antes de ler, porque vou falar bem de quatro conjuntos assumidamente pop dos anos 80s. Na verdade, à época, eu achava-os insuportáveis, escapismo barato, ópio para o povo. Gozado como as aparências enganam. Por trás das músiquinhas açucaradas e fáceis de assimilar desses conjuntos, rolava muito mais que aparentava.

Contextualizando, no início da década de 1980, o post-punk era a coisa mais excitante em termos musicais que havia. Conjuntos como o Pop Group, Slits, PiL, Magazine, só para mencionar alguns, debatiam e colocavam em prática a subversão do rock, tentando torná-lo mais político, sem ser dogmático; trazê-lo ao povo, sem ser popular; expurgá-lo dos clichês, sem deixar de ser divertido. Esses objetivos eram muito debatidos entre os músicos e na imprensa especializada. Mas falharam numa coisa: tornar o rock digerível e popular às massas.

ABC, Heaven 17, Associates e Scritti Polliti cresceram ouvindo o som do post-punk (e do punk também) e sendo bombardeado por essa retórica que era debatida nos bastidores. Quando chegou a vez deles tomarem as rédeas de suas composições, tentaram um caminho diferente. Ao invés enfiar goela abaixo um som difícil de assimilar, optaram por deixá-lo o mais doce e tragável possível, de criar um pop que todos assimilariam bem, mas que traria no seu coração as mensagens e subversão do post-punk. Para tanto, optaram pelo computador, pelo sintetizador, algo definitivamente post-punk, no sentido de exorcizar o “Chuck Berry” do rock n’ roll. Optaram por produções primorosas, disfarçando um conteúdo politicamente volátil como música descartável.

O ABC, vindo de Sheffield, a cidade industrial mais socialista da Inglaterra, adoravam as letras do Gang of Four, que conseguiam politizar até uma transa, como na música Natural Is Not In It. Muito letrados, fizeram uma série de letras no mesmo veio, falando de oferta e demanda, de contratos subliminares e da socialização dos papéis dos sexos. Só que na hora da música, pegaram o Trevor Horn, conceituadíssimo produtor, e falaram: torne nosso som tragável para as massas. Resultado: o primeiro disco, Lexicon of Love, se torna sucesso mundial. Só que ninguém tinha idéia do que estavam ouvindo.

O Heaven 17 começou com a separação do Human League em dois times. Quando o Martyn Ware e o Ian Craig Marsh deixaram a banda, formaram primeiro o British Electronic Foundation – BEF, que não era uma banda, mas sim uma corporação musical, que geraria uma série de afirmações musicais importantes. Conseguiram algo imaginável: assinar com a Virgin, uma mega-gravadora. Pelo contrato, tudo que produzissem teria que ser lançado, e o que estourasse teria que ser repetido. Primeiro, para não assustar os executivos, lançaram o Heaven 17, que foi um estouro. Tudo bem, você torce o nariz, mas veja o primeiro compacto: (We don't need this) Fascist Groove Thang, uma música alertando o mundo sobre as eleições simultâneas do Reagan, nos EUA, e a Thatcher, na Grã Bretanha. Um pop dos mais pops, tinha tudo para chegar no top dez, mas foi banido pela BBC, por ser político demais. Com o sucesso do Heaven 17, Martyn e Ian financiaram um monte de outros projetos, não tão pop assim.

Saca só a capa do primeiro disco. Para mim, estão tentando avisar que estão nessa como infiltrados no sistema, pegando o dinheiro e usando para algo mais nobre. Talvez os “robin hoods” do pop?

O Scritti Polliti e os Associates seguiram a mesma trilha, conseguiram colocar nas paradas músicas acessíveis, porém examinando mais de perto, altamente inflamáveis. O problema todo é que a fórmula pop que inventaram – sim, ainda por cima tinham um som característico – foi imitada por vários outros, a maioria manés, sem uma base conceitual, que faziam pop por fazer pop e levar a vida de pop-stars. Tudo que o punk e o post-punk lutaram tantos anos contra. Muito desses vocês conhecem: Duran Duran, Eurorythimcs, Culture Club, Simple Mindes, etc.

O ABC e o Human League se revoltaram contra isso e substituíram seus teclados por guitarras, suas baterias eletrônicas por bateristas de carne e osso. Eles perceberam que geraram uma geração sem conceito, nem base. Sendo antenados, previram que o pop voltaria para as guitarras, para as raízes. Mas seus fãs não acompanharam a mudança, preferindo ficar com os falsos profetas do novo pop, mencionados acima.

O lado ruim disso é que, para mim, pelo menos, a música continua sendo difícil de ouvir. Muito pop. Mas tiro o meu chapéu pelo maquiavelismo do esforço.

quarta-feira, abril 19, 2006

Pose na ponte.


Óia nóis na ponte! Fazendo pose de roquenroul! Esse rio é aquele que serve de depósito de lixo para a cidade.

terça-feira, abril 18, 2006

Fazendo sala com Dona Lurdes


Saca só a sala da sede da fazenda da Dona Lurdes! Foi bem bacana ficar hospedado lá, diferente da frieza habitual dos hotéis.

Cinema do Vampeta


Em Nazaré das Farinhas funciona o cinema mais antigo em funcionamento da América Latina, cujo propretário é o Vampeta. Olha nós lá! O cara que parece o Sideshow Bob, dos Simpsons, é o nosso iluminador, o iluminado Carlinhos. Os outros dois são plebeus que vieram especialmente para ver a Plebe, abraços! O Txotxa não aparece porque está tirando a foto.

Jorge e eu.



Atravessando a baía de Todos os Santos, pela barca, rumo à ilha de Itaparica, encontrei o Jorge Amado à bordo!

segunda-feira, abril 17, 2006

Nazaré das Farinhas

Quando Txotxa, Philippe e eu chegamos no aeroporto Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, a equipe do Rio já estava lá nos esperando. Uma notinha sobre o nome desse aeroporto: tenho certeza que, quando o ACM falecer, os soteropolitanos irão tirar essa homenagem ao filho do cacique e reverter para o nome antigo: 2 de julho. Dois acarajés depois, chega o Clemente, vindo de SP, e partimos de van para Nazaré das Farinhas. O motorista nos informa que a cidade fica a duas horas, se formos de balsa, e três, se pela rodovia. Decidimos pela primeira.

A balsa que atravessa a Baia de Todos os Santos é um espetáculo à parte. Não só pela vista que proporciona ao viajante, mas também pelas figuras que estão a bordo. Do andar que fica no nível do mar, são mais três para cima, e um para baixo. Esse que fica abaixo, nem nos arriscamos a entrar, parecia algo como o trailer do filme O Albergue misturado com aqueles quadros dos navios negreiros que víamos na escola. O que nos chamou a atenção foi que tudo que era consumido a bordo e gerava resíduo, o lixo era jogado no mar. Latas, garrafas, paus de picolés, papel, etc, todo acaba na baia. O Clemente chupou um picolé e ficamos procurando uma lata de lixo. Como não tinha (!!) ele jogou no chão, num cantinho. Logo veio um sujeito e falou: porra, pára de sujar o barco, e tacou tudo na água! Temos muito que evoluir ainda.

Durante a travessia, nos animamos ao encontrarmos uns plebeus indo à Nazaré exclusivamente para ver a Plebe. Muito legal isso, estar viajando junto com o público.

Uma hora depois estávamos na praça pública da cidade, onde está acontecendo a Festa do Caxixis. Um palco montado numa ponta da praça, na outra, uma antiga ferroviária. Decidimos dar uma volta e encontrar o cinema do Vampeta. É o cinema mais antigo da América Latina em funcionamento. No caminho, mais plebeus, que nos acompanharam até o edifício, que estava fechado.

Sei que é clichê, mas quando a gente viaja por esse país reparamos que existem vários Brasis. A realidade de Nazaré das Farinhas é completamente diferente das grandes cidades. O rio que corta a cidade é onde vai parar todo o esgoto e a maioria do lixo. O poder público não se faz notar. Típico. O único contato com o mundo moderno é patrocinado pelo Paraguai e a China na forma de produtos pirateados: Cds, DVDs, óculos e relógios. Incrível como os contraventores são mais organizados que o Estado!

Como não havia hotel ou pousada disponível, ficamos hospedados numa fazenda. A proprietária, Dona Lurdes, nos recebeu muito bem. A sede, com mais de trezentos anos, é típica da época, com casa grande, senzala e engenho. Até fabricam a própria cachaça, chamada Mulata Boa. Dona Lurdes fez questão de fazer sala para quem quisesse ouvir as suas histórias e proporcionou um lanche reforçado de 50 pães, queijo, café, batata doce, bolo de aipim, etc. Valeu!

O show deve ter sido bem diferente dos outros do festival. Primeiro, não éramos axé, nem pop. Segundo, na frente, plebeus estavam dando um show à parte, dançando, fazendo mosh, gritando. Agradecemos a todos pelo incentivo. As centenas restantes de pessoas ficavam olhando como se fossemos uma aberração. Durante Voto em Branco até que se tocaram que a mensagem que tínhamos para transmitir era positiva. O prefeito que não gostou muito, he he he. Acho que ele quer se reeleger.

Terminando o show, direto para a van para enfrentar três horas de viagem até o aeroporto de Salvador. 24 horas depois de sair de Brasília, estávamos em casa novamente. Rock n roll!

PS – Fotos serão postadas ao longo da semana.

quarta-feira, abril 12, 2006

Sub do Txotxa



Em junho, o Txotxa revindicou merecidas férias à Paris. Tudo bem, falamos, mas se pintar algum show, teremos que ter um sub. Certo, Txotxa, achei o cara que vai ficar no seu lugar durante sua curtição no velho mundo. Saca só a habilidade, dextreza e ritmo do sujeito. Aprova?

Conheça o Brasil pela Varig.

Sabe aquela padaria perto de sua casa, que fornece pão para o bairro? Bem, imaginem o seguinte: o padeiro, dono do estabelecimento, não tem um controle muito rígido do fluxo de dinheiro. Mistura os recursos para pagar fornecedores junto com os que são para salários; não obedece a uma agenda de pagamentos; não prevê contingências para dias ruins, digamos, para quando a farinha estragar e não houver possibilidade de nova compra. Além disso, de fez em quando, mete a mão na caixa, pegando umas notas para pagar suas contas particulares. Um dia, a padaria vai à falência. O padeiro, desesperado, vai ao governo que, com dinheiro do contribuinte, estabelece um plano de socorro á padaria.

A situação da Varig é a mesma coisa, só que a dívida é um pouco maior: 7 bilhões de reais. Um dinheirão e tanto que nós, contribuintes, vamos pagar para salvar alguns empregos e uma diretoria incompetente, se o governo federal cair na cilada sendo armada pelas centrais sindicais e altos dirigentes da empresa aérea. Ouvi no rádio que dizem que o dinheiro público não será usado para esse fim. Mas e o perdão de dívidas? No Brasil, isso é muito comum. O cara fica anos sem pagar seus impostos e taxas e ainda ganha um perdão do governo se ele se “legalizar”. Assim como querem fazer com os madeireiros no Mato Grosso.

É muito incentivo para não ser honesto no Brasil. Aliais, quem anda na linha é um trouxa, pois todo o esquema está armado para burlar a lei, para ser mais esperto que os outros, para apunhalar nas costas. Vide a absolvição do João Paulo Cunha, mentiroso confesso. Mas tem uma luz no final do túnel: a Procuradoria Federal indiciou a turma do mensalão, indicando o Dirceu como chefe da quadrilha. Será que eles vão dar o exemplo que todos esperamos? Ou essa luz é um trem vindo na nossa direção?

segunda-feira, abril 10, 2006

Cadê os Ecoterroristas Brasileiros?

Hoje, ouvindo a CBN, mais especificamente o boletim Ecopolítica, do Sérgio Abranches, fiquei chocado com a notícia transmitida. Considerando a atual crise de governabilidade, da falta de ética, do péssimo exemplo vindo dos nossos representantes, não deveria ficar surpreso, mas fiquei.

No Mato Grosso, a Secretaria de Meio Ambiente resolveu legalizar as madeireiras ilegais. Só isso já é um absurdo, pois legalizadas, poderiam transportar e comercializar toda a madeira retirada ilegalmente. O gancho é o seguinte: elas se legalizam e ainda tem um desconto de 70% das multas. É mole, ou quer mais? Daí, ficam com todo o estoque, resultado do desmatemaento. Só que nenhuma se apresentou. Detalhe, o poder público sabe exatamente quem são, onde estão, o endereço, dono e telefone. Então o que fazem? Dão mais 60 dias de prazo para se cadastrarem.

Juram que, se nenhuma se legalizar eles vão cair em cima, marcar pesado. Isso é papo para boi dormir. Esse pessoal não tem medo nenhum do Estado. Inclusive, acho eu, eles são o Estado, estão infiltrados em todos os níveis de governo, das câmaras de vereadores à polícia. O mais impressionante é que os fiscais deram uma declaração dizendo que o movimento continua, que grandes carretas ainda continuam transportando a madeira ilegal.

Pô, se os caras são fiscais e estão vendo o movimento, então porque não param a coisa? Porque não multam, prendem? Não há interesse nisso, claro. É tudo uma encenação. Enquanto isso, ninguém vai se regularizar, o governo vai continuar aumentado o prazo e aos poucos nossas florestas vão virar um deserto, a água vai acabar, a natureza vai morrer.

Acho que está na hora da sociedade civil entrar na roda. Lá na Califórnia, tem um grupo de ecoterroristas que são organizados como a Al Qaeda, em células. Você pode desmontar uma, que as outras continuam. Ninguém sabe quem é ou não do movimento. Muitos agem sozinhos. Eles fazem coisas do tipo: queimar condomínios privados que invadem florestas; sabotam as serras de madeireiras; destroem carros que consomem muita gasolina nos pátios das revendedoras. Tem até um advogado que é o porta-voz do grupo.

Pagamos nossos impostos, mas somos obrigados a pagar planos de saúde, educação privada e segurança contratada. Já que temos que fazer todo o papel do Estado, vamos começar a cuidar de nossas matas. Não deve ser difícil sabotar umas carretas, hackear contas das madeireiras, jogar ovos nos lobistas que as defendem. Mãos à obra!

sexta-feira, abril 07, 2006

Shows no horizonte.

O show do dia 15 de abril, véspera de feriado, será na Festa do Caxixis, em Nazaré das Farinhas, em praça pública. Acredito que será aberta ao público. Mas uma vez, quem imprimir uma página do blog e entregar nas minhas mãos, será beneficiado com uma cerveja (ou refrigerante), enquanto os estoques durarem.

Está ficando cada vez mais interessante o Giraffestival, que acontecerá na Esplanada dos Ministérios no dia 6 de maio. Além de Capital Inicial e Plebe Rude, estão escalados o Dado Villa-Lobos e os Paralamas. Só o pessoal da tchurma das antigas. Espero que alguém esteja filmando, vai ser difícil um encontro desse tipo novamente.

E, ontem, o Philippe fez mais uma apresentação com seu Clash City Rockers, desta vez no O’Riellys Pub, aqui em Brasília. A novidade é que, no público, estavam os Paralamas do Sucesso, que participaram na jam-session final.

Como eu disse: estamos decolando novamente!

quinta-feira, abril 06, 2006

Papo Divino no Conic

Outro dia, passeando pelo Conic, vendo as vitrines das lojas de skate, um sujeito metido num terno surrado castanho e uma gravata folgada roxa se aproximou e mandou a seguinte frase: “Jesus Cristo é o Senhor!”.

Eu respondi: “Você deve estar me confundindo com outro, me chamo André e não precisa me tratar por senhor.”

Ele ficou me olhando e repetiu o bordão: “Jesus Cristo é o Senhor!”

Retruquei: “Olha, eu devo ser muito parecido com ele, mas não sou o filho de Deus, mas sim do professor Charles, da UnB. E não precisa desse formalismo todo, pode me tratar por você.”

Papo vai, papo vem, fomos tomar um pingado no pé sujo ao lado do Cine Ritz. Aproveitando estar confraternizando com um evangélico fervoroso, quis tirar uma dúvida. “É fato de que a Bíblia só ganhou um formato escrito após 500 anos de transmissão oral.”

“É a palavra de Deus!”, responde ele.

“Tudo bem, mas o ouvido é do homem. Você já brincou de telefone sem fio?” Ele balança a cabeça, afirmando que sim. “Então, se em menos de um minuto a mensagem se deteriora, imagine em 500 anos.”

Ele pensa um pouco e devolve o argumento: “Os três reis receberam Cristo, eles têm fé!”

“Quais, Elvis, Pelé e Roberto Carlos?”

“Heim?”

“Tudo bem, então vamos mudar de assunto. Sabe aqueles motoqueiros de Cristo, surfistas de Cristo? Como é que se pilota uma moto pregado numa cruz? E para surfar, deve ser muito difícil, a não ser que a cruz flutue.”

Ele não entendeu bem a piada e mandou: “Ah, mas tem os jogadores de Cristo, Kaká, Marcos, entre outros.”

“Pois é, isso me irrita no futebol. O cara marca gol, levanta a camisa do clube, revelando outra por baixo, onde está impresso EU coração JESUS, e sai correndo apontando para o céu. Queria ver um jogador maluco marcar um golaço, sair apontando para o chão e mostrando uma camisa EU coração O DEMO.”

“Jesus está acima dos homens!”

“Mas ele teve amante, a Maria Madalena.”

“Porém nunca pecou!”

“Nunca fez sexo?”

“Nunca.”

“Porque? Chegava em casa e usava a desculpa que estava pregado?”

O sujeito não gosta muito do papo, se levanta, joga uns trocados na mesa, pagando sua conta e se afasta falando: “Jesus Salva!”

E eu grito de volta: “Mas o diabo faz backup!”

terça-feira, abril 04, 2006

Covers e coveiros.

Se o Hellradio ainda estivesse no ar, eu gostaria de transmitir um programa dedicado a algumas bandas de cover que fazem umas versões, digamos, diferentes das músicas originais. Algumas, acreditem, melhores no formato readaptado.

Poderia começar com o Jah Division, banda de Brooklyn, Nova York, que toca versões reggae das músicas do Joy Division. É interessante, porém não tão efetivo quanto aos desbravadores dessa idéia, que é o Dread Zeppelin. Esses, com competência, faziam o John Bonham revirar no túmulo com excelentes versões jamaicanizadas dos hits do Jimmy Page e Cia. E o melhor, o cantor, ao invés de ser um clone do Robert Plant, era uma cópia do Elvis. Vi eles uma vez no Imperatriz, no Rio de Janeiro, no começo da década de 1990. Bizarro é um termo muito leve. Stairway to Heaven em versão reggae, com um Elvis gordo cantando foi esquisito demais.

Tem também o Hayseed Dixie que, se você pronunciar bem rápido, soa algo como AC/DC. E é isso mesmo, uma banda caipira que toca todas as músicas dos australianos em versão country. Muito comédia. É bom para fazer os metaleiros terem um infarto. Acho que já tem dois CDs gravados, e um com algumas versões de Kiss também!

Tem outras versões country que valem muito a pena cavar para ouvir. Uma é dos Kingswoods para Pretty Vacant, dos Pistols. O John Peel, quando fazia seus sets, sempre incluía essa música. Outra é dos Bad Livers para Lust for Life, do Iggy Pop. Ambas sensacionais.

A melhor faixa da fraquíssima trilha sonora do Great Rock n Roll Swindle é um pot-pourri em ritmo discoteque dos hits dos Sex Pistols, tocada pelos Black Arabs.

Minha grande frustração é que ninguém ainda fez um cover de uma música da Plebe. Mas não queria que tocassem uma versão xerox, mas sim reelaborarssem a canção para a gente ver outro lado da coisa. Talvez um dia....